meia crónica - Berlim, Munique, 4 a 7 de Outubro de 2012 (fentodancing)

Porque já li a internet toda e ainda tenho mais meia hora pra procrastinar vou contar uma história baseada numa história fictícia ().

Um dia não apareço ao trabalho os primeiros 3 dias da semana porque vou apostar as 20h cerimoniais nos últimos 2 mas que depois na quarta decido que a vida é \____/ (um recipiente) e que o preenches ou com º\o/º (água) ou com oOo'''/oOo_____|8|_____oOo\'''oOo (sonhos). Imagina que penso assim: os sonhos parece que nunca cabem no recipiente, são tão grandes e compridos e a água é necessária à sobrevivência, como faço? E lembro-me: se há uma merda que aprendi da análise matemática é que qualquer quantidade discreta ou contínua limitada ou ilimitada pode ser dividida numa infinidade de partes de tamanhos arbitrários. Depois penso fogo não há nada que não seja ou limitado ou ilimitado, e então os sonhos pertencendo indefinidamente a um dos conjuntos, podem com toda a certeza ser divididos em partes de tamanhos arbitrários. E EU DECIDO: VOU DISTILAR SONHOS AO LONGO DA VIDA EM VEZ DE TENTAR SEGUIR UM ÚNICO QUE REQUIRA UM INVESTIMENTO DESMESURADO AO LONGO DUM PERÍODO ALARGADO DE TEMPO EM QUE EM PARALELO AS MINHAS ESPECIFICAÇÕES FÍSICAS E MENTAIS SE DETERIORAM. E depois digo que que sa foda eu vou à oktoberfest este fim de semana sim ou sim e faço mitfahrgelegenheit com efeito imediato.

Na sequência desta decisão largamente ponderada eu tenho de me encontrar com um gajo que só fala alemão às imediações de Berlim, numa bomba de gasolina da ural, e acabo a chegar 15 minutos atrasado e sem telefone o que em conversão para o fuso horário da etiqueta alemã dá 3 horas portuguesas. Depois uma carrinha de 9 lugares com os vidros fumados aproxima-se de mim e pergunta do que é que eu tou à procura e eu digo "procuro dividir os meus sonhos em micro-etapas de concretização pessoal". E ele deduz, "vais para munique, não é"? E eu digo para uma plateia imaginária "este gajo percebe-me" mas NVR digo "já" mas lido em alemão e sem acento. Imagina que a porta da carrinha se abre sozinha e que eu salto para o único lugar disponível, e que os outros 8 ocupantes inspecionam-me como se dum mísero imigrante duma etnia a condescender me tratasse.

Já fui embora várias vezes de Berlim, se bem me lembro, qualquer coisa como 37 vezes em 3 anos, 38 com esta, e 39 com a última a um sítio que na altura em que escrevo isto vou fingir que ainda não fui porque caso contrário pode sugerir que isto não foi escrito à kerouac. bop bop pob. Cada vez que vou embora sou remetido para a minha partida de Lisboa, a última antes das outras todas que não foram a partir da cidade em que residia. Porque é que sou remetido para essa viagem? Porque ainda tou lá, eu ainda tou em tour, ou em detour, do ano referência de 2008, e tudo ainda é medido nessa escala. Em termos do que à física da topologia das decisões de vida concerne, eu estou no limite da elasticidade dessa escolha, a escolha de estar a prolongar a responsabilidade de prioritizar a vida e o desenvolvimento humano antes do meramente funcional.

