hall of fame #34 - saudades de portugal
"Nós não temos dinheiro, ninguém nos dá nada o que querem que a malta vá fazer", questionou outro dos jovens daquele grupo concluindo: "temos de ir roubar os pintas que têm muito caroço (dinheiro) e sacar-lhe as boas máquinas".
lissao devida #3 - ms-dois can play that game
apesar de me camuflar de socialmente adepto, preferi sempre os computadores às pessoas, especialmente quando era mais novo (idade compreendida entre os 5 e os 25/26 anos). assim sou um geek que nunca saiu do armário apesar da minhas 2 namoradas até hoje terem suspeitado disso a partir de determinada altura em que passei a as cumprimentar e responder com um grunho enquanto dissipava a minha mente no ecra CRT - e mais recentemente LCD. como qualquer geek, sempre optei por embarcar em discussoes futeis acerca de que sistema operativo ou jogo era o melhor e como é natural, as minhas opcoes sempre foram as melhores.
em 1995, nos apartamentos caracas, no funchal, tava em casa do meu amigo pedro mendes aka tega para experimentar o novo windows 95. o tega telefonara antes com uma excitacao indecifrável para mim falando acerca do sistema operativo do futuro e asneiradas do género, quando todos sabiamos que o windows era uma aplicacao paralela ao ms-dos e que nao tinha compatibilidade para nada. depois de me mostrar as virtudes do sistema, e de como com um simples rato poderes escolher tudo o que queres fazer fiquei com a nítida sensacao que o tega era gay e nao pude deixar de o transmitir. o ms-dos, pela sua forma rude, áspera, directa e objectiva era o sistema operativo largamente mais favorável à masculinidade de qualquer miúdo em vias de tomar uma decisao de orientacao sexual. para além disso jogos como o sensible soccer, f1 grand prix, fifa international soccer, doom 2, dune 2, leisure suit larry e strip poker 3 só funcionavam no ms-dos, contra o solitaire e minesweeper do windows 95. nao só transmiti a minha ideia bem vincada ao tega como procedi ao insulto em sua própria casa, com o escalonamento do argumento. o tega, inflamado pelo meu desaforo, poe um término na minha visita (a ajuda da mae foi determinante) e passa a me olhar com desdém na escola até 1999, ano em que adoptei finalmente o windows 98 para poder jogar quakeworld e lhe pedi desculpa online no servidor quake.telepac.pt. (formamos um cla de sucesso depois - os Gava Jelly)
lissao devida(duas): sempre que sair um sistema novo compra e mostra rapidamente aos teus amigos, nao vá o sistema ser o mais popular do mundo em breve e ganhas o rótulo de follower resignado em vez de líder vanguardista. segunda, insulta os amigos mas fa-lo apenas quando a mae nao se encontrar em casa, pois depois podes perder sumos e chocolates do lanche se discutires antes das 5.
em 1995, nos apartamentos caracas, no funchal, tava em casa do meu amigo pedro mendes aka tega para experimentar o novo windows 95. o tega telefonara antes com uma excitacao indecifrável para mim falando acerca do sistema operativo do futuro e asneiradas do género, quando todos sabiamos que o windows era uma aplicacao paralela ao ms-dos e que nao tinha compatibilidade para nada. depois de me mostrar as virtudes do sistema, e de como com um simples rato poderes escolher tudo o que queres fazer fiquei com a nítida sensacao que o tega era gay e nao pude deixar de o transmitir. o ms-dos, pela sua forma rude, áspera, directa e objectiva era o sistema operativo largamente mais favorável à masculinidade de qualquer miúdo em vias de tomar uma decisao de orientacao sexual. para além disso jogos como o sensible soccer, f1 grand prix, fifa international soccer, doom 2, dune 2, leisure suit larry e strip poker 3 só funcionavam no ms-dos, contra o solitaire e minesweeper do windows 95. nao só transmiti a minha ideia bem vincada ao tega como procedi ao insulto em sua própria casa, com o escalonamento do argumento. o tega, inflamado pelo meu desaforo, poe um término na minha visita (a ajuda da mae foi determinante) e passa a me olhar com desdém na escola até 1999, ano em que adoptei finalmente o windows 98 para poder jogar quakeworld e lhe pedi desculpa online no servidor quake.telepac.pt. (formamos um cla de sucesso depois - os Gava Jelly)
lissao devida(duas): sempre que sair um sistema novo compra e mostra rapidamente aos teus amigos, nao vá o sistema ser o mais popular do mundo em breve e ganhas o rótulo de follower resignado em vez de líder vanguardista. segunda, insulta os amigos mas fa-lo apenas quando a mae nao se encontrar em casa, pois depois podes perder sumos e chocolates do lanche se discutires antes das 5.
confusio #12 - the 100 euro baby
atingi em sentido descendente a cifra mágica. quanto tempo se pode sobreviver na maior economia europeia com 100 euros?
(dados adicionais: correntemente tenho 1 bicicleta, 1 pacote de massa do lidl, 1 saqueta de puré de batata, 2 pernas de frango congeladas e um total de 10 a 15 kgs de gordura acumulada)
(dados adicionais: correntemente tenho 1 bicicleta, 1 pacote de massa do lidl, 1 saqueta de puré de batata, 2 pernas de frango congeladas e um total de 10 a 15 kgs de gordura acumulada)
- és - bué berlim #3 - f´shain boredom
disse há dias que houve o american history x em frankfurter allee, no distrito boémio/ultra arco íris no sentido de diversidade - e nao gay (bem, talvez um pouco também) - de friedrichshain.
ontem, dois quarteiroes mais a sul, dois rapazes com os seus 23 e 25 anos, entediados por uma semana inteira sem grandes eventos exceptuando as corriqueiras mortes por overdose pelos cantos de warschauer strasse, tentam se recrear como qualquer outro rapaz da mesma idade faria: escolhendo duas armas aleatoriamente do que se viria a saber ser o seu arsenal privado no seu apt. do quinto andar em grunwalder strasse e desatando aos tiros pela rua abaixo, atingindo um total de 9 pessoas + 1 americano.
normalmente assumiria na minha inocencia de humano tentativamente civilizado de que isto constituiria matéria para abrir telejornais mas na verdade nao mereceu mais que uma notícia no jornal metropolitano e foi assim que descobri.
(a merkel tá a usar os seus poderes de híbrida lagarto/ariana para controlar o fluxo de informacao nos media e evitar desconforto na normalmente histérica classe média assinante da Sky Sports - pode ser hipótese a por nos notebooks dos CTs - eu já pus na minha parede o recorte de jornal juntamente com o do nobel do obama - que servirá para encobrir um hediondo crime contra a humanidade que ele virá a cometer em breve - poupar o dick cheney do seu querido waterboarding).
ontem, dois quarteiroes mais a sul, dois rapazes com os seus 23 e 25 anos, entediados por uma semana inteira sem grandes eventos exceptuando as corriqueiras mortes por overdose pelos cantos de warschauer strasse, tentam se recrear como qualquer outro rapaz da mesma idade faria: escolhendo duas armas aleatoriamente do que se viria a saber ser o seu arsenal privado no seu apt. do quinto andar em grunwalder strasse e desatando aos tiros pela rua abaixo, atingindo um total de 9 pessoas + 1 americano.
normalmente assumiria na minha inocencia de humano tentativamente civilizado de que isto constituiria matéria para abrir telejornais mas na verdade nao mereceu mais que uma notícia no jornal metropolitano e foi assim que descobri.
