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| não é o poster original mas ao menos assim não serve de spoiler e ninguém consegue descobrir onde/quando decorre of filme |
eu ehhh... eh.... eu já sabia do stanley kubrick antes, mas mesmo muito antes de toda a gente. Lembrava-me sempre cubos e laranjas por razões diferentes. É dos meus realizadores preferidos apesar de só ter visto um filme até hoje. Hoje passei a ter visto dois porque vi o 2001: odisseia no espaço: já o tinha visto parcialmente em 8 ocasiões diferentes: é um desafio permanecer acordado a meia hora inicial a bombar strauss sobre imagens de macacos a fazer macacadas de rotina no deserto do arizona. nota ao próprio: levantar um AMA request no reddit a pedir um dos actores dentro daqueles fatos de macaco pra lhe perguntar se o gajo que levou o malhão dos outros "macacos" com os ossos morreu de verdade porque: tenho quase a certeza que sim: mas que malhão.
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| como eu disse, macacos a fazer macacadas no deserto do arizona |
De princípio, em retrospectiva, posso adiantar que existem basicamente dois padrões transversais a ambos os filmes: 1. acho que o kubrick curtia com o futuro, nos anos 60/70 2. acho que o kubrick curte música clássica.
O livro - que li há 16 anos atrás-, é bastante explícito, mas o filme basicamente gravita em torno do facto de que escritores e argumentistas "geniais" só se podem expressar através de alegorias. Em 1968 vivia-se um ano em que o tema central foi muito provavelmente a guerra de exploração espacial ameroviética - até ao benfica chegar à final da taça dos campeões com o united, isto é. O Kubrick, ciente de que o succeso do filme passaria pela projeção alegórica do busilis filosófico da criação artística num plano que garantisse retorno comercial, tinha a opção de demonstrar a iminência da passagem da civilização a um estágio evolucional seguinte ou através do futebol ou através duma peça cinematográfica quase não verbal, quase estática e quase satírica vista 43 anos depois. O que acontece é que eu sendo crítico de cinema sei me distanciar de considerações anacrónicas. A merda é que não faço ideia do que seria inovador em 1968. Vou assumir que as partes de merda do filme na altura eram do caralho pela plasticidade geral e pioneirismo estético. Hoje em dia todos nós crescemos com imagens da discovery em órbita com astronautas em câmera lenta a arranjar merdas fora da nave pelo que a um ADD as fases sem diálogo do filme sente-se como uma máquina de tortura medieval.
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| esta imagem só se percebe o contexto no próximo parágrafo |
Como já disse a história começa com macacos. Nisto a meio dum dia particularmente rotineiro no deserto do arizona há um que se lembra de pegar num osso e partir tudo à volta à medida que ouvia strauss, inclusivamente ganhando confrontos com um grupo de macacos adversário sobre um depósito de recursos essenciais à vida (água - paralelismo com as guerras petrolíferas d'hoje - diferentes grupos de primatas sempre lutam por recursos, e o corolário é que a moral é uma invenção exclusiva humana) - o kubrick tá a dizer que o macaco tá à beira dum salto evolucional para homo habilis porque começa a usar ferramentas. Nessa noite um monolito preto aparece à porta da caverna deste macaco, como é hábito numa noite normal da vida dum macaco. Foram os aliens que meteram aquilo lá, apesar do stanley nunca querer dar isso a perceber de forma directa. Eles vão ajudar os macacos a passar pró próximo estágio de evolução porque caso contrário sozinhos vão se perder na luta pelos poucos charcos no deserto do arizona. Neste caso, do ponto de vista antrobiosófico, o macaco/ser humano ACEITOU o seu papel de produto de criação de forma natural, porque não sabe mais - como prémio pela sua pronta e ingénua diligência existencial, vai evoluir.