Nesta carrinha houveram várias fases e graus de divagação. A primeira sempre a que me vejo refém inicialmente - porque como ox outrx todx, sou um gajo com uns circuitos standard muito bem definidos ao nível da superficialidade. Há gajas boas: 3/3 são 8/10 would bang. 4chan - lembro-me das redes sociais e de como os putos dominam as tendências sociais de vanguarda, porque têm tempo, espaço e resultado para drenarem energia em direções e sentidos originais. out of da box e a importância do pensamento lateral mesmo na resolução criativa de problemas de carácter analítico. Como se desenvolver pessoalmente no sentido de se criar uma máquina hiper-produtiva, tudo-conquistadora, multi-disciplinar, multi-tarefa, altamente empática e activa nos tempos livres, ao mesmo tempo que protagonista principal em episódios redundantes de aparente [Editado: aparentemente para aparente] devastação racional. Como não render a vida às motivações latas ao trabalho.
Como gerir o tempo? 24 horas por dia são 48 horas menos do que aquilo que seria adequado ao que quero fazer. 25 horas é o ciclo diário dum humano alienado da luz solar, sincronizado com o período de rotação de Marte. Porquê? A importância de citações em alegações, a leniência na confirmação de factos, a sobre-dependência na consulta de factos na rede infinita de informação. A adaptação do cérebro ao que 'e mais útil de se lembrar evolucionariamente' - o favorecimento na memorização dos sítios onde se pode encontrar informação sobre a informação em si. Porque é que estamos em Jena? Onde o Robert Enke nasceu, onde as lentes carl-zeiss são produzidas, onde [Editado: typo] ocorre a maior agregação de NSUs do Alemanha, firmemente encaminhada para um período reiterativo da intolerância e xenofobia que caracterizaram a história do país. Que cidade de merda. O enke explicado mas lentes não percebo ainda.

O gajo precisa de ajuda a carregar umas merdas para um sítio qualquer. Saimos dois ou três, tenho zero paxorra pra falar com alguém, porque o contentamento e a actividade social podem ser adiados, não é necessário ser agora, não preciso de ser feliz e proactivo agora, vai dar muito trabalho aguentar a máscara e tou exausto, vamos adiar a vida por enquanto. Mas carregar merdas é na boa, não é preciso falar e é sempre recompensador ajudar alguém em troca de nada. Em troca de nada porque os 20€ que lhe vou dar foram estipulados como comodidade suficiente para pagamento dum serviço, não nos devemos nada um ao outro, tudo o resto é bónus e certidões de humanidade e empatia. É muito mais fácil ajudar do que emular empatia.

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O problema da empatia, o problema do riso e o problema da felicidade são semelhantes, e para além disso mas independentemente disso, provavelmente, altamente correlacionados. A intenção no sentido de qualquer um deles constitui *invariavelmente* uma barreira implícita à sua realização. E se concentrar na maneira como se olha nos olhos dos outros, e se concentrar na forma como respiramos ou jogamos à bola - são tudo garantias de disfunção. Há ações e comportamentos sobre os quais a nossa intervenção consciente, seja isso o que for, - quer seja a perspectiva metafísica da alma para o palco da vida real ou o auto-reconhecimento paradoxal em loop infinito que descreve o hofstadter, desenha o escher e compõe o bach -, oblitera. E a auto-crítica ardente e descontrolada encarrega-se de liquidificar o reconhimento de legitimidade humana inerente à manutenção dum ego sustentável. Nunca parei, apesar das minhas mais honestas tentativas (explícitas, verbais) em contra, de querer acreditar na cadeia de feedback social que caracterizou toda a minha vida. O meu ego nunca cresceu alto mas ao invés inflou-se e flutuou alto, sempre em forma embrionária, microscópica, com um estrutura demasiado frágil para ser auto-suficiente a estas alturas. Agora a atmosfera não é etérea, agora os elementos que me sustentam estão esgotados. Ego, precisa-se - olhe, desculpe, só uma perguntinha: com'aks defende?

