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interludio - agora que estamos sozinhos

pronto, agora que esta merda é só nossa, a tradição do som do momento pó interlúdio. normalmente isto do interludio seria num ponto em que a vida varia de flanco, e isto agora não é bem assim mas mais em retrospectiva. porque não se passou grande coisa senão a gradual precipitação da minha vida para o caos e - mais recentemente - a progressiva normalização, o interludio é uma ridiculamente concisa e descuidada crónica a estes 2.5% da minha vida (que vai a ~37.5%, foda-se...)



idealmente o texto tem de durar 3:38. Em 3:38: 2 anos de trabalho, precipitação silenciosa, talvez discutível, para o workaholismo, consequente sentença de morte aos impetos activistas e processos criativos. Hoje vi um cartaz do blockupy, antes um call to arms, agora não há tempo nem resultado para isso, quando o sprint acaba na quinta e o futuro da empresa depende da tua próxima apresentação (sempre) e eu caio sempre na dica de que sou importante e necessário - a cenoura à frente to burro - suspeição ainda por validar. Transição estudante->trabalhador comum, parece-me, dificultada pelas condicionantes também próprias do percurso de vida média, mas que coincidaram todas no mesmo espaço temporal. nada de especial, por outro lado faço quase o pleno do benfica na europa este ano - um ano à benfica, em que a vida social e despressurização emocional gravitou mormente em torno desse amor abstracto que o meu crescente cinismo obriga a ir além limites para manter. a dúvida sobre se um dia o cinismo da racionalidade tornará necessária a ruptura e sobre se esta obssessão de segui-lo não é senão uma última tentativa desesperada de conservar o romantismo ao fundo do túnel. com isto tudo (muitas outras coisas, sempre) poupei exactamente 0€ em 20 meses, a receber 2500€ limpos por mês. às vezes dedico 3 segundos a pensar no que é que fodi a guita toda mas depois não tenho coragem pra mais e talvez me teja a cagar. às vezes penso no futuro a longo prazo, uma actividade que viola as minhas bases filosoficas. aliás, o que me preocupava há 2 anos (figura estética, expansão social, activismo, cultivação intelectual) não me preocupa mais, e o que não me preocupava há 2 anos (futuro financeiro, qualidade das relações mais próximas, evolução de competências profissionais) preocupa-me moderadamente agora. podia tar incomodado com o facto de ter me tornado outro drone ao virar dos 30, mas a verdade é que me tou a cagar. é essa a outra merda, se no início dos meus 20s me tava a cagar, e a meio dos 20s deixei de me tar a cagar, tou-me a começar a cagar outra vez. Isto por um lado deve reduzir a minha popularidade social mas por outro vai garantir a minha coesão emocional, já não preciso do hip-hop social pra tar bem. Na realidade, tentado a fazer o shortcut e tomar a solução paternal para todos os problemas, mas depois bofeteia-me o egoísmo deste zeitgeist e desculpo-me com projectos de viagem e a idade da potencial mãe.

Finalmente, em toda a honestidade, caralho, é capaz de que tudo o que tenha escrito aqui em cima seja mentira, uma alegoria, ou um jogo de ironias. lembras-te qual das 4?

(AGORA: MÚSICA)


If you're trying to get in his head
Then you're just wasting your breath
Cause he might as well be dead
There just ain't no getting through
If that's what you're trying to do

And for those who don't know him yet
He don't care if you ever do
He is faithful to himself
And it can't hurt to hear the truth
He just ain't concerned with you

They were mean, said they were silly dreams
So he had to leave, no time to grieve
And if you set out and find
Something better than what he left behind
Something you know is worth
All of this pain and hurt

He gets down on his own self
More than anybody else can
And it's easy to understand
But can't hurt to hear the truth
And he just ain't concerned with you

Cause spirits have their own minds
They can't be confined to fit between the lines
Spirits have their own minds
They can't be confined, they draw their own lies

It's alright tell them how it is
Even though it don't make you popular
Sometimes you gotta be a dick
You don't have to roll over

So for those who don't know him yet
He don't care when you ever do
He is faithful to himself
And it can hurt to hear the truth
He just ain't concerned with you

They were mean, said they were silly dreams
So he had to leave, no time to grieve
And if you set out and find
Something better than what he left behind
Something you know is worth
All of this pain and hurt

Spirits have their own minds
They can't be confined, they draw their own lines

It's alright tell them how it is
Even though don't make you popular
Sometimes you gotta be a dick
You don't have to roll over

interludio damanhã - por trás deste texto tá um dia cansativo


Sentado no chão à porta do aeroporto mundial de Lisboa, malta no reflexo do monitor olha de perfil. Devo ser um escritor, espero.

Sentado no chao à porta do aeroporto mundial de Lisboa, só me apetece é ganir mas em vez disso escrevo merdas brilhantes, tou a tentar pra caralho.

Sentado no chão à porta do aerporto mundial de Lisboa, tenho de me convencer a mim próprio que sou capaz de ser tudo o que eu quiser, e no fim - provavelmente quase maduro -, abandono a ideia e descubro a felicidade e auto-conforto na minha incapacidade humana em ser tudo. A aceitação da banalidade. Afinal sou só uma nave-norma biológica como as outras.

A todos os meus familiares, professores e amigos, tenho de pedir desculpa. Nem tentei ser qualquer coisa em particular, nem tentei assumir a responsabilidade que me foi incumbida na 1ª classe. Fui traído pela dissonância crónica com a convenção de se projectar num único caminho. Em vez, multipliquei-me tenuamente em vários. Não me fazem sentido caminhos altamente directivos - se calhar até quero que não façam. Assim posso justificar a relativa excentricidade de percurso resignado a uma causa ad hoc estratégica, mais um vértice demagógico no polígono irregular que caracteriza o meu desconcertado edifício neuronal. Sou oficialmente dissonante mas na verdade tou-me mais mas é a cagar.

Se não sei o que tou a aqui a fazer, a próxima coisa melhor é saber o que é que definitivamente não tou aqui a fazer, e isso idealmente passa por não coadunar com a servitude pandémica dum ideal ou sistema com o qual não me sinto totalmente confortável. Os métodos precisam ainda de ser definidos e tenho a certeza que vêm naturalmente como consequência directa dum evento dramático.

Há um KFC ali na 2ª circular, firmado no perpétuo ceu azúl de verão de Lisboa. Tá uma brisa de mel, daquelas que ainda trazem bocadinhos do mediterrâneo, pintados de dourado pelas planícies alentejanas e eventualmente torrados pelo sol doce da latitude 40, ainda antes de chegarem cá à bacia do Tejo. Escrevo isto a olhar pró lado, porque sou bué da bom a electrodactilografar e porque parece que se tiver a debitar in situ fico mais clarividente. É como se tivesse a devorar a paisagem em palavras, ou ela a mim, e eu a escrever o meu testamento de vida em função. Depois regresso e morro, como toda a gente morre todas as vezes que se desliga do mundo e volta à matriz comportamental, à odisseia social.

Só se pode morrer uma quantidade finita de vezes antes de não se distinguir mais a vida da morte.

Há muita gente definitivamente morta hoje em dia. Existem exclusivamente na matriz e não se tentam a espreitar para fora. Optam por mergulhar no denso mar da insignificância, no limbo de quase felicidade individual e quase felicidade do colectivo restrito que se vai atenuando em número a partir da era profissional_matrimonial. Não me cabe a mim julgar pessoas mortas e naturalmente um dia também serei uma pessoa morta, talvez daqui a 2 anos, basta um bom contrato e largo esta demagogia conveniente e maleável.

O KFC existe ali somente como estação temporal, para me servir de referência a memórias duma vida concorrente que ainda tenho possivelmente a progredir por aí.

O KFC tem um Peugeot 206 preto com o Rúben no banco do lado.


- “Qual é o nosso projecto?”

PES Master League com o Benfica Rúben, sempre este o projecto, há 10 anos e até depois de morrermos.

