
Em 1999, há 11 anos, eu tinha 16. Aos 16 anos eu era bué feio, um bocado gordo e uma merda em tudo excepto no quake. Há coisas que não mudam, mas hoje o quake tá obsoleto, tal como o meu ouvido direito, pelo que agora sou totalmente indivisível do fracasso e para além disso (e talvez relacionado) nao dou atenção a nada que venha da direita.
doravante neste texto, sempre que me referir a nós ou eles refiro-me a "amigos".
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Na versão 1999 do verão, houve o campeonato do mundo de surf no jardim do mar, uma vilha a 20 minutos da calheta pelas tradicionais estradas da altura e que ainda se mantêm.
O jardim do mar, grosso modo, é como que se uma vila transmontana se materializasse inexplicavelmente no hawai. É por isso duma paz bidimensional. É povoado por hippies old school de várias nacionalidades, imiscuidos na plebe meia venezuelana, relativamente confusa com os motivos profundos dos imigrantes do peace&love. A história típica é que vieram um dia pra surfar e tiveram medo de regressar à vida. Faz-nos falta ter medo da "vida". Eles, os inanos cobardes da civilização, adoptam agricultura de subsistência durante o dia, mantêm pubs caribe surf durante a noite e pintam quadros todos fodidos para terem extra income de estrangeirada como eles de madrugada. Para os quadros e dos quadros só há fluxo em modo LSD, não é possível tar ligado em estado convencional, daí que os autores observem os mundanos potenciais compradores com a atitude chacota-zen cerimonial deles, como que se os considerassem presos a um só plano incompleto, sem hipóteses de entender a hiper-verdade etérea a pairar nas galerias de quintal que se somam , integrados pela vila fora.
Nós não tinhamos (mais) LSD, mas tinhamos uma substância preta que o costa trouxe do boom festival que até hoje acho que era tinta da china diluída, e fruta podre do norte de áfrica que eu podia ter trazido de casa também. E havia sempre o whisky/vodka no recém aberto pingo doce da calheta, em frente ao hotel da praia, na altura ainda em calhau. Chegamos ao jardim do mar como partimos: sem esperar absolutamente nada do futuro próximo, e à boleia do pai do Claudio, um veterano do ultramar com um familiar leque absurdo de histórias surreais (erm). O navio que o transportava afundou ao largo da costa africana e só sobreviveu porque não combateu a maré; certo dia a caçar com os amigos no poço do bispo viu um disco voador a tentar aterrar numa clareira. E por aí fora. Nunca percebi se o claudio mentia para emular a eloquente vivência paterna ou se havia correlacao genética na utilizacao das hiperboles. Factual foi que nós, a meio desta tarde, aterramos, eloquentemente, no jardim do mar - para ver o campeonato do mundo de surf.
Na altura nunca tinham havido grandes festivais de música na madeira, e bem, em retrospectiva no jardim do mar tava a comoção no ar que é típica dum festival de música. A sensação sólida de que será para todos os efeitos uma noite histórica e falada para várias oportunidades. Os betos e os anti-betos vulgo betos rebeldes vulgo - hoje - morangos, tavam todos lá batidos. As gajas todas que passavamos semana sim semana sim senhor a mirar depravadamente à porta do liceu depois das aulas na industrial tavam naturalmente também lá, já despidas de alma, num modo muito british underage sluts in albufehria. Mas desenvolviam boas como o milho, e nós, contrariamente ao meu primo, todos gostavamos de milho pra caralho, passe a expressão. O Tega em particular tinha problemas, obviamente. O quarto dele nos apartamentos caracas cheirava fortemente a sémen, e não do tipo fresco, mas sémen já com algumas horas/dias de acumulação nos contornos do prepúcio aka queijada. Incrível como o odor fétido transpirava das cuecas e ganga e acabava a pairar no ar morto da câmara de masturbação a que ele chamava "o meu quarto". Dessem-lhe um video da jenna jameson a sacar uma broxada ao peter north ou uma cópia do windows 95 e o gajo jorrava ouro branco incontrolavelmente. Depravado do caralho.
