19 Dezembro 2008, Madrid (30 horas 3 cidades - Part II)

Recomendação: ler Part I primeiro

(...)

em Madrid, conheci a Astrid e passamos pra 19

Acordo sobressaltado com a minha execucação eminente: sinto uma presença electromagnética duma aparelho qualquer. por breves centímetros (cá está, pioneiro literário) só me ocorriam à análise mental duas hipóteses: ou eram os supracitados serviços secretos alemães a me catalogarem para efeitos de posterior arquivo legista ou a CIA ia me meter a camera pelo rabo como parte do programa ECHELON de controlo de fluxo informativo. que do meu ânus sairão informações mais relevantes para a evolução da geopolítica mundial do que da boca ou dedos (era digital) da grande maioria da população parece-me uma perspectiva segura. só não tou ainda preparado para sacrificar a minha virginidade anal (nada de piadinhas) em prol da vida de pessoas, mesmo que tenha precipitadamente declarado o contrário no meio do terror à partida de Berlim.

infelizmente, apercebi-me após inteligentemente ter aberto os olhos para auscultar o ambiente, a verdade era mais dura do que ao que imaginará momentos antes. não era o jorge gabriel a apresentar o natal dos hospitais mas eram as pitas espanholas, armadas com uma daquelas câmeras digitais que conspurcam a arte da fotografia em filme, a me fotografar anteriormente a dormir e agora em sonoras gargalhadas pelo facto de me terem acordado. o mundo faz pause. pára tudo diz o einstein, o deus da física. nisto sinto um acesso manancial de energia negra a me penetrar por todos os orifícios à excepção do anal (opção literária que não põe em cheque a minha segurança relativamente à minha masculinidade), gerando um tufão atómico dentro do habitáculo do avião. o universo acelera furiosamente em movimento giratório centrado no eixo do meu umbigo ao ponto de me transladar o cerebrelo para a vesícula biliar, como aconteceu ao josé carlos malato à nascença. a mim pede-se me um desenlace agora que estamos no clímax da tragédia espanhola. à moda antiga, sem A nem B, puxo a colatra atrás para aplicar um straight jab no repugnante nariz espanhol da mais próxima de mim. por me acordar. pelo tratado de tordesilhas (comeram-nos bem com áfrica, provou-se nos últimos séculos). pela dinastia filipina. por valença. pelo campeonato da europa. pela furia gay espanhola. pela poluição gay nos rios. pela pronuncia gay. pelo favor ao mundo heterossexual. enfim, não foram suficientes razões. congelo em pleno gesto. um rasgo de discernimento situa-me na vida: neste momento sou já um suspeito de crime na alemanha (por riscar um carro com V's... como se eu fosse escrever V's num carro, de todas as letras). seria demasiado duro para os meus pais em época natalícia lhes explicar que estava referenciado tanto pela polícia alemã como pela espanhola. suspiro e sinto que defraudei as expectativas. tantos efeitos especiais e o caralho e eu armo-me em paneleiro. podem-me enfiar a camera pelo rabo agora comento chistosamente comigo próprio. como resposta o realizador concede-me o deprimente regresso à realidade a elas a se rirem e a segregarem outras emoções jubilosas com interjeições inspiradas, tou convencido, em aves de capoeira. tive vontade de lhes oscular às duas como que servindo de mensageiro da fortuna com que foram abençoadas mas aos dois dias de namoro com a alemã seria inapropriado. aterramos no aeroporto de baratas. estamos em espanha e está sol.

tou vestido a preceito para explorar a antártida e tá sol. que sorte a minha que os casacos não cabem dentro da mala, que já transborda bocados de tecido pelas costuras. há coisas piores: algures nos últimos meses decidi que tinha piada (pessoalmente) se não só fosse o mcgyver do século XXI mas também um energúmeno. para isso arranjei um neologismus que soasse cool e que simulasse que se tratava duma filosofia de vida. sou carefree. muito louco. acéfalo. ainda por cima é nome de marca de pensos higiénicos. mas pelo menos fui coerente e agi consoante a pancada. não tenho telefone nem o número de telefone do João, um supra viajante que trabalha em madrid e que noutra memorável ocasião me serviu de anfitrião, juntamente com uns ex-amigos que tinha, o cabeças, gryn e bruno (tou a brincar bruno). olho para um mapa chegado ao interface do metropolitano no aeroporto. sei que a casa dele se situa a leste (literalmente) do parque del bueno retiro, porque outrora ficamos presos lá dentro do parque à noite com o grau e tivemos que saltar as grades, o gryn tendo rasgado as calças no processo. verifico o nome das zonas à direita do parque. goya e ibiza, o nome dum pseudo artista e o nome duma pseudo party island. decido escolher a que me suscitar memórias musicais primeiro. instantaneamente oiço o som do pop & crack dum vinyl nas minhas costas. olho para trás. tão cerca de 20 funcionários do metro de madrid dispostos em forma de coração. dos altifalantes do metro repercute a voz "próxima estación, eivissa". o preto com ar gay que forma o vértice do coração estala os dedos "e uno e dos e tres". "WOOOOOWW WE'RE GOING TO IBIZA" os funcionários coreografam e do coração passam a formar os contornos geográficos de ibiza num único movimento homossexual e concertado. "WOOOOOOOW BACK TO THE ISLAND". mudam para um copo de martini. "WOOOOOOOW WE'RE GONNA HAVE A PARTY". mar mediterraneo. "WOOOOW IN THE MEDITERRANEAN SEA". a cara do rei juan carlos. e por aí fora. uma performance cintilante em toda a honestidade. convenceram-me.

mas calma ibiza fica em madrid? pensava que era uma ilha no mediterraneo mas também os atlas que lia quando era puto tinham vários erros. não tinham vários países que sei hoje que existem da sic notícias e a russia parecia exageradamente maior. talvez se tenham equivocado com ibiza e esta seja apenas um bairro de madrid. ou entao uma ilha num lago em madrid prai. pago 2 euros para o metro e reparo que, embora asseado, o metro de madrid é provavelmente o mais claustrofóbico com que já tive oportunidade de privar momentos de intimidade transportativa. talvez isso explique porque razão seja o terceiro mais extenso do mundo (se formos a acreditar nos panfletos propagandeantes) atrás de NY e Londres, totalizando 271 Kms de vias férreas subterrâneas. efectivamente pouparam na altura dos tectos e na amplitude dos túneis/estações para que pudessem chegar a mais sítios. astutos, os engenheiros de caminhos e canais. isso trás contrapartidas de variante grau de gravidade, dependendo das nossas convicções políticas. ao chegar a mais sítios e nomeadamente zonas suburbanas de baixo custo habitacional estamos a permitir que cidadãos com menores posses, geralmente imigrantes, usufruam de todo este nobre sistema de transporte. isso pode heterogenizar em demasia o ambiente dentro das carruagens e talvez até retirar algum brilho à excelência tecnológica que patenteiam por todos os poros electro-mecanicos. na realidade, se adormecesse na carruagem e acordasse repentinamente seguramente pensaria, em primeira instância, que me encontrava numa qualquer cidade inca do século XIV (para os menos versados historicamente a cuzco da actualidade serve). curiosamente mudo na estação de colombia. essa sei que não fica em madrid. nao faria sentido anualmente centenas de pessoas tentarem transportar cocaína de avião da colômbia para a península ibérica se a colombia ficasse justamente na península ibérica. há gente para tudo, quero dizer, basta olhar para intelectos como o george bush, jesualdo ferreira ou francisco stromp para perceber que a mente humana é capaz das maiores barbaridades imagináveis mas um povo que inventou a paella ou o opus dei parece-me "francamente" (haha) capaz de mais (é uma fria análise, não é um elogio).

