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Memoria Soundtrack #2 - D-Tuned - Camones

em 1999 eu tinha 16 anos. foi um período negro na minha vida no sentido em que namorei com a cátia 15 dias. isso já de si pode se considerar deprimente nem sendo preciso mencionar os linguados sentados na praça da autonomia que me consumiam ciclicamente as reservas de suco gástrico. adicionalmente e em simultaneo, o massas e a sua matrix ficaram magoados comigo e com a catia pois ele estava de amores por ela, e assim toda a malta do 11º 2 se virou contra mim como consequencia e em proteccao moral ao massas e a sua matrix.

hoje em dia temos que a catia tem ancas largas e é boa pra ter filhos e já vou precisando de ter filhos pra colmatar pressões familiares.

mas na altura foi muito fraco. tão fraco que, astronomicamente, se a minha vida fosse 1 ano terrestre, este período constituiu o equinócio de inverno.

dito isto, e excluindo toda a minha vida, nem tudo era negro em 1999: havia o azul à benfica e a musica madeirense estava pro meu karma como o hemisfério sul tá pro norte. dito por outros termos era como se a terra tivesse cortada a meio pelo equador e o hemisfério norte tivesse cá atrás no equinócio de inverno e era eu e a música madeirense era o hemisfério sul e tava no equinócio de verão, bué à  frente de mim e dissociada.

e é por isso que escrevo aqui. bem representativo desta altura, D-Tuned - Camones é uma sonoridade poderosa que visa encarnar o puro do punk pós-anti rock progressivo e moldá-lo às exigências particulares do público madeirense. a utilização de zombaria em relação a classes sociais mais afortunadas é apenas um fait-divers delicioso que visa complementar aquilo que é discutivelmente a temática central da faixa - o turismo na madeira, ou, se quisermos ser mais latos, os turistas na madeira. independentemente da importancia relativa de cada tema, qualquer um deles é explorado de forma notável pelo songwriter, interligando de forma elegante os dois mundos aparentemente díspares dos betos do liceu e dos turistas ingleses. deixo aqui em homenagem a este período de ouro da música madeirense o que consegui aferir das lyrics - e sua respectiva tradução para o português. preste-se particular atenção aos versos que o songwriter deixa tentativamente em aberto, trazendo água no bico ao mesmo tempo que deixando ao próprio ouvinte o exercício de imaginar o que poderia lá caber.

D-Tuned - Camones



Letra da canção

[VERSE A] - Quina introdutória em que o artista pretende discretizar a sociedade madeirense sobre a forma de cinco características principais

"Camones..... camones...... camones... camones!    (Refere-se ao turista inglês)
Cabelo com laca, com cuspo de vaca,     (Utilizacao de fixador para o penteado, mais a adição de saliva bovina)
conversas de azelha do arco da velha,    (conversações superfluas)
rapariguinhas jovens e fresquinhas,         (adolescentes do sexo feminino com particular apetencia para o sexo)
aqui temos betos, avós, pais e netos...    (por betos entende-se jovens cuja ascensão familiar é de bem)

[CHORUS A] - De interpratação livre

tu és mau, mas é falta de bacalhau...      (és um indivíduo de má índole, mas talvez o sejas por excessos hormonais...)
tu és mau, mas é falta de bacalhau...      (és um indivíduo de má índole, mas talvez o sejas por excessos hormonais...)
camones... camones... camones.... camones!

[VERSE A]

Cabelo com laca com cuspo de vaca,
conversas de azelha do arco da velha,
rapariguinhas jovens e fresquinhas,
aqui temos betos, avós, pais e netos...

[CHORUS A]

tu és mau, mas é falta de bacalhau...
tu és mau, mas é falta de bacalhau...
camones... camones... camones.... camones!

[CHORUS B] - Focalização do alvo de chacota nos jovens de bem

Mas que queques saidos das retretes,          ("queque" trata-se dum termo depreciativo para um jovem de bem e a alusão ao facto de ter saído do autoclismo é figurativa e tem como único intuito o insulto gratuito)
ares de paspalho, vão todos prooooooo....!      (que tem parecência com um espantalho e portanto deverá se dirigir a sítio indefinido)

[CASUAL BRIDGE] -

Homem isto tá muito curto pá!      (artista alerta os seus colegas para o facto da faixa conter pouco conteúdo ainda nesta altura da gravação)
Sr. José? Morra!     (humor interno à banda - talvez referindo-se a um vizinho idoso que, sendo particularmente sensível à amplitude sonora dos ensaios da banda, vinha a dificultar-lhes a vida sobre a forma de vários entraves à realização de ensaios no local pretendido pela banda)

[VERSE B]

Mas que foleiros são os ratanheiros,     (referindo-se outra vez aos jovens de bem - ratanheiro considera-se como sendo o sujeito que dedica a maioria do seu tempo acordado a procurar ter relações sexuais)
acham que é bom armar-se em bom,     (recurso inevitável à redundância na utilização do adjectivo "bom")
não t'ponhas de lado meu grande babado,  (sugestão, ainda que em tom irónico, para que alvo de crítica se abstenha de sair de casa, completando com insulto à expressão facial standard do alvo)
"fala de amor" - é melhor tares calado!  (artista zomba forma lamecha como alvo vê questões amorosas e sugere-lhe o melhor curso de acção a tomar)

[CHORUS B]

Mas que queques saidos das retretes,
ares de paspalho, vão todos prooooooo....!

Memoria Soundtrack #1 - Hearts in the Night


Som: Bedouin Soundclash - Hearts in the Night [Street Gospels - 2007]
Género: Indie Rock, Ska, Reggae, Dub, Soul
Quando: Dezembro 2008
Donde: Arne (amigo da Faye), atraves dum video no youtube
Memoria: Berlim, Faye, Schöneberg
Suscita: Paixao melancólica (tive a pensar e, nao é, obviamente, uma redundancia) / frescura tropical subaquática, tipo como se tivessemos a fazer snorkeling nas seychells (apesar de tar a nevar lá fora)

Lyrics

I'm breaking down but I'm on Hope Road.
If you still love me then let a boy know,
Down empty streets that forgot their names,
Out names forgotten but the love still remains

Walking down past avenue B
I Feel the pressure of the night as it breathes...
... well that's the sound of a heart in the night
Breathing so slow in the heat of the midnight

Deep in the city is a man who sings a song
All night long i hear his voice borning on,
To lost faces in the seams of the night
That all unravel in the first morning light

Walking down past Avenue B
I feel the pressure of the night as It breathes..