
tavamos a voltar dum dia proveitoso amorosamente mas frustrante na ponta final. à semelhanca da noite anterior (em que soltei um veemente e irreflectido "you two get lost" - como é hábito em funcao dum paranoico mal entendido) patenteei grosso trato com as miudas, insultando-as por terem ficado meia hora a falar com amigos q ja nao viam ha meses (desde barcelona), alegando q eles so as queriam foder (zaga!?) e que as tavam a conseguir controlar com falinhas mansas. este episódio ganha contornos especialmente ridículos se considerarmos que foram eles q andaram grande parte da noite a tentar garantir a nossa diversao colectiva. de qualquer forma, a caminho de casa tento reconquistar a confianca do meu alvo primordial mas o destino eh rico em supresas e um casal de tugas cruza-se conosco convergindo na caminhada, coincidentalmente, para o mesmo hostel que nos. o resto da madrugada monopolizado pelo casal, e eu, pacientemente, sentado na sala de espera, ela ao meu lado a dar sinais de cansaco, ambos a simular interesse pelo contexto mas só à espera do desenlace, para clarificar o resto da noite. tinhamos dormido as ultimas quatro noites juntos mas a segregacao por genero do hostel evitava, ah primeira analise, a minha longest streak desde q nao namoro com a cantora/DJ/investigadora/barwoman/compositora/pianista madeirense. passados cerca de 30 minutos de calvario a ouvir lugares-comum de viagens pelo leste europeu segredo-lhe que me vou deitar. ela responde na mesma moeda e eu solicitio esclarecimento: vais para a tua cama ou para a minha? a resposta, consistente com o aparente paradigma de "2008 annus mirabilis", levantou o problema de contornar a seguranca atenta do hostel. para vir para o meu quarto seria necessario primeiro enganar um vigia que freneticamente percorria qualquer corredor que propagasse a minima onda sonora. a solucao obviamente passava entao por ludibriar o vigia, fazendo-o crer q tinhamos ido para quartos separados. concordamos no plano de accao mas faltava o pormenor: "what's your room number?" pergunta ela. eu, profundamente atordoado com a minha leita mas seguro de que os ensinamentos do velho 007 me garantiriam uma falsa transmissao de compostura por intermedio da classe respondo nao verbalmente mas calmamente mostrando o numero na chave. "it reads 1.02 my dear, i'll meet you there" digo pra dentro. e fui o james bond em estocolmo com uma bela modelo alema por um dia.
clássico, nao fosse o facto de termos sido apanhados.
abort mission, Mr. Bond. and remember... tomorrow never dies.
(na imagem pode-se contemplar a minha postura geral na sala de estar do hostel, em 2080)
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