agora fui comer uma laranja, porque nas fotos do benfica eu tou gordo
- gordo? gordo
e o sistema nervoso ao que parece obriga o digestivo a assimilar tudo quando em estado de desespero nutricional. e então a laranja parece-me anociva o suficiente pra ser integralmente chupada pelo fídago
- fídago? fígado, caralho, tou no gozo
não sai água da torneira quando vou a lavar as mãos. não me posso apresentar ao trabalho nestas condições; decido unanimamente que hoje tou de folga estética. mas ainda tenho sumo de laranja ressequido nas mãos, nada me pode salvar deste desaire higiénico. o meu teclado genius preto tá meio cor de laranja com particular incidência no a, o e espaço. o shift tá limpinho.
limpinho? preto
há uma questão maior aqui, a questão da normalização cerebral de estímulos.
- normalização? estímulos exóticos, precisamos de estímulos exóticos para apreciar acontecimentos - isto deve ser útil prá vida
eu nasci em 1983 e talvez excluindo os primeiros espasmos proto-emocionais upon contacto com a água nunca me ocorreu celebrar a água. assumindo a posição dum gajo que nasceu e teve 50 anos num quarto escuro a ser alimentado por um tubo, a primeira merda de interesse na terra a temperaturas positivas seria a água. uma substância 100% maleável, de comportamento susceptível a qualquer força de menor intensidade, completamente transparente e que basicamente quando friccionada contra a nossa pele, magicamente limpa a maioria das impurezas.
mas isto não é novidade, damos tudo por garantido até nos faltar. porque precisamos de estímulos exóticos, o nosso sistema sensorial normaliza sensações rotineiras e em consequência o neuronal caga na cena, não há necessidade de segregar hormonas para esta merda que vemos todos os dias.
- todos os dias? água, o nosso amor, família e um universo de informação escondido nestes electrocabos globais - por isto que o amor é tão complicado, pelas expectativas que criamos sobre nós próprios de sentir amor puro (?) do início ao fim da relação.
sem esta normalização nunca teriamos ido à lua (como o amor puro um ?) nem descoberto a energia nuclear
energia nuclear? ya é big in japan
é talvez o que nos guie à inovação, ao desafio e consequente progresso como espécie - bem pensado elohim (lembras-te daquela expressão *não me faz espécie*).
e depois das necessidades primárias de fome e conforto/segurança talvez todos choremos por dentro porque não estamos educados sobre a importância de combater o lancinante aborrecimento quotidiano. ao invés somos educados para não resistir e tratá-lo como uma inevitabilidade inerente a 75% da vida humana. habituamo-nos a conviver neste apocalipse existencial da idade adulta por assimilação social e que se foda. pena.
não tem de ser assim pedro, diz qualquer merda daqui a 12 anos, se existires.
Sem comentários:
Enviar um comentário