(a merkel tá a usar os seus poderes de híbrida lagarto/ariana para controlar o fluxo de informacao nos media e evitar desconforto na normalmente histérica classe média assinante da Sky Sports - pode ser hipótese a por nos notebooks dos CTs - eu já pus na minha parede o recorte de jornal juntamente com o do nobel do obama - que servirá para encobrir um hediondo crime contra a humanidade que ele virá a cometer em breve - poupar o dick cheney do seu querido waterboarding).
confusio #11 - 3 graus de afastamento
berlindes sao tao grandes que na radio doam a curiosidade da diferencia mercurial entre a totalidade dos suburbios. em marzahn, no far east, sao 3 graus menos hoje.
lissao devida #2 - mas só em último reduto
a determinada altura contrita da minha vida cedi às pressoes do abismo junior socialite pelo qual tive a infelicidade de ser sugado e usei, durante cerca de 6 meses, sweats c/ colarinho da gant e calcas de bombazine da polosport by ralph lauren. logicamente, dado o contexto social, achava piada na altura a sair à noite com o carro do meu pai (um peugeot 406 coupé que na verdade era só o carro de servico que a peugeot lhe dava). para além disto, e para motivos de posicionamento histórico, num período anterior da minha juventude tinha largamente frequentado um pequeno bar de shots na rua da penha de franca que dava pelo nome de "o reduto", cuja frequencia se baseava numa homogénea amálgama de pequenos jovens betos de toda a área metropolitana do funchal.
uma vez, em 2002, decidi ir, fora de prazo, a esse bar - para reavivar velhas memórias. ao chegar com o meu peugeot 406 a condizer com a minha pólo listada horizontal estaciono à patrao mesmo em frente à porta, embatendo violentamente contra um fiat uno vermelho que se encontrava à minha frente. notando que o universo de fregueses do estabelecimento tinha virado marginalmente para o metaleiro/gótico mas mesmo assim de ego inflamado pela minha envolvencia estética deixo o bote "what you see is what you get" a tocar no outro e prossigo triunfantemente bar adentro antes de ser interpelado pelo dono do fiat uno. foi me imediatamente identificável como dono do fiat uno pela atitude mista entre bubsy do trainspotting e o gajo que o brad pitt interpreta no snatch, nem foi preciso me dirigir uma palavra. um vulcao em erupcao e eu o centro das atencoes agora pelas piores razoes, com o bar todo e a sua crowd dark na rua a olhar para o desgovernado heroinómano a depenar o betinho de leite, eu a tremer que nem varas verdes das patas e a ceder à humilhacao sem piar nada a nao ser "d d d d d d d desc... desculpa..".
quase a verter a primeira lágrima, que definitivamente colocaria um ponto final na minha já de si lamentável vida social, sou saved by the bell. na plateia está uma miuda que conheco vagamente do mIRC como miss_suki e que na escola industrial cumprimento à distancia mas evito a todo o custo porque é gorda. ela é amiga do rapaz e acalma-lhe o grelo enquanto sorri para mim, animada pelo relancar da nossa intimidade. entro no peugeot 406 coupé do meu pai, pólo nos ombros e orgulho no intestinto delgado e vou para casa jogar fm2002.
Lissao devida: mesmo que a gaja seja feia ou gorda poder-te-á ser útil qualquer dia. mesmo para favores sexuais, e olha que elas até tem que se esforcar mais que as outras e numas situacoes ate tem mais experiencia que outras, porque é a unica coisa que gajos decentes lhes deixam fazer (felacio).
uma vez, em 2002, decidi ir, fora de prazo, a esse bar - para reavivar velhas memórias. ao chegar com o meu peugeot 406 a condizer com a minha pólo listada horizontal estaciono à patrao mesmo em frente à porta, embatendo violentamente contra um fiat uno vermelho que se encontrava à minha frente. notando que o universo de fregueses do estabelecimento tinha virado marginalmente para o metaleiro/gótico mas mesmo assim de ego inflamado pela minha envolvencia estética deixo o bote "what you see is what you get" a tocar no outro e prossigo triunfantemente bar adentro antes de ser interpelado pelo dono do fiat uno. foi me imediatamente identificável como dono do fiat uno pela atitude mista entre bubsy do trainspotting e o gajo que o brad pitt interpreta no snatch, nem foi preciso me dirigir uma palavra. um vulcao em erupcao e eu o centro das atencoes agora pelas piores razoes, com o bar todo e a sua crowd dark na rua a olhar para o desgovernado heroinómano a depenar o betinho de leite, eu a tremer que nem varas verdes das patas e a ceder à humilhacao sem piar nada a nao ser "d d d d d d d desc... desculpa..".
quase a verter a primeira lágrima, que definitivamente colocaria um ponto final na minha já de si lamentável vida social, sou saved by the bell. na plateia está uma miuda que conheco vagamente do mIRC como miss_suki e que na escola industrial cumprimento à distancia mas evito a todo o custo porque é gorda. ela é amiga do rapaz e acalma-lhe o grelo enquanto sorri para mim, animada pelo relancar da nossa intimidade. entro no peugeot 406 coupé do meu pai, pólo nos ombros e orgulho no intestinto delgado e vou para casa jogar fm2002.
Lissao devida: mesmo que a gaja seja feia ou gorda poder-te-á ser útil qualquer dia. mesmo para favores sexuais, e olha que elas até tem que se esforcar mais que as outras e numas situacoes ate tem mais experiencia que outras, porque é a unica coisa que gajos decentes lhes deixam fazer (felacio).
lissao devida #1 - guerra freia
na escola horácio bento, no funchal, eu era um rapaz muito indisciplinado e irreverente na minha turma de kekes mas no recreio tinha medo dos meninos maus do bairro do hospital.
uma vez, em 1995, tava com os meus amigos kekes a jogar com uma bola de papel (com as miudas kekes da turma 1 a ver - incluindo uma joana dantas que eu adorava) e de repente um de tres rapazes maiores que eu que, sentados num banco, nao paravam de rir, chamam-me a atencao:
- "aulha... aulha.. ah ruapaz..." [todo o jogo pára por respeito]
- "er....sim?" [a muito medo]
- "veah, tens a bruaguilha abuerta..."
*eu olho para baixo e verifico, aliviado pela preocupacao dos meninos que eu tanto respeitava. ao mesmo tempo que noto que a bruaguilha tá fechada levanto a cabeca e o rapaz, numa voz de satisfacao demoníaca, diz:
"nao é eisse... é que tens cara de cuaralhe!" - tudo culmina num embrulho de gargalhadas, incluindo os meus amigos (atitude que nunca lhes cheguei a perdoar).
Lissao devida: aplicar esta sequencia conversacional em público sempre que nao gostar de alguém e andar sempre de braguilha aberta para criar contexto ambiguo e portanto desfavorável.
uma vez, em 1995, tava com os meus amigos kekes a jogar com uma bola de papel (com as miudas kekes da turma 1 a ver - incluindo uma joana dantas que eu adorava) e de repente um de tres rapazes maiores que eu que, sentados num banco, nao paravam de rir, chamam-me a atencao:
- "aulha... aulha.. ah ruapaz..." [todo o jogo pára por respeito]
- "er....sim?" [a muito medo]
- "veah, tens a bruaguilha abuerta..."
*eu olho para baixo e verifico, aliviado pela preocupacao dos meninos que eu tanto respeitava. ao mesmo tempo que noto que a bruaguilha tá fechada levanto a cabeca e o rapaz, numa voz de satisfacao demoníaca, diz:
"nao é eisse... é que tens cara de cuaralhe!" - tudo culmina num embrulho de gargalhadas, incluindo os meus amigos (atitude que nunca lhes cheguei a perdoar).
Lissao devida: aplicar esta sequencia conversacional em público sempre que nao gostar de alguém e andar sempre de braguilha aberta para criar contexto ambiguo e portanto desfavorável.
- és - bué berlim #2 - nach links, nach rechts!
O domingo passado um grupo de neo nazis recriou - a caminho de casa depois duma noite bem passada na disco Chip, em Frankfurter Allee (onde comprei a minha bike) a célebre imagem do American History X do passeio. a vítima foi escolhida aleatoriamente aparentemente e ironicamente era um alemao de 22 anos. saiu dos cuidados intensivos hoje e parece que foi um milagre ter sobrevivido. manifestacao em bersarin platz (espectacularmente sovietica) pela extrema esquerda tá agendada para domingo às 18 (eish, fogo, nao me é conveniente a essa hora).
é aqui que estou a viver agora: confesso que tem a sua certa dose de excitacao ao ponto do meu penis esbocar pequena ereccao mas outros que vivem aqui há mais tempo relatam o ponto da situacao de forma mais objectiva e já no limite da saturacao:
"Any chance of having a demo against the fascist punks and demonstrators who make life on Rigaerstrasse hell for the majority of citizens who have tolerated their herds of dogs, excrement, destruction of anything that brightened the area up or was any good to the local community? Any chance of having a demonstration against the fuckwits who burnt local people's uninsured cars that were their living? Any chance of having a demo against the stinking creeps who shout at their dogs and kick them while swigging the next Sternberg and pissing on the wall of the bakery? Any chance of a demo against anti capitalists who constantly ask you for money?"
ou é velho ou é moralista. venha o caos aqui na babilónia: this is my type of town*.
*até eu ser a vítima
é aqui que estou a viver agora: confesso que tem a sua certa dose de excitacao ao ponto do meu penis esbocar pequena ereccao mas outros que vivem aqui há mais tempo relatam o ponto da situacao de forma mais objectiva e já no limite da saturacao:
"Any chance of having a demo against the fascist punks and demonstrators who make life on Rigaerstrasse hell for the majority of citizens who have tolerated their herds of dogs, excrement, destruction of anything that brightened the area up or was any good to the local community? Any chance of having a demonstration against the fuckwits who burnt local people's uninsured cars that were their living? Any chance of having a demo against the stinking creeps who shout at their dogs and kick them while swigging the next Sternberg and pissing on the wall of the bakery? Any chance of a demo against anti capitalists who constantly ask you for money?"
ou é velho ou é moralista. venha o caos aqui na babilónia: this is my type of town*.
