bem, as meninas alemães estavam na Madeira. um mês antes tinha iniciado a minha cavalgada triunfante para conquistar uma delas, ignorando por completo todas as insignificantes vicissitudes paralelas da minha vida como perder cadeiras, foder as férias aos amigos (desculpem way e mike em berlim e estoicolmo, desculpa só way no estados unidos da madeira) ou me tornar um bulímico moderado e consciente - reparei que enumero sempre 3 coisas, quando é pra enumerar, mas 2 é pouco e 4 é exagerado portanto vou continuar nesta medida - mas não de propósito pq não faço merdas de forma premeditada já que sou um espírito livre e ser random é fixe (só li kerouac depois de já ser assim...).
na noite anterior tinhamos tado nas vespas, a discoteca da moda há 20 anos apesar de nobres esforços da concorrência (particularmente o molhe, onde só começei a entrar por cunha apenas para descobrir que divertia-me mais quando ficava lá fora a ler as mãos às gajas que tavam na fila e a andar à porrada com xavelhas - ocasionalmente e sempre por provocações involuntárias). fomos lá bater no encalçe dum passeio matutino antisocial pela baixa funchalina e duma festa privada (*chic*) de casais onde discuti com o meu par e acabei por me sentir deslocado apesar de conhecer todos. sin embargo fiz o que mandam as regras em caso de nos sentirmos deslocados numa festa e bebi aguardente até o limite de capotar. mas uma aguardente potente, daquela que o ruben não consegue beber e/ou que faz o martelo fantasiar de que se encontra no GTA4 e se chama niko belic. **Mando Diao - Annie's Angle - descobri que odeio esta merda, delete**
Figura 1///eu e ruben trocamos impressões
como é hábito, depois de embriagado(eufemismo), ganhei a habilidade de rir e fazer rir e parti para mais uma actuação notável a nível social, culminando no realinhamento emocional com a minha futura ex-namorada. a minha situação é curiosa e contrária às definições psicológicas: eu não tenho problemas sociais por causa do alcoolismo, pelo contrário, eu só como alcóolico resolvo os meus problemas sociais.
Figura 2///momento de obtenção de clímax social
dito isto retomo as vespas e o tal negligenciar do amigo que me visitava na madeira(amo-te luís), atraído por uma motivação obsoleta de alguns meses antes, deixando-o completamente de parte (e à motivação obsoleta) para poder aproveitar o momento de coragem alcóolica e dar linguados na minha namorada duma ponta a outra da pista. isto porque só andavamos há 15 dias e eu já não beijava uma gaja sóbrio há 1 ano e meio (tempo passado desde que a minha última namorada acabou comigo injustificadamente) mais meio (sim os últimos 6 meses de relação foram frios), portanto simplesmente comportava-me como um troglodita de 12 anos durante o dia mas à noite era o grande campeão macho dos beijos porque tinha justificação para beber. **KINGS OF LEON - SEX ON FIRE.mp3 - o mundo é meu**
Figura 3///entusiasmado com o alcóol
na verdade acabamos por sair todos muito bem aviados daquele estabelecimento de diversão noctura, tou convicto que cada um com as suas razões (no caso da minha deusa a situação foi clara - a determinado momento ficamos sozinhos com a minha ex-namorada e duas das suas três irmãs num daqueles grupos de dança que inexplicavalmente se formam em círculo). tinhamos o carro direitinho à porta, eu já o trouxera da festa privatta a uma média de 130 km/h pela encosta abaixo e fui imediatamente afastado da possibilidade de o voltar a conduzir pelo conselho de trento. em vez disso deixei o carro nas mãos da motivação obsoleta do meu amigo (é uma miuda porreira, laura se tás a ler isto tou a ser injusto porque posso) que garantira que estaria em condições de nos dirigir a casa. ok senhora.
Figura 4///"i'll take the car"
escusado será dizer que mal entrei para o banco de trás do carro e para o conforto peitoral da minha cônjugue adormeci. isto em vão já que apenas 2 minutos depois acordei em sobressalto com "oh noooo"'s a todo o espectro sonoro audível. uma operação stop com polícias paradigmáticos (bigode e uniforme azul), portanto ou era um scam muito bem feito ou vai na volta era mesmo verdade. e foi verdade. e ela acusou 1.3 gramas de alcóol por km^3 de sangue. e tudo a rir, e eu pra mim foda-se mas estes gajos nunca foram apanhados numa stop com alcóol ou q? somos todos meninos aqui? era como se não soubessem a) que iamos tar até às 10 da manhã na esquadra e b) que havia a possibilidade real de no outro dia ainda termos que voltar para ir buscar a condutora encarcerada. confirmou-se a a) para meu desespero (entretanto obviamente reprimi fortemente a atitude de gracejo deles todos e acabei eu próprio encarcerado socialmente nas 3 horas que tivemos na esquadra) mas a b) não, para desespero do way. ficou marcado julgamento para daí a 2 dias.
