misc #14 - irrisória forma de pensar aos 28 - vários pedros, comentem ao longo dos anos
Qualquer sistema alternativo que implique ruptura com o actual é extremista ou revolucionário, mas só porque existe uma referência paradigmática - o actual. Os paradigmas mudam e sempre mudaram ao longo da história da humanidade. Não é a primeira nem a última vez que vamos esgotar a potencialidade dum sistema (tribalismo, despotismo, feudalismo, monarquia teocrática há apenas 100 anos, etc). Não vamos ser arrogantes ao ponto de assumir que encontramos a poção mágica para a governação de sociedades e nações, e que daqui a 2000 anos vamos ainda viver numa democracia capitalista à mercê do duopólio PSD/PS. Nenhuma ideia é extremista se te abstraires da realidade (não tamos obviamente a falar de regimes totalitários). É o mesmo que ires agora à Coreia do Norte e defenderes a democracia - vão te dizer que é uma ideia extremista. Eu também não sei, nem ninguém provavelmente sabe se existe um sistema óptimo, mas o que sei é que este, dada a cultura do país e vícios comportamentais inerentes, não funciona para nós. Talvez na Alemanha e noutros países funcione, porque são culturas diferentes, em que te lavam o cérebro desde que nasces para viveres à margem de qualquer réstea de dúvida em relação a actividades corruptas. Em Portugal e noutros países como a Grécia, não - a corrupção é involuntária ou voluntariamente encorajada em vários quadrantes da sociedade e é vulgarmente conhecida como esperteza (copiar em exames, simular agressão num jogo de bola, etc). E isto não é uma crítica à nossa grande cultura da qual me orgulho de fazer parte, é só uma constatação. Dito isto, a democracia representativa não é o único reflexo de democracia e na realidade nem é o original. Segundo uma democracia directa, por exemplo, não só um movimento de cidadãos pode ir a escrutínio como as próprias decisões maiores são referendadas. E morrem os partidos, buracos negros de progresso político e ideológico, perpetuamente agarrados a dogmas ideológicos aparentemente imutáveis (que depois nem praticam) e constantemente distraídos com mesquinhices de grupo. Eu já assisti a várias sessões parlamentares que a única merda que me apetecia era chorar. EM GERAL, quando os deputados têm "disponiblidade" para aparecer na assembleia da república preocupam-se exclusivamente com a contraposição impulsiva de toda e qualquer ideia vinda do outro lado da bancada, processo que normalmente culmina numa sequência deplorável de ataques pessoais, ou observações sarcásticas de baixo nível. É, em termos simples, um espectáculo de selvajaria política suportada pelo contribuinte.Eu segundo percebo a ideia fundamental duma assembleia é que hajam sinergias no sentido de que idealmente seja atingido um compromisso que satisfaça todas as perspectivas (leia-se grupos parlamentares) que representam o eleitorado. E se me dizes que isto é utópico ou impraticável então tás me a dizer que o sistema tá errado. Dito isto, a ideia generalizada de que um governo só pode governar com uma maioria absoluta é uma dedução superficial e falaciosa. Se houver democracia verdadeira, isto é falso. Se não houver, então aí é que tá o problema, e ter que haver necessidade para maioria absoluta para governar é somente uma das suas implicações indesejáveis. Uma maioria absoluta é em essência uma ditadura partidária. E depois que vergonha é a de nos subjugarmos, por exemplo, à prática comum das votações parlamentares em bloco, seguindo única e exclusivamente a cor do partido? Em várias dezenas de pessoas, por mais que convirjam nas ideais e doutrinas políticas, é impossível que concordem todas de forma sistemática em todo e qualquer assunto. Isto é democracia? É uma democracia unidimensional e pontual, que aparece a cada 4 anos para depois deixar a malta desamparada outra vez. E passos coelho ou aristoteles ou robert de niro é a mesma coisa, daqui a 2 anos tá tudo outra vez encavacado primeiro porque é uma crise global e provavelmente desenhada para sê-lo e ninguem em portugal vai conseguir resolvê-la, e depois porque centro-direita e centro-esquerda já não existem, existe uma 3ª via com tiques para cada um dos lados, de acordo com o que é inferido do eleitorado. Se isto para ti tá tudo bem, como amigo apoio-te na melhor maneira que vês para contribuir e tens o meu teu total respeito, é preciso que as pessoas participem, mas como cidadão pra mim só tás a fortalecer o cancro. Eu orgulho-me na vida de nunca ter votado sequer em nulo, porque nem é não gostar de nenhum partido, é não encontrar legitimidade neste sistema que praticamos em específico. Agora normalmente tu dirias uma de duas coisas: 1.Que o direito ao voto é um direito adquirido pela luta de abril e que é um desrespeito pra quem lutou etc e pra mim é a mesma merda que eu não gostar de vaca e me dizeres que eu tenho de comer a vaca porque ela foi sacrificada para eu a comer. 2. Que critico o sistema mas o fascimo/comunismo/x-ismo é muito pior e nesse caso concordo e adiciono que o facto de não concordar não quer dizer que o abomine. O facto de não concordar quer dizer que acho que podemos fazer melhor. De qualquer maneira, melhor falarmos disto pessoalmente.
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3 comentários:
*standing ovation*
Primeira vez que consegui ler seguido um post no teu blog com mais de 15 linhas.
E logo no dia dos teus anos.
Parabens animal
ps. esse figado qq dia so da e pra iscas. de merdA. daquelas que das aos caes e os gajos morrem
saudade
ass mike anônimo
nova estupidografia
hahah isto foi escrito como comentário no facebook, tinha destinatário.
o blog é basicamente um dump do meu processo racional bro, sem revisão. Já é uma grande mostra de amor tentares ler 15 linhas de texto crú que se pode considerar o equivalente literário a um fractal. se já te amava antes agora ainda mais.
bjs, já tou em lisboa
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