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çpoiler traseiro #7 - 500€ p/dia, a Verão

A maior expectativa que eu tinha para este filme era como é que iam condensar 500 dias de verão em 120 minutos de imagens da zooy desgucci. Se se equidistribuissem os dias pelas imagens, teriam de ser justamente 1 dias de verão a cada 15 segundos. Imaginei que por cada dia de verão se fizesse um único plano da zoey, o que a 15 segundos é manifestamente insuficiente para sustentar um período de masturbação contínua, na minha experiência. *ya, aos 29 continuavas a fazer piadas de masturbação e a comentar o que acabaste de escrever a comentar o que acabaste de escrever a comentar o que acabaste de escrever (..) .... {ECO MUITO TÉnUE: e a brincar com metacenas} -- a propósito, a escrever isto pensei em como poderia ter escrito metametacenas e seria tudo bué fácil por causa de "recursividade" mas a verdade é que para "meta" a recursividade só assiste em ordem ímpar, depois pensa melhor nisso.

o gajo convencido que ela tá a olhar pra ele e ela a alimentar o autismo a ver quantas permutações há entre fibonaccis nos números dos andares
Mas voltando ao parênteses, depois no início acabei por perceber que a cena do filme é que o título tem piada porque a gaja chama-se "verão" e acaba por ser um trocadilho o título do filme, tipo "500 dias de verão" mas "verão" é a gaja, portanto 500 dias com a gaja, a sooy dachanel, o que é vardadeiramente genial e digno dum pullitzer ou nobel da criatividade. Isto veio como um alívio considerável porque logo aí um gajo percebe que é capaz de ser só 500 dias de imagens da soja dezchanels, que é o próprio "verão" neste caso, o que simplifica tudo para dimensão 1, até porque continua a dar 15 segundos por cada dia de zoey deschanel e não muda nada pra dizer a verdade.

Entretanto o gajo triste que acredita em amor conhece a zoey que faz o papel duma gaja pós-emancipada tipo helena páginas no junho de 2007 mas + espírito de borla (mas mesmo assim menos que a susan sarandon no brilho do sol eterno da mente imaculada), tipo na onda de que tem um trauma de infância baseado na imprevisibilidade da vida descambando para a destinomania, cuja génese na separação dos pais em período de adolescência nos recupera memórias da não separação dos pais em período de adolescência e última igual atitude perante a mesma temática. Por outras palavras e mesmo ângulo: a premissa tradicional que gera este tipo de proto-personagens complexos tem validade psico-sócio-filos-óficológicamente de √-1.

Aos 10 minutos de filme torna-se então evidente a narrativa - tamos perante um filme de peso leve à superfície mas passível de provocar danos consideráveis em malta insegura do ponto de vista relacional e existencial e provavelmente conduzir ao levantamento das habituais questões genéricas fundamentais todas: Porque é que estou com a Faye? Porque é que estou com a Faye? Porque é que estou com a Faye? Quantas horas vou demorar a lhe convencer que isto que escrevo é tudo na brincadeira e um exercício de antisarcasmo sarcástico desta vez?

Entretanto o filme às tantas vira-se mais para a cena dela dominar intelectual e espiritualmente a relação e o gajo ser um americano reactivo incompetente em particular e um homem de penetrabilidade emocional absoluta em geral - que nojo. Várias vezes pensei em como ele me lembrava vários amigos no sentido em que dada uma gaja de sonho (aquela velha ilusão ultracontextual) caem completamente por ela e tornam-se puppies, inclusivamente renunciando a vidas inteiras e desprendendo-se de âncoras geográficas à pala duma única gaja, que patinhos. Mas é mais fácil acreditar em cenas fantásticas do que insistir em coincidências e na susceptibilidade humana à sublimação emocional-contextual. E para dizer a verdade, porque não acraditar nisso? Senão depois no fim torna-mo-nos todos-nos seres humanos e já não tou a perceber nada do que queria dizer.

A 1:1 ass to bang ratio HAHAH OU bang bang you fucked me down HAHAHA OU 50% bangs + 50% face = 100% BANGS YOUR FACE HAHAHA
Metendo um bocado de estrutura nisto, "e isto foi a cena que mais me incomodou no filme, a inversão dos papeis naturais de segurança e superioridade masculina contra o de fragilidade e dependência feminina. Se gostasse de ficção científica via o star wards. Se calhar deixo uma pista a mim mesmo para não pensar no futuro que eu nunca fui misogénico e que tava só a brincar, etc."

Depois ela tá a curtir com ele mas não quer nada sério e o gajo eita vamos jogar a este jogo e ver quem se magoa e pela minha experiência pessoal com a joana teixeira do mcdonalds e outras 1 nigth stands eu já sabia que era a pessoa que pergunta sempre "o que é isto" e que ouve sempre o "na boa, não é preciso dar a um nome, não sei não interessa" porque até a um deficiente mental de 3 meses de idade isso é evidente. Aliás no próprio filme utilizaram a presumivel irmã do gajo tonto principal que era nova como conselheira emocional, sugerindo que na realidade é tudo claro como a água para a criançada, é só quando nos tornamos adultos e mais concretamente envolvidos na nossa própria estupidez alimentada por """quantas""" emocionais de níveis mais elevados que tudo se complexifiça.

compraste os candeeiros no ikea, não foi? até que ponto isto pode ser considerado product placement dada a ubiquidade do desenho sueco e será isso só por si uma vitória de marketing
Às tantas o gajo começa a ficar mais pegado à ideia de que eventualmente aquilo vai convergir para uma cena mais convencional com uma categoria tipo namorados ou isso, porque para ele isso é extremamente importante para poder apresentá-la publicamente como pertencente ao conjunto dessa categoria e eventualmente se exibir ao mundo conhecido a cada intervenção social. Uma nota particular para a tentativa bastante fraca do argumentista em explicar a razão pela qual a zoey não queria entrar pela onda da terminologia convencional da relação, tipo chamarem-se namorados ou isso: às tantas o gajo triste pergunta à zoey: como é isto etc e ela retorque "pá, snoopy, a cena é que amanhã eu vou acordar e não sei como me sinto" e isto deve passar com pessoal acima dos 18 porque tá tudo a pensar noutras merdas talvez mais importantes mas para mim e para a presumível irmã do gajo triste isto é óbvio que não é razão suficiente nem sequer necessária para a gaja tentar evitar ali a cena com nome tipo "namorados", porque isto pode acontecer a qualquer pessoa inclusivamente casados e pronto ali acaba-se tudo e portanto na realidade mesmo essa malta assim querendo dar a impressão que fazem isto porque são todos espíritos livre e tal o que acontece é o exactamente o oposto, têm paranóias e complexos e não os compreendem e então inventam explicações clicheadas pra ver se pega primeiro na self-cabeça e depois nos self-próximos. A verdade é que a zoey tava a viver uma situação em que o gajo ya atributos e ya reactivamente dava pra dar umas fodas valentes e aquecer o coração em geral quando ela necessitava mas no fim aquilo era demasiado fácil e enquanto não aparecesse mais alguém tudo bem vamos aguentar os cavalos e não meter nome nisto porque eu não quero é nomes mas na verdade o que eu não quero é me sentir culpada no futuro e posso sempre me salvaguardar remetendo-me para o "eu disse que isto não era sério". Em suma, a zoey tava a usá-lo, e o gajo: patinho. Eu sei disto outra vez por experiência pessoal e sendo eu o gajo talvez mais na média do mundo em todos os aspectos que consigo pensar, só posso pensar que um filme feito para o consumo em massa se baseia em mim como alvo de sucesso comercial/popular.