Um balde de galinha em receita original do Kentucky. Em casa Zolofts à espera da minha crise de ansiedade generalizada e as polifobias daí germinadas.

- “Precisas de ir ao psicólogo outra vez filho, eu levo-te lá”

Não preciso de nada disso, eu tou bem, tenho maneiras de lidar com isto.

Tenho o South Park, tenho o Archie Bunker, tenho a Eli quando não me deixa sozinho pela brigada psicadélica.

 - “Eu preciso de tar com os meus amigos”

Para andares a meter drogas? E eu aqui em total sofrimento.

- “Não posso viver para cuidar de ti”

Por favor vem para casa, eu vou morrer Eli, por favor não me deixes sozinho à noite.

E no fim fui eu que a matei. Homicídio involuntário em 1º grau, confesso o crime.

O KFC tem um Benfica-Farense em 2002, 15 euros para perder os primeiros 20 minutos mas ver o Benfica a ganhar 5-0 a um clube futuramente falido. No topo norte do antigo estádio da luz adeptos do Manchester United assistem ao jogo e cantam para os seguirmos até glasgow, que vão ser campeões outra vez, que farão 8 de 10 e que será a primeira dupla tripla da história. Comentam que os No Name cantam bem. O topo sul canta durante 45 minutos o Allez Allez Allez Benfica Allez com magnitude cíclica variável que só os transes induzidos pelo amor explicam.

O KFC tem agora um Opel Astra com o Hugo, e mais um acto da continuada conversa fundamental entre dois meninos grandes, cúmplices de dúvida e incerteza, a matéria prima simultânea da incompreensão e do progresso pessoal. Onde é que vamos tar dentro de 10 anos? Eu ainda em interrail, de certeza.

O aeroporto mundial de Lisboa filtra a Lisboa àqueles que partem, como o aerporto de Manamá filtra Manamá a quem parte. Mas em Lisboa é um filtro singular; de desamparo histórico e social, de riqueza experimental e duma justaposição de honestidade mórbida ao desconhecido com cinismo profundo ao conhecido. Do desamparo nasce a saudade e isso o aeroporto mundial de Lisboa não filtra. É uma característica transgeográfica de duvidável valor. Prefiro não penar o presente contra o passado, ou não ter um passado com que relativizar para pior o presente? 


Existe uma lei da conservação emocional no universo. Tudo o que é investido vai-se virar contra nós mais cedo ou mais tarde. Uma separação, uma morte, uma dor de alma proporcional aos bons momentos. Quanto mais cedo percebermos isso mais cedo percebemos que a escolha fundamental se dá entre uma linha amorfa mas emocionalmente assimptótica e outra sinusoidal e periódica na sorte, uma que supõe dor eventual mas imprevisibilidade e exploração da espontaneidade humana.

Pra já o meu percurso assimptótico deixa-me à altitude de 38 mil pés. A 16 de Junho de 2011 às 20:26 tou num Airbus A319 a galopar o azul profundo do oceano atlântico português, da sua vasta zona económica exclusiva, na alta atmosfera do verão europeu. Das milfs na costa brava a fazerem praia, dos interrails e viagens a estâncias hedónicas, retretes autênticas da opressão acumulada anualmente em países frios e cinzentos. Abaixo de mim peixes, acima de mim ninguém sabe, talvez esferinhas verdes com vida e capacidades telepáticas. Mais naves cósmicas de diferentes formas e sabores, como nós mas provavelmente mais conscientes.

À esquerda de mim o lugar onde vivo, a Europa da eterna crise, da perpétua reinvenção social, cultural, política. Um continente excitante mas afundado em si mesmo, nas suas contradições ideológicas e discrepâncias práticas, consequências naturais duma maturação excessiva, duma profundidade introspectiva abissal e, consequentemente, supérflua. A Europa é a representação geofilosófica do gajo que pensa demasiado na vida e acaba esgotado, num beco sem saída ideológico. É o niilista crónico que pratica com cinismo aquilo que serve à maioria.

À direita os Estados Unidos da América. A nação magnânime dos anos 90 converteu-se numa fábrica de ações unilaterais e de certezas fundamentais, com os melhores interesses do globo como motivação ulterior. Perigosos tempos de monopólio geopolítico aproximam-se dum final melancólico para a humanidade. Como o sol sobre o Atlântico. A mim no fim em toda a honestidade só me interessa o Atlântico. Só o Atlântico.

Estamos a descer, a Madeira à frente está envolta num lençol escuro de nuvens, será somente a noite a cair no atlantico leste ou é também símbolo do status quo local?  Não gosto desta sensação mas o sol, que já se escondeu há 8 minutos reais, ainda se mostra em preguiçosos raios de luz laranja no horizonte. Vejo 5 sóis em reflexo, devo estar a chegar a outro planeta - se for então vou lhe chamar a ilha da Madeira.

É tudo irrelevante: obrigado Sol por mais um dia do caralho.

interludio de agora - pentamadrid of destruction


Fuogo, preciso dum motivo pra esta historia, vai ser uma cena inventada. Primeiro eu. 

Tenho um corpo decrepito para os 28. Por ordem aleatoria> O meu tornozelo direito ta inchado ha 4 meses e a qualquer toque doi, a minha unha do dedo grande do pe esquerdo caiu outra vez, nao oico nada do ouvido direito ha 1 ano, tenho dores que variam de incomodativas a lancinantes no meu abdomen direito, tenho uma luxacao com possivel fractura do dedo polegar direito ha 6 meses. Tenho cabelos brancos, entradas a conquistar terreno, tenho um tomate mais subido que o outro, e mais inchado, tenho dezenas de cortes e escoriacoes por sarar nos joelhos, cotovelos e ombros, tenho hiper sensibilidade ao toque na omoplata e sofro de ejaculacao precoce pela primeira vez na vida. Foi um longo caminho desde a hipocondria ah total reluctancia em recorrer a assistencia medica mas pelo menos agora sinto me um homem por dentro.

Menos importantemente, o mundo eh dominado por uma forca obscura que pode ou pode nao tar envolvida no desenho e origens de todos os aspectos da sociedade moderna como a conhecemos. Existe um sistema politico que fitra os desadaptados dos aptos e elege os primeiros por conveniencia aos seus intentos. Um sistema financeiro cujo prinicipio primario eh o de titulacao virtual e desenfreada de capital como meio de gerar um ciclo virtual de dividia infinita e estritamente crescente sem qualquer escape possivel, nem suporte real. Uma economia de mercado livre ah merce de tiques especulativos e micro-manipulacoes geopoliticas que camufladamente supoe a convergencia ultima de todo o capital para uma unica entidade, coronoada com o monopolio consentido por laxismo instuticional, tecnicalidades obscuras ou mera perseveranca lobbyista - e estes efeitos propagados multinivel ate ao ponto de extravassarem sectores e mercados nacionais. Um sistema artistico popular que gira em torno de demonstracoes semioticas, estensoes naturais das manifestacoes arquitectonicas comuns a todas as cidades-conquista da organizacao que tristemente goza conosco permanentemente.  Um sistema social , magistralmente manipulado pelos media, que se precipita exponencialmente para focar as diferencas entre nos em vez dos eixos de comunhao, o odio em vez do amor, a colaboracao e conformizacao em vez da participacao e critica.                                                                                                                                                                   

Madrid eh tipo o clock da minha vida, como se a minha vida batesse ah frequencia com que visito a cidade. A cada onda ha uma actualizacao da sitaucao. Nesta actualizacao, isto tudo pareceu mais claro que nunca.
Se calhar eh por isso que fui automaticamente para as puertas del sol, sem olhar para o mapa do metro sequer, sem sequer pensar para onde ia, reununciando inconscientemente ah minha normal primeira paragem no parque del buen retiro de todo o sempre e todas as memorias. Se calhar como  os dois primeiros paragrafos foram ah base de mentiras, vou adicionar outra: eu nem sabia o caminho para as puertas del sol. 

