Porque já li a internet toda e ainda tenho mais meia hora pra procrastinar vou contar uma história baseada numa história fictícia ().
Um dia não apareço ao trabalho os primeiros 3 dias da semana porque vou apostar as 20h cerimoniais nos últimos 2 mas que depois na quarta decido que a vida é \____/ (um recipiente) e que o preenches ou com º\o/º (água) ou com oOo'''/oOo_____|8|_____oOo\'''oOo (sonhos). Imagina que penso assim: os sonhos parece que nunca cabem no recipiente, são tão grandes e compridos e a água é necessária à sobrevivência, como faço? E lembro-me: se há uma merda que aprendi da análise matemática é que qualquer quantidade discreta ou contínua limitada ou ilimitada pode ser dividida numa infinidade de partes de tamanhos arbitrários. Depois penso fogo não há nada que não seja ou limitado ou ilimitado, e então os sonhos pertencendo indefinidamente a um dos conjuntos, podem com toda a certeza ser divididos em partes de tamanhos arbitrários. E EU DECIDO: VOU DISTILAR SONHOS AO LONGO DA VIDA EM VEZ DE TENTAR SEGUIR UM ÚNICO QUE REQUIRA UM INVESTIMENTO DESMESURADO AO LONGO DUM PERÍODO ALARGADO DE TEMPO EM QUE EM PARALELO AS MINHAS ESPECIFICAÇÕES FÍSICAS E MENTAIS SE DETERIORAM. E depois digo que que sa foda eu vou à oktoberfest este fim de semana sim ou sim e faço mitfahrgelegenheit com efeito imediato.
Na sequência desta decisão largamente ponderada eu tenho de me encontrar com um gajo que só fala alemão às imediações de Berlim, numa bomba de gasolina da ural, e acabo a chegar 15 minutos atrasado e sem telefone o que em conversão para o fuso horário da etiqueta alemã dá 3 horas portuguesas. Depois uma carrinha de 9 lugares com os vidros fumados aproxima-se de mim e pergunta do que é que eu tou à procura e eu digo "procuro dividir os meus sonhos em micro-etapas de concretização pessoal". E ele deduz, "vais para munique, não é"? E eu digo para uma plateia imaginária "este gajo percebe-me" mas NVR digo "já" mas lido em alemão e sem acento. Imagina que a porta da carrinha se abre sozinha e que eu salto para o único lugar disponível, e que os outros 8 ocupantes inspecionam-me como se dum mísero imigrante duma etnia a condescender me tratasse.
Já fui embora várias vezes de Berlim, se bem me lembro, qualquer coisa como 37 vezes em 3 anos, 38 com esta, e 39 com a última a um sítio que na altura em que escrevo isto vou fingir que ainda não fui porque caso contrário pode sugerir que isto não foi escrito à kerouac. bop bop pob. Cada vez que vou embora sou remetido para a minha partida de Lisboa, a última antes das outras todas que não foram a partir da cidade em que residia. Porque é que sou remetido para essa viagem? Porque ainda tou lá, eu ainda tou em tour, ou em detour, do ano referência de 2008, e tudo ainda é medido nessa escala. Em termos do que à física da topologia das decisões de vida concerne, eu estou no limite da elasticidade dessa escolha, a escolha de estar a prolongar a responsabilidade de prioritizar a vida e o desenvolvimento humano antes do meramente funcional.
Nesta carrinha houveram várias fases e graus de divagação. A primeira sempre a que me vejo refém inicialmente - porque como ox outrx todx, sou um gajo com uns circuitos standard muito bem definidos ao nível da superficialidade. Há gajas boas: 3/3 são 8/10 would bang. 4chan - lembro-me das redes sociais e de como os putos dominam as tendências sociais de vanguarda, porque têm tempo, espaço e resultado para drenarem energia em direções e sentidos originais. out of da box e a importância do pensamento lateral mesmo na resolução criativa de problemas de carácter analítico. Como se desenvolver pessoalmente no sentido de se criar uma máquina hiper-produtiva, tudo-conquistadora, multi-disciplinar, multi-tarefa, altamente empática e activa nos tempos livres, ao mesmo tempo que protagonista principal em episódios redundantes de aparente [Editado: aparentemente para aparente] devastação racional. Como não render a vida às motivações latas ao trabalho.