*até eu ser a vítima
- és - bué berlim #1 - Born TeBe Wild®

meu primeiro teste como livescout da betradar será o clássico entre o Tennis Borussia Berlin (TeBe) e o VSG Rahensdorf para a Berliner Pilsener Pokal, no mítico Hans-Rosenthal-Sportanlage:

mesmo duvidando seriamente da memória da minha existencia (quanto mais a deste blog) nos seios dos meus amigos vou deixar aqui a dica de que omitirei o primeiro golo do jogo até que alguém a ouvir o relato da radio Berlin (em directo aqui) me de um toque para o telemóvel, sinalizando a aposta no golo já consumado mas cuja informacao ainda nao enviei para a central na suica. a propósito, um preto sentou-se ao meu lado, abriu o internet explorer e pediu ajuda e eu perguntei ajuda em que e ele disse pra abrir a internet. achei que a resposta poderia ser escrever www.google.com no address bar e ele ficou satisfeito, a internet está agora aberta.
o jogo é às 15:00.
confusio #10 - descontrolo económico
as bolsas valorizam, os consumidores paulatinamente recuperam a confianca e os escandalos envolvendo a classe política ofuscam o protagonismo da crise económica na euronews. precisa-se urgentemente dum atentado terrorista em solo ocidental, dum pequeno incidente diplomático envolvendo médio oriente ou russia (aproveitar georgia em voga) ou dum escandalo mas relacionado com a administracao dum big player na economia norte americana (pode ser a enron outra vez). fds mas ninguém mete ordem nisto?
27 Setembro 2009, Berlim (the mauer park theme #7 - com um fim à jardel)
antes de mais serei breve (em ultima análise nao), encontrar o cardinal pro título do post tomou-me uma significativa fatia do orcamento no internet cafe. segundo nao consigo escrever o til, nem o acento circunflexo, nem c de cedilha. espero que isto nao seja tomado como erro ortográfico da mesma maneira que nao perceber turco é tomado como erro diplomático nesta parte do sul de berlim. portanto apelo a alguma inteligencia a mim próprio quando voltar a ler isto, daqui a bocado.
/ hoje tive uma alt ideia, fui ao grupo berlin no couchsurfing ver o que é que os tristes que nao conseguem comer conterraneas reservavam para poderem impressionar backpackers americanas de 19 anos e usei o mesmo peso e mesma medida com a minha namorada. assim, parece que uns rapazes da zona nordeste, presumivelmente um bairro alto com a área de lisboa (em espírito artístico, digo, porque as casas aqui sao diferentes, tem em média mais 2 andares e nao sao devolutas), organizaram um ProtestKonzert no mauer park porque diz aparentar que a junta metropolitana quer capitalizar em blocos de apartamentos o desperdício verde que é este parque. importa perspectivar sobre a génese do parque: há 20 anos, com a queda do mauro, os benevolentes políticos reunificantes(ores) concluiram após 34 plenários parlamentares que seria giro e mediático se se criasse um parque precisamente numa área em que antes este se impusesse. um bonito projecto que visava unir criancas ost/west (já tentado por mengele em auschwitz-birkenau) em fraterna amizade e aos saltos pela relva fora num bonito dia de sol enquanto os pais, cada um viajado no tempo dum dos lados da antiga barricada, suspiravam palavras de bondade reprimida pela saudosa cortina de ferro que separava autómatos às cores de autómatos vermelhos nos anos de ouro da geopolítica mundial. só falhou o bonito dia de sol, fenómeno climatérico que se dá com a frequencia de 5 dias por ano. dito isto, hoje esteve um grande dia de sol em Berlim, tanto no ocidente como no oriente, embora no ocidente ninguém tenha tido tempo para reparar.
/ depois de ir a uma garage sale em casa do Maurizio - um italiano que fala americano fluentemente e que está de saída para londres -, onde comprei uma máquina de lavar roupa (a funcionar) por 25 euros, fui ao KFC da Ku´damm (um diminutivo útil para o nome duma avenida com prai 50 letras) e comprei um balde de óleo vegetal com pepitas de galinha por 15 euros. parentesis para situar este espaco: a Ku´damm é basicamente a avenida principal de berlim ocidental, a avenida onde os soldados americanos se desfilavam em cadillacs el dorado com estofamento bege presenteando as fragilizadas e depravadas (passe a redundancia) alemaes com rajadas de M-16 para o ar, pulverizando todo o campo olfactivo feminino com testosterona V12 com dupla arvore de cames reduzida e extra mayonaise. 10 minutos volvidos neste clima historico vomito-me todo para cima dum miudo turco, que com 12 anos enumerava entusiasticamente os dez algarismos em alemao, a mae orgulhosa pelo grau evolutivo do seu micro homo habilis, que lhe vem permitir uma contribuicao precoce na contabilidade da mercearia do cla familar Emre, em particular na contagem das tamaras que o primo Gunkut rouba por dia.
/ dada a atmosfera otomana precipito a minha partida pro parque do mauro, porque há lá uns concertos todos alternativos as 16h CET e quero ver se os alternativos da alemanha sao iguais aos de portugal, porque se forem é alta coincidencia que alguem que queira ser alternativo acabe igual a outro alguem que tambem queira ser alternativo e para além disso é chato para eles próprios porque depois há a necessidade de se tornar alternativo ao alternativo e no fundo foi perda de tempo ter tomado aquele primeiro passo quando se tinha 15 anos e um amigo que fez um piercing.
/ agora aqui imagine-se que estou dentro dum comboio e é chato, portanto enquanto o tempo passa na verdade, duas consideracoes em escrita: primeiramente e em plano de destaque a felicidade pela origem díspar das línguas portuguesa e turca, uma particularidade historica que permite que saia deste internet cafe pelas minhas próprias pernas depois da estreita e conservadora observacao sobre as familias turcas. segundo, enaltecer a minha capacidade recorrente em furar o orcamento desnecessariamente e sem justificacao. escrever isto podia (deveria) ter sido noutra altura. and the beat goes on (na verdade gastei 4 euros para esta memória - o preco de 16 iogurtes no lidl).
/ mauer park fica convenientemente posicionado entre prenzlauer berg, a capela sistina da ironia que é o individualismo colectivo da berlim oriental, e wedding, um dormitório de ocidentais, um distrito com tanto de humano como o paulo portas, ou por outras palavras a odivelas de berlim - mas sem o diamante negro. para os conhecedores de coordenadas geográficas, fica no norte quasi-exacto de berlim, quase a um hemisfério de distancia da otomana sul. em Ku´damm estou no oeste puro, constato no mapa. este tipo de distancias só podem ser cobertas em tempo útil de vida viajando a velocidades próximas à da luz, vou ter que pagar 2 euros e 10 centimos pelo s-bahn+u-bahn o que em toda a justica nao é muito para se pagar para atravessar 134 estacoes ferroviarias. saio após 22 dias de viagem em eberswalder strasse:
/ se prenzlauer berg é a capela sistina da ironia que é o individualismo colectivo da berlim oriental, eberswalder strasse - uma das ruas deste bairro berlinense - é o templo de salomao. é pegar neste individualismo colectivo e capitalizar em euros. milhares de peregrinos mudaram-se para a interseccao entre eberswalder strasse e schonhauser allee numa plástica tentativa de se imiscuirem no culto original do individualismo colectivo. sao seres humanos que, nao sendo artistas propriamente ditos, aspiram a se-lo, e que, nao sendo acéfalos propriamente ditos, provieram distintamente dum. sao pessoas que nao se encontrando em lado nenhum juntam-se todas num bairro e compram tendencias que sugiram riqueza criativa como que sendo uma moeda de superioridade humana. talvez me deva mudar para aqui.
/ ciente de que nao tenho lugar numa estrutura social deste género, entrego por temor a minha mao direita à minha mulher, à saída da u-bahn. como um periscópio do submarino humano que sou espreito à volta com ainda os últimos degraus das escadas por conquistar e analiso toda a área circundante. o cenário é pior do que ao que eu imaginava: sou um indesculpável vulto, um ínfimo e triste quark num rico oceano molecular, um ponto preto no dalí citadino que é prenzl´berg. o abissal e óbvio desnivelamento intelectual entre mim e a restante populacao da área paralizam-me, é como que se fosse um engenheiro do isel num seminário no IST. agora, envergonhado por esta última analogia aflitiva abraco-me à ideia de que seria preferível nao existir. imediatemente e como consequencia imagino-me num comício duma jota partidária qualquer, o irreverente e literado em dois livros líder de ego inflamado e pullover nos ombros a mimicar o método de discurso rítmico dos seus ídolos partidários enquanto cospe a sua errática e oca retórica às centenas de ovelhas que encontram naquele pasto solucoes rápidas para o seu carecimento existencial, normalmente consequencia natural do fiasco social em que se traduz o seu exodo rural com fins académicos. ali serao alguém, na grande cidade tornar-se-ao políticos de carreira olhando pelos interesses da populacao. fiambre perna extra nobre. e o pai e a avó em viseu sem lhes caber um feijao de orgulho - "o meu filho vai mudar o país". afinal prefiro a inferioridade à inexistencia. de volta a eberswalder strasse.