Quando ia na linha 2 sentido 4 caminos reparei no banco de espanha e desejei que as puertas viessem depois tal qual como viriam, se o mundo dependesse das minhas memorias. O mundo as vezes parece que se adapta as minhas memorias e entao saio as puertas del sol e a subir as escadas rolantes pra superficie entro no total recall. O cenario pan-filmes de ficcao cientifica com resistencias underground, todo o acrilico do acesso ah superficie coberto com panfletos activistas, gritos de desespero mas esperanca, mensagens inspiradas. Colaram tudo de fora virado para dentro a pensar no cidadao comum que passa por la a cumprir a sua vida robotica.



Lá fora, uma tarja proibida em estádios de futebol anuncia: "el sol ya es nuestro, ahora hasta la luna" serve de motivação cósmica aos habitantes da praça.


É o chamado movimento 15M e são estúpidos que nem uma porta. O típico movimento anarca inconsequente que dura até esgotar a cruzcampo no dia da gran via. Precisamos de pão, dizem eles. É fácil, dizemos nós: trabalhem palhaços. Democracia já, dizem eles. É fácil, dizemos nós: usem o voto. Este sistema é uma caixa de schrodinger, dizem eles. É fácil, dizemos nós: mudem o sistema. "Já tá". Precisamos de pão, dizem eles. É fácil, dizemos nós: trabalhem palhaços.

caralho, cheguei a lisboa em teleport, ja posso morrer de doença hepática - senao lembrete para nao ser um pai hiper pedagogico que isso eh bue gay pro puto, vi agora no avião. 


"as nuvens não são feitas de algodão-doce, são feitas de partículas de água que evaporam dos oceanos" 


deixem os putos sonhar mais uns anos, porque depois de sermos normais, é tudo irreversível.

interludio do passado - isto foi em 2009 ainda, estado puro

Heroes Del Silencio - Entre dos tierras por kalmar

tou pela 75a vez em madrid no espaco de 2 anos. Vir a madrid por 4 horas eh como comer um broxe da moura guedes e lhe dar um AVC mesmo antes dum gajo se vir. Mas por enquanto eh assim, vivo na cidade dos loucos, a cidade "arm, aber sexy", onde tudo eh possivel menos bom clima, boa arquitectura e americanas no gap year. Elas evitam berlim, eh uma cidade demasiado aspera e larga, que requer dedicacao para compreender e admirar. Madrid eh a materializacao do ideal eurotrip, se houvesse uma versao europeia pra todos os reality shows da mtv, eram em mardrid, accao instantanea.

Arriscando um paragrafo pessoal, aqui em madrid nunca me sinto verdade, eh como se tivesse num proto mundo, uma bolha de gases que continua a crescer cada vez que passo ca e ta bem ok flutua no meu universio, mas sempre sem concretizacao astral. Tenho de emi-emigrar pra ver no que da isto, porque eu farto-me de peidar e continuo sempre a sentir a bolha. 

Arriscando um paragrafo deprimente, se eu fosse um gajo dos blogs insistia na alegoria astronomica e dizia que eh assim: a madeira o meu sol, lisboa o meu planeta e berlim a minha lua. Madrid uma supernova por descobrir. Que tristeza, cala-te caralho: de volta ao abstrato.

Arriscando um paragrafo totalmente desconexo do raciocinio anterior, o terminal 1 do aeroporto de Ruben Barajas eh um edificio de contornos miticos pra mim i.e. em termos líricos reluz como a prata, no meu cortex. Eh como que um podio de consagracao, a casa final do jogo do ganso – isto basicamente porque pondo as coisas de forma clara eh sempre no filha da puta do limite pra chegar aqui do centro de Madrid. Uma vez consegui chegar ca as 4 da manha com o metro fechado, sem dinheiro, sem telefone, sem internet e sem o rim direito, depois duma odisseia de 6 horas em que considerei fazer os 25 kms a pe com a mala as costas – e ate fiz 5. Uma senegalesa, um comissario de bordo da easyjet e 2 peruanas ajudaram-me a diferentes alturas e de diferentes maneiras. Entre outras coisas apanhei clandestinamente um autocarro reservado aos funcionarios do aeroporto, sem apresentar cartao. E depois perdi o bilhete de identidade a dormir em frente ah porta de embarque mas um velho veio mo dar ja na fila pra embarcar, passada meia hora de desespero subtilmente ah procura do cartao pra nao admitir que tinha feito merda aos restantes passageiros. Um dia tenho de registar isso aqui de forma detalhada, mas agora seria num espirito diligente. A memoria merece mais respeito.

Tambem a outra vez em que fui pro terminal 3 por acidente com 15 minutos pra fechar o check in merece registo. Nao eh facil explicar em unidades do SI a distancia entre o terminal 3 e o terminal 1 do aeroporto de Barajas, mas em termos monetarios sao 20 euros num taxi e penso que me expliquei bem. Em 2010 20 euros davam pra sacar 4 falancios ah puta madrinha, a da paragem ah direita da saida da rovisco pais. Em 2010 20 euros adquiriam 36 latas de 800g de grao de bico no pingo doce. Em 2010 20 euros eram 80 garrafas de meisterfels, indiscutivelmente a substancia mais toxica do mundo, e que passa por cerveja no netto.

A proposito de registar a minha vida, foda-se espero que todos os episodios desviados da minha vida me motivem a determinado ponto a regista-los sem ser como se fosse obrigatorio, para poder le-los aos 80 e pensar mas que grande puto que eu era, o que eh que isso tem de especial pra ser registado, alias o que eh que isso importou no fim? E depois de ler isto ainda adiciono que triste existencialista que eu era em jovem, se eu na altura soubesse como eram as coisas nao tinha ficado o passado domingo em casa a ver o matrix pela 15a vez em vez de ir ao mauerpark acabar com a garrafa de whisky do podji crer e cantar don’t look back in anger como prometido.

A proposito de matrix, nao me lembrava da gaja de vestido vermelho que o outro marado puramente humano que ta na nave especial nabocadezorro e que nunca teve um tubo enfiado pela nuca programou pra testar o neo. 

A proposito de gajas do caralho, Barajas eh uma extensao do glamour da gran via, nunca vi tanta gaja boa como no percurso que faco sistematico cada vez que venho cah. E tem piada porque quando vi isso no matrix da gaja de vermelho lembrei me logo da possibilidade dum marado qualquer puramente humano que nunca teve um tubo enfiado pela nuca tar a brincar comigo so pra testar se eu olho pra gajas, mesmo tendo namorada, cada vez que tou em madrid. Se sim vai comer com um tubo na boca da proxima vez que eu tomar a red pill. 

A proposito do percurso que eu faco sistematico cada vez que venho as 4 horas ca, consiste em no inicio do percurso no Terminal 1, depois em nas 420 km de passadeiras rolantes ate ao metro (e sempre a mesma interrogacao com o desfibrilador que ta isolado no meio dum corredor que so serve de passagem rapida de transeuntes), depois em na tomada do L8 em direccao ah Colombia atraves da maior distancia entre estacoes de metro no mundo, entre o aeroporto e pinar del rey, depois em no apanhamento do L4 sentido Ibiza, depois em na emersao para o Dia naquela rua em Ibiza onde mamavamos o vodka diet red bull antes de sairmos ah noite, depois em na melancolica e solitaria caminhada para um banco no parque del bom retiro comer grao de bico do dia, da lata, e finalmente em nas familias americanas confundidas com o que se ta a passar na europa. 