demasiado fácil, mas alternativamente honestamente parece o olho do rabo dum cavalo
No fim a gaja casa-se com outro gajo de repente e o gajo fica a arder como previsto. Durante esses 20 minutos que o gajo anda dum lado pró outro com a própria gaja a consolá-la lembrei me essencialmente de duas coisas: 1) que já passei por isso apesar de não ter deixado que fosse a ex-gaja a me consolar e puta que o pariu é fodido e 2) será que o gajo na altura se masturbava porque eu tinha uma coleção de 20 gb de porno e da ultima vez que isto me aconteceu apaguei tudo e tornei me assexual de todas as formas inclusivamente na forma duma gaja dar o seu máximo e eu 6.022×1023

Finalmente queria mudar de font 
primeiro porque fiz copypasta 
do valor númerico dum mol de qualquer merda 
doutra página 
e isto mudou a formatação automaticamente

e depois para homenagear aquele tont
aquele que sabe o que a casa gasta
que desde o início avisou para a queda
submetido àquela vágina
o único bro que me fez sorrir no filme realmente

P*******
8 de 10 no imdb porque tinha 7.9, senão tinha dado 7. Por outro lado zoey, por outro lado memórias, 
por outro lado comentário desafiante à axiomática tradicional das relações monogámicas


OLÁ PESSOAL EU CHAM-MM ZOYIE DUCHANNEL, GOSTAM DO TWAILAIT ZOWN?

spoiler traseiro #5 - ironman (wadsworth constant applies)

o ironman fiz o download há 3 anos. acontece que hoje tava a jantar um cuscus com cogumelos, cebola e carne moída a que juntei aquela especiaria que acho que é afrodisíaca que o claudio ofereceu no casamento e durante o jantar não conseguia ver as mamas da faye porque ela agora usa uns casacos espessos como o caralho.

6 gajos a ficarem doentes 6 vezes significa uma bilhete sem retorno para o domínio hipersensorial 

por nao ter distração começei por tipo meter as curtas do david lynch mas o primeiro filme, "6 gajos a ficarem doentes 6 vezes" consistiu em 6 metabonecos em processo de ficarem doentes em simultâneo na mesma cena cíclica de 2 minutos com sirenes a bombar forte. apesar de só me sentir vivo com este tipo de estímulo, a faye interveio para reclamar insuficiência intelectual na apreciação da obra. A apreciação não é feita a nível cognitivo, fayuka, a apreciação destas obras experimentartísticas é adquirida no limbo entre o nível 38 de fascinação por ininteligibilidade e o nível 1 de aclamação social por pseudointeligibilidade.

sendo assim vimos o <'ironman'< em vez, obviamente.

13º minuto - para uns, a cena final do filme, para outros, só o início

o ironman sumariamente consiste numa tentativa honesta e esforçada do argumentista em filtrar o nosso interesse no filme de si próprio nos 10 primeiros minutos (evitar a piada argumentception declarando-a (evitception nível 2 atingido - DOUBLE COMBO 30.250 pontos E O PIÃO A RODARE EM F-F-F-F-F-FU-FU-FU-FU-FUEGO, F-F-F-FUEGOOOO,F-F-F-F_F_F_F_FFUEEEEGOOOOO)). O robert síndroma de downing junior epitomiza esta tentativa com uma interpretação imaculada dum actor falhado a interpretar um actor oco a interpretar um actor deprimente a interpretar um actor com o espectro emocional duma rocha a interpretar um papel com a densidade do vácuo num filme de axção com a originalidade dum átomo de hidrogénio e a imprevisibilidade dum hamster dentro duma gaiola de 1 centímetro cúbico.

Quanto ao argumento em si, no início há um hummer militar no afeganistão com o roberto a seduzir toda a gente lá dentro com o seu grau de fixeza porque ele é um génio da indústria de armamento e tá de fato, gravata, óculos escuros e a beber um whisky enquanto o resto da malta tá com bué medo porque tão a ir pelo vale de panjshir abaixo. Nisto, mesmo na altura em que a camaradagem começava a atingir níveis siderais, sofrem uma emboscada com rockets e etc. Ele acorda numa caverna no afeganistão mas tenho quase a certeza que era só um estúdio em west hollywood.

depois o filme continua porque os blockbusters não podem ter só 2 minutos e o resto admito o erro porque não conhecia a banda desenhada anteriormente.

a verdade é que normalmente gosto de publicitar a minha condescendência para com filmes que requerem a compleição intelectual dum porco espinho como mínimo para acompanhar a narrativa, 80% pra antagonizar intelectuacooloides, 18% porque é socialmente vantajoso manifestar omnivalência omnipresente e 2% por homenagem ao karate kid/america ninja. Mas o ironman é demais. Faz lembrar aquela malta que curtias curtir, mas não curtes, e se antes te davas ao trabalho de fingir que curtias, hoje há tempo de menos e já tens muitos cromos iguais.

restou-nos o afrodisíaco. <3 placebo fx.