/ conformo-me com a minha condicao mas logo de seguida a visao deprimente de todos os semelhantes masculinos a andar de bike e só eu e as gajas a andar a pé alarma-me. nao posso nesta altura e lugar ter lapsos desta natureza. ignorando qualquer premissa ou suporte lógico concluo cegamente que economicamente, financeiramente, socialmente, sexualmente, culturalmente, ecologicamente e politicamente é a solucao final. "tenho de comprar uma bike" repercute-se em sentido ascendente pelo meu escroto, penteando gentilmente os meus generosos pelos púb(l)icos dessa zona biográfica do meu corpo e electrizando-me o cerebrelo ao culminar no meu freio danificado por anos de tortura sexual. sou catapultado para uma nova dimensao de estatuto: após adquirir bicicleta serei efectivamente um cidadao dum país vastamente superior àquele em que tive a infelicidade de nascer, mormente pela maneira como acabei sendo: um complexado.
/ mudo o andar para um andar mais carregado e moroso, arqueando os bracos como todos os 5 obcecados pelo culturismo do holmes da defensores de chaves faziam entre o chest press e os halteres só para pros como eles. este simples gesto torna-me agora mais másculo e confiante e assim sucessivamente em ciclo redundante. estou pronto para entrar na zona de guerra multicultural que é aquele concerto de protesto no mauer park de berlim.
/ a pluralidade de personagens cómicas nao é contável. há dias várias vezes tava na mesma situacao: o que vejo agora deveria ser partilhado com outros que gosto mas é incontornável que seja impossível transmitir toda a envolvencia per se: tantas vezes me desiludi com a magra reaccao a fotos e videos que iludido calculei que serviriam de bom suporte de contextualizacao. transmitir a mim próprio nesta frase que foi diferente e se calhar é o suficiente para deslizar para este domingo à tarde em berlim outra vez, no ano de 2009, no princípio de quando eu supreendentemente sem dor troquei tudo na minha vida, menos o meu clube. "troca-se de mulher, troca-se de partido, troca-se de sexo mas nunca se troca de clube" serviu-me de guia, um taxista do benfica dixit para um documentário da ESPN.
/ há um anfiteatro em comocao, milhares de figuras a que se pode grosso modo chamar pessoas aplaudem e esbocam sorrisos colectivos - um forte efeito sonoro metálico de fundo produzido como efeito. a razao do agitamento um desalojado que cantava - popularmente o que é entendido como - frank sinatra i did it my way em jeito de karaoke, a letra da cancao desviada para uma versao pessoal em alemao. à primeira vista teria dito que era tipicamente o único indivíduo com menos hipóteses de brilhar que eu naquele destacamento caleidoscópico. nao obstante, corajoso e desafiador, relatava a plenos pulmoes a simplista história da sua vida a uma plateia com percursos vastamente distintos ao seu, e esta respondia com entusiasmo e interesse pelo interlocutor radicalmente antagónico ao post-punk, trash e death metal que em parte motivara toda aquela mobilizacao. um cenário de humanismo enternecedor - ou entao tava tudo mamado. afinal os alternativos da alemanha sao diferentes dos alternativos de portugal no sentido em que nao restringem pretensiosamente a sua interaccao biológica a seres no mesmo estágio de evolucao superior em que se encontram. sao como sao e pronto, parece.
/ esta é a berlim que rapidamente se me tornou familiar. na verdade nao interessa em que página alguém está no catálogo. just do it your way. e ele fez. e brilhou, onde nunca brilharia em situacao alguma, em frente a punks, okupas, antifas, sharps, red skins, skins, góticos, hippies, metálicos. há qualquer coisa de humana nesta desordem berlinense, há um cosmos de tolerancia e compreensao neste caos urbano industrial, afinal de contas trata-se duma cidade com perto de 30 por cento de desemprego e tao todos na mesma luta, este, oeste, norte, sul, yuppies ou skins, um corajoso desalojado com 40 anos de ruas de berlim ou um puto tuga com 26 de suporte financeiro paternal, atraído pela decadencia do submundo da grande metrópole da moda.
/ e no fim o puto se calhar acaba a cantar como o velho do mauerpark, desalojado e encharcado em alcóol, soturnamente autoconsciente mas cagado demais para nao adiar a solucao para outra oportunidade. ou idealmente - à luz do arrogante julgamento social - o puto acaba de fato e gravata a prestar vassalagem a um superior hierárquico que governa um terco dos seus dias de vida, de volta a casa uma vida estável para ensinar súbditos a tomar todas as decisoes contrárias às que tomou e passou mal. seja como for terá sempre como subterfúgio o luxo da liberdade que as circunstancias da vida lhe concederam e que me parece que deva aproveitar. daqui a 40 anos, como o frankie blue eyes no new york city hall em ´67 ou o velho desalojado no mauerpark em ´09, o puto que nao fez as coisas quando devia fazer pode levantar a cabeca perante uma audiencia contrastante e cantar orgulhosamente: i did it my way.
/ hoje tive uma alt ideia, fui ao grupo berlin no couchsurfing ver o que é que os tristes que nao conseguem comer conterraneas reservavam para poderem impressionar backpackers americanas de 19 anos e usei o mesmo peso e mesma medida com a minha namorada. assim, parece que uns rapazes da zona nordeste, presumivelmente um bairro alto com a área de lisboa (em espírito artístico, digo, porque as casas aqui sao diferentes, tem em média mais 2 andares e nao sao devolutas), organizaram um ProtestKonzert no mauer park porque diz aparentar que a junta metropolitana quer capitalizar em blocos de apartamentos o desperdício verde que é este parque. importa perspectivar sobre a génese do parque: há 20 anos, com a queda do mauro, os benevolentes políticos reunificantes(ores) concluiram após 34 plenários parlamentares que seria giro e mediático se se criasse um parque precisamente numa área em que antes este se impusesse. um bonito projecto que visava unir criancas ost/west (já tentado por mengele em auschwitz-birkenau) em fraterna amizade e aos saltos pela relva fora num bonito dia de sol enquanto os pais, cada um viajado no tempo dum dos lados da antiga barricada, suspiravam palavras de bondade reprimida pela saudosa cortina de ferro que separava autómatos às cores de autómatos vermelhos nos anos de ouro da geopolítica mundial. só falhou o bonito dia de sol, fenómeno climatérico que se dá com a frequencia de 5 dias por ano. dito isto, hoje esteve um grande dia de sol em Berlim, tanto no ocidente como no oriente, embora no ocidente ninguém tenha tido tempo para reparar.
/ depois de ir a uma garage sale em casa do Maurizio - um italiano que fala americano fluentemente e que está de saída para londres -, onde comprei uma máquina de lavar roupa (a funcionar) por 25 euros, fui ao KFC da Ku´damm (um diminutivo útil para o nome duma avenida com prai 50 letras) e comprei um balde de óleo vegetal com pepitas de galinha por 15 euros. parentesis para situar este espaco: a Ku´damm é basicamente a avenida principal de berlim ocidental, a avenida onde os soldados americanos se desfilavam em cadillacs el dorado com estofamento bege presenteando as fragilizadas e depravadas (passe a redundancia) alemaes com rajadas de M-16 para o ar, pulverizando todo o campo olfactivo feminino com testosterona V12 com dupla arvore de cames reduzida e extra mayonaise. 10 minutos volvidos neste clima historico vomito-me todo para cima dum miudo turco, que com 12 anos enumerava entusiasticamente os dez algarismos em alemao, a mae orgulhosa pelo grau evolutivo do seu micro homo habilis, que lhe vem permitir uma contribuicao precoce na contabilidade da mercearia do cla familar Emre, em particular na contagem das tamaras que o primo Gunkut rouba por dia.
/ dada a atmosfera otomana precipito a minha partida pro parque do mauro, porque há lá uns concertos todos alternativos as 16h CET e quero ver se os alternativos da alemanha sao iguais aos de portugal, porque se forem é alta coincidencia que alguem que queira ser alternativo acabe igual a outro alguem que tambem queira ser alternativo e para além disso é chato para eles próprios porque depois há a necessidade de se tornar alternativo ao alternativo e no fundo foi perda de tempo ter tomado aquele primeiro passo quando se tinha 15 anos e um amigo que fez um piercing.
