interludio de agora - pentamadrid of destruction


Fuogo, preciso dum motivo pra esta historia, vai ser uma cena inventada. Primeiro eu. 

Tenho um corpo decrepito para os 28. Por ordem aleatoria> O meu tornozelo direito ta inchado ha 4 meses e a qualquer toque doi, a minha unha do dedo grande do pe esquerdo caiu outra vez, nao oico nada do ouvido direito ha 1 ano, tenho dores que variam de incomodativas a lancinantes no meu abdomen direito, tenho uma luxacao com possivel fractura do dedo polegar direito ha 6 meses. Tenho cabelos brancos, entradas a conquistar terreno, tenho um tomate mais subido que o outro, e mais inchado, tenho dezenas de cortes e escoriacoes por sarar nos joelhos, cotovelos e ombros, tenho hiper sensibilidade ao toque na omoplata e sofro de ejaculacao precoce pela primeira vez na vida. Foi um longo caminho desde a hipocondria ah total reluctancia em recorrer a assistencia medica mas pelo menos agora sinto me um homem por dentro.

Menos importantemente, o mundo eh dominado por uma forca obscura que pode ou pode nao tar envolvida no desenho e origens de todos os aspectos da sociedade moderna como a conhecemos. Existe um sistema politico que fitra os desadaptados dos aptos e elege os primeiros por conveniencia aos seus intentos. Um sistema financeiro cujo prinicipio primario eh o de titulacao virtual e desenfreada de capital como meio de gerar um ciclo virtual de dividia infinita e estritamente crescente sem qualquer escape possivel, nem suporte real. Uma economia de mercado livre ah merce de tiques especulativos e micro-manipulacoes geopoliticas que camufladamente supoe a convergencia ultima de todo o capital para uma unica entidade, coronoada com o monopolio consentido por laxismo instuticional, tecnicalidades obscuras ou mera perseveranca lobbyista - e estes efeitos propagados multinivel ate ao ponto de extravassarem sectores e mercados nacionais. Um sistema artistico popular que gira em torno de demonstracoes semioticas, estensoes naturais das manifestacoes arquitectonicas comuns a todas as cidades-conquista da organizacao que tristemente goza conosco permanentemente.  Um sistema social , magistralmente manipulado pelos media, que se precipita exponencialmente para focar as diferencas entre nos em vez dos eixos de comunhao, o odio em vez do amor, a colaboracao e conformizacao em vez da participacao e critica.                                                                                                                                                                   

Madrid eh tipo o clock da minha vida, como se a minha vida batesse ah frequencia com que visito a cidade. A cada onda ha uma actualizacao da sitaucao. Nesta actualizacao, isto tudo pareceu mais claro que nunca.
Se calhar eh por isso que fui automaticamente para as puertas del sol, sem olhar para o mapa do metro sequer, sem sequer pensar para onde ia, reununciando inconscientemente ah minha normal primeira paragem no parque del buen retiro de todo o sempre e todas as memorias. Se calhar como  os dois primeiros paragrafos foram ah base de mentiras, vou adicionar outra: eu nem sabia o caminho para as puertas del sol. 

Quando ia na linha 2 sentido 4 caminos reparei no banco de espanha e desejei que as puertas viessem depois tal qual como viriam, se o mundo dependesse das minhas memorias. O mundo as vezes parece que se adapta as minhas memorias e entao saio as puertas del sol e a subir as escadas rolantes pra superficie entro no total recall. O cenario pan-filmes de ficcao cientifica com resistencias underground, todo o acrilico do acesso ah superficie coberto com panfletos activistas, gritos de desespero mas esperanca, mensagens inspiradas. Colaram tudo de fora virado para dentro a pensar no cidadao comum que passa por la a cumprir a sua vida robotica.



Lá fora, uma tarja proibida em estádios de futebol anuncia: "el sol ya es nuestro, ahora hasta la luna" serve de motivação cósmica aos habitantes da praça.


É o chamado movimento 15M e são estúpidos que nem uma porta. O típico movimento anarca inconsequente que dura até esgotar a cruzcampo no dia da gran via. Precisamos de pão, dizem eles. É fácil, dizemos nós: trabalhem palhaços. Democracia já, dizem eles. É fácil, dizemos nós: usem o voto. Este sistema é uma caixa de schrodinger, dizem eles. É fácil, dizemos nós: mudem o sistema. "Já tá". Precisamos de pão, dizem eles. É fácil, dizemos nós: trabalhem palhaços.

caralho, cheguei a lisboa em teleport, ja posso morrer de doença hepática - senao lembrete para nao ser um pai hiper pedagogico que isso eh bue gay pro puto, vi agora no avião. 


"as nuvens não são feitas de algodão-doce, são feitas de partículas de água que evaporam dos oceanos" 


deixem os putos sonhar mais uns anos, porque depois de sermos normais, é tudo irreversível.

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