se se reparar com atenção no diagrama capilar facial do robert downing, é possível descortinar um alienígena de tipo "grey". Por outro lado, se se contar o número de letras em cada um dos nomes do actor: robert (6), downey (6), junior (6) e tivermos em consideração que é conhecido vulgarmente pelos seus 3 nomes - como todos os assassínos famosos da história dos EUA (que como se sabe limitaram-se a executar instruções que lhes foram programadas pelo projecto MK Ultra) a conjectura começa a ficar mais clara. O mais incrível é que nem tentam ocultar o elo entre todos estes factos conhecidos e o tema central do filme. Industria militar, greys, robert downey junior (666), génio suprahumano, transhumanismo robótico, controlo de mente, hollywood etc COINCIDÊNCIA ou benfica campeão?

spolier traseiro #4 - 2001 odisseias no espaço

não é o poster original mas ao menos assim não serve de spoiler e ninguém consegue descobrir onde/quando decorre of filme

eu ehhh... eh.... eu já sabia do stanley kubrick antes, mas mesmo muito antes de toda a gente. Lembrava-me sempre cubos e laranjas por razões diferentes. É dos meus realizadores preferidos apesar de só ter visto um filme até hoje. Hoje passei a ter visto dois porque vi o 2001: odisseia no espaço: já o tinha visto parcialmente em 8 ocasiões diferentes: é um desafio permanecer acordado a meia hora inicial a bombar strauss sobre imagens de macacos a fazer macacadas de rotina no deserto do arizona. nota ao próprio: levantar um AMA request no reddit a pedir um dos actores dentro daqueles fatos de macaco pra lhe perguntar se o gajo que levou o malhão dos outros "macacos" com os ossos morreu de verdade porque: tenho quase a certeza que sim: mas que malhão.

como eu disse, macacos a fazer macacadas no deserto do arizona
De princípio, em retrospectiva, posso adiantar que existem basicamente dois padrões transversais a ambos os filmes: 1. acho que o kubrick curtia com o futuro, nos anos 60/70 2. acho que o kubrick curte música clássica.

O livro - que li há 16 anos atrás-, é bastante explícito, mas o filme basicamente gravita em torno do facto de que escritores e argumentistas "geniais" só se podem expressar através de alegorias. Em 1968 vivia-se um ano em que o tema central foi muito provavelmente a guerra de exploração espacial ameroviética - até ao benfica chegar à final da taça dos campeões com o united, isto é. O Kubrick, ciente de que o succeso do filme passaria pela projeção alegórica do busilis filosófico da criação artística num plano que garantisse retorno comercial, tinha a opção de demonstrar a iminência da passagem da civilização a um estágio evolucional seguinte ou através do futebol ou através duma peça cinematográfica quase não verbal, quase estática e quase satírica vista 43 anos depois. O que acontece é que eu sendo crítico de cinema sei me distanciar de considerações anacrónicas. A merda é que não faço ideia do que seria inovador em 1968. Vou assumir que as partes de merda do filme na altura eram do caralho pela plasticidade geral e pioneirismo estético. Hoje em dia todos nós crescemos com imagens da discovery em órbita com astronautas em câmera lenta a arranjar merdas fora da nave pelo que a um ADD as fases sem diálogo do filme sente-se como uma máquina de tortura medieval.

esta imagem só se percebe o contexto no próximo parágrafo

Como já disse a história começa com macacos. Nisto a meio dum dia particularmente rotineiro no deserto do arizona há um que se lembra de pegar num osso e partir tudo à volta à medida que ouvia strauss, inclusivamente ganhando confrontos com um grupo de macacos adversário sobre um depósito de recursos essenciais à vida (água - paralelismo com as guerras petrolíferas d'hoje - diferentes grupos de primatas sempre lutam por recursos, e o corolário é que a moral é uma invenção exclusiva humana) - o kubrick tá a dizer que o macaco tá à beira dum salto evolucional para homo habilis porque começa a usar ferramentas. Nessa noite um monolito preto aparece à porta da caverna deste macaco, como é hábito numa noite normal da vida dum macaco. Foram os aliens que meteram aquilo lá, apesar do stanley nunca querer dar isso a perceber de forma directa. Eles vão ajudar os macacos a passar pró próximo estágio de evolução porque caso contrário sozinhos vão se perder na luta pelos poucos charcos no deserto do arizona. Neste caso, do ponto de vista antrobiosófico, o macaco/ser humano ACEITOU o seu papel de produto de criação de forma natural, porque não sabe mais - como prémio pela sua pronta e ingénua diligência existencial, vai evoluir.

é isto um monolito preto (o paralelepípedo à esquerda)
Depois há um salto para a era futura da altura (presume-se 2001) que é representada por 1 hora e tal de imagens da estação espacial internacional e product placements. Nisto descobre-se outro monolito na lua. O kubrick quer nos dizer que tamos na iminência de passar a uma nova era outra vez. A verdade é que passados 43 anos acho que ele tem razão. De qualquer forma o resto é irrelevante, são imagens estáticas com 97% do ecrã preto, alguns focos de luz, imagens do deserto do arizona em diferentes contrastes para parecer a lua e outros planetas até vir a parte interessante do filme.


note-se o súbtil posicionamento de "hilton" no balcão de atendimento da estação espacial internacional
2 gajos vão numa nave espacial a caminho de júpiter, porque de certeza em 2001 já iamos tar a mandar missões tripuladas a júpiter. A nave tem um sistema nervoso central que é interpretado por um computador mega inteligente de boa conversa, análise "sensorial" imaculada e aparente orgulho no seu estatuto - o que leva o observador a levantar bué da dúvidas: o que é a inteligência artificial?/implicará a inteligência artifical a posse de "consciência"?/o que faz um ser "consciente"?/serão as plantas "conscientes"?/seremos "computadores" mas feitos de materiais "orgânicos"/ terá a inteligência artifical humor/ será a capacidade de reconhecer humor o elemento distintivo entre inteligência artificial e inteligência humana? serão os autistas inteligência artificial? será que um autista se pode apaixonar por um disco rígido ou uma calculadora? será que um autista se pode apaixonar? "etc".

a inteligência artificial no futuro ano de 2001 (HAL 9000) - note-se a semelhança com o cíclope da odisseia de homero

O computador às tantas a meio da missão passa-se de forma passiva agressiva por uma razão que só é conhecida a quem ler o livro e que já não me lembro. Nisto começa a fazer jogos psicológicos com os tripulantes inclusivamente sabotando a missão. Isto pra desagrado irreversível do visualizador de tela culmina com o assassinato, por negligência activa, de 4 dos 5 tripulantes. Isto levanta bué dúvidas: serão todos os seres demasiado inteligentes tentados a se desviar do seu "propósito"? Será isto um mero corolário da teoria do caos? tarão os ignorantes restritos a condições tão particulares e específicas de funcionamento que constituem um sistema isolado e logo desconexos da hipótese caos em sistema aberto aka o universo (em sentido lato e figurativo, metafórico (domínio da informação) e literal)? será que isto explica formalmente o facto de serem em média mais felizes (tipo não têm grandes perturbações ao estado fundamental)? será que o pessoa já sabia destas merdas? rewind: em qual será o balanço óptimo para dotar uma máquina de inteligência sem precipitá-la para considerações filosóficas acerca de si própria e consequente repulsa premeditada à sua função?