Como gerir o tempo? 24 horas por dia são 48 horas menos do que aquilo que seria adequado ao que quero fazer. 25 horas é o ciclo diário dum humano alienado da luz solar, sincronizado com o período de rotação de Marte. Porquê? A importância de citações em alegações, a leniência na confirmação de factos, a sobre-dependência na consulta de factos na rede infinita de informação. A adaptação do cérebro ao que 'e mais útil de se lembrar evolucionariamente' - o favorecimento na memorização dos sítios onde se pode encontrar informação sobre a informação em si. Porque é que estamos em Jena? Onde o Robert Enke nasceu, onde as lentes carl-zeiss são produzidas, onde [Editado: typo] ocorre a maior agregação de NSUs do Alemanha, firmemente encaminhada para um período reiterativo da intolerância e xenofobia que caracterizaram a história do país. Que cidade de merda. O enke explicado mas lentes não percebo ainda.
O gajo precisa de ajuda a carregar umas merdas para um sítio qualquer. Saimos dois ou três, tenho zero paxorra pra falar com alguém, porque o contentamento e a actividade social podem ser adiados, não é necessário ser agora, não preciso de ser feliz e proactivo agora, vai dar muito trabalho aguentar a máscara e tou exausto, vamos adiar a vida por enquanto. Mas carregar merdas é na boa, não é preciso falar e é sempre recompensador ajudar alguém em troca de nada. Em troca de nada porque os 20€ que lhe vou dar foram estipulados como comodidade suficiente para pagamento dum serviço, não nos devemos nada um ao outro, tudo o resto é bónus e certidões de humanidade e empatia. É muito mais fácil ajudar do que emular empatia.
-/-
O problema da empatia, o problema do riso e o problema da felicidade são semelhantes, e para além disso mas independentemente disso, provavelmente, altamente correlacionados. A intenção no sentido de qualquer um deles constitui *invariavelmente* uma barreira implícita à sua realização. E se concentrar na maneira como se olha nos olhos dos outros, e se concentrar na forma como respiramos ou jogamos à bola - são tudo garantias de disfunção. Há ações e comportamentos sobre os quais a nossa intervenção consciente, seja isso o que for, - quer seja a perspectiva metafísica da alma para o palco da vida real ou o auto-reconhecimento paradoxal em loop infinito que descreve o hofstadter, desenha o escher e compõe o bach -, oblitera. E a auto-crítica ardente e descontrolada encarrega-se de liquidificar o reconhimento de legitimidade humana inerente à manutenção dum ego sustentável. Nunca parei, apesar das minhas mais honestas tentativas (explícitas, verbais) em contra, de querer acreditar na cadeia de feedback social que caracterizou toda a minha vida. O meu ego nunca cresceu alto mas ao invés inflou-se e flutuou alto, sempre em forma embrionária, microscópica, com um estrutura demasiado frágil para ser auto-suficiente a estas alturas. Agora a atmosfera não é etérea, agora os elementos que me sustentam estão esgotados. Ego, precisa-se - olhe, desculpe, só uma perguntinha: com'aks defende?
-/-
Subimos as escadas dum prédio cinzento de 3 andares, decrépito, frio e crú. Um alemão louro frisado de 1,90, figura franzina, olhos glaciais e fato de treino azul-marinho da asics abre a porta. É uma cena de manual dum filme 'sobre a vida depois do muro', na depressão da alemanha de leste reunificada dos 90s. Roupas no chão, garrafas de cerveja em todos os cantos, colchões espalhados pelos corredores e um preservativo usado em cima duma cadeira. É uma casa de estudantes, "só pode ser" penso eu, reconfortado pela segurança que um vulgar dia de semana me dava nesta assunção. Ou isso ou eu sobrestimei a minha capacidade de compreensão das diferentes etapas da vida. Há etapas ou não há? Viver em Jena nestas condições a maioria da vida.. não sei. Talvez seja preciso muito pouco para se ser feliz. Ou talvez esse muito pouco seja muito pouco quando enumerado, talvez seja um muito pouco altamente qualitativo. Mas devem ser estudantes.
(Tou sem fôlego por causa que: sais de banho)
Isto é suposto eu continuar qualquer dia porque como é óbvio a grande cena foi na oktober. Luzes altas:
- Uma lenda que habita em Munique e uma lenda que habita em Paris são expulsos duma casa de putas
- Uma lenda que habita em Paris come um broxe duma GILF, com um cúmplice a encorajá-la vivamente pelo intermédio do velho método de "empurrar a cabeça em precipitação"
- Vários personagens característicos
- Colecionamento de Vinyl dos Supertramp "Ao vivo em Paris" por abandono voluntário do anterior proprietário
- Uma árvore deitada abaixo junto ao rio, trazida para debaixo duma ponte, tentativa de ateamento para efeitos de controlo de temperatura sem sucesso
- Revivalismo PS2
- Um jogo do Benfica em altas, com discussões ramificadas de cariz político, ideológico e existencial
- Cantar incessante, turbulento e em retrospectiva exagerado de músicas do Benfica em zonas residenciais de Munique, na 1ª noite
- O caos da convergência e divergência de histórias, grupos e indiviualidades no mesmo espaço em Am Rosenthal, Munique
- A desorientação total da festa à casa, apesar da geometria perfeita de linha recta ligado os dois pontos
- Schweinshaxe como pequeno-almoço *reloaded*
- José Wars e Mikael Carreira
- Sofrimento no início do 2º dia na tenda
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 7, largamente provocado por um mal entendido no sentido em que os 7 indivíduos mais uma fêmea assumiram erradamente que a vantagem numérica que apresentavam poderia constituir factor desencorajante para atitude agressiva por parte do grupo em inferioridade, prontamente esclarecida com uma curta mas intensa/eficiente/acesa aproximação física e verbalização aberta de sentimentos e intenções. Resultou em equilíbrio de forças e postura generalizadamente neutra em relação ao conflito. Não arranjamos mesa.
