3 semanas depois de tar em helsínquia e lisboa a estudar prós 0 exames que, fiz tava em casa um dia numa terça-feira à noite e liga-me o número não identificado mais identificado do mundo - era o galáxias mas o benfica não jogava e ainda faltavam 3 meses prá oktoberfest. Vai me tentar arrancar respostas para as origens do universo outra vez.
"Baza a praga este fim de semana? Porquê? Porque tá me a apetecer sair desta merda de Munique, caralho. Não há guito? Eu pago a viagem tou-me a cagar pra isso." Apesar da ténue resistência (porque no vice-versa também taria a me cagar pro guito), não resisti outra vez à perspectiva de me endividar com os amigos para me embebedar num local aleatório, ainda pra mais constituindo o amigo em questão extremo absoluto de correlação em termos de ideia de maximização da qualidade de vida.
Claro que como já fiz o percurso de comboio uma vez, desta vez preferi ir num carro guiado por um total desconhecido cuja ligação se resume a uma troca de mensagens na net. O gajo só pediu 15 euros e que eu aparecesse em u-bahn rudow, no fim da puta da linha.
Como é óbvio, trabalhando em full-time em julho, tive de me ausentar inexplicavelmente do trabalho na sexta-feira à hora do almoço, pra chegar a praga com tempo e espaço para a ambientação. Só em Dresden é que me lembrei que o coitado do Asif tava à espera que lhe explicasse a teoria de tudo aplicada à automação de testes em Tampere, mas numa sala na nokia em berlim. A sensação-resultado foi a infantil de sempre: todo o mundo pode partir na vida real, mas agora tenho um fim de semana do filha da puta pela frente, e só existe isto. Só uma coisa vai mudar isto que é ter filhos.
Infelizmente a viagem física em si foi arruinada por outro indiano chamado Akshay, ou Axe, que aproveitou o facto de partilhar o banco de trás comigo nesta viagem de autodescoberta conjunta para me doutrinar sobre o hinduismo: como é uma religião fundamentalmente interpretativa, abstrata, e essencialmente monoteísta. Esta conversa teve piada/interesse os primeiros 5 minutos, mas as seguintes 50 iterações da mesma idea base sobre metáforas basicamente aniquilaram durante alguns anos o interesse que tinha por visitar a hindia. O Axe estuda numa universidade no Arizona e embora seja um ser humano acima da média, tem um bom bocado de americano já - mormente no que toca ao complexo de intelectualidade vs europeus (até agora sul-americanos imbatíveis, nas minhas aventuras). Ah, e como qualquer bom viajante, introduziu-me às maravilhas do couchsurfing que um dia quero experimentar.
Acontece que, por contraste, o condutor, um alemão numa cavalgada imparável rumo eslováquia para passar uns dias com a melhere (que optou por ficar lá a viver quando ele teve de voltar pra berlim (hmm)), preferia basear as suas interações na quasi-ausência de conversação - aliás um costume alemão que revela a honestidade deste povo. consciência colectiva alemã dixit:
"Não há nada que alguém me possa dizer neste momento (possivelemente em todos os momentos) que me vá activar um único sensor." Estabilidade.
O futebol é um jogo simples em que 22 jogadores correm atrás duma bola e no fim a Alemanha ganha. Tudo fez sentido na minha cabeça até me lembrar do Brasil ao escrever o ponto final na frase. You can't explain that.
Finalmente, no banco do morto ia um facelift que se apoderou duma pessoa praí nos seus 50 anos. Vou arriscar e assumir que havia uma grau de afinidade familiar entre o condutor e a senhora, dadas 2 premissas: o contexto da visita do homem, e o facto dela tar inserida no mesmo contexto de visita. Esta senhora, por contraste não complementar com o contraste entre o condutor e o indiano estava a maioria do tempo sorridente, e o restante tempo - aquele em que passamos a apanhar ar fora do carro em estações de serviço -, a fantasiar um 3some vou assumir comigo e com o axe, por exclusão de parte.
Sendo assim, não fiquei muito triste quando chegamos a praga e tivemos de partir caminho, menos o axe. O axe, o ultra evangelista dos libertados do couchsurf, ficou ironicamente sem host à última da hora pelo que convidei-o a vir comigo até casa do johnny, no flat mais central do mundo - àparte do do bruno em munique -, e ver se havia lugar pra ele. O johnny, como madeirense/grande_pessoa, que é, convidou-o imediatemente a ficar conosco ao aprender sobre a sua estória. Foi culpa minha porque devia ter dado a dica antes. Houve um coelho com poder de veto que se opôs de início mas acabou por se abster por solidariedade ao bloco - "
é para não arrastar o processo indefinidamente", justificou-se. No fim tive de esclarecer: axe, isto é a vida real, ou é só couchsurfing?
Umas últimas palavras pra prismar o carácter do johnny. O johnny é uma pessoa que mais do que ser preto ou branco, engenheiro ou arquitecto, ter piada ou não, ocupou vários diferentes espaços em vários diferentes tempos. Foi da madeira pra lisboa como escala para o mundo. Fez sócrates em florianópolis, erasmus em roma, ino9 em macau, dubai, hong-kong e shanghai. Vive agora em praga por causa da namorada, por coincidência totalmente desligada do facto de eu o conhecer, amiga da minha irmã, que também não o conhece. Isto é tudo o que é preciso saber pra inferir o resto (inferência de carácter unidirecional - o reverso não é necessariamente válido).