"(8) esta vida de astronauta, tá a dar cabo de mim (8)" - o gajo eventualmente final já tá a ver aqui as coisas mal paradas - nunca é fácil lidar com crises existenciais , particularmente com máquinas (como se dá um prozac a uma máquina? - por USB, claro)
Menção honrosa totalmente irrelevante aqui ao Portal que consegue pegar na personalidade do HAL, o computador da nave, e multiplicá-la por genialidade quadrática recursiva. obrigado valve para sempre.

O que é que acontece neste cenário: o argumento posiciona-nos outra vez no confronto evolução humana contra um desafio qualquer. O humano evolui em exôdo espacial e confronta-se com a sua própria invenção: a sua tentativa de projeção intelectual numa máquina que acaba a sofrer das mesmas crises existenciais que ele próprio. Kubrick 1: a agonia e deriva existencial é transversal a todos os seres verdadeiramente inteligentes. Kubrick 2: deverá o homem renunciar ao seu papel de criador, por manifesta incompetência técnica, incompreensão filosófica ou imoral teológica? Kubrick 3: vamos ser aniquilados por computadores, mas de certeza caralho.

O computador fica 1on1 com o gajo final e dá-se uma luta mais ou menos dramática mais ou menos épica. O gajo final eventualmente consegue entrar na cabeça do computador que é tipo uma sala paralelipípeda com bué circuitos a fazer lembrar o descent 2. Nisto o computador morre a dizer cenas aleatórias, como quem começa a ter esguichos neuronais e acessos à memória aleatórios, até acabar por dizer as palavras de introdução do programa - somos nós a morrer e antes de morrermos se calhar sacamos a memória mais fundamental e primitiva, porque é assim que regressamos ao ponto espiritual primordial para depois irmos ao tribunal da verdade a ser avaliados pela nossa vida segundo o que li na bíblia, corão, tora e o tibetan book of the dead, que vieram todos do hinduismo digam o que disserem.

dentro duma inteligência artificial


quando o gajo fica bué feliz mas meio reticente porque afinal de contas tá a chegar a júpiter e o sistema nevrálgico da nave tá em morte cerebral, eis que aparece um monolito preto a voar a meio do espaço na direção da nave. À primeira vista é difícil de ver por causa do preto do universo, mas depois apercebe-se que é o oj simpson às cambalhotas. Consideração interessante que tive e que nunca tinha pensado antes: se um gajo é jogado duma nave pró espaço a rodopiar, nunca na vida vai parar a menos que leve com um asteroide na cabeça ou entre na atmosfera dum planeta. Agora repara tares a tentar parar de rodopiar e não consegues e depois a ficar bué mal disposto até vomitares dentro do capacete. Nota a mim próprio: fazer um AMA request no reddit a pedir um astronauta ou ex-astronauta só pra perguntar se já vomitaram ou sabes de alguém que vomitou dentro do capacete.

irrelevante
o oj simpson vem na direção da nave e a nave é engolida. Segue-se uma série de efeitos de luz que na melhor das hipóteses tão ao nível daqueles visualizadores de sons que vêm no winamp.

winamp party mode
10 minutos disso e FILHA DA PUTA A MELHOR PARTE DO FILME E QUE ME FEZ DAR 4 ESTRELAS A ESTA MERDA. O gajo final, que tava numa cápsula, acorda sentado dentro da cápsula dentro duma sala quase maçónica (chão mosaico branco, paredes da sala em veludo vermelho, candelabros em ouro e quadros de figuras aristocráticas nas paredes) - à sua frente, de pé, tá ele próprio mas mais velho (foda-se).

pai és tu ou sou eu?
No próximo plano, como se nada se tivesse passado no plano anterior - sem mudança de melodia ou ritmo da música (aliás tá silêncio este tempo todo, o que ainda é mais genial)-, o gajo final mais velho vira-se para trás e vai para outra sala. O canto da sala onde a cápsula tava, tá agora vazio. Ele entra na sala ao lado, que é um quarto de dormir, e tá lá ele ainda mais velho, sozinho, sentado numa mesa, a comer metódica e morosamente a sua refeição. A cama tá vazia. Ele ao olhar pra trás deita o copo no chão, que parte. Passa para o próximo plano. O mais novo da cena desaparece, o que tava a jantar olha para o chão para ver o copo, quando olha pra cima tá ele na cama quase a morrer.

a morte a 3 planos finalizada
Desaparece tudo, aparece um bébé a voar no espaço, é a nova humanidade, a que germina dos progressos fundamentais desta (inteligência artificial, exploração espacial) - paralelismo com o homo habilis vindo dos macacos etc etc etc etcetcetcetcetcetcetcetcetcetcetcetctttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt

os extra-terrestres/deus/allah/vishnu/buddah fizeram-nos passar de macacos a homo habilis, e depois, de filhos da terra para filhos das estrelas. eles ganham o jogo, nós empatamos e ainda temos a segunda mão, as máquinas perderam. A humanidade reencarna a cada morte mas o processo cíclico de evolução, de cada estágio evoluacional, é sempre paralelo ao anterior - e as dificuldades análogas. O existencialismo é a raíz fundamental para todas as dúvidas filosóficas e é possivelmente extensível à inteligência artificial.

boa kubricko. 4 estrelas porque já vão 43 anos, e não digas que vais daqui.

este gajo morre no fim porque os ETs/inserir_deus foderam a humanidade mas não usaram método contracetivo, e o aborto é legal em portugal
*Vou te dar outra oportunidade com o doutor estranhamor.

spoiler traseiro #3 - enter the void

"entra no buraco" nao é propriamente um filme, é uma experiência de vida, mas já estraguei o filme, não era isto que queria fazer.