saio então em ibiza e espero ser recebido por uma atmosfera veraneante e aberta sexualmente, com estrangeiras ricas - ou deseperadamente a tentarem no aparentar por 15 dias na vida - a se passearem em bikinis, trikinis e fios dentais enquanto mitras do sul de espanha, com bonés com padrão em xadrez e t-shirts estampadas com o número "69" à frente e a sempre hilariante expressão "de puta madre" atrás, oferecem drogas sintéticas com 2% de pureza em troco de vivas e eternas amizades. tenho pastilha elástica que comprei na alemanha, o que poderá resultar para ludibriar garinas de nacionalidade americana mas pouco mais. tenho também a minha mala que pode servir como arma de arremeso contra britânicas obesas e depravadas. aquelas com glândulas mamárias de 20 kgs cada lado (só deus sabe o que anda lá dentro daquelas sacas, pode ser qualquer coisa, leite, castanhas, petróleo, a maddie... até universos paralelos admito). foi com grande excitação então que emergi do subverso dos transportes públicos da capital de espanha. aliás, depois de uma hora em madrid, já contagiado pela arrogância das suas gentes, para mim já era a capital do mundo. aliás, a única cidade do mundo, a cidade à qual todos os 5 milhões de habitantes do universo chamavam casa. não há música, nem praias, nem estrangeiras de bikini às bolinhas amarelas. em vez disso há uma rua com uma plataforma pedonal com duas filas de árvores no meio e caminhos rodoviários de duas vias de cada lado. há prédios com uma altura média de 6 andares a encerrarem os limites da rua. há o Dia, cinco pastelarias por metro quadrado, uma quantidade brutal de peugeots e 9 em cada 9 indivíduos aparentam ter mais de 65 anos. tiro um momento para pensar: queres ver que ibiza fica em lisboa e eu nunca soube? a prova dos nove: olho para o chão. no chão não existem defectos caninos e a calçada está obssessivamente alinhada perfazendo figuras geométricas perfeitamente regulares. não estamos em lisboa seguramente. vou a um mapa e certifico-me do nome da cidade "ayuntamiento de madrid". já aprendi mais qualquer coisa, sei agora o nome oficial de madrid. ibiza é mesmo um bairro de madrid mas em vez de ser um local de diversão e lazer para as massas juvenis é um complexo para reformados com 5 por 5 quarteirões.

agastado fisica e emocionalmente enceto a minha procura pela residência do João. cruzo-me com uma idosa que se movimentava com o tronco a formar um ângulo constante de 45 graus com o vector normal à terra. sinto pena e compaixão. a minha bioquímica está me a trair. conviver 24 horas por dia, mesmo com os melhores amigos, pode ser um exercício penoso e saturante pelo que preciso duns momentos a sós da minha mala e fecho eclair para reestabelecer o meu habitual patamar emotivo de indiferença ao próximo. necessito urgentemente de encontrar a casa do João e me isolar na casa de banho a me esbofetear ao espelho. faz-te homem rapaz, insisto pessoalmente. se bem me lembro, a partir desta rua onde nos sentamos por uma ocasião a degustar vodka económica com red bull sugar free (finanças e calorias sempre factores determinantes este ano), o kubiko dele é acessível facilmente. tento me orientar pela memória, ignorando o que os meses consecutivos de aniquilação neuronal possam significar para a sua fidelidade, e acabo, na primeira tentativa, à porta do prédio correcto e afirmativo. sei disto por referências. há um hospital ao fundo da rua (foi aliviante notar isso na altura porque ainda tinha resquícios de hipocondria) e um café de ar intimidatório para jovens estudantes desprendidos das convenções sociais da classe média alta para cima. são 11 da manhã e é quinta-feira. elaboro um fluxograma no caderninho cor-de-rosa que ela horas antes me tinha dado quando lhe pedi um bloco para escrever durante a viagem, gerando micro discussão quanto ao facto de eu achar que era um bocado gay. João (initialize) -> vive aqui? (variável = hospital, café | decisão = sim) -> está em casa? (variável = quinta-feira, não é estudante | decisão = 95% probabilidade não. verificar tocando à campainha. se não funcionar contactar) -> sei o número e letra do flat? (variável = neblina mnemésica | decisão = não) -> sei o contacto? (variável = facebook, telefone | decisão = tenho o número dele no facebook. procurar internet café e cabine telefónica.). grato aos ensinamentos de excelência que adquiri no Instituto Superior Técnico (arrepio) em cadeiras como algoritmos e estruturas de dados, consegui me situar e ser capaz de descrever analiticamente o problema e deduzir a sua respectiva solução. formalizei o facto enunciando um novo teorma.

Teorema de Madrid : Dado "entrar em casa do João", sejam "ele tar a trabalhar", "eu não saber o número da porta", "eu não ter telemóvel" e "eu ter o número dele no facebook" pertencentes ao domínio da minha estupidez contido no espírito carefree. "encontrar um internet café" e "encontrar uma cabine telefónica" constituem soluções correlacionadas de "entrar em casa do João". a demonstração é trivial e fica como exercício para casa.

num nível teórico, como é normal, estava em controlo, fruto das minhas supremas capabilidades analíticas. a aplicação interplanar teoria/prática nunca foi, contudo, uma virtude que de dispusesse aos magotes. na realidade, e a título de exemplo, apesar de me considerar particularmente conhecedor da moral e dos bons costumes raramente o consigo demonstrar no lamacento relvado vital onde explano o meu futebol argentino. é como se fosse um miudinho à saida da escola que em vez de ir para casa deu a mão ao hedonismo e ainda hoje tenta resistir timidamente, meio fascinado, meio confuso, à tentação. dito isto não consigo deixar de meter uma bola com a mão quando me apetece, não consigo deixar de fazer uma ou outra rótula saltar a quem merece, e a mim o que os comentadores dizem nem aquece nem arrefece (vai buscar manuel alegre, pensas que és o único que consegue liricizar o mundano futebol?). de volta à terra e descortinada a solução teórica teria obviamente que agir em conformidade com o que o mcgyver do século XXI faria: nada. encaixei-me então num dos degraus da porta de entrada, a inconsolável mala a meu lado, e imagino o João a sair do trabalho lá para as 7, talvez mais tarde, perdendo-me em cenários martirizantes, habilidade que evoco cada vez que preciso de auto-estima. isto porque acabo sempre concluindo que sou um indivíduo áspero e de carácter extremamente forte para poder aguentar torturas deste calibre. cerca de 10 segundos volvidos a porta abre. um indíviduo aparentando ser o cantiflas e com um tempo melódico de fala ainda mais piano que o meu observa que não posso permanecer naquele local porque dificulta a passagem dos inquilinos. meço visualmente a largura da escadaria de entrada e ocupo, numa estimativa dura comigo próprio, um quarto do espaço disponível para tráfego pedonal. percebo o que ele quer dizer, o que me leva de volta ao espelho daquela casa de banho em berlim. é inapropriado estarem ursos à porta daquele distinto complexo habitacional. levanto-me pacientemente como tantas vezes o fiz contra a minha vontade por ser tolerante às crenças, convicções e convenções de todos os outros 6 biliões 999 milhões, 999 mil e 999 seres humanos à face da terra. viro-me, no meu fleumático mais kara davis, e revelo-lhe a razão para o meu posicionamento estratégico nas escadas, se calhar ele até me pode ajudar. o cantiflas é o porteiro daquela merda concerteza saberá em que andar vive o João. ele diz que não vive nenhum João no prédio e que o único estrangeiro que vivia lá era um italiano que tinha bazado nessa semana. seguramente o flatmate do joão concluo e transmito para descrédito do patusco mexicano. trocamos ideias em tom gradualmente mais intenso. noto que não se trata somente dum despique argumentativo mas também, e cada vez mais, dum showdon a ver quem fala mais devagar. ambos sentimo-nos incomodados por partilharmos a mesma particularidade, uma característica que nos distingue da maioria da população. as palavras reverberam-se das nossas cordas vocais a uma velocidade absurdamente baixa e com tendência a piorar. visualizo as ondas sonoras a se propagarem e contorcerem pelo lúgubre hall de entrada em câmera lenta, como que contracenando uma cena de mais uma sequela súperflua do irmãos wachowski. acabamos, catalizados pelo entusiasmo competitivo, a protagonizar uma autêntica conversa entre trissómicos, já totalmente ignorando a génese do argumento. declaro-me unilateralmente o vencedor e ele acedeu mas penso que porque não percebeu o que eu disse. sinto-me mais único que nunca mas continuo com o meu problema inicial.

