devia haver uma cena pra teleportar comida para pessoas a seguir um ranking mundial de fome.
Ya? como?
O ranking seria estabelecido anualmente, através de votações globais associadas a um programa de TV tipo eurovisão, apresentado por uma gaja boa mas não muito voluptuosa para evitar controvérsia.
como é que se poderia implementar isto de forma "democrática"?
Haveria um período de campanha pra cada país mostrar os seus argumentos de carência. Depois, na fase de votação, haveriam desfiles em bikini de indivíduas-protótipo de cada país, pra dar aos globoespectadores uma ideia in loco do índice de massa corporal de cada nacionalidade. O programa culminaria, claro, com a votação em directo e simultâneo por TV interactiva, net, e-mail, skype, telefone, correio ou sinais de fumo, com camêras espalhadas pelas praças principais das capitais dos maiores candidatos à vitória final, pra se poderem captar as reacções espontâneas de rejubilo/desilusão de cada povo. As votações seriam na verdade pontuações: cada habitante do mundo pontuaria cada país de 1 a 5 de acordo com a sua "urgência alimentar", baseado nos argumentos apresentados pela máquina de marketing do país (sensibilização intelectual), e pela visualização da manequim étnica/nacional no próprio programa (sensibilização sensorial).
como evitar que países como israel ou espanha morressem à fome por demanda popular?
Questão legítima mas de resolução fácil. Cada uma das pontuações seria "corrigida" por um factor (de 0.01 a 3) que tomaria em consideração o historial de animosidade religiosa, política, social, cultural e futebolística entre o país de origem do votante e o país pontuado, assim evitar-se-iam decisões demasiado "populistas" baseadas em vendettas ou mero desreconhecimento internacional. A tabela de factores correctivos seria actualizada anualmente numa assembleia alimentar mundial (mais sobre isto adiante). Outros factores correctivos poderiam também ser introduzidos - por exemplo baseados na performance desse país ao longo do ano em termos de benefícios e prejuízos ambientais, científicos, culturais, artísticos ou desportivos à humanidade (i.e. bónus (x2) sobre a pontuação do país com maior percentagem de PIB dedicado às ciências, penalização de x0.1 pró mais poluente, x0.5 pró país campeão do mundo de futebol (descompensação relativa à felicidade natural dos seus cidadãos no decorrer desse período - não precisam de comer tanto pra serem felizes), etc).
tomando o exemplo prático dum voto dum qualquer cidadão português sobre Espanha:
1 (pontuação base - só um exemplo) x 2.5 (factor correctivo positivo por causa de grande animosidade sentida por um português em relação a Espanha, que é susceptível de tar a influenciar consciente/inconscientemente a pontuação dada) x 0.5 (campeã do mundo - necessidade menor de boa alimentação pra ser feliz) x 1.1 (bónus científico - investigadores da universidade de barcelona descobrem que a cerveja tem os mesmo efeitos nocivos à saúde que a água) = 1,375
e depois da votação, o resto?
Depois os votos totais de cada país seriam distribuídos por uma assembleia mundial de fome com um número de mandatos pra cada país a seguir o método de hondt, partindo do quadro de pontuação. Os plenários da assembleia decidiriam o tipo de alimentação dispensado a cada país e tratavam de criar comités e comissões de acompanhamento e fiscalização da distribuição alimentar, para além de estabelecerem a matriz de factores correctivos mencionados anteriormente.
logisticamente, seria exequível?
Claro, haveria um supercomputador chamado neptodemetrodite que controlaria todas as culturas agrícolas e pecuárias do mundo em simultâneo e reencaminharia comida pelos premiados seguindo o protocolo IPv18 micro-wormhole, no port tele.
Talvez pró ano.
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