Malta que tenha piercings no sobreolho ou na língua que substitua a palavra _piercing por _boné ou _orelhas_do_mickey [lady gaga] - o ónus aqui é pra meter no cú dos hipsters (+ tudo o resto que ainda caiba). Para que conste na acta, eu curto bué piercings em gajas, e músculos em gajos.

o filme começa com um ambiente hipstéreo, de grande entre orgulho independente e cicatrizes labiais a assinalar recente progresso para o pós-piercismo, ramificação modal enraizada no alternativismo 3.0 (aka bionerd hipster) lançado em 2009. Os puristas deste novo release 3.0 argumentarão que as cicatrizes, visto implicarem presença prévia de piercing, não garantem estatuto de autenticidade dentro do movimento, já que sugerem deriva a partir da maré 2.0, ou pior ainda, alpha 91'. É uma apreciação injusta particularmente tendo em conta que, ao fim ao cabo, nem todas as freaks nasceram em 1993. Gajas do início e particularmente meio dos 80s já comeram com várias gerações de estupidofacientes em cima e em baixo e não podemos exigir que alguém que tenha sido adolescente no meio da desgovernação existencial que foram os 00s se mantivesse esteticamente neutro. Importante plantar uma marca férrea para vislumbramento social ou íntimo, no fundo algum adereço que sinalize a significância da nossa experiência individual ou marca pessoal.

Eu uso, paradoxalmente, o inverso, - para transmitir segurança em relação ao meu estado natural de anonimidade e normalidade, venho mantendo a pele virgem - e por isso acho que sou largamente superior aos outros. Ironicamente, se me é concedido estatuto de irrelevante tenho impulsos de ADD e entro em descontrolo social, caíndo em todo o tipo de erro clássico para ganhar atenção imediata, dos quais este blog é uma das consequências. Em última análise a adopção dum piercing poderia me ter poupado considerável esforço na aceitação como membro integrante da linha da frente comportamental na minha faixa etária. Talvez devesse ter feito um piercing no sovaco aos 18, para marcar a minha transformação do juvenil pró adulto. Assim chegava à Madeira cada verão/páscoa/carnaval/natal não só a falar cubano como ostentando símbolo físico de integração numa grande urbe progressista do século XXI. Espero que as pessoas não me compreendam, porque eu venho doutro sítio incompreensível porque mais avançado.

De qualquer forma, voltando ao filme, no início dos 00s, como já referi, as pessoas lamentavelmente apresentavam-se ao mundo sem terem nenhuma mensagem concreta, sem flair. A ideia de meter bocados de metal incrustados em extremidades cartilares veio a revolucionar o pálido culto do normal e finalmente libertou numerosos seres vivos da opressão individual e artística em que se viam envolvidos. Mais importantemente, uma nova consciência criativa global nunca antes vista nem possível emergiu das casuais trevas sociais e lançou vários indivíduos para a autenticidade enquanto criadores e apreciadores de arte, uma disciplina que define a fronteira última do entendimento e proficuidade universal para qualquer aglomeração atómica suportada em hidrocarbonetos - a actualizar no futuro para outros compostos binários que se provem embarcar vida.

10 anos volvidos as pessoas nascem com piercings por influência genética. Ou, para alguns pais com sorte, porque espetou-se do clitoris da progenitora prá cabeça/orelha/nariz do nado - um dos exemplos em como um simples clitoris pode vir a ter influência biológia directa num corpo de 9 meses.

Faz então sentido, considerando a vulgaridade actual do acessório, que o altrêsnativo actual ao invés recicle o metal por ar, em consonância integral com a moda. A cicatriz subsiste e é uma marca de antiguidade no meio, embora exista sobeja sobreadmiração por quem tenha pele genuinamente "limpa", as tais pessoas nascidas talvez ao mesmo tempo que o rui costa deixava o benfica.


Não sei se fui claro na caracterização dos meus colegas de observação de tela.


Mesmo assim houve malta que apresentou pipocas caramelizadas na boca, não ciente das conotações mainstream da acção. Eu evitei porque queria cultivar a impressão de que eu, embora não visivelmente significativo, sabia o que é que tava ali a fazer. Uma espécie de sub intelectual, um vulto do movimento, sempre presente, nunca pactuante e suficientemente actuante. no fundo apresentando-me para o cinema indie como o bono prás elites mundiais. Fora isso, e partindo dum ângulo meramente académico, questionei-me sobre o porquê de, no kino movimiento, o mais antigo e original cinema do sistema solar, se venderem pipocas lamestream - tão só para abandonar o pensamento, de raciocínio ofuscado pela sonoridade estocástica do triturar mascativo. Vi me, em vez de conservar raciocínio, ser assaltado por perguntas aleatórias, como que um abeto madeirense soltando cones à toa com o vento ultra-atlântico:

Existirá um padrão psicológico para quem mame pipocas neste cinema em particular?
Terá a vida nexo sem padrão?
Deveremos todos comprar um toyota nexus?
Comprar mantem a economia saudável?
Será a economia relevante à minha tentativa humana?

No meio destas inequações torna-se me notório o rejubilo de vários teen estrangeiros no cinema. Talvez se possa perceber: tão em berlim, a cidade única e exclusivamente mais adequada para a prática duma vida verdadeiramente significante e muito mais livre e aleatória que aquela que poderiam viver nos seus planetas mãe. Em linguagem de jovem adulto, viver em berlim é uma extensão pós-universitária-pré-adulta do errasmus, o programa educativo de incentivo à natalidade suportado pelo comissariat europeu.

A prova factual inegável e irredutível disso é que estatisticamente o percurso do habitante estrangeiro ideal de berlim pode ser reduzido aos canônes erasmus e deduzido com a mera aplicação de duas transformadas temporais, talvez por influência das matemáticas fugas de bach, o deus do vinho prussiano: a dilatação x6 e transladação +6. O habitante ideal estrangeiro de berlim chega então aos 27 mas mais importantemente para toda a gente parte aos 32, tipicamente após relação humanamente significativa de 3 anos com outro(a) estrangeiro(a) ideal(a). Parte porque sofre experiência tormentosa: a falha na última oportunidade para se aplastar a alguém que tem a mesma visão ecosustentavel do mundo é normalmente fatal para proto-humanos que cultivam ad eternum a projecção da sua infantilidade quotidiana. Natural que uma ou outra pergunta se suscitem neste momento-eixo de fracasso da ideia que têm sobre a sua colocação no mundo: O que é que vou fazer da minha vida? Porque é que o mundo é assim tão robótico? O que é que preveniria o meu iphone/ipod/imac de ter sido idealizado e fabricado se todos nós 7 biliões tivessemos em contacto 24h por dia com o nosso ser interior através das artes? Porque é que em vez do MacD e fast food não existe fast art para consumirmos? Serei verdadeiramente única e autêntica se nao gostar de animal collective ou wavves? seria pedir demais se esquecessemos todos os combustíveis fósseis por um segundo enquanto eu vou de bike do naturkundemuseum ao MOMA?