Como dizia, as pitas ricas, que na altura constituiam nossa geração apesar de já atraírem vasta admiração de faixas etárias superiores, tinham vindo claramente para o debroche, embora estando pré programadas para se oferecer em primeira, segunda e terceira hipótese aos surfistas de gabarite intercontinental que já durante a tarde se partiam todos no Joe's bar à procura da resposta para o nada. É claro que sabiamos que haviam mais marés que surfistas e que alguma coisa ia sobrar pra nós, e com um bocado de sorte, pró Tega - flagelado pelo acne por culpa e responsabilidade própria -, mas tavamos lá, acima de tudo, para cagar prás gajas e fazer merda, embora qualquer acção nesse sentido tivesse precisamente o objectivo de impressioná-las. Enfim, um ciclo infinito que se encerrava sobre a obssessão de comer uma gaja que durou mais (anos) para uns do que para outros mas que hoje em dia, volvidos 132 meses me parece que se pode considerar confortavelmente fechado, embora ainda me seja pouco claro o caso do claudio, a menos que tenha pago, isto é.
Entrando pelo desconhecido do beco principal da vilha, ignorada a essência combinada a maresia e primeiros ciclos menstruais que já pairava no ar pelo fim da tarde, chocamos com um peculiar personagem que, pela sua indefinida existência, suponho, tem vindo a seguir uma distribuição discreta no que toca à sua influência na minha vida e - presumo - a dos outros. As suas aparições, como as de virgem maria do catolicismo, para além de constituirem só de si acontecimentos raros e inexplicáveis, profetizam invariavelmente obscuras resoluções a nível local, normalmente carregando notas trágicas que se repercutem com intensidade crescente noite fora e cujo clímax se concretiza, embora em paralelo, com o momento da sua própria desaparição. E eis que, 2 horas e 2 garrafas de vodka depois, o david trindade diz: "os gajos ali no hotel, no único hotel desta merda toda, têm 3 garrafas de whisky. nao metas isto no blog que vais criar em 2008 se faz favor". As smirnoff do pingo doce, compradas horas antes com a conivência displicente do pai do claudio, tavam ja partidas no calhau do jardim do mar, sem respingar nada senão ar pro immer puro atlântico. O joe's bar tava em fase colmeia, e vencer na confusão não era o nosso forte ainda nesta idade, fosse qual fosse o objectivo. Daí que o Trinita tivesse efectivamente razão. 16 anos, nada a perder, só a ganhar: whisky, e histórias, para esquecer. Se fossemos presos tanto melhor, eramos a fruta da época na escola como consequência. Entrei no hotel com o david e não tava ninguém na recepção, e tava escuro. Estranhei mas dei luz verde. Ele entrou e foi atrás do balcão de cócoras. Trouxe 2 garrafas de whisky, rótulo vermelho, e mais importantemente as chaves para uma noite tarantiniana.
Jogamos mais 2 garrafas de whisky, sem respingar nada senão ar, para os seixos da praia, em consêquencia de mais um par de horas hoje indefinidamente passadas. Alguém eco-moralizou acerca da acção. Eu sempre me senti bem em partir garrafas, e nunca falhei a praia à distância dum precipício com vista para o infinito, mas mostrei me sensível às nobres lamentações e pedi desculpa. Prometi ao costa que no outro dia voltava para limpar os cacos, assumia responsabilidade total. 6 anos e uma promessa falhada depois, uma caterpillar, de fabrico americano, removeu os meus cacos do jardim do mar, inchados de sol e sal, testemunhas durante mais algumas centenas de anos daquela inebriação pontual nossa, mas mais tristemente da inebriação permanente dum capitalismo intratável que insiste em destruir caminhos simples para a felicidade. o jardim do mar ainda existe em 2010, mas já não há jardim do mar nele.
E como o capitalismo, as noites, pelo menos as minhas, são um comboio, uma locomotiva que desbrava a escuridão da sobriedade na sôfrega ansia de consumir mais alcóol. Talvez torne tudo ainda melhor, o próximo copo. Talvez depois deste whisky eu ache mais piada a esta merda toda, talvez ria das piadas do gonçalo ou ignore a penca da natacha. Há dias o Erol, um turco muçulmano que nunca tocou em alcóol na vida, decidiu, numa hipocrisia típica de quem está no topo dum pedestal meramente circunstancial, remeter o hábito alcóolico dos infieis para o patamar de colmatação de uma deficiência étnica/pessoal. Fê-lo de forma relativamente pacífica mas tão ingénua como insolente: "I don't drink because i am a muslim, but also because i don't feel the need. I don't need to drink to make myself more interesting to other people".