tamos em madrid, seguramente haverá um internet café ao virar de cada esquina argumento auto-divinamente, de ego inflamado pela minha mais recente vitória competitiva. dobro uma duas três quatro cinco seis mil esquinas e já tou em goya, subindo pela narvaez acima. é meio dia, tou há uma hora à procura dum internet café e não o encontro. só vejo estabelecimentos comerciais a se auto proclamarem bodegas. divago sobre se esta forma de masoquismo comercial funciona. se sim então os consumidores espanhois devem ser sádicos, o que explica as touradas, a monarquia e a ETA. simpatizo com esta forma de marketing, afinal de contas eu próprio tenho os meus acessos de masoquismo ocasionalmente três ou quatro vezes por dia quanto me corto nos tornozelos pra ninguém ver. às vezes vejo jogos do sporting e espero até ao paulo bento falar no flash interview. já fui ao estádio também. o que me trás de volta à necessidade de insultar alguém. apetece-me todo e qualquer transeunte mas é tudo à base de velhadas que ao mínimo sinal de desequilíbrio ambiental entram em combustão espontânea. preciso de luta e não posso matar ninguém por enquanto. (...)

18 Dezembro 2008, Berlim (30 horas 3 cidades - Part I)

olha, consegui... podia dizer que nao foi fácil e essas merdas mas a verdade é que durante a maior parte das horas não tive de fazer o frete de falar com alguém e me relembrar continuamente o quão anti-social sou em primeiras abordagens, o que foi refrescante.

em Berlim, pão de lim e é dia 18

farto de introduções prossigo: tudo comecou há 25 anos mas para aquilo que interessa serve fazer o spawn histórico às 4 da manhã do 18 de dezembro live aus berlin. naturalmente nao preguei olho só a catalogar as diferentes tonalidades da pele dela quando iluminadas pelo reflexo nebuloso da luz metropolitana. contudo rapidamente percebi que só tem uma: é a do amor (brutal pedro). de qualquer maneira, após concluir isto dá-se o inevitável e o telemóvel dela começa a bombar som com a mania que é um despertador - eu à primeira nota, como que mostrando que sou um gajo decidido e sem meias merdas, dou-lhe um beijo levanto-me e vou tratar da minha higiene pessoal. normalmente salto este passo mas penso que esta é a tal e portanto quero a impressionar suprimindo o meu odor biológico com um de maior apreciação sensorial, de acordo com os mais recentes cálculos matemáticos (mel e cereais, aloe vera, mango com batatas e por aí fora). desejo profundamente a máquina de barbear do cabeças, pareço um urso de peluche mas não tão querido, tipo do género do estilo do bruno aleixo. ainda assim quero dar uma última imagem digna da minha estética mas não tou a ver hipóteses. desisto dessa ideia, como sempre, e volto à base. absorvo as direcções que ela me transmite para o aeroporto: vindo dela, naquela voz, parece um poema do baudelaire mas de natureza invertida (leiam - eish que arrogante assumir que não perceberam!). de qualquer forma sempre soube, secretamente, que ia lá parar ao aeroporto mesmo sem direcções, safo-me sempre. tenho a certeza que no meio do catujal sem água e sem mapa chegava ao seixal num dia, provavelmente arrastado pelo para-choques dum type-r kitado. considero-me verdadeiramente um mcgyver do século XXI, mas sem aquele cabelo paneleiro e cujo único instrumento é a casualidade positiva de processos (ou sorte, para os intelectuais). ela não tendo ainda conhecimento deste meu talento particular optou por escrever as direcções numa folha de papel. um gesto sensato, descobri mais tarde.

é assim neste clima de dúvida pessoal que me despeço e deixo para trás uma mala (sim o truque de deixar algo para trás como as gajas fazem, mas a 3000 km de distância - uma variante inovadora que idealizei), alegadamente porque não consigo pagar o seu bilhete (11 euros ainda são 5 + 6, em portugal ou no zimbetname). ela sorri quando faço o truque portanto acho que ela percebeu, o que foi bom ter sorrido então, digo eu para o meu fecho eclair. ele nao retorquiu, como é hábito, mas senti especial empatia, sabia que ele tinha percebido e ambos nos sentimos confortáveis com o silêncio, como os verdadeiros amigos fazem por cliché. era tempo de despedida e eu continuava incrédulo de tudo o que se tinha passado no últimos três 52 avos de ano (obrigado por lhe terem pago). por outro lado era a nossa primeira despedida e não sabia como proceder: largava-lhe um linguado e um apalpão na nádega ou ficava-me pelo abraço e chocho cerimoniais? deixei as coisas correrem, go natural over rational li uma vez numa cosmopolitan no dentista. granda merda go natural o caralho, demos um abraço, um palavrão e um beijo (o que equivaleu ao mínimo do meu rational) e féfé varanda arrancava deixando bikini preto pra trás. como queria outra oportunidade de despedida pró apalpão joguei reconditamente o meu passaporte para cima da cama e ao chegar à porta simulo o esquecimento do passaporte. funcionou. quem me dera ter me lembrado de fazer isto com as minhas chaves de casa também... com efeito, elas ficaram em berlim na mala que deixei, por legítimo lapso de responsabilidade. "só para aprenderes a não te armares em engraçadinho" ecoam na minha nuca as sábias palavras dum deus desconhecido (desculpa o plágio ó john - que não é porque falta o "a" antes, chupa). despeço-me dela então com um olá inverno de berlim e penso nas épocas climáticas e como ou tá muito calor ou muito frio nestes dias. conclui que o outono e primavera foram cancelados sem aviso prévio, depois de 3 biliões de épocas de sucesso. uma pena já que ambas as séries climáticas eram apreciáveis , tendo sido galardoadas inclusive com músicas celebrativas alusivas (lembro-me de repente da primavera das felores ou do dia do pão pror deus) e que de certa forma faziam uma transição adequada e de gradiente mercurial razoável entre as mais polarizadas (e não nos vamos enganar a nós próprios - populares) "verão" e "inverno". toda esta divagação dá me tempo e espaço de me perder no tempo e espaço, tenho comboio da estação de Sudkreuzfelt-Jakob (aha inventei um bocado do nome, qual?!) às 5 da mantina e os 30 minutos que demorei a sintetizar todo o raciocínio das séries climáticas pareceram-me suficientes, pelas indicações, para me cruzar com a estação (até porque ela disse que era a 10 minutos). o mcgyver do século XXI decidiu então fazer o que sabe melhor: esperar que alguma coisa aconteça. dito e feito: aparece uma humanoide com, seguramente, pracima de 100 enfeites epidermais de todos os géneros e o cabelo daquela cor que na Luz não é sinónimo de nada. falo do verde. infiro que uma pessoa com um nível de avanço tecnológico tão grande deverá falar toda e qualquer língua do mundo e então abordo-a em inglês, língua padrão para relações intergalácticas. ela diz "follow me" mas não percebi bem para que lado tava virada pelo que esperei pelo seu movimento. felizmente, o ser humano tem um sistema de controlo diferencial com retroacção pelo que foi me possível rapidamente me situar quanto à direcção e sentido da sua locomoção. mesmo assim ainda suspeitei para mim próprio que ela pudesse tar a andar de costas. era perfeitamente possível que até possuisse visão nocturna pelo olho do rabo. na alemanha, com siemens, mercedes e o bayern de munique, são todos dados a esses gadgets tecnológicos, vi na televisão. mas isso era irrelevante, só queria chegar à estação da s-banhos para me despachar para o aeroporto mas era, porque perder o avião pela 2ª vez, embora uma opção largamente preferencial do ponto de vista inmonsional não era razoável familiarmente por um lado nem viável financeiramente por outro. ok lá chegamos sem trocar mais palavra. arrependi-me: podia ter perguntado em que fábrica ela tinha sido produzida pra comprar uma igual para o meu irmão quando ele fizesse 16, em vez dum helicóptero telecomandado ou o pro evolution soccer 2016 mas escapou-se-me a oportunidade e também não sou grande coisa em inglês. imagino de qualquer forma que seja de marca branca pois não apresentava em nenhum sítio a etiqueta de produto aprovado pela união europeia.

