Noite Típica de Sábado (
NTS) Numa Qualquer Boite de Lisbonera Stadt (
NQBLS): às 2 e meia da matina já me passaram pela mão pracima DKnhentos (
500) copos, já me abordaram cerca de 0,2 mulheres (é A Minha Média Apensa à Variável Aleatória Típica Noite de Sábado -
AMMAVANTS) e já tive pra Comer Nos Cornos (
CNC) mas fui salvo por Amigos que Não Bebem Absinto (
ANBAs) B vezes sendo B o número de bares em que a minha presença já foi tolerada durante Essa Noite (
EN).
A única diferença é que:
|- desta vez os 500 copos estavam desprovidos de Absinto, Whisky, Vodka (
A,W,V) ou arranjos com repetição entre
A,W,V - e algumas vezes já vinham partidos por defeito;
/- as 0,2 mulheres que me abordaram eram na realidade mulheroides de profissão cabeleireira ou mulheres de jogadores de futebol do belenenses/estrela (passe a redundância) em contraposição às habituais 0,2 erasmus espanholas gordas de valladolid que sobraram do desequilíbrio demográfico intergéneros, no jantar do referido programa académico de intercâmbio sexual dessa
NTS;
-- ao invés de quase
CNC da espanhola por sugerir que a única hipótese seria ela me deixar meter o meu "da" em "espanhola" e ser salvo por um
ANBA que a acabou por foder em compensação (obrigado valente x20), não consigo inventar nenhuma merda para contrapor - e tou farto deste parágrafo totalmente irrelevante à história. Ah e esta noite eu próprio era um
ANBA, porque tava a trabalhar
NQBLS que não o lux (não tenho estofo estético/artístico/sexual) nem o lábios de vinho (n sou fufa, porque não posso, porque se fosse gaja, continuava a gostar de gajas e o meu sonho era trabalhar
NQBLS como o lábios de vinho) nem o jamaica (n tenho classe). é outro. eu dou pistas mais prá frente, sem querer.
assim encontrava-me no habitual frenesim robótico de Search, Carry & Wash (
SCW) de copos, e às 2 e meia da matina, em total hora de ponta (de ocupação, refiro-me), oiço uma voz na minha cabeça que me solicita "pedro, depois vai dar ali um jeitinho à cabine meter um som". digo que oiço uma voz porque nem tive tempo de retorquir, nos cerca de 6 décimos de segundo que demorei a apreender, processar e reagir, a fonte física da voz já tinha desaparecido por entre a multidão em êxtase, que danceflooreava - colectivamente ébria - ao som dum aparente medley das mais pirosas melodias brasileiras com eternos êxitos tugas cada um evocando-me a memória de uma diferente época em que o benfica não foi campeão com 92% de probabilidade. assim, mistificado pelas razões que levaram a que se consumasse esse facto ignoro os 100 copos por arrumar, os 100 por recolher - incluindo 20 a 30 em situações precárias de rendição total à gravidade -, os 10 jarros para lavar, a taça do gelo sem gelo, os cerca de 10 clientes que me vao perguntar que tipos de poncha há antes de me pedirem "aquela de laranja", justamente a que eu não referi porque não existe, e a pita de 17 anos que não sai da zona do balcão em frente ao lavatório por tar a tentar-me seduzir com o intuito de obter shots à pala mais tarde/até e ao longo do mais tarde se possível. dirigo-me ao meu omnisapiente patrão instead.
dou dois passos relativamente à posição inicial em que me encontrava e segredo-lhe ao ouvido "porquê artur jorge? mas porquê?" e ele responde bravamente "duas palavras ligadas por um infant: maçon-aria". tudo fazia sentido daqui a 15 anos, em 1994 mas por agora preocupava-me mais com outra questão que subliminarmente me vinha a causar prurido emocional nos vastos 20 segundos anteriores: "ehm... presumo que tenha sido o gonçalo, o DJ - mas não tive tempo de estabelecer contacto visual... ele disse-me para tomar as rédeas da cabine sonora... mas eu não tenho conhecimento técnico/musical nem solidez emocional para operar um sistema sonoro
NQBLS.. a isto chamo proposição subtil a Linchamento Público (
LP)... ". foi nesta altura que o meu superior hierarquico - e dono da boite - procedeu a explanar toda a sua ambivalência: para além de ser superiormente dotado na gestão de pessoal, promoção do espaço e preparação de substâncias doces e amareladas, era um filósofo e motivador por natureza. iluminou-me a alma num discurso adornado pela mais lírica prosa verbal desde o 282º romance intelectualmente estéril (em 282 tentativas) da margarida rebelo pinto: - "pedro... não sei.. se ele disse isso... olha, faz o teu melhor, vê o que podes fazer..."
respondo na mesma moeda - "mas oiça eu não faço a mínima ideia de como mexer naquele caralho... não é melhor meter outra pessoa?"