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| é isto um monolito preto (o paralelepípedo à esquerda) |
Depois há um salto para a era futura da altura (presume-se 2001) que é representada por 1 hora e tal de imagens da estação espacial internacional e product placements. Nisto descobre-se outro monolito na lua. O kubrick quer nos dizer que tamos na iminência de passar a uma nova era outra vez. A verdade é que passados 43 anos acho que ele tem razão. De qualquer forma o resto é irrelevante, são imagens estáticas com 97% do ecrã preto, alguns focos de luz, imagens do deserto do arizona em diferentes contrastes para parecer a lua e outros planetas até vir a parte interessante do filme.
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| note-se o súbtil posicionamento de "hilton" no balcão de atendimento da estação espacial internacional |
2 gajos vão numa nave espacial a caminho de júpiter, porque de certeza em 2001 já iamos tar a mandar missões tripuladas a júpiter. A nave tem um sistema nervoso central que é interpretado por um computador mega inteligente de boa conversa, análise "sensorial" imaculada e aparente orgulho no seu estatuto - o que leva o observador a levantar bué da dúvidas: o que é a inteligência artificial?/implicará a inteligência artifical a posse de "consciência"?/o que faz um ser "consciente"?/serão as plantas "conscientes"?/seremos "computadores" mas feitos de materiais "orgânicos"/ terá a inteligência artifical humor/ será a capacidade de reconhecer humor o elemento distintivo entre inteligência artificial e inteligência humana? serão os autistas inteligência artificial? será que um autista se pode apaixonar por um disco rígido ou uma calculadora? será que um autista se pode apaixonar? "etc".
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| a inteligência artificial no futuro ano de 2001 (HAL 9000) - note-se a semelhança com o cíclope da odisseia de homero |
O computador às tantas a meio da missão passa-se de forma passiva agressiva por uma razão que só é conhecida a quem ler o livro e que já não me lembro. Nisto começa a fazer jogos psicológicos com os tripulantes inclusivamente sabotando a missão. Isto pra desagrado irreversível do visualizador de tela culmina com o assassinato, por negligência activa, de 4 dos 5 tripulantes. Isto levanta bué dúvidas: serão todos os seres demasiado inteligentes tentados a se desviar do seu "propósito"? Será isto um mero corolário da teoria do caos? tarão os ignorantes restritos a condições tão particulares e específicas de funcionamento que constituem um sistema isolado e logo desconexos da hipótese caos em sistema aberto aka o universo (em sentido lato e figurativo, metafórico (domínio da informação) e literal)? será que isto explica formalmente o facto de serem em média mais felizes (tipo não têm grandes perturbações ao estado fundamental)? será que o pessoa já sabia destas merdas? rewind: em qual será o balanço óptimo para dotar uma máquina de inteligência sem precipitá-la para considerações filosóficas acerca de si própria e consequente repulsa premeditada à sua função?
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| "(8) esta vida de astronauta, tá a dar cabo de mim (8)" - o gajo eventualmente final já tá a ver aqui as coisas mal paradas - nunca é fácil lidar com crises existenciais , particularmente com máquinas (como se dá um prozac a uma máquina? - por USB, claro) |
Menção honrosa totalmente irrelevante aqui ao Portal que consegue pegar na personalidade do HAL, o computador da nave, e multiplicá-la por genialidade quadrática recursiva. obrigado valve para sempre.
O que é que acontece neste cenário: o argumento posiciona-nos outra vez no confronto evolução humana contra um desafio qualquer. O humano evolui em exôdo espacial e confronta-se com a sua própria invenção: a sua tentativa de projeção intelectual numa máquina que acaba a sofrer das mesmas crises existenciais que ele próprio. Kubrick 1: a agonia e deriva existencial é transversal a todos os seres verdadeiramente inteligentes. Kubrick 2: deverá o homem renunciar ao seu papel de criador, por manifesta incompetência técnica, incompreensão filosófica ou imoral teológica? Kubrick 3: vamos ser aniquilados por computadores, mas de certeza caralho.