10 da manhã chegamos a casa comigo a conduzir a viatura ainda em estado lastimável, a minha única preocupação durante os 15 minutos de viagem sendo tentar não bater no carro do meu pai quando chegasse. como se não bastasse todo este cenário os meus pais tavam acordados o que naturalmente não constitui nenhum problema não fossem eles me relembrar que teriamos que comparecer a um almoço de família pré-marcado e de desmarcação parcial impossível ao meio dia, num aglomerado de casas remoto chamado ribeiro frio, no meio da ilha. isto veio como um choque para mim: não só teria que aguentar um almoço de família inteiro com uma ressaca clássica mas também disporia de todo o dia para matutar nos prováveis 1000 euros de multa a dividir por 4 que era nosso destino pagar como preço pelaquela brincadeira dumas horas antes.**Tiga - Shoes.mp3 - tou no lux sem pagar 12 euros"
com isto tudo nem tentei simulações de sexo, já que sexo ainda era cedo (gosto das mulheres assim, difíceis) e limitei-me a dormir, provavelmente até para alívio dela. 2 horas passadas acordo como fantasiara 2 horas antes: com o lobo frontal esquerdo temporariamente desactivado e o direito em agonia. mais, tinha que guiar e já tavamos atrasados porque era pra tar lá ao meio dia e já era meio dia e elas ainda tinham pela frente 2 horas de maquilhagem e manipulação de cabelo.
depois de me ter sentado dentro do carro à espera delas durante 2 horas que pareceram 2 anos lá partimos para o restaurante em marcha rápida, como é meu timbre, apenas para aos 20 minutos de viagem, no meio da serra, meter o carro numa vala e rasgar um pneu. a este ponto para mim já podia acontecer tudo. tava num estado de resignação tal que me tornara imune a qualquer estímulo ou evento exteriores à minha convicção esperançosa de que aquele dia um dia ia acabar.
vou ao sport baggage sacar da chave pra mudar o pneu só para descobrir que a chave não era adequada. isto levou a que por uma fracção de segundo reactivasse o meu lobo frontal esquerdo para me indagar sobre a lógica do fabricante em pôr uma chave que não servia às rodas do carro em que se encontrava. conclui que era uma boa oportunidade para me irar e finalmente tomar um curso de acção útil e então amandei com a chave para meio do mato espinhoso da floresta laurissilva, património da humanidade. achei humoroso na mesma maneira que se acha quando um ser humano como o mr. bean sofre episódios sistemáticos de infelicidade consecutiva. **Smashing Pumpkins - Tonight - guitar hero world tour, dava tudo pra jogar agora**
um carro faz stopped atrás de nós e sai um velho de 30 anos ao qual explicamos todo o sucedido nas últimas 6 horas. o gajo ri-se nostalgicamente, de certeza relacionando as nossas peripécias com as dele na altura que tinha a nossa tenra idade, e oferece ajuda. a primeira merda que reparo é que a chave dele é igual à nossa pelo que soltei logo a minha contribuição conhecedora ao informar de que afinal de contas a ajuda dele nao ia adiantar nada. felizmente ele, como é hábito com a maioria das pessoas, ignorou a minha opinião precipitada e limitou-se a tirar as capas dos pernos das rodas. assim já servia, tanto a chave dele, como a minha - agora perdida no meio do mato como castigo por ser inútil, como os bébés norte coreanos. a patroa deliberou que eu deveria ir buscar a chave de volta e prontamente acedi sem partir para a agressividade verbal, racionalmente trabalhando para ver se conseguia um bocado de sexo antes que ela bazasse 3 dias mais tarde. acabou por não ser tão mau quanto isso (refiro-me a ir buscar a chave ao mato). a comichão insuportável das urtigas e o ardor constante dos espinhos da carqueja acabaram por deslocalizar a atenção da minha cabeça em erupção.
vou interromper esta história porque não tenho paxorra pra tentar desesperadamente fazer o resto parecer mais interessante do que o que foi. comemos espetada, milho frito, salada, bebemos brisa maracujá, vimos ovelhas a brincar e fomos pra casa ver o pôr-do-sol e eu, sóbrio, nem um beijo lhe dei, à minha namorada. felizmente no verão vou ter mais 12 oportunidades para compensar.
Figura 5///romântico, mas não o suficiente
agora que me lembro podia ter escrito sobre tanta merda interessante que se passou nos últimos 25 (quase 26 xD) anos mas tava a efectuar a minha habitual ronda nostálgica de fotos da minha deusa (obrigado pat por cunhares o termo) antes de dormir e lembrei-me desta vulgar história com contornos de banalidade a roçar o livro que quando tinha 15 anos era da categoria intelectual mas se fosse parte do programa de Português B como a aparição não valia um caralho - falo do alquimista, livro traduzido para 753 línguas o que diz muito (ou tudo) sobre o IQ médio da população mundial (é 100). boa noite e boa sorte. **buraka som sistema - kalemba.mp3 - pongo love é o que está a batereeeeh**
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