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Subimos as escadas dum prédio cinzento de 3 andares, decrépito, frio e crú. Um alemão louro frisado de 1,90, figura franzina, olhos glaciais e fato de treino azul-marinho da asics abre a porta. É uma cena de manual dum filme 'sobre a vida depois do muro', na depressão da alemanha de leste reunificada dos 90s. Roupas no chão, garrafas de cerveja em todos os cantos, colchões espalhados pelos corredores e um preservativo usado em cima duma cadeira. É uma casa de estudantes, "só pode ser" penso eu, reconfortado pela segurança que um vulgar dia de semana me dava nesta assunção. Ou isso ou eu sobrestimei a minha capacidade de compreensão das diferentes etapas da vida. Há etapas ou não há? Viver em Jena nestas condições a maioria da vida.. não sei. Talvez seja preciso muito pouco para se ser feliz. Ou talvez esse muito pouco seja muito pouco quando enumerado, talvez seja um muito pouco altamente qualitativo. Mas devem ser estudantes.

(Tou sem fôlego por causa que: sais de banho)

Isto é suposto eu continuar qualquer dia porque como é óbvio a grande cena foi na oktober. Luzes altas:

- Uma lenda que habita em Munique e uma lenda que habita em Paris são expulsos duma casa de putas
- Uma lenda que habita em Paris come um broxe duma GILF, com um cúmplice a encorajá-la vivamente pelo intermédio do velho método de "empurrar a cabeça em precipitação"
- Vários personagens característicos
- Colecionamento de Vinyl dos Supertramp "Ao vivo em Paris" por abandono voluntário do anterior proprietário
- Uma árvore deitada abaixo junto ao rio, trazida para debaixo duma ponte, tentativa de ateamento para efeitos de controlo de temperatura sem sucesso
- Revivalismo PS2
- Um jogo do Benfica em altas, com discussões ramificadas de cariz político, ideológico e existencial
- Cantar incessante, turbulento e em retrospectiva exagerado de músicas do Benfica em zonas residenciais de Munique, na 1ª noite
- O caos da convergência e divergência de histórias, grupos e indiviualidades no mesmo espaço em Am Rosenthal, Munique
- A desorientação total da festa à casa, apesar da geometria perfeita de linha recta ligado os dois pontos
- Schweinshaxe como pequeno-almoço *reloaded*
- José Wars e Mikael Carreira
- Sofrimento no início do 2º dia na tenda
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 7, largamente provocado por um mal entendido no sentido em que os 7 indivíduos mais uma fêmea assumiram erradamente que a vantagem numérica que apresentavam poderia constituir factor desencorajante para atitude agressiva por parte do grupo em inferioridade, prontamente esclarecida com uma curta mas intensa/eficiente/acesa aproximação física e verbalização aberta de sentimentos e intenções. Resultou em equilíbrio de forças e postura generalizadamente neutra em relação ao conflito. Não arranjamos mesa.
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 2, provocação com alegações de que os indivíduos antagonizantes à nossa vontade se caracterizavam por serem pertencentes ao estereótipo alemão cujos atributos incluem uma total ausência de reconhecimento do que significa fazer parte da espécie humana e das vantagens biológicas intrínsecas à coação e entreajuda entre membros duma mesma espécie. Com resultados francamente supreendentes inclusivamente com uma reversão mórbida na postura do grupo opositor, que basculou do snobismo à admiração e vontade em confraternização e que finalmente culminou com uma categórica recusa final do grupo invasor em invadir o espaço do grupo (agora) receptivo por razões de recusa final e alcóol
- Facilidade inexplicável em arranjar mesa, repentinamente
- Montanha-russa no 1º dia no lhimite da sobrevivência
- Regresso com gaja etc
- Regresso no estado deplorável categoria 1b
- Nunca mais como bockwurst na vida
- outras coisas que me vou lembrar pelo caminho
- Dentro da festa: idas iteradas à casa de banho como pretexto de abortagem de flirt
- Dentro da festa: é muito fácil, tudo
- Dentro da festa: Excerto de meia hora numa tenda, no 2º dia de celebração religiosa:


"Imagina que num dos dias em que eu tava na minha 3ª oktoberfest eu me envolvia socialmente com uma girafa (o algoritmo Flirt2.3 tem vindo a consolidar através de testes que as estratégias A1.33b) fingir que não nos lembramos do nome dela; A1.35c) cantar a flieger flied substituindo "flieg wie ein flieger" por "flieg wie ein tiger" e B2.21d) divulgar temporizada e cripticamente informações de caractér pessoal; funciona com um grau de confiança de 7.0+-1.2% em contextos de população feminina sub22 alemã) e que passadas duas canecas a 10€ me dava a revelação do potencial desfecho e começava a ter flashbacks duma terra polaca há meia década atrás e que isto me suscitaria várias tangentes narrativas à realidade pontual e que eu me decidiria pelo caminho menos viajado e faria o abort mission usando a necessidade de ir à casa de banho como efeito-fisga para escapar da gravidade da situação, tal como a voyager II fez em êxodo solar há mais de 40 anos."

huhuhuhuhu


Psychologists Herbert Freudenberger and Gail North have theorized that the burnout process can be divided into 12 phases, which are not necessarily followed sequentially, nor necessarily in any sense be relevant or exist other than as an abstract construct.[1]
  1. The Compulsion to Prove Oneself
    Often found at the beginning is excessive ambition. This is one's desire to prove themselves while at the workplace. This desire turns into determination and compulsion.[1]
  2. Working Harder
    Because they have to prove themselves to others or try to fit in an organization that does not suit them, people establish high personal expectations. In order to meet these expectations, they tend to focus only on work while they take on more work than they usually would. It may happen that they become obsessed with doing everything themselves. This will show that they are irreplaceable since they are able to do so much work without enlisting in the help of others.[1]
  3. Neglecting Their Needs
    Since they have devoted everything to work, they now have no time and energy for anything else. Friends and family, eating, and sleeping start to become seen as unnecessary or unimportant, as they reduce the time and energy that can be spent on work.[1]
  4. Displacement of Conflicts
    Now, the person has become aware that what they are doing is not right, but they are unable to see the source of the problem. This could lead to a crisis in themselves and become threatening. This is when the first physical symptoms are expressed.[1]
  5. Revision of Values
    In this stage, people isolate themselves from others, they avoid conflicts, and fall into a state of denial towards their basic physical needs while their perceptions change. They also change their value systems. The work consumes all energy they have left, leaving no energy and time for friends and hobbies. Their new value system is their job and they start to be emotionally blunt.[1]
  6. Denial of Emerging Problems
    The person begins to become intolerant. They do not like being social, and if they were to have social contact, it would be merely unbearable for them. Outsiders tend to see more aggression and sarcasm. It is not uncommon for them to blame their increasing problems on time pressure and all the work that they have to do, instead of on the ways that they have changed, themselves.[1]
  7. Withdrawal
    Their social contact is now at a minimum, soon turning into isolation, a wall. Alcohol or drugs may be sought out for a release since they are obsessively working "by the book". They often have feelings of being without hope or direction.[1]
  8. Obvious Behavioral Changes
    Coworkers, family, friends, and other people that are in their immediate social circles cannot overlook the behavioral changes of this person.[1]
  9. Depersonalization
    Losing contact with themselves, it's possible that they no longer see themselves or others as valuable. As well, the person loses track of their personal needs. Their view of life narrows to only seeing in the present time, while their life turns to a series of mechanical functions.[1]
  10. Inner Emptiness
    They feel empty inside and to overcome this, they might look for activity such as overeating, sex, alcohol, or drugs. These activities are often exaggerated.[clarification needed][1]
  11. Depression
    Burnout may include depression. In that case, the person is exhausted, hopeless, indifferent, and believe that there is nothing for them in the future. To them, there is no meaning of life. Typical depression symptoms arise.[1]
  12. Burnout Syndrome
    They collapse physically and emotionally and should seek immediate medical attention. In extreme cases, usually only when depression is involved, suicidal ideation may occur, with it being viewed as an escape from their situation. Only a few people will actually commit suicide.[1]