O computador fica 1on1 com o gajo final e dá-se uma luta mais ou menos dramática mais ou menos épica. O gajo final eventualmente consegue entrar na cabeça do computador que é tipo uma sala paralelipípeda com bué circuitos a fazer lembrar o descent 2. Nisto o computador morre a dizer cenas aleatórias, como quem começa a ter esguichos neuronais e acessos à memória aleatórios, até acabar por dizer as palavras de introdução do programa - somos nós a morrer e antes de morrermos se calhar sacamos a memória mais fundamental e primitiva, porque é assim que regressamos ao ponto espiritual primordial para depois irmos ao tribunal da verdade a ser avaliados pela nossa vida segundo o que li na bíblia, corão, tora e o tibetan book of the dead, que vieram todos do hinduismo digam o que disserem.
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| dentro duma inteligência artificial |
quando o gajo fica bué feliz mas meio reticente porque afinal de contas tá a chegar a júpiter e o sistema nevrálgico da nave tá em morte cerebral, eis que aparece um monolito preto a voar a meio do espaço na direção da nave. À primeira vista é difícil de ver por causa do preto do universo, mas depois apercebe-se que é o oj simpson às cambalhotas. Consideração interessante que tive e que nunca tinha pensado antes: se um gajo é jogado duma nave pró espaço a rodopiar, nunca na vida vai parar a menos que leve com um asteroide na cabeça ou entre na atmosfera dum planeta. Agora repara tares a tentar parar de rodopiar e não consegues e depois a ficar bué mal disposto até vomitares dentro do capacete. Nota a mim próprio: fazer um AMA request no reddit a pedir um astronauta ou ex-astronauta só pra perguntar se já vomitaram ou sabes de alguém que vomitou dentro do capacete.
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| irrelevante |
o oj simpson vem na direção da nave e a nave é engolida. Segue-se uma série de efeitos de luz que na melhor das hipóteses tão ao nível daqueles visualizadores de sons que vêm no winamp.
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| winamp party mode |
10 minutos disso e FILHA DA PUTA A MELHOR PARTE DO FILME E QUE ME FEZ DAR 4 ESTRELAS A ESTA MERDA. O gajo final, que tava numa cápsula, acorda sentado dentro da cápsula dentro duma sala quase maçónica (chão mosaico branco, paredes da sala em veludo vermelho, candelabros em ouro e quadros de figuras aristocráticas nas paredes) - à sua frente, de pé, tá ele próprio mas mais velho (foda-se).
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| pai és tu ou sou eu? |
No próximo plano, como se nada se tivesse passado no plano anterior - sem mudança de melodia ou ritmo da música (aliás tá silêncio este tempo todo, o que ainda é mais genial)-, o gajo final mais velho vira-se para trás e vai para outra sala. O canto da sala onde a cápsula tava, tá agora vazio. Ele entra na sala ao lado, que é um quarto de dormir, e tá lá ele ainda mais velho, sozinho, sentado numa mesa, a comer metódica e morosamente a sua refeição. A cama tá vazia. Ele ao olhar pra trás deita o copo no chão, que parte. Passa para o próximo plano. O mais novo da cena desaparece, o que tava a jantar olha para o chão para ver o copo, quando olha pra cima tá ele na cama quase a morrer.
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| a morte a 3 planos finalizada |
Desaparece tudo, aparece um bébé a voar no espaço, é a nova humanidade, a que germina dos progressos fundamentais desta (inteligência artificial, exploração espacial) - paralelismo com o homo habilis vindo dos macacos etc etc etc etcetcetcetcetcetcetcetcetcetcetcetctttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt
os extra-terrestres/deus/allah/vishnu/buddah fizeram-nos passar de macacos a homo habilis, e depois, de filhos da terra para filhos das estrelas. eles ganham o jogo, nós empatamos e ainda temos a segunda mão, as máquinas perderam. A humanidade reencarna a cada morte mas o processo cíclico de evolução, de cada estágio evoluacional, é sempre paralelo ao anterior - e as dificuldades análogas. O existencialismo é a raíz fundamental para todas as dúvidas filosóficas e é possivelmente extensível à inteligência artificial.
boa kubricko. 4 estrelas porque já vão 43 anos, e não digas que vais daqui.
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| este gajo morre no fim porque os ETs/inserir_deus foderam a humanidade mas não usaram método contracetivo, e o aborto é legal em portugal |
*Vou te dar outra oportunidade com o doutor estranhamor.