O jardim do mar, grosso modo, é como que se uma vila transmontana se materializasse inexplicavelmente no hawai. É por isso duma paz bidimensional. É povoado por hippies old school de várias nacionalidades, imiscuidos na plebe meia venezuelana, relativamente confusa com os motivos profundos dos imigrantes do peace&love. A história típica é que vieram um dia pra surfar e tiveram medo de regressar à vida. Faz-nos falta ter medo da "vida". Eles, os inanos cobardes da civilização, adoptam agricultura de subsistência durante o dia, mantêm pubs caribe surf durante a noite e pintam quadros todos fodidos para terem extra income de estrangeirada como eles de madrugada. Para os quadros e dos quadros só há fluxo em modo LSD, não é possível tar ligado em estado convencional, daí que os autores observem os mundanos potenciais compradores com a atitude chacota-zen cerimonial deles, como que se os considerassem presos a um só plano incompleto, sem hipóteses de entender a hiper-verdade etérea a pairar nas galerias de quintal que se somam , integrados pela vila fora.
Nós não tinhamos (mais) LSD, mas tinhamos uma substância preta que o costa trouxe do boom festival que até hoje acho que era tinta da china diluída, e fruta podre do norte de áfrica que eu podia ter trazido de casa também. E havia sempre o whisky/vodka no recém aberto pingo doce da calheta, em frente ao hotel da praia, na altura ainda em calhau. Chegamos ao jardim do mar como partimos: sem esperar absolutamente nada do futuro próximo, e à boleia do pai do Claudio, um veterano do ultramar com um familiar leque absurdo de histórias surreais (erm). O navio que o transportava afundou ao largo da costa africana e só sobreviveu porque não combateu a maré; certo dia a caçar com os amigos no poço do bispo viu um disco voador a tentar aterrar numa clareira. E por aí fora. Nunca percebi se o claudio mentia para emular a eloquente vivência paterna ou se havia correlacao genética na utilizacao das hiperboles. Factual foi que nós, a meio desta tarde, aterramos, eloquentemente, no jardim do mar - para ver o campeonato do mundo de surf.
Na altura nunca tinham havido grandes festivais de música na madeira, e bem, em retrospectiva no jardim do mar tava a comoção no ar que é típica dum festival de música. A sensação sólida de que será para todos os efeitos uma noite histórica e falada para várias oportunidades. Os betos e os anti-betos vulgo betos rebeldes vulgo - hoje - morangos, tavam todos lá batidos. As gajas todas que passavamos semana sim semana sim senhor a mirar depravadamente à porta do liceu depois das aulas na industrial tavam naturalmente também lá, já despidas de alma, num modo muito british underage sluts in albufehria. Mas desenvolviam boas como o milho, e nós, contrariamente ao meu primo, todos gostavamos de milho pra caralho, passe a expressão. O Tega em particular tinha problemas, obviamente. O quarto dele nos apartamentos caracas cheirava fortemente a sémen, e não do tipo fresco, mas sémen já com algumas horas/dias de acumulação nos contornos do prepúcio aka queijada. Incrível como o odor fétido transpirava das cuecas e ganga e acabava a pairar no ar morto da câmara de masturbação a que ele chamava "o meu quarto". Dessem-lhe um video da jenna jameson a sacar uma broxada ao peter north ou uma cópia do windows 95 e o gajo jorrava ouro branco incontrolavelmente. Depravado do caralho.
Como dizia, as pitas ricas, que na altura constituiam nossa geração apesar de já atraírem vasta admiração de faixas etárias superiores, tinham vindo claramente para o debroche, embora estando pré programadas para se oferecer em primeira, segunda e terceira hipótese aos surfistas de gabarite intercontinental que já durante a tarde se partiam todos no Joe's bar à procura da resposta para o nada. É claro que sabiamos que haviam mais marés que surfistas e que alguma coisa ia sobrar pra nós, e com um bocado de sorte, pró Tega - flagelado pelo acne por culpa e responsabilidade própria -, mas tavamos lá, acima de tudo, para cagar prás gajas e fazer merda, embora qualquer acção nesse sentido tivesse precisamente o objectivo de impressioná-las. Enfim, um ciclo infinito que se encerrava sobre a obssessão de comer uma gaja que durou mais (anos) para uns do que para outros mas que hoje em dia, volvidos 132 meses me parece que se pode considerar confortavelmente fechado, embora ainda me seja pouco claro o caso do claudio, a menos que tenha pago, isto é.
