hall of fame niilista 2011 - demonstração a favor do cinismo+, condescendência e picofalsidades genéricas (JK LOL)


me: Ricardo posso dar a minha opinião acerca da importância da honestidade?
  vou partir de duas premissas fundamentais. Discordas, não podes acompanhar a inferência. Concordas, e a verdade libertar-te-á.
4:52 PM 1. Não há significado perceptível para a vida que não a continuidade biológica implícita a qualquer espécie de ser vivo. Isto é particularmente verdade no contexto da ausência de orientação teológica (digamos 60% da população da nossa geração em países ocidentalizados).
4:56 PM Ricardo: compreendo a primeira...
4:57 PM compreeendo/aceito como ser vivo... mas nao aceito com Ricardo Gouveia.... mas vamos ao resto
5:00 PM me: 2. Não havendo significado, não existe pressão de realização. Não havendo missão, o percurso é uma escolha. Que critério utilizar para a escolha? Concretização moral ou concretização emocional? A moral é uma matriz artificial de valores desenhada há vários séculos atrás e que ainda define os cânones da sociedade. Nâo matarás o próximo, não mentirás ao próximo, não roubarás. Tudo traduzido em leis judiciais e sociais que praticamos com maior ou menor acordância. "Dizer a verdade", ser "honesto", não é mais do que practicar um dos 10 mandamentos. Mas tamos programados para isso desde miúdos, como o tamos para a monogamia, portanto é nos difícil perceber o quão própria duma identidade que nos foi vendida estes valores são. A nós parece inerente à condição humana, mas não são, são artifícios criados voluntaria ou involuntariamente pelos humanos para facilitar a organização duma sociedade e provavelmente mesmo o controlo dessa sociedade. Se ninguém mentir, ninguém pode escapar às regras, e se as regras forem as certas, uma elite domina. Sendo assim importa olhar para a concretização emocional/espiritual como sendo de maior relevância. A felicidade como critério condutor da vida, é uma opção que nos liberta de qualquer cultura, etnia ou matriz e nos aproxima enquanto seres humanos acima de tudo. Encontrar a felicidade é subjectivo à personalidade e preferências de cada um, mas procurá-la não o é - mas isso é outra conversa. Chegamos então à encruzilhada ideológica: será melhor para mim e para os outros respeitar o plano convencional, o status quo moral, digamos assim, e enaltecer a minha capacidade de coadunar com o que a sociedade desenhou para mim (vulgo, neste caso, ser honesto). Será melhor me guiar pela honestidade, ou contrapô-la com a felicidade? Posta a pergunta noutros termos: deverá a honestidade servir a felicidade, ou deverá ser um dogma-monumento à inflexibilidade da nossa sociedade monocromática?
5:04 PM Ricardo, pensa bem, será assim tão importante a honestidade? Informa-te sobre a etimologia da palavra, e investiga sobre o que é que nos faz hoje querer ser honestos. Isto para dizer, não há 8 nem 80. É importante ser honesto, mas na grande maioria das vezes, é um serviço à humanidade esquecer pequenas verdades irrelevantes ao fluxo da vida. E é assim que muita gente pensa e é isto que se chama inteligência emocional: quando é que é relevante dizer a verdade absoluta? Muitas vezes quem não consegue distinguir isto faz figuras patéticas, porque a verdade é conhecimento comum mas incompatível com o momento.
 Ricardo: humm ok tenho comentario a fazer... mas podemos avancar
  hummm ok sec
5:05 PM me: e é isso que se passa com os autistas
  não conseguem perceber as entrelinhas
5:06 PM têm a interpretação literal de tudo
  e perdem a magia toda
  é uma doença infeliz
5:10 PM me: a questão aqui nem é a linha entre quando é aceitável/benéfico mentir, ou não.
 me: é mais sobre a importância dada ao facto de ser honesto, como se isso fosse suposto te conferir um estatuto premiado dentro da sociedade, automaticamente
5:11 PM é muito nobre e respeitável
  mas isso é num plano mais superficial ao humano
  e podes ser excepcional nesse plano
  mas depois do humano, que é indiscutivelmente o mais profundo
  isso frequentemente não vale nada
5:12 PM depois, no humano*
 Ricardo: entao pera.... tentar ir buscar o atraz... mentir e melhor? que queres mesmo dizer? limpo?
5:13 PM fazer o que te faz sentir melhor naquele momento...?
 me: nao
5:16 PM nao. quero dizer que a honestidade a 100% pode te tornar um óptimo moralista, mas q te vai tornar um pior ser humano. Porque - e aqui é onde entra a inteligencia emocional -, há contextos em que é de maior valor para um grupo (e consequentemente para ti - a menos q sejas um heremita), não ser rigoroso.
5:17 PM ou seja, lendo a situação, no campo multidimensional duma conversa, aplica-se vector verdade ou não dependendo da maximização de valor para o grupo, medido em felicidade a curto, médio, ou longo prazo (cada uma com o seu peso próprio e tratada de forma independente).

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