Alexanderplatz Warmup
a tarde foi gira, alexanderplatz é a loucura humana, vagas de ost berliners, nenhuma gota igual à outra (ao contrario da paradigmatica seriacao fordiana do oeste de berlim) mas todas distintamente provenientes da mesma fornada emancipativa, cada um como que uma celebracao individual, atraves da sua unicidade, da libertacao da cinzenta era da demokratische deutschland republik (curiosa contextualizacao da palavra demokratische...). Falam alto, saltam, gritam, riem, skateam, patinam e assemelham-se a seres humanos. é a antítese do robótico oeste. neste cenário e já com uma intimidade relacional quase ao nivel de namoro solido surfamos melancolicamente o oceano alex e por lá permanecemos, encharcados na pluralidade de costumes e disfarces durante um par de horas, ao ponto de nos esquecermos que tinhamos combinado a 4D com a laura, coordenadas julius-leber-brücke às 1900.
Intro: Jim Beam, Ballantines
chegados à JLB decidimos dar um pulo à residencia para consumo mínimo duma garrafa de whisky. tinhamos uma de ballantines que ia a meio (cortesia minha) e, previsivelmente, durou poucos instantes. decidimos ir a uma festa privada dum colega de turma da mais bela do universo (se nao concordarem considerem uma hiperbole) mas era estritamente necessário que se levasse alcóol segundo ele. como se fosse preciso alguém me obrigar a levar alcóol, penso eu, no meu cinismo quadrático vermelho. e ajo, a mim nao bastam palavras e pensamentos, ha que agir, e foi neste espirito que arrastei as chicks germanicas a comprar uma de whisky (o mais barato - 16€ jim beam straight bourbon) pra party. escusado sera dizer, em retrospectiva, que nao foi de grande utilidade para quem esteve na party. sempre soube isto mas na altura simulei genuinamente que se tratava duma oferta à comunidade festiva. assim, armados alcóolicamente para o que desse e viesse (se nao concordarem considerem uma hiperbole) lá fomos de encontro a outro grupo que também se dirigia para a mesma festa, perdendo 20 minutos com isso, mas em toda a honestidade foi a melhor opcao, ja que nunca se sabe que tipo de ambiente poderemos encontrar pelo caminho nas ruas caóticas de berlim do sul. no outro dia sofremos uma emboscada do PKK em schöneberg que, confesso, me surpreendeu, pela negativa. nao so almejaram um target politicamente invalido como eu como denunciaram a sua presenca, à priori, quando estupidamente comecaram - a propósito do feriado do haaj - a emanar sonoridades ancestrais alusivas ao ala ou maome ou lá o que é, dando-nos tempo mais que suficiente para nos deitarmos no chao em posicao fetal, logo protegidos de qualquer tipo de agressao física, verbal ou moral. aporcalips cow style.
a ponte sobre o rio Steglitz
do momento em que nos encontramos com a outra micro-tribo militar até à casa do bacano passaram-se 45 minutos, dois autocarros riding black, e zero conversas com interesse. incrementei em 0,02% o meu conhecimento de alemao fazendo uso da minha habilidade sensorial e ganhei pouco mais com toda esta aventura. conclui que precisava de me encontrar comigo proprio numa outra dimensao. ficou o encontro marcado, so tava a uma viagem alcóolica de distancia e ja tava na paragem à espera.
se nada funcionasse, podia ficar a olhar para ela a noite toda. a sua dinamica me hipnotiza, viu velho? mas claro que tudo iria funcionar e lá chegamos a casa dele e a primeira impressao foi determinante, tavamos perante um anfitriao que era um palhaco do caralho inda por cima tinha nome de ex-jogador do porto, dimitri. eu era o unico estrangeiro, o que nao me incomodava, nao fosse o facto disso fazer com que tivesse que levar com a ridicula tentativa de pronuncia americana desse anormal. mas ya, tamos em steglitz, sul de berlim, zona rica e de moradias, e a casa dele insere-se bem neste cenario (desolé, ja usei duas vezes esta palavra). DJ a bombar sonoro, alcóol como o caralho e vem tudo mamar do nosso jim beam, razao pela qual apos cuidadosamente medir duas ofertas meto o resto no meu copo e no delas e siga pra bingo. nao bebi de penalty mas considero que foi das vezes em que fui mais veloz em eliminar o conteúdo do copo. os dados estavam lancados e la me fui dando com um ou outro. estava naquele ponto em que me torno relativamente sociavel e em que embarco em conversas rotineiras com aparente comforto. em suma, um ser odioso.
Warp speed 7
digo em mute boa noite a todos e despeco-me tambem de mim. encaminho-me para a twilight zone em warp speed. devoro jägermeister, glühwein, rotwein, cerveja, mágoa futebolísica, júpiter e alpha centauri B e entro em queda livre no estado etereal da sublimacao ebria. guardo ao meu lado (algures à volta da consciencia q sou) tres
inverno nuclear
nao tinha a certeza se o meu ego era aprazivel a ela mas pelo menos ja sei que com o alter ego nao vou la. o dia seguinte foi um retrocesso de 30 anos em berlim e o muro voltou a existir. faltou saber quem tava de que lado mas pelos vistos o meu grau de isolamento afectivo sugeria fortemente que eu personificava o lado sovietico. sugeri um passeio ao leste para me procurar a mim proprio e ela acedeu. inspirada pelos historicos ares asseverou-se na frieza de trato e naturlisch agora sinto me um tyler durden mas sem classe nem estilo. fortissimo na auto destruicao, viciado na desilusao. um anti bon vivant hoje. amanha outra coisa, como todos acho.
tragedia? tragedia seria ter nascido do nacional, isto é ter 25.
somos rapazes sem nome...
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