Entrando pelo desconhecido do beco principal da vilha, ignorada a essência combinada a maresia e primeiros ciclos menstruais que já pairava no ar pelo fim da tarde, chocamos com um peculiar personagem que, pela sua indefinida existência, suponho, tem vindo a seguir uma distribuição discreta no que toca à sua influência na minha vida e - presumo - a dos outros. As suas aparições, como as de virgem maria do catolicismo, para além de constituirem só de si acontecimentos raros e inexplicáveis, profetizam invariavelmente obscuras resoluções a nível local, normalmente carregando notas trágicas que se repercutem com intensidade crescente noite fora e cujo clímax se concretiza, embora em paralelo, com o momento da sua própria desaparição. E eis que, 2 horas e 2 garrafas de vodka depois, o david trindade diz: "os gajos ali no hotel, no único hotel desta merda toda, têm 3 garrafas de whisky. nao metas isto no blog que vais criar em 2008 se faz favor". As smirnoff do pingo doce, compradas horas antes com a conivência displicente do pai do claudio, tavam ja partidas no calhau do jardim do mar, sem respingar nada senão ar pro immer puro atlântico. O joe's bar tava em fase colmeia, e vencer na confusão não era o nosso forte ainda nesta idade, fosse qual fosse o objectivo. Daí que o Trinita tivesse efectivamente razão. 16 anos, nada a perder, só a ganhar: whisky, e histórias, para esquecer. Se fossemos presos tanto melhor, eramos a fruta da época na escola como consequência. Entrei no hotel com o david e não tava ninguém na recepção, e tava escuro. Estranhei mas dei luz verde. Ele entrou e foi atrás do balcão de cócoras. Trouxe 2 garrafas de whisky, rótulo vermelho, e mais importantemente as chaves para uma noite tarantiniana.
Jogamos mais 2 garrafas de whisky, sem respingar nada senão ar, para os seixos da praia, em consêquencia de mais um par de horas hoje indefinidamente passadas. Alguém eco-moralizou acerca da acção. Eu sempre me senti bem em partir garrafas, e nunca falhei a praia à distância dum precipício com vista para o infinito, mas mostrei me sensível às nobres lamentações e pedi desculpa. Prometi ao costa que no outro dia voltava para limpar os cacos, assumia responsabilidade total. 6 anos e uma promessa falhada depois, uma caterpillar, de fabrico americano, removeu os meus cacos do jardim do mar, inchados de sol e sal, testemunhas durante mais algumas centenas de anos daquela inebriação pontual nossa, mas mais tristemente da inebriação permanente dum capitalismo intratável que insiste em destruir caminhos simples para a felicidade. o jardim do mar ainda existe em 2010, mas já não há jardim do mar nele.
E como o capitalismo, as noites, pelo menos as minhas, são um comboio, uma locomotiva que desbrava a escuridão da sobriedade na sôfrega ansia de consumir mais alcóol. Talvez torne tudo ainda melhor, o próximo copo. Talvez depois deste whisky eu ache mais piada a esta merda toda, talvez ria das piadas do gonçalo ou ignore a penca da natacha. Há dias o Erol, um turco muçulmano que nunca tocou em alcóol na vida, decidiu, numa hipocrisia típica de quem está no topo dum pedestal meramente circunstancial, remeter o hábito alcóolico dos infieis para o patamar de colmatação de uma deficiência étnica/pessoal. Fê-lo de forma relativamente pacífica mas tão ingénua como insolente: "I don't drink because i am a muslim, but also because i don't feel the need. I don't need to drink to make myself more interesting to other people".
Eu não gosto do gajo. Em suma: é puto, gabarolas e turco, o que é um contra senso porque eu curto o cabeças. Mas respondi no espírito de alguém desprendido a opiniões ou juízos de valor: "Man, i drink a lot, but the thing is, i don't drink to make myself interesting, i drink to make the other people, and everything else, more interesting". Não sei se ele percebeu, mas não respondeu de volta, só sorriu. Inteligente, para um turco.