convergimos nesta minha imagem já lá dentro: "danke schon" espremo por entre os lábios timidamente, à espera da reprovação quanto à pronúncia por parte da minha adjuvante mas ao invés solta um condescendente "ja! very good! tschuss...". boas maneiras na programação, que têm na alemanha. tudo muito giro só que preciso de saber se ainda venho a tempo do malogrado comboio que principia o meu regresso desta viagem nupcial e não tenho nem relógio nem telemóvel. felizmente os arquitectos do complexo ferroviário suspeitaram que poderia ser útil a alguém saber as horas naquele espaço e dispuseram, numa quantidade talvez exagerada, de relógios atómicos pelas paredes e tectos de cada sala. é uma medida ardilosa no sentido em que assim asseguram-se de que até os mais desconfiados podem ter a certeza sobre a vizinhança temporal em que se encontram, podendo consultar pracima de 10 relógios diferentes no espaço de 1 minuto (se calhar até chegam ao último e ficam baralhados porque tá 1 minuto adiantado em relação ao primeiro e voltam a verificar: ciclo infinito... ah e outra coisa já pensaram como se pode dizer no espaço dum determinado tempo e nunca no tempo duma determinada distância? chamem a PJ pode ser que decapitem mais um inspector-geral e com sorte em 2012 tou no lugar). tou a 5 minutos do comboio e, consultando as minhas românticas notas, descubro que não estou na plataforma correcta. movimento-me e ponho-me em posição. o comboio vem. hesito em me mandar para a frente da massa metálica em movimento rectilíneo uniforme, como resposta aos recentes acontecimentos mas achei que seria inconsistente com o argumento. se isto é o reality show secreto que penso que é tenho que estar agradecido a quem o produziu, e a melhor forma de o demonstrar é tornando a minha vida mais interessante, continuando vivo. a figura do meu cadáver desfeito nos carris no distrito berlinense de schoneberg seria uma perspectiva interessante para as audiências mas eu tou seguro de que consigo fazer melhor.

meto-me no quimboio e vivo 40 minutos cinematográficos. um flashback retrospectivo dos acontecimentos que se tinham passado nas últimas semanas, mas com contornos poéticos, edificando nostalgia mas sem ser suscitada por uma música que ouvimos, como é hábito agora e outra vez, mas sim pelo trak trak dos carris (e tantas memórias dos diferentes trak traks pela europa) e o meu reflexo nas janelas interiores do s-bahn, desta vez sozinho com a minha espectacular mala preta com rodinhas comprada quando eu era puto, em março deste ano, no aeroporto de newark, desta vez todo vestido. imagino o quão humano e bonito seria se eu vertesse uma lágrima mas deixo-me de utopias e lamento o tempo perdido a invocar na imaginação músicas de kelly family e o cabelo do rui santos. saio do comboio e faço me à estrada. não tenho tempo para baboseiradas, sou um viajante nato que despreza facilmente as emoções que o enraizam a pontos geográficos. sou o mcgyver do século XXI caralho. no aeroporto nada de particularmente interessante se passou à excepção de que não encontrei revistas noutra língua que não a alemã. nem time nem newsweek nem usa today. comprei pastilha elástica que acaba por ser a mesma coisa mas é preciso mexer os maxilares. assim ainda queimo umas calorias e fortaleço as bochechas, facto que estou seguro me trará maior aceitação feminina. não que a procure actualmente, só pra que conste oficialmente.

como se sabe mascar estimula o sistema neuronal, particuarlmente quando se trata de mascar produtos com origem na alemanha e então divago dentro do meu limitado alcance racional: só tenho comigo exactamente duas coisas: um passaporte e um cartão multibanco. e é o suficiente pra viajar na easyjet. que me custou 80 euros com return trip, lisboa-berlim (ok fodi essa viagem mas originalmente foi isso). bons dias que vivemos, a mobilidade é tão fluída dentro das fronteiras da nossa ex-CEE que até me apetece abrir as portas da minha casa a qualquer personagem que o peça pela internet e seja do sexo feminio e tenha uma figura invejável. foi assim que conheci a minha futura ex-namorada. foi assim que vim aqui parar, e por causa dos meus pais também. entro no avião, sento-me irreflectidamente num lugar, o primeiro que me chamou ( <3 free seating). erro crasso. calho com duas pitas espanholas com a mais estridente e nauseante pronúncia madrileña. e tinham bebido red bull ao que parece. loucas. desculpem-me o estilo special one mas parecia-me que queriam travar conhecimento com o meu cabelo. num acto de vingança por todas as miudas que nunca se meteram comigo quando eu era novo por causa do tamanho desproporcionado do meu nariz e da separação nos dentes fui parco em palavras e interacção. também porque não tinha paxorra de as aturar. também porque tinha sono. e também porque tinham poucas mamas. nisto entra uma banda punk toda maluca. foi a primeira vez que vi ao vivo uma banda mista, de humanos e animais. o ouriço cacheiro era claramente o guitarrista, e trouxe-me memórias infantis felizes da minha primeira namorada, a jacqueline, com quem namorei em troca da sua megadrive pra jogar ao sonic. o coitado foi a raspar com os espinhos no tecto do avião o que lhe valeu a atenção da cabine inteira, não fosse alguém não ter notado que ele não era um convencional passageiro da vida. tou certo que todos ficaram na dúvida se se tratava dum entidade suprahumana qualquer. um suíno, por outro lado, fazia-se valer pelo à vontade com que se expressava em altos decibeis, para que ninguém duvidasse da sua superioridade enquanto ser especial de corridas. decidi perguntar se algum deles me sabia explicar o que era o niilismo e como se enquadrava na filosofia punk da banda. responderam que não apreciavam futebol, e foi o mote para retirar nenhuma conclusão. com isto o filha da puta do comandante começa a falar em língua germanica e prolonga-se. imaginei que nao constituisse o protocolar abstract que fazem a cada voo e tive bem uma vez na vida para além daquela em que decidi beijar a polaca (todos concordamos). de facto comutou para o anglo-saxónico e ilucidou-me quanto ao motive: tinhamos peso a mais para a bagagem que tinha sido registada. não sei precisar se fui o único mas soltei um grito histérico de pânico. imaginei as brigadas vermelhas italianas a fazerem o avião a explodir sobre solo francês por causa da cabeçada do zidane e imediatamente pensei em como o melhor seria abdicarmos de toda a nossa liberdade individual e privacidade pessoal com vista a combater o colossal monstro da ameaça terrorista. até cameras pelo meu rabo acima podem meter, solto tourreticamente em voz alta, confundido pela desordem emocional. é então perante este cenário apocalíptico que somos informados de que terão que retirar todas as bagagens do avião e contabilizá-las. na eventualidade de não serem identificadas as malas que estão a mais, todo e cada passageiro terá que identificar a sua própria mala lá fora, em condições sobrehumanas de temperaturas abaixo dos zero graus, sem comer e sem beber durante 20 mintuos, caso contrário será alvo de execução sumária pelas forças especiais alemães. para os judeus a bordo a identificação da mala não é um requisito para a execução, adicionou o comandante de forma redundante. esperamos de mãos dadas ao longo da totalidade dos 5 minutos que se seguiram e finalmente o alívio: só os judeus serão executados e as malas que tavam a mais só tinham notas de 500 euros (eram deles). dou graças a deus por não ser judeu e indago sobre a possibilidade desse deus a quem agradeço ser o mesmo que o dos judeus. faço rewind na cabeça e penso noutra coisa rapidamente, certo de que os alemães poderiam dispor dum aparelho de leitura de mente qualquer. penso no benfica e vem me logo à cabeça execuções sumárias outra vez. tou perdido no pensamento. levantamos vôo, às 10 horas tamos em merdrid e tou tão partido disto tudo que vou seguramente dormir, mas com um olho aberto, não por causa da camera no rabo mas por causa das STASI e a possibilidade de detectarem telepaticamente o meu pensamento semítico erróneo. (...)