/ agora aqui imagine-se que estou dentro dum comboio e é chato, portanto enquanto o tempo passa na verdade, duas consideracoes em escrita: primeiramente e em plano de destaque a felicidade pela origem díspar das línguas portuguesa e turca, uma particularidade historica que permite que saia deste internet cafe pelas minhas próprias pernas depois da estreita e conservadora observacao sobre as familias turcas. segundo, enaltecer a minha capacidade recorrente em furar o orcamento desnecessariamente e sem justificacao. escrever isto podia (deveria) ter sido noutra altura. and the beat goes on (na verdade gastei 4 euros para esta memória - o preco de 16 iogurtes no lidl).
/ mauer park fica convenientemente posicionado entre prenzlauer berg, a capela sistina da ironia que é o individualismo colectivo da berlim oriental, e wedding, um dormitório de ocidentais, um distrito com tanto de humano como o paulo portas, ou por outras palavras a odivelas de berlim - mas sem o diamante negro. para os conhecedores de coordenadas geográficas, fica no norte quasi-exacto de berlim, quase a um hemisfério de distancia da otomana sul. em Ku´damm estou no oeste puro, constato no mapa. este tipo de distancias só podem ser cobertas em tempo útil de vida viajando a velocidades próximas à da luz, vou ter que pagar 2 euros e 10 centimos pelo s-bahn+u-bahn o que em toda a justica nao é muito para se pagar para atravessar 134 estacoes ferroviarias. saio após 22 dias de viagem em eberswalder strasse:
/ se prenzlauer berg é a capela sistina da ironia que é o individualismo colectivo da berlim oriental, eberswalder strasse - uma das ruas deste bairro berlinense - é o templo de salomao. é pegar neste individualismo colectivo e capitalizar em euros. milhares de peregrinos mudaram-se para a interseccao entre eberswalder strasse e schonhauser allee numa plástica tentativa de se imiscuirem no culto original do individualismo colectivo. sao seres humanos que, nao sendo artistas propriamente ditos, aspiram a se-lo, e que, nao sendo acéfalos propriamente ditos, provieram distintamente dum. sao pessoas que nao se encontrando em lado nenhum juntam-se todas num bairro e compram tendencias que sugiram riqueza criativa como que sendo uma moeda de superioridade humana. talvez me deva mudar para aqui.
/ ciente de que nao tenho lugar numa estrutura social deste género, entrego por temor a minha mao direita à minha mulher, à saída da u-bahn. como um periscópio do submarino humano que sou espreito à volta com ainda os últimos degraus das escadas por conquistar e analiso toda a área circundante. o cenário é pior do que ao que eu imaginava: sou um indesculpável vulto, um ínfimo e triste quark num rico oceano molecular, um ponto preto no dalí citadino que é prenzl´berg. o abissal e óbvio desnivelamento intelectual entre mim e a restante populacao da área paralizam-me, é como que se fosse um engenheiro do isel num seminário no IST. agora, envergonhado por esta última analogia aflitiva abraco-me à ideia de que seria preferível nao existir. imediatemente e como consequencia imagino-me num comício duma jota partidária qualquer, o irreverente e literado em dois livros líder de ego inflamado e pullover nos ombros a mimicar o método de discurso rítmico dos seus ídolos partidários enquanto cospe a sua errática e oca retórica às centenas de ovelhas que encontram naquele pasto solucoes rápidas para o seu carecimento existencial, normalmente consequencia natural do fiasco social em que se traduz o seu exodo rural com fins académicos. ali serao alguém, na grande cidade tornar-se-ao políticos de carreira olhando pelos interesses da populacao. fiambre perna extra nobre. e o pai e a avó em viseu sem lhes caber um feijao de orgulho - "o meu filho vai mudar o país". afinal prefiro a inferioridade à inexistencia. de volta a eberswalder strasse.
/ conformo-me com a minha condicao mas logo de seguida a visao deprimente de todos os semelhantes masculinos a andar de bike e só eu e as gajas a andar a pé alarma-me. nao posso nesta altura e lugar ter lapsos desta natureza. ignorando qualquer premissa ou suporte lógico concluo cegamente que economicamente, financeiramente, socialmente, sexualmente, culturalmente, ecologicamente e politicamente é a solucao final. "tenho de comprar uma bike" repercute-se em sentido ascendente pelo meu escroto, penteando gentilmente os meus generosos pelos púb(l)icos dessa zona biográfica do meu corpo e electrizando-me o cerebrelo ao culminar no meu freio danificado por anos de tortura sexual. sou catapultado para uma nova dimensao de estatuto: após adquirir bicicleta serei efectivamente um cidadao dum país vastamente superior àquele em que tive a infelicidade de nascer, mormente pela maneira como acabei sendo: um complexado.
/ mudo o andar para um andar mais carregado e moroso, arqueando os bracos como todos os 5 obcecados pelo culturismo do holmes da defensores de chaves faziam entre o chest press e os halteres só para pros como eles. este simples gesto torna-me agora mais másculo e confiante e assim sucessivamente em ciclo redundante. estou pronto para entrar na zona de guerra multicultural que é aquele concerto de protesto no mauer park de berlim.
/ a pluralidade de personagens cómicas nao é contável. há dias várias vezes tava na mesma situacao: o que vejo agora deveria ser partilhado com outros que gosto mas é incontornável que seja impossível transmitir toda a envolvencia per se: tantas vezes me desiludi com a magra reaccao a fotos e videos que iludido calculei que serviriam de bom suporte de contextualizacao. transmitir a mim próprio nesta frase que foi diferente e se calhar é o suficiente para deslizar para este domingo à tarde em berlim outra vez, no ano de 2009, no princípio de quando eu supreendentemente sem dor troquei tudo na minha vida, menos o meu clube. "troca-se de mulher, troca-se de partido, troca-se de sexo mas nunca se troca de clube" serviu-me de guia, um taxista do benfica dixit para um documentário da ESPN.
/ há um anfiteatro em comocao, milhares de figuras a que se pode grosso modo chamar pessoas aplaudem e esbocam sorrisos colectivos - um forte efeito sonoro metálico de fundo produzido como efeito. a razao do agitamento um desalojado que cantava - popularmente o que é entendido como - frank sinatra i did it my way em jeito de karaoke, a letra da cancao desviada para uma versao pessoal em alemao. à primeira vista teria dito que era tipicamente o único indivíduo com menos hipóteses de brilhar que eu naquele destacamento caleidoscópico. nao obstante, corajoso e desafiador, relatava a plenos pulmoes a simplista história da sua vida a uma plateia com percursos vastamente distintos ao seu, e esta respondia com entusiasmo e interesse pelo interlocutor radicalmente antagónico ao post-punk, trash e death metal que em parte motivara toda aquela mobilizacao. um cenário de humanismo enternecedor - ou entao tava tudo mamado. afinal os alternativos da alemanha sao diferentes dos alternativos de portugal no sentido em que nao restringem pretensiosamente a sua interaccao biológica a seres no mesmo estágio de evolucao superior em que se encontram. sao como sao e pronto, parece.
/ esta é a berlim que rapidamente se me tornou familiar. na verdade nao interessa em que página alguém está no catálogo. just do it your way. e ele fez. e brilhou, onde nunca brilharia em situacao alguma, em frente a punks, okupas, antifas, sharps, red skins, skins, góticos, hippies, metálicos. há qualquer coisa de humana nesta desordem berlinense, há um cosmos de tolerancia e compreensao neste caos urbano industrial, afinal de contas trata-se duma cidade com perto de 30 por cento de desemprego e tao todos na mesma luta, este, oeste, norte, sul, yuppies ou skins, um corajoso desalojado com 40 anos de ruas de berlim ou um puto tuga com 26 de suporte financeiro paternal, atraído pela decadencia do submundo da grande metrópole da moda.