A proposito do que se ta a passar na europa, este gajo ao meu lado ta a tentar ver o que escrevo mas ele eh italiano. So percebeste esta palavra e agora tas ah nora a pensar cazzo sera que ele se ta a referir a mim ou sera so coincidencia, e por outro lado se ele se refere a mim deve tar a lavar no facto de eu tar a olhar, mas como, se ele nem me consegue ver deste angulo? Mas ele escreveu cazzo outra vez ha bocado portanto devia tar a explicar como se acabam as frases em italiano, mas nesse caso porque eh que ele repetiu cazzo no inicio desta frase? E agora outra vez? CAZZO CARALHO ,CAZZO, vai te foder andrea. Acertei?
Voo pra roma atrasado 4 horas, voo pra lisboa em embarque. Tamanhã mário brown.

interludio #12 - video relay interpreter

ponto da situação da vida actual
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interludio #11 - carrossel geográfico


*eu que leio isto estou à espera até a máquina de lavar fazer o som

janela de emergência, parece que ninguém curte nunca. o avião pode cair e vai fazer diferença tar na fila 22 ou 30.

mais um vôo na vida. Sempre a voar em direção a alguma merda, sempre no mesmo sentido, para a frente. Era louco haver vôos para trás e eu apanhava-me em malpensa da 3ª vez, mas não há, so vendem vôos para a frente. Quando será que vai haver uma low cost para o passado, quando é que vamos poder passar férias na nossa própria vida, comprar pacotes para destinos momento-fulcral? no futuro ia viajar muito para veneza 2008, não ia muito a lisboa em 2002 e ir ao hospital da cruz de carvalho a 24 de maio de 1983 taria no mesmo plano de decisão que tomar DMT.

mais uma ressaca na vida, sempre a ressacar dalguma merda, os vôos são sempre de ressaca, tou me a despedir sempre, e pra despedir tem de ser uma bebedeira. Que animal linear eu cujo rol de actividades sociais se resume a um micro conjunto de clichés tugas. Bola, bebedeira e não me vem à cabeca mais nada. Porque não há. Não vou a museus, não vou a concertos e não vou a cafés. Odeio cafés, é a merda mais aborrecida do mundo, museus a 2ª.

tenho a sensação que já escrevi este texto em madrid mas agora tou em genebra, tenho escrito bastante merda na minha cabeça, ocasionalmente verbalizo, digo merdas a ninguém - em barajas usualmente-, um comportamento acidentalmente excêntrico que me vale atenção de qualidade duvidosa. Isto se calhar é na boa até aos 30, é espirituoso, a partir daí começa a entrar em moldes desajustados ao social. Em barajas só se pode dizer coisas a ninguém, embora esporadicamente se encontrem estrangeiros lá.

no aeroporto de genebra ha um triângulo amarelo com um olho que diz "for your and our safety" quem são eles? porquê um olho dentro dum triângulo? e como é que um menu no burger king são 8 euros? foda-se para a suiça. se a nova ordem mundial fosse um buraco negro, era a suiça que dividia por zero. A alemanha segue-se e eu gradualmente emigro de volta para o caos ligeiro cujos habitantes tomam por caos total. Faltam viagens ao caos total aos habitantes do caos total. Quanto mais mergulho no mercado de trabalho alemão, mais de volta a portugal tou. O mundo dos profissionalmente desconexos funciona por garantias. CVs, diplomas, certificações, recomendações. Olá, sou eu; não isto que por alguma razão se expressa sobre a forma duma linguagem arbitrária mas um número com provas dadas em sítios geográficos com nomes de código. Consulta os meus números e as minhas letras, dispostas sobre várias páginas em formato convencional.

a suiça morfologicamente não sei bem como é mas parece-me de cima um lago rodeado de montanhas. É o lago lemans.Antes sempre pensei que haviam muito mais montanhas na suiça. A caminho da emigração fiz escala em genebra também. Na altura fiquei com a ideia que genebra se parecia bué a genebra na minha mente. As adufas nas estradas feitas de chocolate, os cidadãos banhados em ouro, a paisagem à beira do lemans pintada com caran d'ache. De lá, do lemans, há bué montanhas, mas depois de se levantar vôo no avião da easyjet as montanhas desaparecem todas. Interessante os relevos que se perdem com o erguer da perspectiva. Talvez razão pela qual os políticos deveriam ter olheiros plebeus, contratados como amostras vivas de classes específicas sociais, permanentemente relatando dificuldades inerentes ao estrato. Da neutralidade tem-se melhor perspectiva do relevo, e as pessoas parecem pessoas caracterizadas por números e letras e não pontos insignificantes caracterizados por números e letras em formato estatístico.

tenho o polegar direito partido, foi ontem a ganhar às setas clandestinamente. São agora dois dedos fodidos na mão direita, os dois mais importantes prá técnica que li na net pra ofercer um squirtasm ah faye. Deve ser bué espectacular, ver o nosso amor a se expressar em repuxos espásmicos pela cona - talvez possa ser considerado arte. Porque é ousado e expõe o ser humano às suas fragilidades, por mais anti-filosoficamente bioqúimicas que sejam. Hoje a arte é isto, parece-me, o paradigma é o de ousadia contra-cultural sublinhado por uma dose semi-pretensiosa de melancolia e resignação. Porque ninguém nos entende, aos artistas. Descobri recentemente que me excitam as hipsters, a arrogância feminina é sexy - talvez deva voltar a portugal. Foi a ver uma australiana a jogar ping-pong no dr.pong, o cabelo ruivo todo vertido para um lado, olhos cínicos semi-cerrados, sorriso irónico, blusa branca sobre t-shirt dos joy division sobre saia sobre leggings e sobre meias listadas horizontalmente. Como tornar a faye hipster. A namorada moldável aos fetiches é imoral caralho..

entretanto tornou-se me evidente que o móvel ficou em lisbonera. mais uma vez posso alegar que foi voluntário, que tou farto de móveis etc e tou, odeio telecomunicações móveis mas uso porque sou hipócrita.

um a330 da lufthansa prai 1000m abaixo de mim. louco do amor. é este o snapshot da minha vida de momento, porque trabalho na alemanha, estudo em portugal e familiarizo na madeira.

interlude #9 - mente monarca


(play)

er... o que é isto não sei, tenho de deixar de ler merdas e talvez dar um mortal intelectual pró oceano de trivialidade do admirável mundo novo, se calhar comprar um ipod ou iphone e ir pra casa/pó trabalho/pó futebol/de férias, mas... as merdas acho que não tão certas, tenho cada vez mais a certeza disso - o que me preocupa, ter certezas. Não me quero precipitar mas.. caralho as merdas cristalizam com o tempo, aparentemente.

Não tenho nenhum suporte lógico prá compaixão humana mas existe; se calhar não haver suporte lógico prá nossa matriz moral não é assim tão importante, se calhar o suporte é a tal compaixão, talvez a moral moderna seja uma construção deficiente dum código de compaixão. Tenho de me deixar de sentir incomodado por não ver razão nas nossas bases - talvez a razão seja muitas vezes, irrelevante, mas é nos vendida como o pikachu da retórica e é difícil nos libertarmos disso e nem vale a pena se libertar individualmente senão perde-se o fio à meada socialmente e a causa é perdida.

Não sei bem se a super máquina cultural americana me influenciou fortemente nos processos subliminares racionais/emocionais, seguramente que sim, mas tou a tentar ver sinais óbvios disso só pra exorcizá-los. Talvez seja tarde e eu e quase todos precisemos de ajuda. Continuo a dedicar mais tempo à minha apresentação física do que sanidade mental, mas não tenho a certeza que isso seja bom ou mau, talvez seja mau, particularmente numa escala sociológica em que é mais um factor de compartimentalização superficial de seres humanos - mais um filha da puta dum catalizador julgamental de eliminação vs aprovação à priori.

As coisas parecem tar desenhadas dessa forma tanto à macro como micro escala. Um plano perfeito que seguramente já foi experimentado e testado antes, talvez noutro planeta ou numa edição prévia dum ciclo civilizacional. As cenas tão a convergir rapidamente mas subtilmente para qualquer coisa dramática, talvez tão dramática que nos passe despercebida - talvez seja mesmo isto a que chamamos 2010.

Só tou a ver o dia em que teja sentado a ver televisão e me dê o trigger pra executar a tarefa pra que fui programado. Mas não sei se quando nasci o mk ultra já tinha chegado à madeira, acho pouco provável que tivessem um laboratório lá, talvez o tivessem em Oslo. Ou talvez seja mentira que eu tenha nascido/crescido na madeira - sempre suspeitei que os meus pais fossem extraterrestres a me esconder qualquer merda em relação à verdade; às vezes tive mesmo a sensação interior disso. Se calhar nasci e cresci no Maine, onde ninguém faz perguntas.

