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lissao devida #4 - rabos e rosas

nao me lembro a primeira vez que bati uma scófia/punheta/pívia, por ordem de madeirense para continental. nao gosto da palavra pívia, lembra-me pevides, e quando o assunto é tao sério quanto a minha masturbacao, odeio pensar em frutos secos. de qualquer forma, por volta do início dos anos 90, quando o kurt cobain e o cérebro do artur jorge ainda tavam vivos sei que descobri porque é que às vezes acordava com a perna a tremer e xixi pegajoso nas cuecas. é curioso que me lembre da primeira vez em absoluto que falei com amigos sobre isso e nao me lembre da primeira vez absoluta, ou relativa a qualquer era histórica da minha vida, que tenha activado a interface mágica com sucesso. tou seguro que antes dos 90 já tentara qualquer coisa, aos 6 anos vi uma cassette pornográfica em formato BETA com uma gaja a fazer um alt bóbó a um gajo que falava ao telefone. desde aí tenho o fetiche pelos telefones daqueles antigos e de cada vez que existe algum saudosista com um desses em casa sofro de ereccoes, um problema contudo em natural declínio para qualquer ocasiao. nessa ocasiao em particular a minha mae, na altura uma jovem de 29 anos, atabalhoadamente ejectou a cassette do beta antes que eu próprio ejectasse na meta. deve ter comecado a pensar nas implicacoes nervosas que teria em mim no futuro e efectivamente acabei tendo ataques de panico por volta dos 16 anos como consequencia de nunca me ter vindo naquela ocasiao, aos 6. tambem em termos sexuais condicionou-me no sentido em que continuo estragar o ambiente por insistir na mesma tecla com qualquer mulher que se veja na cama comigo. quero tar ao telefone, desses antigos, e ela a me fazer um grande broche, mas nenhuma coopera. um dia destes no acto vou sacar do telefone assim de repente duma mocilha e vou comecar na palestra ao telefone com um amigo ao calhas - se for a alguém que teja a ler isto, que tenha paciencia, sao só 2 segundos.

em Agosto de 1995, na casa do meu primo Rodrigo na Camacha, encontrava-me no auge do meu acne, como se pode ver na ilustracao à direita. paralelamente, levantava o papagaio com regularidade e, naquele mes de verao na camacha, quando nao era sensible soccer no 386, era masturbacao dupla (nao recíproca) inspirada no filme pornográfico da semana, powered por um primo mais velho que vivia tres casas abaixo, o freitinhas. a segunda era largamente a nossa actividade preferida, mas tamos a falar duma habitacao que contava com um agregado de 5 pessoas comigo e portanto nem sempre era apropriada a prática da modalidade. como dizia, numa tarde de agosto de 1995 estavamos a ver a película com - discutivelmente - o melhor argumento que já vi, em plena televisao da sala de estar. o filme chamava-se rabos e rosas e a ideia que sublinhava a história era a de um actor que se fazia passar por um personagem que queria comer uma gaja pelo cú, mas ela tenho a certeza que nao era actriz, era daquelas mesmo que fazem aquilo sem ninguem lhe pagar, porque era depravada e bué boa. o destaque contudo tava no alt rabo que ela tinha, mas msm alt rabao daqueles dum gajo levar as maos à cabeca, olhar um para o outro e dizer rindo nervosamente "foda-se será que vamos comer um rabo daqueles durante a nossa vida inteira?". nao, nao vamos rodrigo, é a resposta que já posso dar aos 26 e que serve para o resto, mas se vires bem é tudo um buraco, no fundo a forma nao interessa, é só um detalhe suportado pela sociedade moderna, é o conteúdo que é importante. de qualquer maneira o actor tinha o intuito, ou desejo, como quisermos, de possuir a rapariga de forma anal. a rapariga, nao contente em ser possuida à canzana, como era de seu timbre e gosto, ainda inventou um jogo em que ele para ter livre acesso ao seu anus teria que antes de tudo lhe deixar a ela (a rapariga) enfiar rosas pelo rabo dele (o actor) acima. daí rabos e rosas, um título particularmente sugestivo. isto naturalmente para dois jovens impressionáveis cria uma envolvencia de sublimacao hormonal invulgar e entao tanto eu como o meu primo tivemos que nos fazer à vida. seguiamos para a habitual exibicao autosexual segura quando nisto a dona maria, avó do rodrigo, sempre em pezinhos de la como lhe era característico, faz a sua introducao dobrando a esquina, sem aviso prévio. escusado será dizer que tanto eu, como o rodrigo como o próprio aparelho televisivo nao estavamos à espera deste desenlace e que, como tal, fomos muito pouco plásticos na reaccao. se a televisao continuou mecanicamente a sua producao, eu e rodrigo congelamos por uma décima de segundo antes de levarmos as maos às calcas e proceder ao reatamento da normalidade relativa naquela sala. a dona maria em resposta a todas estas circunstancias, como mulher sábia e experiente que era, fez a sua retirada sem soltar qualquer comentário ou esbocar qualquer sinal de anormalidade perante a situacao. nunca mais uma palavra foi referida em relacao ao assunto.

