só uma cena : nao consigo conceber por um momento que alguém que realmente tenha pensado a fundo na condicao humana nao acabe penosamente na anarquia/niilismo. geralmente o percurso desconstrutor dum jovem que nasceu onde nasci deverá ser: democracia crista -> socialismo -> comunismo -> anarquia/niilismo, do mais saloio ao mais impraticável. e depois o beco sem saída deste aparente vácuo ideológico sugere uma plataforma de entendimento entre o que é, em teoria e última análise, a verdade (a de que a moral é um artifício humano, a lei a sua máquina) e a praxis. entao conformamo-nos com o sistema vigente, obviamente o pior de todos os sistemas algumas vez pensados, exceptuando todos os outros. e por falta de capacidade intelectual nao consigo pensar em qualquer outro, como o génio marx fez, por exemplo, e portanto sou um apoiante passivo do que se passa agora. rejeito, como ser com um pingo de inteligencia, que se volte à anarquia, despotismo, tribalismo ou feudalismo, com agriculturas de subsistencia e ausencia de moeda de troca com a justificacao de que vivemos num sistema injusto e acima de tudo injustificado. porque a moral nao existe, é um artifício. porque as morais do mundo sao todas tabeladas de acordo com canones religiosos obsoletos. mas ajudam a organizar a sociedade. sao aparentemente necessárias porque aparentemente a natureza humana nao é estritamente boa, ou melhor ainda a natureza humana nao sabe, mesmo se a admitirmos espiritualmente positiva, o que é o correcto. porque nao existe um correcto. a moral é basicamente apenas como um ying-yang entre a verdade e a organizacao social. e assim tamos num impasse intemporal - eterno parece-me.
(do nada e em paralelo: o capitalismo tras progresso tecnológico e consequentemente social, porque promove o corporativismo e a competitividade é um catalizador de superacao sublime. o capitalismo, contudo, é imoral por influencia humana mas como já explorei no ultimo parágrafo, a moral é basicamente uma história da carochinha.)
onde morar nisto tudo? ser imoral é, em toda a honestidade, irrelevante, num tribunal cósmico em que, vamos imaginar, existe uma verdade absoluta. mas nao é esse que é respeitado na superfície da terra. homens bons imorais ou maus homens seguidores fervorosos das morais paroquiais estao na realidade, no tal tribunal utópico, absolvidos de qualquer julgamento. mas da aplicacao terrena da moral, a lei, ninguém escapa, a menos que seja do superior interesse da sociedade ou raca humana - salvar uma seguradora ou a casa na florida dum dos seus administradores.
mas isto é óbvio para qualquer jovem na minha idade. só quero que voces também saibam disto, filhos, quando eu vos deixar ler isto aos 18 porque é a idade legal e só a partir desse momento terao estrutura mental para perceber a vida a fundo. tambem quero me autocriticar no tempo, daqui a 10 anos. olha pra este puto tao verdinho, sou tao maior agora.
tá meio fodido entao: por respeito à forma como fui educado e à disposicao civilizacional mantenho-me inalterado e um rapazito com a moral estudada, mas tou irrequieto com esta indefinicao, este jogo de meias verdades e meios conformismos.
/thoreau sei que tás bem aí no mato mas volta, tás perdoado.
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