Fait diversos #6 - Pet society love triangle


deitou soporíferos no copo de coca-cola que ofereceu ao Yebda e eis o resultado... e a Yuka em casa à espera...

Só para terem noção do quão promíscua é esta Masha.

*estudos norte-americanos dos anos 80 revelam que os pets moldam-se à personalidade dos donos*

hall of fame #16 - i know what you mean

it's Pedro says:
domingo o sol ja volta
it's Pedro says:
vai ao meu lado num airbus a319 cor de laranja e branco
it's Pedro says:
(foda-se, tou mesmo diferente)
it's Pedro says:
(ja digo coisas bonitas e humanas)
it's Pedro says:
(tou me a tornar num ser repugnante)
Mike says:
da-lhe mais uns anos de relação voltas ao normal

hall of fame #15 - tudo faz sentido agora

it's Pedro says:
outra coisa num tom mais leve
it's Pedro says:
andas a mandar mensagens ah minha namorada mas o que eh esta merda
it's Pedro says:
vamos a ver
it's Pedro says:
se atinas
it's Pedro says:
pq ando a tomar estoiroides
it's Pedro says:
e deixo-me levar da breca num apice
it's Pedro says:
vezes sem conta volta e meia la tenho eu que vir com a mesma conversa
it's Pedro says:
ja com a eli era a mesma coisa, aniversarios, natal, tudo servia pra te fazeres ao bife
it's Pedro says:
tenho dito
Mike says:
campos já te dissemos pra parares com essa merda , a faye não existe é produto da tua cabeça volta pra lisboa que os teus pais já tão preocupados contigo

new york knicks #3 - die cabecas hat-trick

"Moi o " Inevitável " it's back on sunday with more fantastic gols...." Cabecas

referente ao scoring streak de q goza no momento no torneio masterfoot.

3 rubriquas e 3 intrenassionalizassoes pra cabessas.
e faz o truko do xapeu. eh vredadeiramente o rei, tanto no campo como nus nikx.

inivitavelmente el numero uno.

Fait Diversos #5 - parecido









Traducao, do alemao para o ingles, da palavra madeira.

O Yahoo anda com tiques de activismo politico.

new york knicks #2 - febre do futebol

"Não há nicks a chamar nomes ao Paulo Baptista?" Pipe

evidencia uma capacidade sarcástico-inquisitiva fora do vulgar para um rapaz de 15 anos. A recém-descoberta argumentação retórica, assimilada a partir dos manuais escolares de filosofia de 10º ano e talvez adquirida também parcialmente a partir do gordo da turma - regra geral o mais evoluído a nível humorístico - é totalmente explanada nesta questão provocadora. É geralmente acompanhada por um sentimento de satisfação brotado do auto-reconhecimento de genialidade na questão circunstancial e venenosa. Extraordinariamente, este apoiante do FC Porto em particular vem, de forma sistemática e consistente, aplicando esta aprendizagem ao longo dos seus últimos 11 anos. Aos 25 anos, continua a apostar numa fórmula vencedora, e porque não?

"Cri Cri Cri Cristianooooo Ronaldo, e os seus abdominais tablete!" Sophia de España

nick celebrativo alusivo à conquista do troféu FIFA World Player of the Year 2008. poderia também ser um anúncio dum chocolate qualquer.

Hall of fame #14 - tá com o cio

Bar Nº2, em Lisboa. Tou a trabalhar como o gajo dos copos, numa das minhas missões pela pista de dança à procura de copos perdidos sinto um toque no ombro. Olho para trás é uma cota aparentando os seus 50 anos.

- Olha, desculpa, como é o teu nome?
- Pedro...
- Queres me lavar os copos lá em casa amanhã? Dou-te 50 euros...
- Vou pensar...
- Ah mas não precisas de fazer muita coisa, eu tenho máquina de lavar e é só carregar no botão...

Hall of fame #13 - tem razão

[depois de dar um gole acidental numa vodka a pensar que era água]

Babi - "João tá quietinho um bocado pode ser?"
João - "Eu não consigo!"
Babi - "Não consegues porquê??"
João - "Eu não consigo! É o meu cérebro!"

*João derrete-se em gargalhadas*

Hall of fame #12 - depenado

loja "papagaio sem penas" no madeirashopping, acto de pagamento:

gaja da loja: "sao 22 euros por favor, as fitas para meter nos poids tem que instalar ah parte, para mais informacoes contacte o 118."

engraçada, ela.

Fait diversos #3 - dá parecências




Kobe Bryant, 18/12/08, Lakers vs Knicks


trás memórias de quando eu jogava no CAB, não é rodrigo?

Confusio #2 - a-mal-yah

o facto do filipe la feria nao ter sido abortado constitui negligencia medica?

Misc #3 - Sumário 515

Hoje encerro um ciclo. Durante cerca de 500 dias dediquei me a estoirar dinheiro, neuronios e a coleccionar DSTs. A única merda que ganhei foram estatísticas e fotos... e sinto-me vazio de experiencia porque tava sempre noutra dimensao. por causa disso agora quero me gabar pra compensar e inspirar outros a continuarem com as suas vidas estaveis. porque isto nao me serviu de nada.