Acho que vou pra África freestyle em fevereiro ko gilberto gil, o contrato acaba em dezembro e peço 2 meses e depois volto, em África a miséria é mais visualizável mas há poucas não verdades. É o que é, provavelmente preciso de saber o que é isso antes de poder perceber melhor como é que as coisas se tão a passar cá e se/como se pode melhorar isto, pelo menos para se alguém me perguntar a opinião um dia eu ter uma resposta fundamentada na razão, a moeda de troca do intelecto nestes dias.

er.. nunca tive grandes problemas com a ausência de respostas prás minhas auto questões porque havia muito tempo pela frente e sempre fui confiante em encontrar respostas e soluções sem pressão de tempos, sempre pareceu natural que as encontrasse eventualmente mas agora não há o buffer da década dos 20 inteira entre mim e a verdade, em que de certeza magicamente tudo se vai materializar sonhos incluídos. Portanto, com crescente urgência, curtia saber várias merdas, a começar por se será que existe uma vertente espiritual para cada ser humano ou se é só uma categoria romantizada por movimentos new age doutras vertentes humanas. Que estupidez, é indissociável de qualquer maneira presumo. Mesmo a ciência começa a se abstrair de tendências de funcionamento neuronal discreto, embarcando em teorias de nuvens neuronais, como as nuvens quânticas, como os lençois pluridimensionais que estao em stand by à espera do bosão higgs pra começarem a vibrar e pintarem o nosso universo com cores reconhecíveis à ciência.

Assumindo tudo errado no que se passa, uma mudança é totalmente impossível por várias razões. Desinteresse e inércia do status quo social (via avatar/lady gaga/x factor/benfica), ausência de informação fiável (via reuters ortogonal à verdade), blindagem da estrutura de poder (via oligarquias partidárias com influência corporativista), impressão de falsa liberdade (via a democracia é um dragão com várias cabeças, a contar da esquerda prá direita), dessincronização de esforços (via como/onde/quando organizar alguma tentativa de mudança e onde tá toda a gente) e o resto um dia faço um diagrama.

Há tanta merda que tá a ser feita em sintonia... e não percebo pra que a simbologia toda, em todo o lado, porquê isso também? Por gozo ou terá algum significado maior, em domínios em que não nos articulamos?

Se calhar foi um erro futuro escrever isto aqui, mas, Pedro, pelo menos tiraste tempo pra isto quando eras mais novo, e não suportavas a ideia de sentir que os humanos tinham reflexos por desenho. pró caralho pavlov (o gajo que inventou os reflexos condicionados e grande jogador do torpedo moscovo nos 80as).

Even as he dances to the tune of the elite managers of human behavior, the modern man scoffs with a great derision at the idea of the existence and operation of a technology of mass mind control emanating from media and government. Modern man is much too smart to believe anything as superstitious as that!

Modern man is the ideal hypnotic subject: puffed up on the idea that he is the crown of creation, he vehemently denies the power of the hypnotist’s control over him as his head bobs up and down on a string.


Comenta aqui neste post sobre se as coisas mudaram se faz favor, e não negligencies o teu papel de avô.

Interlude #8 - no airbuses


daqui a 7 horas parto pra bristol, cidade no meio do atlantico. é uma não escolha singular no sentido em que vou passar a noite jogado no chão do aeroporto à espera da minha ligação para a madeira. por mim ia a um pub fazer sala mas tá na moda fazer aeroportos rurais com nomes de cidades. fico comigo próprio em vez. um perigo para a minha saúde pública, mas é tudo para um bem maior: volto a casa, para os sorrisos fáceis e calor humano, acrescente-se acerca do bem que também raro nas dinastias sociais de berlim, embora nunca se esperasse o oposto.

uma depressão atlântica paira sobre a madeira há uma semana e tá a gostar do clima. às 11 e 35 da manhã do dia 23 de dezembro de 2009, fragmentada pelos ventos de 90 km/h e baixa nebulosidade, a minha consciência toma outra vez a decisão entre dois caminhos paralelos. várias vezes teve que decidir até agora e tenho talvez demasiadas vezes confiado na relativa benevolência das suas escolhas: em miudo optou pelo pedro que só partiu o maxilar e não o que amarrou o sapato antes ou o que bateu com a cabeça antes do queixo. escolheu o jovem pedro que teve oportunidade de aprender com acidentes e descuidos, e não o que se marcou para a vida nem o que nunca aprendeu por engolir em seco proteccionismos. em jovem adulto (muito por exemplo) segui como o pedro que brincou aos vómitos e agora até tem razoáveis reservas de gordura (por falar nisso...) e não o que foi domado em definitivo pela irrazão de ter que convergir para um dogma estético a todo o custo.

regressando ao futuro, na noite do dia 23 de dezembro de 2009, que pedro serei eu? o pedro que será lembrado pelos tristes elementos que deixou ao mundo na forma deste blog e desaires alcóolicos ou o pedro que ainda tem hipóteses de se redimir tornando-se rico e emprestando dinheiro aos amigos pra compensar anos de desilusão?

independentemente da tua decisão sobre que universo paralelo a seguir, vida, prometo que serei um pedro resignado e em paz com a tua decisão, mas muito honestamente, se alguma coisa má acontecer a mim, pelo menos faz com que mais tarde ou mais cedo, o(s) outro(s) pedro(s) confronte(m) a vidente do restelo e o sueco sobre porque é que enganaram este pedro, porque se não tivesse sido ludibriado com a conversa de viver até aos 90, tinha sido menos confiante na minha apreciação do perigo e para além disso dei 20 euros à vidente pra acender uma vela pra mim e paguei umas cervejas ao sueco.

como hipotéticos últimos desejos um para um paralelo e outro pro outro: quero que o benfica seja campeão e que dediquem o campeonato a mim. a faye sabe do resto das burocracias. em relação ao paralelo 42 espero que ainda vá a tempo de apanhar a brittany.

Interlúdio #7 - uma outra música

hoje era uma véspera mas afinal não foi, ficou adiada para daqui a dois dias. tenho sido displicente com o apartamento, como que deixando-o em pause durante estes últimos dias, tentando perpetuá-lo. não a ele que é uma merda, mas às memórias que andam a vagabundear pela casa nestas altas horas, abrindo e fechando portas e fazendo barulhos incomuns nos electrodomésticos. não tenho medo delas, não me assolam. convivemos no mesmo espaço mas levamos vidas independentes e respeitamo-nos mutuamente.

tenho cabelos por toda a secretária, em breve não minha mas da ironia do destino encarnada na sua personagem principal. eles irritam-me, precipitam-me sempre para uma desnaturada observação duma cabeleireira antiga, "acho que ao contrário do teu pai vais ter problemas com a calvície". já percebi, vem da parte da família da minha mãe não é? antes isso que os cancros e as mortes durante o sono, poderia dizer, para chocar e arrumar a conversa. os livros estão jogados pelo chão, assim fechados lembretes em vários contornos da minha construção lisboeta: incessante, errática, emocional. li poucos até ao fim, guardo-me para a monotonia da velhice. parece-me que a maioria das pessoas guarda dinheiro para a velhice, eu guardo livros, só preciso disso e da minha memória nos tempos mortos em que espero pela visita dos meus netos e a sua alegria contaminante. as viagens faço agora, enquanto posso usar livremente o maior instrumento que tenho, o meu corpo. até aos meus netos preciso de guardar os livros em espaços de esquecimento, tipo garagens ou dispensas. dentro duma caixa emprestada pelo Sr. Luís da mercearia, com a minha velhice. até lá não os quero ver mais, aos livros de Lisboa. uma gaveta com coisas: o 2-2 entre benfica e duarte gomes no antigo estádio da luz em 2001 - o último derby da catedral, o isle of MTV em belém com morcheeba e roger sanchez, a inauguração da nova catedral frente ao nacional montevideu, as finais da taça no jamor, o carl cox no pachá de ofir, as cartas de amor, todos os preciosos bookmarks de saudosismo que de forma habitual me convencem de que tem sido um percurso bonito e preenchido, mesmo durante períodos em que me deixei encegueirar pela ideia contrária. por indução imagino o mesmo para situações futuras. sucessivamente vou aprendendo por indução até que não me deixo mais envolver por ideias fatalistas e existenciais, independentemente do momento e situação. deslizo sobre a vida, sempre à tona de água, indiferente à minha condição humana. até ter que reabrir a caixa com os livros, isto é.