Felizmente todas estas perguntas soturnas dissipam-se nos 3 primeiros segundos de fita, exactamente o que nós todos viemos à procura, respostas para uma vivência alinhada com a nossa imagem pessoal. Curioso que talvez por este motivo isto seja um filme que precise de preparação. Não de preparação emocional ou intelectual, mas de preparação sobre a forma duma vida falhada e carente de significado, ou seja, preparação acidental duma vida existencialmente acidentada. Ao mesmo nível do que é necessário para que a sublimação espiritual nas drogas se torne não um objectivo, não uma razão, não um escape, mas um deslize rumo ao desconhecido e experimental.

A apreciação individual do Ether the V0id é então basicamente uma medida franca sobre a inquietação com que interpretamos a nossa condição.

O filme em frases objectivas separadas de vírgulas:

apresentação aborrecida, de rItmo vagaroso e visualmente monocromático, música clássica a acompaNhar os créditos, que se desdobram no ecrã um único eStilo de letra formal e limpo (talvEz arial), introdução a plano cinematográfico na terceira pessoa do plural, exploração de relacionamento amoroso sacramental, retrato, a um nível narrativo, da forma abusiva como o amigo do lead character lida com o tabaco, arGumento centrado no qUotidiano de helsínquia, mais pRoezas monocromáticas, grupo de Amigos jogam playstation numa mansão, gajas em bikinis na piscina lá fora, planos subaquáticos do mar báltico,milionário árabe chega em ferrari decorado com diamantes, actriz principal é decapitada nas filmagens do apocalypse now, um sumo de laranja com aditivos toma a Vida dum jovem eslovaco numa cIdade sul americana, celebrIdade conheciDa noutros domínios fAz aparição relâmpago (cameo).

verededicto: não recomendado, filme vulgar que pouco ou nada contribuirá para o progresso dum como portador dum bilhete de identidade.

spoiler traseiro #2 - whatever works (película)

antes de mais, para efeitos de registo quero deixar claro que por escrever apenas sobre um ou outro título não significa que venha recentemente a empobrecer a minha cultura porque ela me chupa o tempo todo (inteprete-se de forma livre). se serve de alguma coisa, aqui provo-me. à primeira vista pode-se discutir que hajam demasiados 10es na lista, normalmente representativos do paradigma de "filme perfeito" e eu passo a explicar: a razão é que eu é que dou os 10, e é aos filmes que me apetecer.

grosso modo para mim todos os filmes partem do 10 porque cresci na madeira. tem a ver com a expectativa média de vida. alguém que tenha nascido vamos lá no cacém tende a considerar todos os filmes partindo do 0 e ganhando pontos de acordo com o número de explosões e tiroteios. eu não, fui criado a esperar o bom das pessoas e a valorizar conteúdo antes de forma e isso faz de mim um intelectual ingénuo. em consequência, abomino o género acção e só como a tosta mista do chapitô. acção é um género sem nexo e previsível, é como que ir a paris e ir visitar a torre eiffel, ou o louvre. qualquer um pode fazê-lo e só por isso a mona lisa é insípida. mas se formos à mata de boulogne digamos, teremos oportunidade de conhecer e trocar impressões com artistas do mesmo gabarito. melhor ainda se formos a tashkent em vez, ignore-se a merda real que é. no fundo um bom conhecedor sabe que a qualidade duma obra das artes não se resume à sua execução propriamente dita mas também tem a ver com a sua vulgaridade. por exemplo eu acho que os the killers eram muito melhores antes de existirem, porque não eram conhecidos. ouvi uma demo tape deles antes de lançarem o album que era do melhor mas agora que lançaram estes albums tão muito comerciais. o mesmo se passa com nitin sawhney. sempre o achei muito melhor antes, quando ainda pensava q era uma gaja.

da mesma maneira, whatever works, por ser do woody allen - e consequentemente não extremamente popular-, parte não do 10, mas do 11. por defeito filmes do woody allen são dum processo aritmético complicado: o 11 vem de 10  + 2 (influência do pat) + 1 (bonus hipocondria) + 1 (bonus incesto) + 1 (bonus intelectual) - 4 (minha mãe). a influência da minha mãe é particlarmente pesante. ela abomina woody allen sem justificação pública. há um amigo dos meus pais que parece o woody allen inclusivamente todos dirigem-se a ele por "o roberto, o woody allen". ele tem uma pizzaria no centro do funchal.

a influência da minha mãe é pesante e vale 4 porque ela não gostando de woody allen metia-me os dedos na garganta sempre que dava o manhattan na rtp madeira todos os meses, como treino subliminar. depois de ver o laranja mecanica percebi donde proviera a sua influência comportamental. a programção de mente fez com que hoje fique nauseado nos 10 primeiros minutos de cada filme do woody allen, aliás pode acontecer ocasionalmente que regurgite para cima de anões de óculos como efeito secundário.

do que trata whatever works?


quando eu tinha 7 anos vivia num prédio devoluto, onde passava os dias a jogar num ibm 286 com monitor CGA e sem disco rígido, para me distrair das baratas e aranhas que sobrepopulavam a casa. metia uma disquete com o ms-dos 5.2 para arrancar e depois metia outra com jogos cheios de vírus como o keypress ou o barrotes mas era na boa porque o meu tio passava sempre lá depois com o norton anti vírus noutra disquete e salvava-me o computador. no meio dos vírus havia um jogo de basket que era o lakers vs celtics  - curiosamente das 4 cores que o monitor CGA suportava não havia amarelo nem verde (a ver - rosa, branco, preto e azul marinho).

enquanto o circo diário da professora São a largar vergalhadas de frustração na ana catarina - a aluna largamente mais burra da turma 1 da escola do ilheus - se repetia, só pensava em chegar a casa e ser campeão da NBA com os lakers, no nível mais díficil e com 12 minutos por período. o lakers vs celtics, era, para mim, tudo na vida. como consequência chegava a casa todas as vezes em êxtase com a oportunidade de voltar a jogar, abrindo portas dos carros em movimento inclusivamente levando a que fodesse uma porta dum toyota corolla vermelho da minha avó contra o pilar da sapataria chloé do outro lado da rua.