Cidades (por noites passadas)

Lisboa (346) | Funchal (45) | Berlim (24) | Cracóvia (12) | Ios (9) | Cancun (8) | Praga (7) | Belgrado (7) | Santorini (7) | Freedom of the Seas (7) | Porto Santo (5) | Madrid (5) | New York (4) | Estocolmo (4) | Novalja (3) | Ljubljana (3) | Atenas (3) | Las Palmas de Gran Canaria (3) | Miami (3) | Skopje (2) | Darmstadt (2) | Colonia (2) | Coimbra (2) | Barcelona (2) | Milao (2) | Villach (1) | Torres Vedras (1) | Estugarda (1) | Budapeste (1) | Veneza (0) | Frankfurt (0) | Zagreb (0) | Viena (0) | Zadar (0) | Salónica (0) | San Juan de Puerto Rico (0) | Saint Thomas (0) | Sint Maarten (0)

Kilómetros e horas (por meio)

Aviao -> 56618 Km | 75 horas | 25 viagens
Comboio -> 9560 Km | 186 horas | 20 viagens
Barco -> 5566 Km | 189 horas | 13 viagens
Carro -> 2880 Km | 20 horas | 8 viagens

Gajas (por nacionalidade)

Estados Unidos (4), Franca (2), Portugal (1), Espanha (1), Canadá (1), Austrália (1), Madeira (1), Polónia (1)...

...e a única que importou: Alemanha (1).

Alcóol

Whisky: +20 garrafas individualmente
Vodka: +30 garrafas individualmente
Absinto: +10 garrafas individualmente
Cerveja: +150L individualmente

Totais

Cidades: 38
Paises: 16
Kms percorridos: 74624 Km (1,2 voltas ao mundo)
Tempo a viajar: 470 horas (4% do tempo total)
Noites a viajar: 169 (33% do total das noites)
Dinheiro estoirado em viagens: cerca de 6500 € (12€ por dia)

Cadeiras feitas: 6 (em 12)
Jogos de bola jogados: cerca de 200
Idas ao estádio: 13 (sacrificio por viajar)
Idas ao ginásio: cerca de 50
Amplitude de peso: 72 aos 85 Kg
Emulacoes bulímicas: cerca de 20
Gregos nao forcados: nao mais que 3
Visitas à twilight zone: pelo menos 20
Sonhos molhados: 7 ou 8
Sonhos molhados com gajas conhecidas: 5 repartidos por entre duas gajas (aceitam-se adivinhas)
Vezes que pedi dinheiro emprestado: mais de 30
Fights verbais ou físicas com malta das linhas de torres: seguramente acima de 30
Cirurgias: 1 (hemorroida trombosada, mto fixe)
Amores: 1 (para além do Benfica claro)

Óculos de sol perdidos/partidos : 5
Telemóveis perdidos/partidos: 5
Documentos perdidos: 3 (BI, carta de conducao e passaporte)
Pecas de roupa perdidas/rasgadas: +10
Assaltos: 1

Prémios

Melhor cidade: Ljubljana
Pior cidade: Milano
Melhor disco: Basic, em Cancun
Pior disco: Europa, em Lisboa
Melhor noite: Teatro Kapital, primeira vez em Madrid
Noite mais triste: Sozinho pelos corredores do hotel em cancun, a agredir espanhois
Melhor discussao: Zadar, Gryn vs Pedro
Melhor conversa: Carolina, Lux
Melhor slap feast: Bairro Alto, Way vs Pedro
Melhor fight club: Krakow, Pedro vs Gryn vs Way
Maior ramada: Festa de anos do Seyz
Melhor grego: Way, Ljubljana bridge
Momento mais romantico: Caminhada da Lagoa de Albufeira, com o Bruno

Melhor gaja: Marina, Faye (mas isto é o meu blog pessoal ou nao é?)
Pior gaja: a gorda americana no Teatro Kapital
Melhor visita CS: Jamima
Pior visita CS: Christin
Melhor host CS: Sanja
Pior host CS: Sara Nu

Disaster Relief Team: Way, Gryn, Bruno, Seyz, Ines (obrigado)
Wingman: Way, mencao honrosa para o Cabecas, com americanas
Querido & fofo: Gryn (até ao rail)
Cultura bodybuilding: Gryn
European Gigolo: Bruno
Fidelidade ingloria: Bruno (mas teve principios)
Injustica matrimonial: Valente (fez tudo direito e fodeu-se)
Paciencia de Santa : Babi

Jogador do ano: Cabecas
Jogador mais disciplinado: Cabecas
Melhor marcador: Cabecas
Melhores nicks na net: Cabecas
Melhor profile no netlog: Cabecas

Prémio Carreira: os meus pais

Apendice A - Registo das Viagens

19 Julho 2007 | Lisboa -> Estugarda | 1850 Km| 2h by plane
20 Julho 2007 | Estugarda -> Frankfurt | 170 Km | 1h30 by train
20 Julho 2007 | Frankfurt -> Darmstadt | 30 Km | 20m by train
22 Julho 2007 | Darmstadt -> Colónia | 200 Km | 2h by train
25 Julho 2007 | Colóna -> Berlim | 550 Km | 5h30 by train
27 Julho 2007 | Berlim -> Praga | 300 Km | 4h by train
29 Julho 2007 | Praga -> Cracóvia | 450 Km | 7h by train
4 Agosto 2007 | Cracóvia -> Budapeste | 350 Km | 7h by train
5 Agosto 2007 | Budapeste -> Belgrado | 350 Km | 8h by train
7 Agosto 2007 | Belgrado -> Salónica | 550 Km | 12h by train
8 Agosto 2007 | Salónica -> Atenas | 350 Km | 5h30 by train
8 Agosto 2007 | Atenas -> Santorini | 200 Km | 4h30 by speed boat
12 Agosto 2007 | Santorini -> Ios | 30 Km | 30m by boat
16 Agosto 2007 | Ios -> Atenas | 180 Km | 4h by speed boat
17 Agosto 2007 | Atenas -> Milao | 1800 Km | 42h by train
22 Agosto 2007 | Milao -> Lisboa | 1684 Km | 2h by plane

23 Agosto 2007 | Lisboa -> Funchal | 1000 Km | 1h30 by plane
29 Agosto 2007 | Funchal -> Porto Santo | 100 Km | 2h30 by boat
3 Setembro 2007 | Porto Santo -> Funchal | 100 Km | 6h by sailboat
12 Setembro 2007 | Funchal -> Lisboa | 1000 Km | 1h30 by plane

11 Outubro 2007 | Lisboa -> Torres Vedras | 62 Km | 30m by car
12 Outubro 2007 | Torres Vedras -> Lisboa | 62 Km | 30m by car

27 Novembro 2007 | Lisboa -> Estocolmo | 3000 Km | 4h30 by plane
29 Novembro 2007 | Estocolmo -> Lisboa | 3000 Km | 4h30 by plane

23 Dezembro 2007 | Lisboa -> Funchal | 1000 Km | 1h30 by plane
3 Janeiro 2008 | Funchal -> Lisboa | 1000 Km | 1h30 by plane

18 Fevereiro 2008 | Lisboa -> Cancun | 7600 Km | 10h by plane
27 Fevereiro 2008 | Cancun -> Lisboa | 7600 Km | 8h30 by plane

18 Marco 2008 | Lisboa -> New York | 5500 Km | 8h by plane
22 Marco 2008 | New York -> Miami | 1800 Km | 3h30 by plane
24 Marco 2008 | Miami -> San Juan | 1750 Km | 50h by cruise
27 Marco 2008 | San Juan -> Saint Thomas | 168 Km | 6h by cruise
28 Marco 2008 | Saint Thomas -> Sint Maarten | 160 Km | 6h by cruise
29 Marco 2008 | Sint Maarten -> Miami | 2000 Km | 60h by cruise
2 Abril 2008 | Miami -> New York | 1800 Km | 3h30 by plane
3 Abril 2008 | New York -> Lisboa | 5500 Km | 7h by plane