há pouco saí à procura de qualquer coisa, 2 euros no bolso e a convicção de que a iria encontrar, fosse o que fosse. acho que tinha sede, mas tenho a certeza de que não tinha fome. virei à direita e desci a rua. o mendes fechado. o que será que lhe aconteceu? uma vítima da irrascibilidade do tempo, sempre louco a caminhar numa direcção, e o resto que se foda. foi o mendes que teve que ir ao ar desta vez, por alguma razão. adivinhava-se. o ar resmungão não disfarçava as dificuldades, talvez financeiras. faz sentido, é a crise não é? os mercados entraram em colapso embora só se pudesse ver pela televisão nos telejornais. há umas cenas chamadas acções que flutuam de acordo com o princípio da oferta e da procura e que ditam se a vida corre mal ou bem aos seus próprios criadores. tomaram vida, essas acções, e agora insurgiram-se contra nós. é preciso controlá-las, senão ficamos todos pobres e elas levam o dinheiro todo para casa, pra comprarem bancos e seguradoras assim a pronto. (anda uma memória louca para entrar na cozinha, mas agora não pode ser). por momentos tive convencido que queria beber uma coca-cola no mcdonald's. já não me lembro se coca-cola ou mcflurry de M&Ms. sei que não queria de certeza um wrap, não tinha fome. agarro os 2 euros dentro do meu bolso e faço a ronda ao quarteirão. não preciso de nada, tou satisfeito fisiologicamente. vim dar um passeio com a minha namorada mas ela esqueceu-se de vir, ela que gosta tanto dos mcflurrys antes de ir para a cama. (esta memória lá na cozinha já me começa a assustar, eu que normalmente não me deixo assustar). vou para casa então.

uma janela aberta num 2º andar da rua da ilha terceira derrama luz sobre a lancinante apatia local, cortinas entregues ao vento veranista. hesito em ignorar o unívoco chamamento do espírito do bairro das ilhas. indelével mas enfraquecido, quase moribundo, com funeral já marcado nos calendários dos que o conheceram. respondo com o assobio, que serve para tudo, para a praia, para a noite, para a bola. já não me ouve, é normal, pas grave. aproximo-me para lhe lançar um último olhar, àquela janela num 2º andar da rua da ilha terceira; a personificação duma era, quando a vi, ainda no cruzamento; o símbolo da sua morte, ao perto, depois de me aproximar e perceber que agora estava vazia de alma.

vou para Berlim em êxtase emocional. não só porque aventuro-me no amor mas porque cumpro com aquilo que sempre prometi a mim próprio: seguir os ímpetos de felicidade e motivação, independentemente de se traçarem por caminhos menos percorridos. depois de 8 anos, e esgotadas virtualmente todas as experiências cá, só haveria um sentido de felicidade, Berlim é apenas uma direcção.

dito isto deixo Lisboa angustiado e rancoroso com o tempo. queria viver tudo outra vez, sem as partes más é claro, mas que aprendesse o que aprendi na mesma. não me é possível acreditar na forma como fui tratado por aqueles de quem me tornei próximo em Lisboa. imagino sempre ou que esteja a desvirtuar a minha memória num sentido artificalmente positivo ou que isto seja mesmo um campos show em que triliões de assinantes de redes quânticas de TV à volta da via láctea rejubilam ou choram com a minha vida, decidindo a cada início de semana o que me vai acontecer através de mega votações telepáticas. um universo benevolente este, nesse caso. de qualquer forma não consigo encontrar outra explicação para a sorte que tive em conhecer as pessoas que conheci, brilhantes cada uma à sua maneira, e tremendamente inspiradoras, até para um ser 0 kelvin como eu.

gostaria de me separar em dois. um pedro em repeat em Lisboa e outro em shuffle, à volta do mundo. um ipedro, portanto. mas se for para escolher, que se mude a música a cada 6 meses. é uma necessidade pessoal.

Interlúdio #6 - o verão de 2009


*agradecia que se alguém lesse isto, previamente pusesse a música recomendada a tocar e esperasse até ao segundo 30, isto para uma melhor apreciação do texto, obrigado.

. fui à janela e tudo se revelou: o filha da puta do verão de 2009 está aí, a confirmação ocorreu-me sobre a forma de factores climatéricos: o sol desaparecia por trás de um sétimo das colinas de lisboa visto da minha janela no bairro das ilhas e eu esperava naturalmente uma queda repentina da temperatura: qual não foi o meu espanto quando a temperatura não só se mantem amena em termos técnicos como em termos relativos ainda subiu por efeito psicológico.

. já me tinha vindo a incomodar a discrepância climática com o calendário, lembro-me muito bem perfeitamente que no ano transacto nos finais de abril já inalava areia nas costas lusitanas.

. a constatação imediatamente evocou-me tons nostálgicos de imprevisibilidade e intensidade de vivência multinacional. vou estranhar acordar 3 dias seguidos no mesmo lugar, dormir em camas, guiar um carro. no autocarro de volta da Costa, se tiver cansado, vou atar a minha mochila aos meus pulsos e quando acordar, acordo em sobressalto porque não saí em Breclav, na fronteira com a Hungria. vou todos os dias ao supermercado comprar latas do que for mais barato pra levar para um hostel imaginário em frente à minha casa e pago com Zlotys. de 3 em 3 dias faço a linha de sintra com um backpack às costas 12 vezes para cada lado, e quando sair em campolide, procuro um mapa com as direcções para a minha casa, o flamingo hostel, na rua szewska. vou passar os meus serões na sala de convívio dos hostels de lisboa a comentar em português o quão boa é a gaja checa ou o quão anormal é o gajo americano e cada australiano que conhecer vou dizer "foda-se esta merda do leste europeu tá cheia destes gajos" mal ele vire as costas. quando apanhar um barco mal saia no meu destino vou apanhar o metro para Syntagma para ver a acrópole ou espero que o Tony the legend apareça e diariamente vou procurar piscinas com uma sunset party cheia de meninos australianos a beber bacardi breezer a 4 euros. alguns dos dias vou dormir com o cachecol do PAOK de salónica e repetidamente fazer a conversão do alfabeto grego pró romano até ficar com dores de cabeça. à tarde vou comprar uma garrafa de vodka e escolher uma praça no centro da cidade para consumi-la em tronco nú até ao limiar do coma. de madrugada vou insistir que quero um pita gyros a 2 euros nas roulottes da 24 de julho. foda-se nunca pensei que pudesse sentir tanta falta do trak-trak dos comboios a andarem a 15 km/h nas planícies da macedónia ou acordar com o revisor a me blasfemar em croata por tar com os pés em cima do assento. apesar disto, mais importantemente, não vou mandar SMS ou mensagens no facebook para uma alemã em barcelona.

. este ano, o verão de 2009, marca o último da minha vida no paradigma actual profissional: um estudante procrastinador consciente. a partir do verão de 2010 vou 15 dias ao algarve com o resto da manada ou onde quer que os alemães vão os seus 15 dias cerimoniais de praia - talvez à (ainda) menos entusiasmante costa báltica. ou largo o trabalho e faço qualquer coisa de jeito com a minha vida.

é um verão de inflexão, este último verão dos meus primeiros 26 anos de vida.