No Joe's bar, uma década antes, as coisas tavam já interessantes às 2 da manhã. Aliás todo o bar era um complexo de interesses, na fase da noite em que os complexos de interesses se desenlaçam em rápida sucessão como peças dum dominó carnal cuidadosamente montado nas horas antecedentes. E se o jogo era dominó eu e o tega eramos duques de paus e copas, inaptos à sobrevivência no ambiente. Paramos à porta do bar, no beco semi escuro, cheiro forte a xamon-rá, gajos altos de cabelo louro, dos filmes da california. Mas eram australianos, neo zelandeses, ya alguns americanos. Um sul africano, que liderava a prova à entrada para o último dia, de rastas. O flea lá a bombar, um gajo porreiro, normal, relaxado, trocamos uma cerveja, chegou um neo zelandes, acabo a falar com ele bilateralmente.
"My surf board was made by rabbits, back in new zealand." eu era puto, parecia-me que tava a gozar comigo, mas o intuito podia ser benigno, hoje seria diferente - o que anos em lisboa fazem aos reflexos sociais. Continua - "Yeah man, rabbits make my surf boards, they work on it all year long... but i don't like them... let's kill some rabbits". Trau, despeja-me a coral directamente sobre a cabeça.
Não percebi, até hoje, o que se passou - porquê, com que propósito. Ninguém riu, ficamos todos a olhar uns para os outros, não carregava ónus humorístico nenhum, nem de agressividade. Foi um acontecimento quasi-aleatório, tal como o é a sequência de boas e más ondas num qualquer litoral do mundo. Algumas podem-se apanhar, outras não. Optei pela inexistência, retirei-me para dentro do bar convencido de que os surfers, se pacíficos, agem de forma dúbia, e se relaxados, precisam de ser menos individualistas.
O joe's bar, por dentro, tinha a seguinte descrição: era um bar de surfers, para resposta curta. Para resposta maior e divagável, as sacramentais pranchas de surf com stickers de marcas míticas da indústria fundamentalmente anti capitalista que se baseia num modelo de negocios estritamente capitalista dividiam-se com bandeiras de proto-países ou regimes de extrema esquerda, os habituais trofeus frívolos daquela casta superior de pseudo liberais revivalistas que têm no querido líder o intérdito paradoxo último da Doutrina Falhada. Uma filial da incontável confederação de museus de contradições espalhadas pelo mundo. O franchising do Che. Ele não teria gostado, camaradas...
Ao fundo da filial, por baixo da bandeira de "canárias independente", havia uma mesa redonda, com espaço para 10 pessoas praí. Tava lá uma miúda sentada, de 15 anos, a maria trueva, na altura bué gira, hoje não sei mas posso ir ver ao facebook, depois vou. A maria trueva, no ano anterior, na festa de aniversário dos 14 anos da minha irmã, tava em fuego por mim. Eu aos 14 anos da minha irma era do karting e gozei de sucesso abrupto junto às menininhas no tempo que compreendeu rigorosamente a altura em que entrei para o karting e a altura em que saí, 2 anos e um motor rotax roubado pelo meu mecânico depois, esse filha da puta do ricardo pita. No jardim do mar eu já não era do karting, porque tinha preferido um computador novo que o meu pai só me deu passados alguns anos - por estratégia educativa. E com isso agora nem computador nem karting nem gajas. quem tudo perde tudo quer e o alcóol compreendia-me. vodka limao Joe. ah ya e outra pro tega.
sento-me à mesa com o tega, na mesa da maria, a conversar sobre merdas. Irrelevante. Ela brilhava, era cativante, apetecia-me lhe beijar os olhos azuis ávidos, com uma permanente urgência escrita sobre eles. "Quero viver - o mais rápido possível-, quero sentir tudo já". Eu respondia aos olhos dela - o que queres dizer com "tudo"? Não tinha andamento, fui à casa de banho me olhar ao espelho e pensar na função audácia versus humilhação. Volto convencido de que não devia existir, e de repente, de forma incorrelacionada, ela bate com as mãos na mesa e anuncia/pergunta a todo o auditório - "quem é que quer foder comigo?". Ela, que há um ano tava louca ao ponto da minha irmã perguntar se dava para alguma coisa comigo, preferia sexo aleatório do que se entregar ao meu. Fiquei deprimido e fui me embora à procura do david para lhe exigir o 3º segredo da noite. Perdi tanto a trueva como a sua oferta de vista. O tega, entusiasmado, ficou lá na luta venusiana.