/ e no fim o puto se calhar acaba a cantar como o velho do mauerpark, desalojado e encharcado em alcóol, soturnamente autoconsciente mas cagado demais para nao adiar a solucao para outra oportunidade. ou idealmente - à luz do arrogante julgamento social - o puto acaba de fato e gravata a prestar vassalagem a um superior hierárquico que governa um terco dos seus dias de vida, de volta a casa uma vida estável para ensinar súbditos a tomar todas as decisoes contrárias às que tomou e passou mal. seja como for terá sempre como subterfúgio o luxo da liberdade que as circunstancias da vida lhe concederam e que me parece que deva aproveitar. daqui a 40 anos, como o frankie blue eyes no new york city hall em ´67 ou o velho desalojado no mauerpark em ´09, o puto que nao fez as coisas quando devia fazer pode levantar a cabeca perante uma audiencia contrastante e cantar orgulhosamente: i did it my way.
hall of fame #33 - encore une fois
Pedro diz (05:27):
lol
escreveste um protesto de 5 pontos
Pedro diz (05:28):
ao qual eu respondi excitas-me tanto pat
tavamos em litígio notório
lol o teu protesto tá louco
Pedro diz (05:29):
mas aquela boca à eli é fodida
Protesto nº4- Lamento o efeito secundário sobre a tua masculinidade, mas é tudo a pensar em vocês. Quero os vossos padrõezinho cá para cima para não calharem com alguma que gere com vocês offsprings dignas de figurar num qualquer filme dos gremlins
Pedro diz (05:30):
quem diz à eli diz à faye
Hugo diz (05:31):
ainda nao sabias que a faye existia nessa altura
Pedro diz (05:31):
eu sei eu sei
é só pra sublinhar que se tratava duma piada e podia usar qualquer actual ou futura ex-namorada como alvo
Pedro diz (05:32):
até pq a eli n se parece nada com um gremlin
mas sim com um estrunfe sobre o qual foi derramado um tubo de guache roxo
lol
escreveste um protesto de 5 pontos
Pedro diz (05:28):
ao qual eu respondi excitas-me tanto pat
tavamos em litígio notório
lol o teu protesto tá louco
Pedro diz (05:29):
mas aquela boca à eli é fodida
Protesto nº4- Lamento o efeito secundário sobre a tua masculinidade, mas é tudo a pensar em vocês. Quero os vossos padrõezinho cá para cima para não calharem com alguma que gere com vocês offsprings dignas de figurar num qualquer filme dos gremlins
Pedro diz (05:30):
quem diz à eli diz à faye
Hugo diz (05:31):
ainda nao sabias que a faye existia nessa altura
Pedro diz (05:31):
eu sei eu sei
é só pra sublinhar que se tratava duma piada e podia usar qualquer actual ou futura ex-namorada como alvo
Pedro diz (05:32):
até pq a eli n se parece nada com um gremlin
mas sim com um estrunfe sobre o qual foi derramado um tubo de guache roxo
hall of fame #32 - condicao suficiente
Filhipe sagt:
devias pensar num plano pa extorquir a guita aos velhos dela
Pedro sagt:
nao da, os gajos ja tao de sobreaviso
ja deve ter sido tentado antes
Filhipe sagt:
ja sei
têm de fingir que ela teve um acidente
e deita-se numa cama com ligaduras e ligada a uma máquina
tiras umas fotos e juntas a uma carta a dizer que precisam de 15mil euros para os tratamentos dela
mandas ao pai
Pedro sagt:
deixa o benfica perder, mas ta dificil
devias pensar num plano pa extorquir a guita aos velhos dela
Pedro sagt:
nao da, os gajos ja tao de sobreaviso
ja deve ter sido tentado antes
Filhipe sagt:
ja sei
têm de fingir que ela teve um acidente
e deita-se numa cama com ligaduras e ligada a uma máquina
tiras umas fotos e juntas a uma carta a dizer que precisam de 15mil euros para os tratamentos dela
mandas ao pai
Pedro sagt:
deixa o benfica perder, mas ta dificil
hall of fame #31 - integracao
Pedro sagt:
só acho estranho o google nao encontrar o site
e o gajo das relacoes internacionais assinar como parte da empresa russian timber
e nao da empresa mra international
mas se lhe pergunto qual é a ligacao talvez seja executado pela mafia russa
Filhipe sagt:
sim é melhor ficares de bico calado
agora já te mostraste, tas fddo
faz a tua investigação, mas sem os gajos perceberem
alias axo que deviamos tar a falar em codigo
qq merda meteste no aviao a bazas daí
Pedro sagt:
tens razao
em 2 semanas consegui ser assimilado pela mafia russa e vivo num bairro de turcos
um inicio auspicioso para a minha gloriosa caminhada alema
só acho estranho o google nao encontrar o site
e o gajo das relacoes internacionais assinar como parte da empresa russian timber
e nao da empresa mra international
mas se lhe pergunto qual é a ligacao talvez seja executado pela mafia russa
Filhipe sagt:
sim é melhor ficares de bico calado
agora já te mostraste, tas fddo
faz a tua investigação, mas sem os gajos perceberem
alias axo que deviamos tar a falar em codigo
qq merda meteste no aviao a bazas daí
Pedro sagt:
tens razao
em 2 semanas consegui ser assimilado pela mafia russa e vivo num bairro de turcos
um inicio auspicioso para a minha gloriosa caminhada alema
hall of fame #30 - vao treinando
hall of fame #29 - des-maiou!
Pedro sagt:
tas onde
Joo sagt:
na madeira
Pedro sagt:
serio?
pensava em baltimore, no estados onidos
mas confesso que me precipitei um bocado
Joo sagt:
ahahahahaha muita piada
Pedro sagt:
onde na madeira especificamente?
Joo sagt:
em casa
Pedro sagt:
ah ok
tou num internet café em neukölln, em berlim
é só turcos nesta zona
Joo sagt:
entao tas na turquia
Pedro sagt:
parece
mas vi no mapa que tava em berlim
nordeste da alemanha, quase na polónia
Joo sagt:
tas-me a baralhar
Pedro sagt:
tou em berlim
mas tipo aqui é só tipo turcos e isso
Joo sagt:
baralhate-me ainda mais
Pedro sagt:
porque é uma cena de imigracao
bué pessoal vem para as cidades gigantes como esta para conseguir uma vida melhor, porque nos países delas, tipo, nao há condicoes, e tipo, vivem na pobreza, as vezes, tipo, nem sequer tem comida e isso
Joo sagt:
vas-me por desmaiado
Pedro sagt:
e depois para se sentirem tipo integrados na sociedade, tipo, juntam-se em tipo grupos e tipo andam aos molhes e tipo ganham confianca e tipo depois comportam-se como tipo se isto fosse o país deles
Joo sagt:
des-maiei
tas onde
Joo sagt:
na madeira
Pedro sagt:
serio?
pensava em baltimore, no estados onidos
mas confesso que me precipitei um bocado
Joo sagt:
ahahahahaha muita piada
Pedro sagt:
onde na madeira especificamente?
Joo sagt:
em casa
Pedro sagt:
ah ok
tou num internet café em neukölln, em berlim
é só turcos nesta zona
Joo sagt:
entao tas na turquia
Pedro sagt:
parece
mas vi no mapa que tava em berlim
nordeste da alemanha, quase na polónia
Joo sagt:
tas-me a baralhar
Pedro sagt:
tou em berlim
mas tipo aqui é só tipo turcos e isso
Joo sagt:
baralhate-me ainda mais
Pedro sagt:
porque é uma cena de imigracao
bué pessoal vem para as cidades gigantes como esta para conseguir uma vida melhor, porque nos países delas, tipo, nao há condicoes, e tipo, vivem na pobreza, as vezes, tipo, nem sequer tem comida e isso
Joo sagt:
vas-me por desmaiado
Pedro sagt:
e depois para se sentirem tipo integrados na sociedade, tipo, juntam-se em tipo grupos e tipo andam aos molhes e tipo ganham confianca e tipo depois comportam-se como tipo se isto fosse o país deles
Joo sagt:
des-maiei
hall of fame #28 - tou a brincar
Pedro diz (04:48):
sim ela ainda sofre por mim
ela e a joana teixeira
e a eli
Hugo diz (04:48):
nunca amis vi esse bicho
Pedro diz (04:48):
a eli? tb nao
Hugo diz (04:48):
a eli vi
no dia da letã por acaso
andava a distribuir panfletos do lux com a sua meia-irmã
Pedro diz (04:49):
a eli parece um estrunfe sobre o qual se derramou um tubo de guache roxo
nao lhe mostres isto sff pq n quero lhe ferir os sentimentos
ja fiz o suficiente para toda a vida
podia por isto no blog
Pedro diz (04:50):
mas seria hardcord
o que nunca foi impeditivo
mas neste caso ela tá me a alugar a casa e ainda nao passamos as cenas pro nome dela
Hugo diz (04:50):
mete só esta parte em que eu digo
Hugo diz (04:50):
que a Georgina é uma das raparigas mais bonitas de Lisboa
Pedro diz (04:51):
espectacular
há marketing viral
isso é marketing parasita
Hugo diz (04:51):
desde que a infecte
Pedro diz (04:52):
ela já tá infectada
com gonorreia
Pedro diz (04:53):
passou de mim prá irmã, da irmã pró primeiro rebound guy da irmã, o andré, e do primeiro rebound guy da irmã e décimo segundo dela, o andré, pra ela
Hugo diz (04:54):
vou ver se arranjo sifilis primeiro então, para termos pá troca
Pedro diz (04:54):
a sifilis é mais ou menos alternativa que a gonorreia?