lissao devida: há situacoes para tudo, e portanto, masturbar-se deve ser reservado para momentos de intimidade segura, como no banho, ou, se tivermos namorada, para quando ela tá na escola. se for no banho, cuidado com o ralo. se nao tiverem cuidado com o ralo, digam aos colegas de habitacao que tao constipados. a determinada altura de qualquer forma a acumulacao de esperma e cabelos será tao espessa que o ralo entupirá. nessa altura é necessário proceder à remocao do complexo biológico e é preciso decidir quem deverá proceder a essa remocao. à priori vitimizem-se exagerando no impacto que tem o cabelo da namorada nos ralos de todas as pias e banheiros da casa, em acto de prevencao para situacoes deste género. depois poderao sempre alegar stress cumulativo para nao terem que meter maos à obra que meio fizeram. nao tenham remorsos, ela já tá mais habituada a lidar com aquilo de qualquer maneira. nao se esquecam que é ela que vai lá com um bocado de papel higiénico deitar tudo pra fora. é uma decisao dificil para a mulher, tomar a pílula.

lissao devida #3 - ms-dois can play that game

apesar de me camuflar de socialmente adepto, preferi sempre os computadores às pessoas, especialmente quando era mais novo (idade compreendida entre os 5 e os 25/26 anos). assim sou um geek que nunca saiu do armário apesar da minhas 2 namoradas até hoje terem suspeitado disso a partir de determinada altura em que passei a as cumprimentar e responder com um grunho enquanto dissipava a minha mente no ecra CRT - e mais recentemente LCD. como qualquer geek, sempre optei por embarcar em discussoes futeis acerca de que sistema operativo ou jogo era o melhor e como é natural, as minhas opcoes sempre foram as melhores.

em 1995, nos apartamentos caracas, no funchal, tava em casa do meu amigo pedro mendes aka tega para experimentar o novo windows 95. o tega telefonara antes com uma excitacao indecifrável para mim falando acerca do sistema operativo do futuro e asneiradas do género, quando todos sabiamos que o windows era uma aplicacao paralela ao ms-dos e que nao tinha compatibilidade para nada. depois de me mostrar as virtudes do sistema, e de como com um simples rato poderes escolher tudo o que queres fazer fiquei com a nítida sensacao que o tega era gay e nao pude deixar de o transmitir. o ms-dos, pela sua forma rude, áspera, directa e objectiva era o sistema operativo largamente mais favorável à masculinidade de qualquer miúdo em vias de tomar uma decisao de orientacao sexual. para além disso jogos como o sensible soccer, f1 grand prix, fifa international soccer, doom 2, dune 2, leisure suit larry e strip poker 3 só funcionavam no ms-dos, contra o solitaire e minesweeper do windows 95. nao só transmiti a minha ideia bem vincada ao tega como procedi ao insulto em sua própria casa, com o escalonamento do argumento. o tega, inflamado pelo meu desaforo, poe um término na minha visita (a ajuda da mae foi determinante) e passa a me olhar com desdém na escola até 1999, ano em que adoptei finalmente o windows 98 para poder jogar quakeworld e lhe pedi desculpa online no servidor quake.telepac.pt. (formamos um cla de sucesso depois - os Gava Jelly)

lissao devida(duas): sempre que sair um sistema novo compra e mostra rapidamente aos teus amigos, nao vá o sistema ser o mais popular do mundo em breve e ganhas o rótulo de follower resignado em vez de líder vanguardista. segunda, insulta os amigos mas fa-lo apenas quando a mae nao se encontrar em casa, pois depois podes perder sumos e chocolates do lanche se discutires antes das 5.