Interlúdio #5 - minimal 2008

reset, rompe, spring break sluts, show your tits, tequila piss water, kara davis, "tou me a cagar", livin la vida loca, whisky vice city, rough style, b-boy shit, mochos do hip-hop craze, krakow fight club, slap feast extreme,on tour @ balkans, spaghetti incident, zrce bitch boozed, gregory heinztein, té amanhã mário, rail life, portugalia on tour, praha piss, hostel civism, dona abadia de noite e de dia, loucos do amor, posso dizer?, pole hangerz, desculpem o meu cabelo, ruby red, scandinavian blonde, mother fucker dymc, teatro kapital 3rd floor, rude boyz, chueca love, fácil fácil, spanish mature, absinto power, the carrefour heist, i'm flying, ljubljana cona a 30, metelkova attitude, coimbra attitude, just party all the time, this is why i'm hot, european superstar, from poland with love, austria train party, poker tag team, shake shake and die, wingman elite, french connection, bulimic masters, NFL frenzy, smack my bitch up, mc esquentador, mc corta-unhas, atlantic storm, paralympic divers, finnish her, pseudo suicide bombers squad collective crew, club junkies, caribbean stud, lambe-conas mor, puta españa, red bull addicts, vodka 56 forever, castle beach, i run new york, rainha africana, QUEIMAdo, coimbra charity, water please, "the fucking police", venetian parkour, ios parkour, madeira parkour, bridge hangers, zema fans, conocimiento, cancun love, traffic light craze, yankees 4life, PAOKaralho, far out sun7 dick parteh, tony the legend the return, prairie dog idol, zadar powah rangers, portugal 11 USA 4, lux fever, car roof dancing, violent drunk bastard, berlin twilight zone, sturdeplan glam, NN, "the salute", two V's for victory, einal shot, guitar bear-o, ich bin ein berliner, fritz friday, doofi ice skating, footie maniac, madeira sluts, old habits die hard, skyhigh, forest gimp, tough life, gymaholic, inda por cima é super bock wow, BINGE BINGE, IST for life, couchsurf.de, mafia wars, maximum authority, pt/de, zwei freundin, one passion, one story, one love.

2008, by the beatbingegen

Interlúdio #4 - superliga amorosa, época 2007/2008

.pré 26 de julho de 2001 -> período de adaptação no relacionamento com as gajas. no fundo só me safava se as gajas ou tivessem desesperadas já (porque eu nunca avançava pra não comer um corte à frente dos amigos) ou se eu tivesse todo fodido. doutra forma não tinha coragem nem confiança pra fazer nada mas fingia sempre que não tava interessado, que era um gajo bué selectivo. funcionava, os meus amigos acreditavam.

.26 de julho de 2001 -> depois de 2 anos a cortar pulsos, com bulimia nervosa e 10 tentativas de suicídio, comprometo-me com uma madeirense, nem sequer sei pra quê.

.29 de julho de 2007 -> numa viagem de interrail que fiz, ao passar pela polónia, que é à base de gajas maradas por tugas e latinos e não sei quê, tamos numa discoteca - a Carpe Diem II - e vejo o ruben a se meter com uma gaja, a Paulina, e como nunca posso perder uma competição para ele, meto-me com a amiga dela, a Zuzanna, ignorando por completo que tivesse algum tipo de relacionamento com uma madeirense. isto serviria naturalmente como boa desculpa para finalmente a madeirense acabar comigo, se ela assim o entendesse.

.30 de julho de 2007 -> ligo à madeirense a lhe informar do sucedido, certo de que dispunha de armas mais que suficientes para sentenciar a nossa relação. para meu descrédito ela reage bem confundindo-me ainda mais acerca do que é que as gajas pretendem numa relação.

.30 de julho de 2007 -> conhecemos um par de mexicanos, o José e o Fernando,primos entre si, no hostel onde ficamos na primeira noite, o flamingo.

.31 de julho de 2007 -> uma vez saio do hostel tutti-frutti e tá lá uma nota toda paneleira que a gaja, a Zuzanna, tinha deixado, com nome e número de telefone e que me queria encontrar e não sei quantos. finjo aos meus amigos que não tou interessado, para não os desiludir, mas fico satisfeito pela ego trip. equaciono usá-la para me alimentar o ego durante a estadia.

.31 de julho de 2007 a 6 de agosto de 2007 -> sou perseguido por uma polaca lunática, a Zuzanna, que idealiza uma vida a dois para mim e para ela após aquela noite inesquecível que tivemos no Carpe Diem II onde nos deixamos levar pela loucura e demos uns beijinhos e dançamos um bocado, como os futuros cônjugues fazem sempre como ritual de acasalemento inaugural.

.31 de julho de 2007 a 6 de agosto de 2007 -> astutamente verifico que os mexicanos acham a polaca, a Zuzanna, atraente e então trato de tentar incuti-los a ela mas ela por alguma razão obscura tem-me como objectivo claro e único. o meu ego agradece a cracóvia pelo refill de borla (de borla quer dizer custou-me a madeirense, pronto) mas tou enjoado de tudo isto, pressiono os meus colegas de viagem a deixar cracóvia pra trás.

.6 de agosto de 2007 a 25 de outubro de 2007 -> sou alvo dum bombardeamento diário de inquéritos, por todas as vias de comunicação possíveis, por parte da madeirense. sinto-me como um suspeito de terrorismo em guantanamo.

.26 de outubro de 2007 -> após ter falhado em explicar uma série de acontecimentos infelizes relacionados com o verão de 2007 , a madeirense decide pôr termo à nossa relação de exactamente 75 meses, de forma justificada no meu papel de observador neutro. até porque a relação já não dava mais nada à mesma, nem sequer tinhamos sexo já, foi bem visto.

.28 de outubro de 2007 -> recebo uma mensagem electrónica da polaca, através da rede social facebook, informando-me de que não irá esperar mais por mim (*sigh*) e que entretanto ter-se-ia comprometido com um dos mexicanos com quem teria travado conhecimento no verão de 2007, na polónia, por intermédio de mim, enquanto o tentava incutir a ela, contra a sua vontade. respondo-lhe a dizer que a minha namorada acabou comigo, a ver se a puta ficava com remorsos por se ter deixado beijar tão facilmente.

.31 de outubro de 2007 a 28 de fevereiro de 2008 -> dá-se o processo normal. acabamos mas continuamos a nos comer, particularmente com a ramada e em acto de desespero, já que tavamos destreinados a engatar pessoal nas discos. o terminus duma relação acaba por revitalizar a vida sexual do casal concluo. devo confessar que nesta fase ainda acreditava que era possível primeiro que o benfica fosse campeão e segundo que a pudesse aguentar até julho, altura na qual contava já ter perdido uns 7 ou 8 kgs.

.1 de abril de 2008 -> ela diz-me que anda a comer doutro gajo e que agora quando tiver com a ramada e nao tiver engatado outro gajo na disco vai pra casa dele. pergunto-lhe se ele é melhor que eu na cama ela diz que ele é diferente. tento arranjar formas de interpretar aquilo para além da óbvia. entretanto continuo sem conseguir engatar gajas na disco, tou de volta às origens.

.2 de abril de 2008 a 20 de julho de 2008 -> período de retiro, dedicado à aprendizagem de outras culturas, com dois estágios em madrid.

.20 de julho de 2008 -> recebo um pedido de couchsurfing de duas alemaes. uma delas é das mulheres mais atraentes com quem já tive qualquer forma de contacto na minha vida. contudo tava farto de ter estrangeiras a andar dum lado pro outro da minha casa em calçõezinhos apertados e nunca comer nada porque primeiro nao conseguia e depois porque achava mal um anfitrião se atirar a uma hóspede. ciente do sofrimento extremo que me poderia causar ver esta em particular em vestimentas impróprias para a nossa moderada cultura, decidi ignorar o pedido e conservar a minha sanidade mental.