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| 5 da tarde em wenceslau. Eu do meu melhor ângulo. |
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| na 1ª noite, fomos comer ao restaurante da esquina. Como é óbvio, tava cheio de fotografias do Eusébio a jogar contra o Dukla. É possível que o Eusébio não tivesse ciente da conotação fascista do clube na altura. |
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| queres falar com deus? calma tá aqui, já passo |
Entre estas duas fotos aconteceu que andamos 2 horas perdidos a subir e a descer o rio sem saber para que lado era o centro da cidade. Como distração cantamos músicas do benfica e bebemos rum como num qualquer dia normal.
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| o bruno trata os carros como trata as mulheres |
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um homem sem remorsos
Entre estas duas fotos aconteceu que fomos infelizmente ao karlovny lazne outra vez, onde o bruno acabou por gastar 20 euros em bebidas oferecidas a gajas, o que não produzir resultados tangíveis. Para além disso, no regresso a casa tavam dois backpackers americanos a passar numa rua em praga a falar ao telemóvel bué alto, já quando iamos a caminho de casa. Como é óbvio começei a gozar da pronúncia e aparentemente isso causou lhes interferência na chamada, pelo que vim a descobrir. "HEY MAN, YOU JUST FUCKED UP MY CALL". Desafio alguém a se manter calmo perante este insulto. O próprio bruno, que nos jogos contra o porto e o sporting nem costumava olhar pró campo para poder confraternizar com os adeptos contrários, não se conseguiu conter desta vez e foi directo a correr ao americano de dimensões triplas da dele e largou-lhe um roundhouse kick no rabo, de todos os lugares. A correria lembrou-me uma vez que à entrada da antiga luz, antes dum derby da 2ª circular, passou uma miuda de 10 anos com o boné do sporting e de mão dada com o pai e o homem, então dos diabos vermelhos, resolve sacar o boné à miúda com uma chapada de baixo pra cima e jogá-lo pró lixo. Não me é claro onde começa e onde acaba a inteligência deste homem. De qualquer forma acontece que ao roundhouse kick seguiu-se um série de empurrões e quase-concretizações de pancadaria com uma única tendência constante: a retirada gradual e incondicional dos americanos na direção do seu hostel e consequente auto-enclausuramento com alegada solicitação das autoridades. Foi a vez na minha vida que causei maior transtorno emocional a alguém a nível instantâneo. Nunca tinha visto, apesar de repetidos episódios de pancadaria na escola, duas pessoas tão nervosas. Bemvindos à europa dos gays. Escusado será dizer que o Axe veio o resto do caminho pra casa sempre a uma esquina de distância de nós a fingir que tava a tirar fotografias dos prédios como pretexto pra ficar pra trás. Foi pena porque bem tinhamos preciso da ajuda deles contra os putos brasileiros. Rum cola: há limites por definir. |
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| na chegada a casa faltou-nos compostura e algum discernimento |
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| apesar de 2 visitas prévias, o relógio astrológico voltou me a deixar arrebatado |
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| qual é o sentido prá vida: dualidade dissolução vs contemplação |
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| gelado em tamanho real |
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| uma vez em 2008 vim a esta cave comer buffer all you can eat chinoca por 3 euros e vomitamos todos. Desta vez decidi pressionar veementemente contra a entrada no estabelecimento, o que não resultou face à insistência mórbida do bruno. Resulta no fim que a insistência foi por uma má interpretação da complexa mensagem "é uma merda, a sério, vamos vomitar". Complicado lidar com astrofísicos. |
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| se tudo é possível.... será possível que hajam coisas impossíveis? |
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| havia uma altura em que praga tinha bué gajas boas. agora, é só paneleiros. |
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Quando confortável e bem alimentado, o sistema central nervoso do coelho segrega serotonina, o que produz uma sensação de felicidade, baixando por consequência a pressão sanguínea. É então o momento certo para sacrificá-lo. A escassez de irrigação e a baixa pressão arterial causam a dilatação muscular. Isto significa carne mais tenra no seu prato, em particular se consumida crua. Se decidir antes cozinhar, refogue em alho e cebola. ******FINAL ALTERNATIVO:***** o coelho voltou a uma gaiola de 40 por 40 cm |
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| como é domingo de manhã, baza ficar todos bêbedos com chapeus na cabeça |
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| como é domingo à hora do almoço e tamos todos fodidos baza discutir as limitações da ciência como ferramenta de tradução da realidade |
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| esta foto não é sobre a foto mas sobre a gaja que a tirou. ficou registado. |
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| a triologia dos tanques acaba como sempre: tudo foi com o caralho, mas amigos para sempre |
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| em tempos eu não caberia nesta foto |
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| é possível que já tenha tado aqui antes a mijar pra baixo. Desta vez o que aconteceu foi que tudo o que era gajos veio cá parar e falar conosco com um entusiasmo anormal. De destacar um húngaro rastafari numa viagem espiritual pelo mundo que conhecia o serafim do boom festival. |
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i cook galaxies for breakfast
no regresso vim às 6 da manhã de 2ª com uma raquítica suicida que não conseguia manter o carro em linha recta durante os 400 kms da auto-estrada. Tinha de entrar às 10 no trabalho e tinha se divorciado há 1 mês. No fim disse pra lhe ligar sempre que fosse a praga. |
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