Pedro diz (04:55):
isso é importante prá valorização da troca, e se a sifilis foi desenhada pela ikea então aí é bonus, podes trocar por duas
sim ela ainda sofre por mim
ela e a joana teixeira
e a eli
Hugo diz (04:48):
nunca amis vi esse bicho
Pedro diz (04:48):
a eli? tb nao
Hugo diz (04:48):
a eli vi
no dia da letã por acaso
andava a distribuir panfletos do lux com a sua meia-irmã
Pedro diz (04:49):
a eli parece um estrunfe sobre o qual se derramou um tubo de guache roxo
nao lhe mostres isto sff pq n quero lhe ferir os sentimentos
ja fiz o suficiente para toda a vida
podia por isto no blog
Pedro diz (04:50):
mas seria hardcord
o que nunca foi impeditivo
mas neste caso ela tá me a alugar a casa e ainda nao passamos as cenas pro nome dela
Hugo diz (04:50):
mete só esta parte em que eu digo
Hugo diz (04:50):
que a Georgina é uma das raparigas mais bonitas de Lisboa
Pedro diz (04:51):
espectacular
há marketing viral
isso é marketing parasita
Hugo diz (04:51):
desde que a infecte
Pedro diz (04:52):
ela já tá infectada
com gonorreia
Pedro diz (04:53):
passou de mim prá irmã, da irmã pró primeiro rebound guy da irmã, o andré, e do primeiro rebound guy da irmã e décimo segundo dela, o andré, pra ela
Hugo diz (04:54):
vou ver se arranjo sifilis primeiro então, para termos pá troca
Pedro diz (04:54):
a sifilis é mais ou menos alternativa que a gonorreia?
Pedro diz (04:55):
isso é importante prá valorização da troca, e se a sifilis foi desenhada pela ikea então aí é bonus, podes trocar por duas
Hall of Fame #27 - yes, he's the love of her life
Pedro diz:
altas fotos ka fraulein conrad tem
NY/LA
a miuda é arte
por todos os poros e gestos
Hugo diz:
ya, um bocado dark
mas eu fazia-a feliz
este namorado novo parece menos nelo
Pedro diz:
yeah
é o gajo perfeito pra ela
todo neo intelectual
um especimen extremamente exclusivo, dos poucos que consegue engolfar nas suas mais diversas manifestações todos os sentimentos, emoções e virtudes/fragilidades da humanidade
espectacular
a foto 80 resume tudo

*foto 80
altas fotos ka fraulein conrad tem
NY/LA
a miuda é arte
por todos os poros e gestos
Hugo diz:
ya, um bocado dark
mas eu fazia-a feliz
este namorado novo parece menos nelo
Pedro diz:
yeah
é o gajo perfeito pra ela
todo neo intelectual
um especimen extremamente exclusivo, dos poucos que consegue engolfar nas suas mais diversas manifestações todos os sentimentos, emoções e virtudes/fragilidades da humanidade
espectacular
a foto 80 resume tudo

*foto 80
Announcement - to orientador de tese with love
Caro Professor,
concerteza já tomou conta da minha ausência nestas primeiras reuniões de Setembro. Sem rodeios o que se passou foi que acabei por não cumprir com o percurso académico a que me propus. Isto coloca-me numa situação desonrosa perante vós mas infelizmente como se sabe as vicissitudes da vida precipitam-nos por vezes para estes desvios. Resumidamente recebi uma oferta de trabalho para 1 ano na Alemanha com condições que, nesta altura e contexto, foram irrecusáveis. Assim acabei por me afogar academicamente o semestre passado ao me mudar para Berlim e não conto fazer mais que 5/6 cadeiras este ano, concentrando-me naquelas que não tenham componente laboratorial, já que estou geograficamente impossibilitado de me deslocar à faculdade.
A minha vontade num mundo ideal seria a de manter este tema para a tese, mas suspeito que tanto a nível de timing como de credibilidade as "odds" não estejam a meu favor nesta altura pelo que naturalmente deixarei em vossas mãos o rumo a seguir.
Cumprimentos.
concerteza já tomou conta da minha ausência nestas primeiras reuniões de Setembro. Sem rodeios o que se passou foi que acabei por não cumprir com o percurso académico a que me propus. Isto coloca-me numa situação desonrosa perante vós mas infelizmente como se sabe as vicissitudes da vida precipitam-nos por vezes para estes desvios. Resumidamente recebi uma oferta de trabalho para 1 ano na Alemanha com condições que, nesta altura e contexto, foram irrecusáveis. Assim acabei por me afogar academicamente o semestre passado ao me mudar para Berlim e não conto fazer mais que 5/6 cadeiras este ano, concentrando-me naquelas que não tenham componente laboratorial, já que estou geograficamente impossibilitado de me deslocar à faculdade.
A minha vontade num mundo ideal seria a de manter este tema para a tese, mas suspeito que tanto a nível de timing como de credibilidade as "odds" não estejam a meu favor nesta altura pelo que naturalmente deixarei em vossas mãos o rumo a seguir.
Cumprimentos.
Interlúdio #7 - uma outra música
hoje era uma véspera mas afinal não foi, ficou adiada para daqui a dois dias. tenho sido displicente com o apartamento, como que deixando-o em pause durante estes últimos dias, tentando perpetuá-lo. não a ele que é uma merda, mas às memórias que andam a vagabundear pela casa nestas altas horas, abrindo e fechando portas e fazendo barulhos incomuns nos electrodomésticos. não tenho medo delas, não me assolam. convivemos no mesmo espaço mas levamos vidas independentes e respeitamo-nos mutuamente.
tenho cabelos por toda a secretária, em breve não minha mas da ironia do destino encarnada na sua personagem principal. eles irritam-me, precipitam-me sempre para uma desnaturada observação duma cabeleireira antiga, "acho que ao contrário do teu pai vais ter problemas com a calvície". já percebi, vem da parte da família da minha mãe não é? antes isso que os cancros e as mortes durante o sono, poderia dizer, para chocar e arrumar a conversa. os livros estão jogados pelo chão, assim fechados lembretes em vários contornos da minha construção lisboeta: incessante, errática, emocional. li poucos até ao fim, guardo-me para a monotonia da velhice. parece-me que a maioria das pessoas guarda dinheiro para a velhice, eu guardo livros, só preciso disso e da minha memória nos tempos mortos em que espero pela visita dos meus netos e a sua alegria contaminante. as viagens faço agora, enquanto posso usar livremente o maior instrumento que tenho, o meu corpo. até aos meus netos preciso de guardar os livros em espaços de esquecimento, tipo garagens ou dispensas. dentro duma caixa emprestada pelo Sr. Luís da mercearia, com a minha velhice. até lá não os quero ver mais, aos livros de Lisboa. uma gaveta com coisas: o 2-2 entre benfica e duarte gomes no antigo estádio da luz em 2001 - o último derby da catedral, o isle of MTV em belém com morcheeba e roger sanchez, a inauguração da nova catedral frente ao nacional montevideu, as finais da taça no jamor, o carl cox no pachá de ofir, as cartas de amor, todos os preciosos bookmarks de saudosismo que de forma habitual me convencem de que tem sido um percurso bonito e preenchido, mesmo durante períodos em que me deixei encegueirar pela ideia contrária. por indução imagino o mesmo para situações futuras. sucessivamente vou aprendendo por indução até que não me deixo mais envolver por ideias fatalistas e existenciais, independentemente do momento e situação. deslizo sobre a vida, sempre à tona de água, indiferente à minha condição humana. até ter que reabrir a caixa com os livros, isto é.
há pouco saí à procura de qualquer coisa, 2 euros no bolso e a convicção de que a iria encontrar, fosse o que fosse. acho que tinha sede, mas tenho a certeza de que não tinha fome. virei à direita e desci a rua. o mendes fechado. o que será que lhe aconteceu? uma vítima da irrascibilidade do tempo, sempre louco a caminhar numa direcção, e o resto que se foda. foi o mendes que teve que ir ao ar desta vez, por alguma razão. adivinhava-se. o ar resmungão não disfarçava as dificuldades, talvez financeiras. faz sentido, é a crise não é? os mercados entraram em colapso embora só se pudesse ver pela televisão nos telejornais. há umas cenas chamadas acções que flutuam de acordo com o princípio da oferta e da procura e que ditam se a vida corre mal ou bem aos seus próprios criadores. tomaram vida, essas acções, e agora insurgiram-se contra nós. é preciso controlá-las, senão ficamos todos pobres e elas levam o dinheiro todo para casa, pra comprarem bancos e seguradoras assim a pronto. (anda uma memória louca para entrar na cozinha, mas agora não pode ser). por momentos tive convencido que queria beber uma coca-cola no mcdonald's. já não me lembro se coca-cola ou mcflurry de M&Ms. sei que não queria de certeza um wrap, não tinha fome. agarro os 2 euros dentro do meu bolso e faço a ronda ao quarteirão. não preciso de nada, tou satisfeito fisiologicamente. vim dar um passeio com a minha namorada mas ela esqueceu-se de vir, ela que gosta tanto dos mcflurrys antes de ir para a cama. (esta memória lá na cozinha já me começa a assustar, eu que normalmente não me deixo assustar). vou para casa então.