isto repetiu-se durante várias semanas até que começei a perceber o padrão. chegava a casa, passava a tarde a jogar, ia tomar banho puxado pelas orelhas, ia comer sopa de agrião com o rabo em brasa das palmadas e ia me deitar sem sono e a imaginar a hipótese dos meus pais serem extraterrestres não sei porque. ora isto levou a que começasse, gradualmente, a desvalorizar o lakers vs celtics. De cada vez que começava a jogar, à medida que ia fazendo triplos com o james worthy e afundanços com o magic johnson já não rejubilava mas ia sucessivamente me oprimindo as emoções, sabendo de que, no final de contas, de nada serviria, porque o lakers vs celtics ia acabar todos os dias quando eu fosse tomar banho, comer e me deitar sem sono. acabei com a minha primeira depressão existencial, aos 7 anos, o que explica as conversas do meu irmão de 8 com os amigos. apercebi-me da efemeridade do lakers vs celtics e acima de tudo na falta de sentido que fazia me divertir no computador - e mais tarde me divertir em geral.

larry david, em whatever works, sou eu aos 7 anos, e a sua vida é o meu lakers vs celtics. um espectador que não vá embora desiludido com a repetição temática de woody (vulgo um apreciador) é carregado numa viagem existencial antiga em que a mensagem será que em última análise, sabendo-se que tudo é finito, deve-se optar entre a alegre aceitação do facto - como faz a gaja do mississipi que ele come sem explicação - ou a irrascibilidade infinita sobre a condição humana - representada aqui pelo larry. é uma dicotomia já vastamente explorada em várias artes desde a incepção do modernismo e para dizer a verdade nem é feita de forma muito subtil nem particularmente elegante mas talvez essa não fosse a ideia - de qualquer forma gostava de ter visto qualquer coisa pintada de fresco, como vi em vicky cristiano ronaldo barcelona, mas nada: o plano de fundo pinta-se com a dualidade ignorância e alegria vs conhecimento e renúncia. woody allen ia ter gostado muito de conhecer o pessoa. aliás grande tótó não ter feito um filme em lisboa baseado no pessoa. podia até ter pescado mais uma "filha adoptiva" na casa pia.

posto isto confesso em mensagem pessoal que "não gostei da meia superficialidade da obra woody, não gostei mesmo, és gajo para mais mas não desanimes. de qualquer forma terei que te penalizar fortemente por esta falha de profundidade no argumento. tens de ver o synecdoche e só daqui do parágrafo anterior levas -5 pontos, e vais com 6 pontos por agora."

mas bolas estarei a ser demasiado intelectual, demasiado enfadonho, demasiado crítico de cinema? sim, e por isso já bolsei duas vezes. whatever works é também feito de coisas bonitas e médias que passo a destacar:

- enaltece o amor indiscriminado e incategorizável entre pessoas, como a woody ele próprio até lhe convém transmitir. (+1 ponto)

- o larry não tem de interpretar papel nenhum e portanto é um personagem crível e sólido (+0,5 pontos)

- a scarlet tem um historial de personagens tão sofisticadas que não lhe cabe um papel de miuda do mississipi e então fez-se casting para uma nova. a nova não tem mamas nenhumas mas mesmo nenhumas caralho até faz impressão mas fica boa com calções justos. por outro lado é uma puta do caralho em se deixar ludibriar por aquele actor no barco. finalmente cabe dentro duma das mamas da scarlet. (+1 opção de elenco -1 opção de elenco e portanto 0 pontos)

- recurso repetido à relação a três - ou uma tentativa de apelar a muçulmanos e mormons ou uma tentativa de woody em preparar o mundo para o que aí vem em termos de vida pessoal. (+1 pontos, porque irrita os cristãos)

- caracterização da relativa imprevisibilidade do mundo e da volatilidade psicológica humana: NY muda tudo e todos invariavelmente, e seja o que fores agora sabes que quando chegares lá serás o exacto oposto, porque vives reprimido pelos valores que te plantaram e lá podes ser o que quiseres, ou seja, antágonas. (0 pontos, temática divertida)

isto tudo somado faz do filme um filme de nota 9 o que só por si não me sinto bem em dar, porque não gostei 9 do filme de certeza. contudo tenho notas de carácter pessoal para acrescentar. eu não gostei um bocado do filme pois me fez regressar àquilo que já soube mas esqueci-me, que é de que algum dia a faye vai perceber também a dicotomia entre namorar com um palhaço por história e ter conhecido um gajo de jeito numa disco, ou num flea market por exemplo. e aí espero que quando eu me jogue pela janela também aterre directamente sobre uma gaja esotérica porque depois desta só quero gajas bué estranhas e inclusivamente vou conceder chances a gordas. (-2 pontos)

é um filme de 7

spoiler traseiro #1 - crónica duma morte anunciada (manuscrito)

o gabriel garcia já conhecia doutras obras, em particular duma q pus como favorita por jactancia no meu hi5 mas que secundariamente acaba por coincidir com a verdade. "memórias das minhas putas tristes" (doravante referido como putas tristes sem aspas, e sem o sem aspas) é o meu livro preferido só pelo título em geral e pelo conteudo em particular tá no meu top 4 dos 4 que li até hoje até ao fim. daí que tenha dispendido 1 euro para comprar esta crónica há uns anos no atrio saldanha com o dinheiro que sobrou do pita shoarma. porque é que o li somente agora resulta de processos estocásticos fora do ambito do intelecto humano.

crónica duma morte anunciada, embora menos obsceno que as putas tristes, continua a ser pornográfico noutros encerramentos. trata duma temática recorrente no quotidiano contemporaneo: o assassinato iminente dum amigo com o nosso conhecimento e o consentimento de toda uma comunidade por desleixo, desinterpretação dos acontecimentos ou simples má fé. um rapaz de sangue árabe "de coração fácil" cresce numa ruralidade colombiana, com o caribe no horizonte, no início do século passado. esta impossibilidade histórica e cultural acaba por ser irrelevante já que contrariamente ao que somos levados a pensar não é um crime etnico no fim. o rapaz, alheio às maravilhas dos jogos de computador esbanja a adolescencia provando e papando garinas pela village até mais nao poder e revela-se também de vergalho fácil. pausa para referir que se trata duma village com pano de fundo católico. o que é o catolicismo? - também me questionei:

/o catolicismo, vim a perceber, é um sistema que visa explicar a origem de tudo e ainda para mais a condição humana com base num livro nao academico. existe uma entidade superior toda poderosa que ama as pessoas por escolha e porque as criou, tal como nós podiamos amar um cagalhão ou um jacto de esperma, mas em contrapartida, apesar de ser omnipotente, necessita de dinheiro para equilibrar a justiça no mundo por suas próprias divinas maos - no sentido figurativo, porque nao se sabe a sua forma. como ama as pessoas tem de protege-las de si proprias e entao define guidelines tal como as que o mr. hidayat me deu no meu primeiro dia na nokia para poder me proteger dos meus proprios hipotéticos erros com consequencias nefastas para a empresa. deus, porque o criou e sabe que é estupido, sugere ao humano que nao faça uma série de coisas caso contrário o planeta explode. espera-se um update em breve nos guidelines com vista a colmatar as falhas ambientais, já que as actuais 10 leis nao contemplam legislatura suficiente para evitar a auto destruição biológica. um bug, ou minor glitch - em termos informaticos.\

em todo o caso este árabe, à semelhança doutros, é só uma figura imaginária criada com o intuito de personificar uma ideia ou vontade principal, neste caso a da pouco fiável justiça cósmica. o autor, apesar de fingir a obra toda que isto é real life, tomando ele próprio a rédea da narrativa e descrevendo tudo na primeira pessoa, precisava duma figura aparentemente inofensiva cuja demonização lhe permitisse avançar zeloso para um diferente patamar contextual. assim o árabe, inocente, tem papel ambíguo ao longo da história. tanto é retratado como criminoso merecedor do destino como vítima duma série de acontecimentos inacotencíveis para parafrasear uma lenda do voleibol moderno, sendo que o leitor terá que decidir por si próprio a pintura moral a aplicar ao árabe. no entanto a verdade é que o acto foi consumado e a justiça - estarrecida - dissociou-se da lei por efeito natural e entao o árabe é basicamente assassinado à porta de casa por dois gajos irmaos da angela vicario, uma gaja que casou com um proeminente filho de general vindo da cidade. este general, de seu nome bayardo san roman, descobre na noite de núpcias - como todos nós - que angela ja tivera sido deflorada - à bruta, adicione-se - por um ou vários terceiros. consciente da pomposidade do seu nome nao se mete com meias merdas e aparece de fronte da sua sogra às tantas da matina completamente destroçado, denunciando aquela promiscua pelo braço. em toda a honestidade ela nem queria casar com ele, alega o autor da obra, mas a família tinha pressionado por motivos financeiros e de prestígio e entao perante este cenário a mãe fica levada da breca e aguas tantas enche-lhe de tanta porrada que ela decide revelar o autor do atentado vaginal e pra surpresa de todos menos os leitores, que já suspeitavam da atenção dada à profundidade do personagem, é o árabe, embora eu ache que nao tenha sido ele, porque eles geralmente planeiam bué bem as coisas antes de executarem e assim sendo ele teria optado por lhe sodomizar porque sabia que a justiça católica dizia que em vila rural do meio da colombia, quando o caribe tá no horizonte, à luz de deus todo poderoso só é permitido foder depois de ter havido cerimónia.

* Nota à atenção do vaticano: é necessário também um update para o sexo anal, de resto, tal como o aquecimento global, uma invenção recente e entao compreensivelmente fora das 10 sugestões originais.

e entao previsivelmente como consequencia do actos do arabe no fim todos morrem como sempre. o árabe fisicamente e os outros em espírito porque basicamente na manhã do atentado todos sabiam do facto que os irmaos queriam redimir a honra da irma matando nao a irma porque a mae nao ia gostar mas o gajo que foi irresponsável na altura, o árabe. é relevante adicionar também que os dois irmaos que assassinam o arabe eram unha com carne com ele, o que facilitou as coisas porque assim sabiam sempre por onde é que ele andava. ainda pra mais, impossibilitados por honra de controlar os seus próprios actos e pouparem o amigo, procuram ser evitados por terceiros, informando casualmente a qualquer individuo que se cruzasse com eles de que haviam traçado planos para o árabe.

e assim a moral da historia paira sobre as bananeiras e cocaineiras da pre-amazonia colombiana como o cheiro a cona no quarto do valente ha uns anos sem um gajo nunca saber donde vem aquele cheiro e nisto - há que dizer - o gabriel faz um trabalho digno de nobel da literatura em 1982, um ano antes do meu narscimento, a tal ponto que um leitor incauto dá consigo a se masturbar em publico se for nesse espaço que se encontre. de qualquer uma das maneiras várias horas acumuladas de suspense sobre a origem do cheiro levam um a se questionar legitimamente: "foge, mas porque é que ninguém avisa o pobre ou nao árabe?". é aqui que o garcia teve de fazer um esforço adicional para meter algum sentido na história, independentemente de revolver em torno dum árabe emigrado na américa do sul, facto que sugiro que ignorem se lerem este livro. assim ele cria uma série de coincidencias temporais e causais que fazem com que os pelo menos 40 e tal personagens citados da vila nao avisem o árabe, todos por razoes diferentes mas convergindo no dogma de que era simplesmente o destino dele.

pra finalizar uma palavra para aquilo que se pode chamar um trademark se alguem quiser ser um genio literario, a criação duma vicissitude enigmatica que seja transversal a toda a historia tanto horizontal como verticalmente. o gabriel, ciente da atmosfera tropical que conferiria à obra, decide destacar a imprevisibilidade climática e acima de tudo o efeito secundário mnemésico que o descrédito dessa jornada teve sobre a população em geral. lembram-se donde tavam no 11 de setembro? claro. lembram-se de como era o estado do tempo? sol na madeira e território continental, chuva nos açores. os habitantes da vila nao sabiam, metade diz sol, metade diz chuva, se calhar ambos tem razao e a vila tem yotaclimas ou se calhar uma das hipoteses é verdade e uma metade tá equivocada mas certo é que ao longo de todo o texto é um diz que nao disse e disse e tava chuva e ja nao ta e no fim so consultando os registos do meteosat.

2 citações livres tiradas ao calhas:

- "Santiago Nasar agarrou-a pelo pulso quando vinha buscar a almoçadeira vazia: -"Já estás em boa altura para seres desbravada" - disse-lhe."

- ""Apalpou-me a barbuda toda" disse-me Divina Flor."

Crónica duma Morte Anunciada

*le-se em 5 horas
*recomendado para pessoas que queiram dizer que já leram garcia marquez
*recomendado para pessoas que nao gostem de árabes
*nao recomendado a pessoas católicas