4 Maio 2008 | Lisboa -> Coimbra | 180 Km | 1h30 by car
6 Maio 2008 | Coimbra -> Lisboa | 180 Km | 1h30 by car

6 Junho 2008 | Lisboa -> Madrid | 600 Km | 4h by car
8 Junho 2008 | Madrid -> Lisboa | 600 Km | 4h by car

20 Junho 2008 | Lisboa -> Madrid | 600 Km | 4h by car
22 Junho 2008 | Madrid -> Lisboa | 600 Km | 4h by car

29 Julho 2008 | Lisboa -> Milao | 1684 Km | 2h by plane
30 Julho 2008 | Milao -> Veneza | 300 Km | 3h30 by train
30 Julho 2008 | Veneza -> Ljubljana | 230 Km | 4h by train
2 Agosto 2008 | Ljubljana -> Praga | 600 Km | 10h by train
6 Agosto 2008 | Praga -> Cracóvia | 450 Km | 7h by train
9 Agosto 2008 | Cracóvia -> Novalja | 1200 Km | 35h by train/bus
13 Agosto 2008 | Novalja -> Belgrado | 650 Km | 15h by train/bus
17 Agosto 2008 | Belgrado -> Skopje | 450 Km | 7h by train
19 Agosto 2008 | Skopje -> Salónica | 250 Km | 5h by train
19 Agosto 2008 | Salónica -> Atenas | 300 Km | 4h30 by train
20 Agosto 2008 | Atenas -> Ios | 180 Km | 4h by speed boat
25 Agosto 2008 | Ios -> Santorini | 30 Km | 30m by speed boat
28 Agosto 2008 | Santorini -> Atenas | 200 Km | 4h30 by speed boat
29 Agosto 2008 | Atenas -> Barcelona | 1900 Km | 2h30 by plane
31 Agosto 2008 | Barcelona -> Las Palmas | 2200 Km | 3h by plane
3 Setembro 2008 | Las Palmas -> Funchal | 468 Km | 40h by sailboat
12 Setembro 2008 | Funchal -> Lisboa | 1000 Km | 1h30 by plane

28 Novembro 2008 | Lisboa -> Berlim | 2400 Km | 3h by plane
3 Dezembro 2008 | Berlim -> Estocolmo | 850 Km | 1h by plane
5 Dezembro 2008 | Estocolmo -> Berlim | 850 Km | 1h by plane
18 Dezembro 2008 | Berlim -> Madrid | 1900 Km | 2h20 by plane
19 Dezembro 2008 | Madrid -> Lisboa | 500 Km | 30m by plane

22 Dezembro 2008 | Lisboa -> Funchal | 1000 Km | 1h30 by plane
11 Janeiro 2008 | Funchal -> Lisboa | 1000 Km | 1h30 by plane

Fait diversos #2 - de mau gosto





acho de extremo mau gosto terem distribuido proteccoes respiratorias so enquanto o binya é proveniente dum país africano

Confusio #1 - a ironia da criacao

se o objectivo biológico é a reproducao heterossexual, porque é que a supra erógena próstata fica encostada ao recto, de acessibilidade homossexual?

Fait diversos #1 - ohh sport lisboa...





Tokyo, Dezembro de 2008, chegada do Manchester United ao aeroporto para a participacao no campeonato do mundo de clubes. O Benfica, sempre presente.

foto in gazzetta dello sport.

Crónicas do sono #1 - la guerra de los fundos

tava na varanda da minha casa no garajau, contemplando o vasto e azul escuro casi negro oceano com a miuda que, na realidade multidimensional que geralmente prefiro (porque sou um control freak), estava deitada ao meu lado. sem justificacao aparente sofremos um terrivel ataque alienígena. uma incomensuravelmente grande bola de luz, energia ou fosse o que fosse choca contra o atlantico, mesmo em frente à ponta do garajau. como resultado, e imagino, porque foi este o único que conheci de filmes de ficcao cientifica, o mar transforma-se num gigantesco clarao branco, esteticamente apreciavel tudo bem mas geralmente nunca sinal de que algo de bom vai acontecer (podiam inventar outra merda qualquer por acaso tipo a bola de luz bater contra o mar, ressaltar pra tras e destruir um aviao com o saramago). a desregulacao luminosa reverte-se tao rapidamente quanto se produziu e aguardamos expectantes, ainda sem nos apercebermos que se trata dum sonho (ela nunca teve nocao). ate agora sensacao de deja-vu cinematografica pelo que ja me preparava para nos escondermos numa cave qualquer os dois, sobreviver uma semana a ratos e lodo e reproduzir ate o fim da vida com o intuito de repor a estatistica dos 8 bilioes (metia menos na india desta vez). nao aconteceu mas foi parecido. do ponto onde a bola tinha caido comecam a raiar feixes subaquaticos de luz em todas as direccoes, saltando fora de agua e revelando esferas metalicas. jogavam-se como balas contra habitacoes, veiculos e sujeitos seres humanos, destruindo tudo o que conseguissem. uma veio na nossa direccao mas de repente ja tavamos dentro de casa a ver o que se passava na CNN e percebemos que o mesmo se estava a passar em todo o mundo (nao é muito criativo, o meu inconsciente). a esfera metalica entra pela minha sala de estar sem pedir licenca, partindo no processo os vidros das portas de correr (o que irritou profundamente a minha mae). adding insult to injury, como se nada tivesse passado sai de la de dentro o tipico pineco estilo roswell e pede nos identificacao. que lata do crl. de qualquer forma o meu BI esta em localizacao indefinida (pelos vistos tambem nao se encontra nas outras dimensoes) pelo que tive que mostrar o passaporte. ele abre o passaporte e le em voz alta "Pedro Campos, nascido a 24 de maio de 1983, nacionalidade espanhola". o meu corpo nao aguentou. acordei em berlim.

new york knicks #1 - no man is an island

comeco esta rubrica com dois nicks do mesmo género literário, no msn: a martirizacao social live.

Andre (Cabecas) ->A.V. Se nnguem quer saber de mim, pk vou eu preocupar-me com os outros.....

Pedro (Marruá) -> Quem quiser que venha falar...

13 Dezembro 2008, Berlin (steglitz overflow)

olha nem sei por onde nem como comecar. atencao q esta historia constitui caso veridico embora admitidamente eu, por afunilamento sensorial na altura, invalidez mnemesica agora, nao a reconheca como real no meu universo privado. alias ate prefiro assim. gostava que outra pessoa visse as coisas da mesma forma mas o clima de consternacao asfixiante que temperou os meus primeiros momentos de semi-consciencia esta manha/tarde em schöneberg serviram para clarificar o grau de realidade (e seriedade) que a ultima noite teve para todos quantos nao eu. ate porque eu nao existi ontem.

Alexanderplatz Warmup

a tarde foi gira, alexanderplatz é a loucura humana, vagas de ost berliners, nenhuma gota igual à outra (ao contrario da paradigmatica seriacao fordiana do oeste de berlim) mas todas distintamente provenientes da mesma fornada emancipativa, cada um como que uma celebracao individual, atraves da sua unicidade, da libertacao da cinzenta era da demokratische deutschland republik (curiosa contextualizacao da palavra demokratische...). Falam alto, saltam, gritam, riem, skateam, patinam e assemelham-se a seres humanos. é a antítese do robótico oeste. neste cenário e já com uma intimidade relacional quase ao nivel de namoro solido surfamos melancolicamente o oceano alex e por lá permanecemos, encharcados na pluralidade de costumes e disfarces durante um par de horas, ao ponto de nos esquecermos que tinhamos combinado a 4D com a laura, coordenadas julius-leber-brücke às 1900.