precipitação clímakstica para o âmago filosófico - "hôm se ele disse q'era p'ra ires, vai tu... faz o que puderes.. olha se der merda, deu.."
assim fui mais descansado para a cabine do DJ, sabendo que se desse merda e todas as 100 pessoas lá dentro subitamente dedicassem a sua atenção total e simultânea a mim, saberia que, apesar dos apupos, insultos e a deprimente visão de pessoas a abandonar o estabelecimento por minha exclusiva responsabilidade - o acidentalmente indigitado DJ -, pelo menos tinha dado o meu melhor, e por esse prisma teria coleccionado mais uma vitória moral na minha vida e assim ultrapassado o paulo bento outra vez na lista do guiness world records para vitórias morais na categoria das pessoas com inexplicável infinidade de crédito apesar de fracassarem sistematicamente.
é então com esta considerável inércia moral que chego à cabine. ignoro os decks de vinyl e os
LPs, é melhor que não hajam
LPs à mistura por razões óbvias - a menos que seja útil dalguma forma os lavar e secar, processo que domino por esta altura, independentemente do objecto sobre o qual é aplicado. inspecciono o computador: à primeira vista dada a dimensão e complexidade visual do mesmo parecia controlar toda a maquinaria audio-visual daquela boite e possivelmente da peninsula ibérica inteira. procurei o botão que destruia espanha e o nacional da madeira em vão antes de dar uma rápida mirada para a pista de dança, reparando no processo na espectacularmente clara perspectiva que tinha sobre todo o espaço e - concluo resignado - que todo o espaço tinha sobre mim. volto ao botão do nacional da madeira mas perco-me numa (outra) visão alarmante - por entre todo o tipo de informação criptográfica disposta no ecrã sobre a forma dum programa profissional para DJs há um sinal decifrável: há uma contagem decrescente (digo isto porque do 28 passava pro 27 e do 27 pro 26 - cheguei à conclusão de que seria uma contagem decrescente pelo método de indução, que aprendi em 2001 na FCUL, quando estava a tirar educação física mas sem a educação), que imagino, esteja associada ao terminus da faixa a tocar. 3:26. tenho 3 minutos e 26 pra salvar o mundo, mas mesmo que arranje a solução antes vou esperar até ao último segundo a mamar um martini como nos filmes do missão impossível porque tenho um fetiche pra mimicar o pearce brochenan. e tenho que arranjar uns fios verdes e vermelhos pra fingir que tou a cortar ou merda assim - as palhas das caipirinhas dão na boa. fantasias isotéricas àparte tento não clickar em nenhum botão do programa complexo pra DJs e rezo a katsouranis para que o computador tenha RAM suficiente para não brekar qdo carregar no botão do menu iniciar. faço uma procura *.mp3 e obtenho pastas com diversos mp3s, como pretendido. abro o winamp e rezo outra vez (é uma religião em vias de extinção). onde estao os mp3s dos xutos - uma aposta segura até 2250 para o público português? encontro o contentores, drag & drop pra playlist do winamp, buraka som sistema - kalemba (da moda há 12 meses para o resto do mundo conhecido - novidade para os trintões habitués daquela boite), drag & drop, os hits brasileiros - daniela mercury (pra perceber quais as cotas que já tão (prontas pras) mamadas), banda eva (oportunidade de dança a dois), mc marcinho (oportunidade de orgia colectiva), d. pedro IV e josé dominguez (pt's finest exports) tudo drag & drop. tenho 120 horas de música das quais 110 horas são discursos do d. pedro IV a abdicar de merdas e 8 sons de fintas desnecessárias do dominguez, deve dar para o que der e vier, contas feitas tou preparado para um after hours de 118 houras e meia, se necessário. sinto-me confiante.
tal como planeado espero que a love generation toque até aos segundos finais... 5..4...3...2...1.. DJ Dekay em acção: double click na música nº1 na playlist do winamp, gnr-contentores. timing perfeito. colaboração afectiva do sistema sonoro computadorizado. verbalização unissónica das lyrics por parte das cabeleireiras e dos vendedores de carros/dealers. aclamação pública indirecta do DJ. alívio pessoal e intransmissível. patenteamento de método pioneiro de DJing. Drag & Drop/Double Click (
DD/DC) powered by winamp. pensamentos subversivos de abandono de estudos e dedicação a carreira electro-musical. retorno inesperado do verdadeiro DJ. despertar.
- "foda-se obrigadão, tava mesmo à rasca..."
- "ah na boa... foi na boa, mas onde é que foste?"
- "homem, tava com bué cólicas, mas não curto cagar aqui, tive de ir a casa.."
de volta aos copos vazios e partidos. às erasmus espanholas. à outra cena que não consegui contrapor. e tenho 9 cadeiras pra fazer. filha da puta, tive quase a conseguir o meu break...