.21 de julho de 2008 -> antes de jogar PES 6 mostro ao Ruben fotos no couchsurfing da tal alemã e ele pressiona-me a aceitar o pedido. usou argumentos convincentes, o que me irrita sempre profundamente nele. observou que eu não tinha nada pra fazer até ao interrail começar e que ia andar atrofiado e não sei quantos. depois ainda gozou de mim a dizer que eu ia acabar com a que achava atraente.

.21 de julho de 2008 a 29 de julho de 2008 -> andei pra cá e pra lá com o gryn e elas às costas. divertimo-nos, ela e o gryn claramente tinham um caso. o way envolve-se com a outra alemã, numa boa acção de wingman pró gryn. o gryn, sabendo do meu interesse por ela, poupa-me dum desgosto.

.30 de julho de 2008 a 2 de setembro de 2008 -> período dedicado à aprendizagem de outras culturas, com estágio em 36 comboios no leste e sudeste europeu. o way aprende a falar italiano. mantenho contacto com a alemã, ela percebeu que tinha interesse por ela e tá a me responder, por piedade.

.3 de setembro de 2008 a 28 de novembro de 2008 -> gasto a totalidade dos dias a jogar à bola, ir ao ginásio ou falar com a alemã na internet. para isso tenho naturalmente que faltar às aulas e neglegenciar a realização de trabalhos e projectos. não tenho tempo para tudo. entretanto experimento uma cena. não funciona.

.28 de novembro de 2008 -> aterro em berlim. o way veio mas ainda cheirava a raviolli da semana que tinha passado em itália, antevê-se tragédia emocional nas hostes germânicas.

.16 de dezembro de 2008 -> comporto-me como um anormal durante toda a duração da visita. finjo que perdi o meu bilhete de volta e ela deixa-me ficar em casa dela mais uns dias, já depois da restante comitiva ter partido. o meu sistema neuronal exulta. neste dia peço lhe garantias quanto ao nosso futuro. assinamos contrato a prazo.

.2 de março de 2009 -> vivo repartido entre lisboa e berlim, onde tenho uma relação séria de comprometimento com uma alemã que me pediu para ficar na minha casa em Lisboa, à borla, durante o verão, pedido ao qual eu acedi, por pressão do Ruben, e com a qual mantive contacto electrónico ao longo de todos os devaneios próprios contextuais/sazonais que pautaram o meu verão de 2008; a madeirense vive repartida entre arroios e a graça, por motivo dum relacionamento que encetou com um colega de trabalho natural de vila franca de xira, num estabelecimento de diversão nocturna, em Lisboa; o way vive repartido entre lisboa e roma, onde tem uma relação não séria de comprometimento com uma italiana que conheceu no verão de 2008, no sul da europa; a Zuzanna, a polaca, casou-se - no méxico - com o Fernando, um dos mexicanos que lhe apresentei e com o qual não queria nada pois pretendia que eu ficasse a viver com ela na sua terra natal.

.2 de março de 2011 (previsão) -> vivo repartido entre o cemitério de lisboa e de berlim, onde pensava ter uma relação séria de comprometimento com um alemã que eventualmente me pediu para deixar de a perseguir, pedido ao qual acedi, por pressão da polícia alemã, e com a qual mantive contacto físico forçado ao longo de todos os devaneios próprios emocionais que levaram à minha execução sumária no verão de 2010; a madeirense vive repartida entre arroios e o lux, por motivo dum relacionamento que encetou com uma beatbox natural do taiwan, no ebay, na internet ; o way vive repartido entre roma e napoles, onde tem uma relação de superioridade hierarquica com uma italiana que conheceu no verão de 2008, no sul da europa; a Zuzanna, agora mexicana, casou-se - pela 2ª vez - com o José, o outro mexicano que lhe apresentei e com o qual não queria nada pois pretendia primeiro que eu ficasse a viver com ela na sua terra natal e depois que o Fernando a acolhesse ad eternum na sua habitação em Monterrey.

Interlúdio #3 - retrospectiva branda

e que noite que foi em praga essa ultima diga-se........

cheguei agora da regata das canáriasmal tenha paxorra vou meter aqui o top 20 das fotos do rail. vai ser fdd mas vou tentar fazer uma selecção mundial do interrail 2008...

descrições de sítios e essas merdas fds n sei acho que agora é fora de contexto e na altura era fora de âmbito.

talvez me dê na cabeça e meto aqui uma ou outra história q me lembre...

por agora apenas critpomania: POR 1945 <3 6/12/35/

Interlúdio #2 - the story so far and the fucking bees

Intro

uma semana de rail , milano, venezia, ljubljana e quase acabou Praga jah. nao da pra meter caracteres especiais no bolo do caco portanto vai num portugues ah martelo pneumatico pra variar.

1. Estatisticamos

a(aaaaaaa) 90% do tempo passamos a ouvir um dos membros da crew a dizer "foda-se a serio ja nao aguento mais, tenho que comer uma gaja, nem que va as putas".

b(ees suck) 40% da guita ja se fodeu

c(unt) 95% do cerebro fritou

d(runk style) 10% das gajas que conhecemos alegaram ser lesbicas

e() 5% fizeram questao de o demonstrar

f(oda-se) 75% o que falta em termos temporais

g(ay bruno) 266 as vezes que o trio gryn/eu/way ja tivemos discussoes acaloradas enquanto fritos do alcool. acaba sempre como imaginam.

2. Aprendizagem cultural

aparentemente nao se pode dizer fuck the police em italia

no mexico levam a mal se perguntarmos se querem ir la tras dar um traco

confirma-se : milao eh uma merda de cidade

algumas pontes em veneza sao escorregadias, quando nos dependuramos

algumas pracas em veneza sao muito sociaveis

gosto muito das festas de graducao de arquitectura em italia

o gryn domina italia

o gryn anda a fazer jogo de bastidores com a faye

em ljubljana, nao e facil vomitar das pontes sem sujar o parapeito

em ljubljana, as autoridades facilitam o trabalho dos turistas ao dispor sinais com informacoes sobre a localizacao de femeas. cona a 30 com um circulo vermelho ah volta eh especialmente comum.

nao comam burek de carne nunca sem antes haver um puke fest agendado

tou a escrever com a 13a (decima terceira) garrafa de vodka ah minha frente. esquecemos o whisky depois das 2 primeiras que bebemos no aviao

as meninas finlandesas sao um bocado frias mas os tugas conseguem arrancar abracos e dancas

ontem perdi uma francesa bissexual para uma fufa. ainda tentei o threesome naturalmente mas a outra nao quis. pena.

as meninas estrangeiras tem muita facilidade em aprender a palavra foda-se.

nao tenho tempo para mais factos. depois actualizo.

//**Mochos do Hip-hop**\\

aka pseudo suicide bridge bombers eh o nome do projecto que nasceu a partir dos esforcos conjuntos de mc esquentador (aka peter/f), mc corta unhas (aka *way*), mc leao marinho (aka gryn) e mc pepino (aka morfin). na devida altura lancaremos o dvd da nossa tourne pela europa com hits como Ljubljana cona a 30.

//fotos:

soon e vai valer a pena


NAO TENHO TEMPO PRA MAIS LAST NIGHT IN PRAHA SHIT, LETS GO

Interlúdio #1 - 0-day madness

ok 0-day madness e que semana (ou semanas - ou meses) antecederam este 0-day.

começa hoje uma viagem de 30 e tal dias por aí fora na europa culimando com uma regatta das canárias pra mim e com o início do emprego pra gryn e bruno.

nao sei como vai ser mas vou tentar manter isto aqui mais ou menos actualizado pra uma transposição mnemésica mais fresca.

as expectativas são mínimas e da minha parte tenciono relaxar um bocado deste último semestre, que foi, em toda a honestidade, extremamente stressante e desgastante. ver uns monumentos, aprender um pouco sobre outras culturas e sociedades e essencialmente ganhar forças para o semestre que se avizinha, descansando o melhor que puder.

em jeito de auto homenagem ao que fui capaz de fazer este semestre, deixo aqui uma espécie de "best of" das fotografias que foram tiradas, por ordem cronológica, do mais recente para o mais antigo. inda por cima é super bock, wow.