Intro: Jim Beam, Ballantines

chegados à JLB decidimos dar um pulo à residencia para consumo mínimo duma garrafa de whisky. tinhamos uma de ballantines que ia a meio (cortesia minha) e, previsivelmente, durou poucos instantes. decidimos ir a uma festa privada dum colega de turma da mais bela do universo (se nao concordarem considerem uma hiperbole) mas era estritamente necessário que se levasse alcóol segundo ele. como se fosse preciso alguém me obrigar a levar alcóol, penso eu, no meu cinismo quadrático vermelho. e ajo, a mim nao bastam palavras e pensamentos, ha que agir, e foi neste espirito que arrastei as chicks germanicas a comprar uma de whisky (o mais barato - 16€ jim beam straight bourbon) pra party. escusado sera dizer, em retrospectiva, que nao foi de grande utilidade para quem esteve na party. sempre soube isto mas na altura simulei genuinamente que se tratava duma oferta à comunidade festiva. assim, armados alcóolicamente para o que desse e viesse (se nao concordarem considerem uma hiperbole) lá fomos de encontro a outro grupo que também se dirigia para a mesma festa, perdendo 20 minutos com isso, mas em toda a honestidade foi a melhor opcao, ja que nunca se sabe que tipo de ambiente poderemos encontrar pelo caminho nas ruas caóticas de berlim do sul. no outro dia sofremos uma emboscada do PKK em schöneberg que, confesso, me surpreendeu, pela negativa. nao so almejaram um target politicamente invalido como eu como denunciaram a sua presenca, à priori, quando estupidamente comecaram - a propósito do feriado do haaj - a emanar sonoridades ancestrais alusivas ao ala ou maome ou lá o que é, dando-nos tempo mais que suficiente para nos deitarmos no chao em posicao fetal, logo protegidos de qualquer tipo de agressao física, verbal ou moral. aporcalips cow style.

a ponte sobre o rio Steglitz

do momento em que nos encontramos com a outra micro-tribo militar até à casa do bacano passaram-se 45 minutos, dois autocarros riding black, e zero conversas com interesse. incrementei em 0,02% o meu conhecimento de alemao fazendo uso da minha habilidade sensorial e ganhei pouco mais com toda esta aventura. conclui que precisava de me encontrar comigo proprio numa outra dimensao. ficou o encontro marcado, so tava a uma viagem alcóolica de distancia e ja tava na paragem à espera.
se nada funcionasse, podia ficar a olhar para ela a noite toda. a sua dinamica me hipnotiza, viu velho? mas claro que tudo iria funcionar e lá chegamos a casa dele e a primeira impressao foi determinante, tavamos perante um anfitriao que era um palhaco do caralho inda por cima tinha nome de ex-jogador do porto, dimitri. eu era o unico estrangeiro, o que nao me incomodava, nao fosse o facto disso fazer com que tivesse que levar com a ridicula tentativa de pronuncia americana desse anormal. mas ya, tamos em steglitz, sul de berlim, zona rica e de moradias, e a casa dele insere-se bem neste cenario (desolé, ja usei duas vezes esta palavra). DJ a bombar sonoro, alcóol como o caralho e vem tudo mamar do nosso jim beam, razao pela qual apos cuidadosamente medir duas ofertas meto o resto no meu copo e no delas e siga pra bingo. nao bebi de penalty mas considero que foi das vezes em que fui mais veloz em eliminar o conteúdo do copo. os dados estavam lancados e la me fui dando com um ou outro. estava naquele ponto em que me torno relativamente sociavel e em que embarco em conversas rotineiras com aparente comforto. em suma, um ser odioso. portanto sugiro ao meu colega de conversa que bebamos uma garrafa de jägermeister a dividir pelos dois (substancia licorosa tipica da regiao de westfallen, com 40% de alcóol) e o gajo (anthony, gajo bacano sim sr) nao se fez rogado mas provavelmente pensava que eu tava a disparar cartuchos vazios. so conhecem portugal do futebol e depois estas coisas acontecem. a minha mae liga-me e diz que o benfica foi eliminado. foi a minha ultima memória da noite.

Warp speed 7

digo em mute boa noite a todos e despeco-me tambem de mim. encaminho-me para a twilight zone em warp speed. devoro jägermeister, glühwein, rotwein, cerveja, mágoa futebolísica, júpiter e alpha centauri B e entro em queda livre no estado etereal da sublimacao ebria. guardo ao meu lado (algures à volta da consciencia q sou) tres fotografias smackmybitchianas da noite: 1 discutir na cozinha, quase desmanchado em choro, a nao passagem do benfica na uefa, com um adepto do hertha 2 agarra-la na pista de danca e nos vaporizarmos de paixao (pensava que tinha sido um sonho, mas perguntei-lhe e ela confirmou) 3 ver a minha deplorável figura em tronco nú, no s-bahn a caminho de casa como reflexo do vidro do comboio, loucamente contrastando com a figura angelical dela comunque e ovunque a meu lado durante a tempestade. é pena porque o auto espectáculo que perdi parece-me ter sido, se alguma coisa, memorável. por entre estas tres fotografias, a motion picture consistiu aparentemente em destruicao indiscriminada ambiental. soube por fontes seguras que fiz muito amigos mas também muito inimigos esta noite, soube que a determinado momento comecei a perseguir todo e qualquer um que tentasse dancar inocentemente com ela, que o habitual episodio de paranoia consistiu na mania de que ela tava fechada na casa de banho com outro gajo, que como resposta bati ininterruptamente à porta a exigir que ela saisse (apesar de ela tar a suportar uma amiga q tinha perdido um bébé). que indignado com a óbvia mentira escarrei contra a porta da casa de banho e decidi me por em tronco nú, rasgando no processo a minha t-shirt e daí em diante culpando toda a gente pelo facto. por causa disso, e num justificado acto de protesto nao mais voltei a tapar o tronco com vestimentas até chegar a casa, a reboque dela, apesar dos 0 graus negativos de temperatura. mamei biblos decorativos da casa do dimitri e pus na bolsa da laura, talvez numa perspicaz tentativa de me ilibar de qualquer tipo de responsabilidade caso houvessem suspeicoes. tambem apoderei-me dum cachecol interessante que entretanto ofereci à laura também. fui corrido da casa pelo próprio dimitri mas felizmente o resto da comitiva, tou seguro que por solidariedade à forma inapropriada com que fui tratado pelo anfitriao, tambem bazou. o caminho para casa foi feito de discussoes saudaveis da bola com o adepto do hertha e com um iraniano com o qual simpatizei particularmente. como ate à altura de tinha comportado de forma exemplar decidi fazer alguma coisa de extreme: acordei uma vagabunda na rua pra falar com ela deus sabe porque e andei aos berros em trono nú no s-bahn, sozinho com a faye... só para verem o menino que tá aqui. de qualquer forma feito o balanco e demonstracao de resultados, a contabilidade aponta outra vez para uma noite clássica. o mote hooliganístico que serve de conforto agora e várias demasiadas vezes talvez: no one likes us, we don't care!

inverno nuclear

nao tinha a certeza se o meu ego era aprazivel a ela mas pelo menos ja sei que com o alter ego nao vou la. o dia seguinte foi um retrocesso de 30 anos em berlim e o muro voltou a existir. faltou saber quem tava de que lado mas pelos vistos o meu grau de isolamento afectivo sugeria fortemente que eu personificava o lado sovietico. sugeri um passeio ao leste para me procurar a mim proprio e ela acedeu. inspirada pelos historicos ares asseverou-se na frieza de trato e naturlisch agora sinto me um tyler durden mas sem classe nem estilo. fortissimo na auto destruicao, viciado na desilusao. um anti bon vivant hoje. amanha outra coisa, como todos acho.

tragedia? tragedia seria ter nascido do nacional, isto é ter 25.

somos rapazes sem nome...