o David tava a passar no beco a caminho da praia justamente quando bazava do bar, uma ocasião-ode à sua condicao existencial de fantasma. Fomos ao precipício desta vez sem bebidas mas com outra maria e devemos ter falado das cenas que se fala quando tamos destruídos e inspirados pelo mistério do horizonte negro directamente em frente. Achei um momento propício a qualquer coisa importante acontecer e lembrei me de suicídio duplo, em memória das tendências da eli na altura. Ele sorriu, o que me assustou. Disse lhe pra irmos tomar outro copo, o last for the road.
Do miradouro da praia ao Joe's bar viaja-se num único beco infinito, o beco principal da vilha. Do beco principal do jardim do mar ramificam vários outros becos, penso que também infinitos, mas topologicamente menos significativos. Nalguns becos transversais sexo, e o sinal de que tudo estava mal: eu no beco principal e a imagem do sexo dos transversais, talvez por causa das vertigens do alcóol, pareciam me estar a descair para a profundidade infinita do beco - aquilo não é a maria trueva?
A maria tava a meio caminho para o infinito do beco, portanto perfeitamente identificável, mas, como com as marias dos outros becos, a imagem dela descaía para trás. Quando piscava os olhos o meu cérebro fazia o rewind e ela voltava à posição inicial, com um gajo que nao era o tega de certeza. Onde é que tava o tega? - "Maria, onde é que ta o tega?". Ela tava a olhar pra mim e a sorrir já, não interrompi nada. E não interrompi mesmo, a dinâmica a meio corpo manteve-se e ela respondeu, ainda sorrindo, "não sei, acho que ele passou pra baixo há pedacinho"
OK, obrigado, té logo. David baza procurar o tega, ele deve tar de rastos e perdido, com sorte esquartejado e livre da miséria em que insiste em se banhar. A maria ficou lá a dar mais direções, com o outro gajo que não sei quem é, se calhar foram todos os que tavam na mesa. Menos o tega, ele tava na praceta principal do jardim do mar, com o claudio - "O meu pai ja tá a chegar" -, o costa, o danny, a sensação de reunião depois duma patrulha por equipas no meio do mato em cabinda. o David desapareceu, sublimou-se outra vez, em paralelo à linha de acontecimentos.
Chega um opel corsa preto dos "antigos", é melhor o tega ir do lado da janela mas as janelas atrás so entreabrem, são daquelas "antigas". Claudio mete o fat of the land dos prodigy.
1-2-3-uuuuuuuuuOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH tsh tsh fzt fzt fzt TAN TAN TAN TARAN TAN TAN *breakbeat industrial* DAMAGE DESTRUCTOR, CROWD DISRUPTER, YOUTH CORRUPTER, EVERYTIMERRRRR - YEAH, DAMAGE DESTRUCTOR, CROWD DISRUPTER, MAINLINER, EVERYTIMER - TASTE ME, TASTE ME, SUCCUMB TO ME, SUCCUMB TO ME - SERIAL THRILLA, SERIOUS KILLAH, SERIAL KILLAH, SERIOUS KILLAH
o tega vomita para as mãos e deita fora pela janela do claudio, o danny curte o som como se tivesse dentro duma bolha consciencial inacessível a qualquer um de nós, o costa verbaliza em repetição inquietante a opinião de que o liam howlett é uma metáfora techno-industrial do beethoven, o claudio interioriza e sintetiza toda a noite em mute, o pai do claudio ri com uma inconsciencia macabra, e eu quero tar nisto assim pra sempre.
a 11 de agosto de 1999 o mundo não acabou, ou pelo menos neste universo paralelo. E eu continuei a ser um triste ate à data mas fiquei com o benefício da perspectiva de vida, em todas as decisões erradas que tomo.
É a 23 de dezembro de 2012 não é?