uma janela aberta num 2º andar da rua da ilha terceira derrama luz sobre a lancinante apatia local, cortinas entregues ao vento veranista. hesito em ignorar o unívoco chamamento do espírito do bairro das ilhas. indelével mas enfraquecido, quase moribundo, com funeral já marcado nos calendários dos que o conheceram. respondo com o assobio, que serve para tudo, para a praia, para a noite, para a bola. já não me ouve, é normal, pas grave. aproximo-me para lhe lançar um último olhar, àquela janela num 2º andar da rua da ilha terceira; a personificação duma era, quando a vi, ainda no cruzamento; o símbolo da sua morte, ao perto, depois de me aproximar e perceber que agora estava vazia de alma.
vou para Berlim em êxtase emocional. não só porque aventuro-me no amor mas porque cumpro com aquilo que sempre prometi a mim próprio: seguir os ímpetos de felicidade e motivação, independentemente de se traçarem por caminhos menos percorridos. depois de 8 anos, e esgotadas virtualmente todas as experiências cá, só haveria um sentido de felicidade, Berlim é apenas uma direcção.
dito isto deixo Lisboa angustiado e rancoroso com o tempo. queria viver tudo outra vez, sem as partes más é claro, mas que aprendesse o que aprendi na mesma. não me é possível acreditar na forma como fui tratado por aqueles de quem me tornei próximo em Lisboa. imagino sempre ou que esteja a desvirtuar a minha memória num sentido artificalmente positivo ou que isto seja mesmo um campos show em que triliões de assinantes de redes quânticas de TV à volta da via láctea rejubilam ou choram com a minha vida, decidindo a cada início de semana o que me vai acontecer através de mega votações telepáticas. um universo benevolente este, nesse caso. de qualquer forma não consigo encontrar outra explicação para a sorte que tive em conhecer as pessoas que conheci, brilhantes cada uma à sua maneira, e tremendamente inspiradoras, até para um ser 0 kelvin como eu.
gostaria de me separar em dois. um pedro em repeat em Lisboa e outro em shuffle, à volta do mundo. um ipedro, portanto. mas se for para escolher, que se mude a música a cada 6 meses. é uma necessidade pessoal.
tenho cabelos por toda a secretária, em breve não minha mas da ironia do destino encarnada na sua personagem principal. eles irritam-me, precipitam-me sempre para uma desnaturada observação duma cabeleireira antiga, "acho que ao contrário do teu pai vais ter problemas com a calvície". já percebi, vem da parte da família da minha mãe não é? antes isso que os cancros e as mortes durante o sono, poderia dizer, para chocar e arrumar a conversa. os livros estão jogados pelo chão, assim fechados lembretes em vários contornos da minha construção lisboeta: incessante, errática, emocional. li poucos até ao fim, guardo-me para a monotonia da velhice. parece-me que a maioria das pessoas guarda dinheiro para a velhice, eu guardo livros, só preciso disso e da minha memória nos tempos mortos em que espero pela visita dos meus netos e a sua alegria contaminante. as viagens faço agora, enquanto posso usar livremente o maior instrumento que tenho, o meu corpo. até aos meus netos preciso de guardar os livros em espaços de esquecimento, tipo garagens ou dispensas. dentro duma caixa emprestada pelo Sr. Luís da mercearia, com a minha velhice. até lá não os quero ver mais, aos livros de Lisboa. uma gaveta com coisas: o 2-2 entre benfica e duarte gomes no antigo estádio da luz em 2001 - o último derby da catedral, o isle of MTV em belém com morcheeba e roger sanchez, a inauguração da nova catedral frente ao nacional montevideu, as finais da taça no jamor, o carl cox no pachá de ofir, as cartas de amor, todos os preciosos bookmarks de saudosismo que de forma habitual me convencem de que tem sido um percurso bonito e preenchido, mesmo durante períodos em que me deixei encegueirar pela ideia contrária. por indução imagino o mesmo para situações futuras. sucessivamente vou aprendendo por indução até que não me deixo mais envolver por ideias fatalistas e existenciais, independentemente do momento e situação. deslizo sobre a vida, sempre à tona de água, indiferente à minha condição humana. até ter que reabrir a caixa com os livros, isto é.
há pouco saí à procura de qualquer coisa, 2 euros no bolso e a convicção de que a iria encontrar, fosse o que fosse. acho que tinha sede, mas tenho a certeza de que não tinha fome. virei à direita e desci a rua. o mendes fechado. o que será que lhe aconteceu? uma vítima da irrascibilidade do tempo, sempre louco a caminhar numa direcção, e o resto que se foda. foi o mendes que teve que ir ao ar desta vez, por alguma razão. adivinhava-se. o ar resmungão não disfarçava as dificuldades, talvez financeiras. faz sentido, é a crise não é? os mercados entraram em colapso embora só se pudesse ver pela televisão nos telejornais. há umas cenas chamadas acções que flutuam de acordo com o princípio da oferta e da procura e que ditam se a vida corre mal ou bem aos seus próprios criadores. tomaram vida, essas acções, e agora insurgiram-se contra nós. é preciso controlá-las, senão ficamos todos pobres e elas levam o dinheiro todo para casa, pra comprarem bancos e seguradoras assim a pronto. (anda uma memória louca para entrar na cozinha, mas agora não pode ser). por momentos tive convencido que queria beber uma coca-cola no mcdonald's. já não me lembro se coca-cola ou mcflurry de M&Ms. sei que não queria de certeza um wrap, não tinha fome. agarro os 2 euros dentro do meu bolso e faço a ronda ao quarteirão. não preciso de nada, tou satisfeito fisiologicamente. vim dar um passeio com a minha namorada mas ela esqueceu-se de vir, ela que gosta tanto dos mcflurrys antes de ir para a cama. (esta memória lá na cozinha já me começa a assustar, eu que normalmente não me deixo assustar). vou para casa então.
uma janela aberta num 2º andar da rua da ilha terceira derrama luz sobre a lancinante apatia local, cortinas entregues ao vento veranista. hesito em ignorar o unívoco chamamento do espírito do bairro das ilhas. indelével mas enfraquecido, quase moribundo, com funeral já marcado nos calendários dos que o conheceram. respondo com o assobio, que serve para tudo, para a praia, para a noite, para a bola. já não me ouve, é normal, pas grave. aproximo-me para lhe lançar um último olhar, àquela janela num 2º andar da rua da ilha terceira; a personificação duma era, quando a vi, ainda no cruzamento; o símbolo da sua morte, ao perto, depois de me aproximar e perceber que agora estava vazia de alma.
vou para Berlim em êxtase emocional. não só porque aventuro-me no amor mas porque cumpro com aquilo que sempre prometi a mim próprio: seguir os ímpetos de felicidade e motivação, independentemente de se traçarem por caminhos menos percorridos. depois de 8 anos, e esgotadas virtualmente todas as experiências cá, só haveria um sentido de felicidade, Berlim é apenas uma direcção.
dito isto deixo Lisboa angustiado e rancoroso com o tempo. queria viver tudo outra vez, sem as partes más é claro, mas que aprendesse o que aprendi na mesma. não me é possível acreditar na forma como fui tratado por aqueles de quem me tornei próximo em Lisboa. imagino sempre ou que esteja a desvirtuar a minha memória num sentido artificalmente positivo ou que isto seja mesmo um campos show em que triliões de assinantes de redes quânticas de TV à volta da via láctea rejubilam ou choram com a minha vida, decidindo a cada início de semana o que me vai acontecer através de mega votações telepáticas. um universo benevolente este, nesse caso. de qualquer forma não consigo encontrar outra explicação para a sorte que tive em conhecer as pessoas que conheci, brilhantes cada uma à sua maneira, e tremendamente inspiradoras, até para um ser 0 kelvin como eu.
gostaria de me separar em dois. um pedro em repeat em Lisboa e outro em shuffle, à volta do mundo. um ipedro, portanto. mas se for para escolher, que se mude a música a cada 6 meses. é uma necessidade pessoal.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