lissao devida #2 - mas só em último reduto

a determinada altura contrita da minha vida cedi às pressoes do abismo junior socialite pelo qual tive a infelicidade de ser sugado e usei, durante cerca de 6 meses, sweats c/ colarinho da gant e calcas de bombazine da polosport by ralph lauren. logicamente, dado o contexto social, achava piada na altura a sair à noite com o carro do meu pai (um peugeot 406 coupé que na verdade era só o carro de servico que a peugeot lhe dava). para além disto, e para motivos de posicionamento histórico, num período anterior da minha juventude tinha largamente frequentado um pequeno bar de shots na rua da penha de franca que dava pelo nome de "o reduto", cuja frequencia se baseava numa homogénea amálgama de pequenos jovens betos de toda a área metropolitana do funchal.

uma vez, em 2002, decidi ir, fora de prazo, a esse bar - para reavivar velhas memórias. ao chegar com o meu peugeot 406 a condizer com a minha pólo listada horizontal estaciono à patrao mesmo em frente à porta, embatendo violentamente contra um fiat uno vermelho que se encontrava à minha frente. notando que o universo de fregueses do estabelecimento tinha virado marginalmente para o metaleiro/gótico mas mesmo assim de ego inflamado pela minha envolvencia estética deixo o bote "what you see is what you get" a tocar no outro e prossigo triunfantemente bar adentro antes de ser interpelado pelo dono do fiat uno. foi me imediatamente identificável como dono do fiat uno pela atitude mista entre bubsy do trainspotting e o gajo que o brad pitt interpreta no snatch, nem foi preciso me dirigir uma palavra. um vulcao em erupcao e eu o centro das atencoes agora pelas piores razoes, com o bar todo e a sua crowd dark na rua a olhar para o desgovernado heroinómano a depenar o betinho de leite, eu a tremer que nem varas verdes das patas e a ceder à humilhacao sem piar nada a nao ser "d d d d d d d desc... desculpa..".

quase a verter a primeira lágrima, que definitivamente colocaria um ponto final na minha já de si lamentável vida social, sou saved by the bell. na plateia está uma miuda que conheco vagamente do mIRC como miss_suki e que na escola industrial cumprimento à distancia mas evito a todo o custo porque é gorda. ela é amiga do rapaz e acalma-lhe o grelo enquanto sorri para mim, animada pelo relancar da nossa intimidade. entro no peugeot 406 coupé do meu pai, pólo nos ombros e orgulho no intestinto delgado e vou para casa jogar fm2002.

Lissao devida: mesmo que a gaja seja feia ou gorda poder-te-á ser útil qualquer dia. mesmo para favores sexuais, e olha que elas até tem que se esforcar mais que as outras e numas situacoes ate tem mais experiencia que outras, porque é a unica coisa que gajos decentes lhes deixam fazer (felacio).

lissao devida #1 - guerra freia

na escola horácio bento, no funchal, eu era um rapaz muito indisciplinado e irreverente na minha turma de kekes mas no recreio tinha medo dos meninos maus do bairro do hospital.

uma vez, em 1995, tava com os meus amigos kekes a jogar com uma bola de papel (com as miudas kekes da turma 1 a ver - incluindo uma joana dantas que eu adorava) e de repente um de tres rapazes maiores que eu que, sentados num banco, nao paravam de rir, chamam-me a atencao:

- "aulha... aulha.. ah ruapaz..." [todo o jogo pára por respeito]
- "er....sim?" [a muito medo]
- "veah, tens a bruaguilha abuerta..."

*eu olho para baixo e verifico, aliviado pela preocupacao dos meninos que eu tanto respeitava. ao mesmo tempo que noto que a bruaguilha tá fechada levanto a cabeca e o rapaz, numa voz de satisfacao demoníaca, diz:

"nao é eisse... é que tens cara de cuaralhe!" - tudo culmina num embrulho de gargalhadas, incluindo os meus amigos (atitude que nunca lhes cheguei a perdoar).

Lissao devida: aplicar esta sequencia conversacional em público sempre que nao gostar de alguém e andar sempre de braguilha aberta para criar contexto ambiguo e portanto desfavorável.