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 2, provocação com alegações de que os indivíduos antagonizantes à nossa vontade se caracterizavam por serem pertencentes ao estereótipo alemão cujos atributos incluem uma total ausência de reconhecimento do que significa fazer parte da espécie humana e das vantagens biológicas intrínsecas à coação e entreajuda entre membros duma mesma espécie. Com resultados francamente supreendentes inclusivamente com uma reversão mórbida na postura do grupo opositor, que basculou do snobismo à admiração e vontade em confraternização e que finalmente culminou com uma categórica recusa final do grupo invasor em invadir o espaço do grupo (agora) receptivo por razões de recusa final e alcóol
- Facilidade inexplicável em arranjar mesa, repentinamente
- Montanha-russa no 1º dia no lhimite da sobrevivência
- Regresso com gaja etc
- Regresso no estado deplorável categoria 1b
- Nunca mais como bockwurst na vida
- outras coisas que me vou lembrar pelo caminho
- Dentro da festa: idas iteradas à casa de banho como pretexto de abortagem de flirt
- Dentro da festa: é muito fácil, tudo
- Dentro da festa: Excerto de meia hora numa tenda, no 2º dia de celebração religiosa:
"Imagina que num dos dias em que eu tava na minha 3ª oktoberfest eu me envolvia socialmente com uma girafa (o algoritmo Flirt2.3 tem vindo a consolidar através de testes que as estratégias A1.33b) fingir que não nos lembramos do nome dela; A1.35c) cantar a flieger flied substituindo "flieg wie ein flieger" por "flieg wie ein tiger" e B2.21d) divulgar temporizada e cripticamente informações de caractér pessoal; funciona com um grau de confiança de 7.0+-1.2% em contextos de população feminina sub22 alemã) e que passadas duas canecas a 10€ me dava a revelação do potencial desfecho e começava a ter flashbacks duma terra polaca há meia década atrás e que isto me suscitaria várias tangentes narrativas à realidade pontual e que eu me decidiria pelo caminho menos viajado e faria o abort mission usando a necessidade de ir à casa de banho como efeito-fisga para escapar da gravidade da situação, tal como a voyager II fez em êxodo solar há mais de 40 anos."
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22 Semtempedro 2012, Berlin (crónicas sonasol)
Porque o Evangelos Tsoulakidis é um avatar de rating AAA+, decidi aceitar o convite à humilhação social que consistia ir à festa de despedida dele. Isto por causa de gradientes circunstanciais: nem eu me lembro como é que costumava lidar com o circlejerk específico do humor e cultura inglesa, nem eles se lembram porque é que a determinado ponto me elevaram ao plano mitológico dos seus envelopes temporais em Berlim - mas o dogma continua a ser perpetuado. Os mitos nunca morrem, desculpam-se, justificam-se e exaltam-se - porque participar num mito é viver associado a ele, é uma marca de projeção pessoal.
No plano real, talvez eu tenha perdido inteligência humana em função do apuramento da sensibilidade analítica - e isto fez toda a diferença -, ou talvez isto seja mais um daqueles novelos de expectativas e contra-expectativas que eu deixo o inconsciente fabricar enquanto eu penso em merdas importantes e que normalmente culminam com o meu afastamento dum grupo social "para o bem comum" e despersonalização última. A boa notícia é que geralmente isto leva à reinvenção pessoal e tou excitado só de pensar em como vou formar a minha próxima persona pública. Talvez até produza um filho para poder justificar uma mudança radical sem parecer que tou às aranhas. Sou agora um cool dad e a minha prioridade é só programar um organismo a se alinhar com os requisitos da matilha.. 'desculpem pessoal passei à próxima fase mas vou fingir que sou uma vítima das minhas obrigações biológicas/sociais e que isto não foi afinal de tudo um opção'.
Cheguei à festa atrasado como sempre e sóbrio como nunca. Numa tentativa de me alinhar em condescendência alcóolica com a bioquímica delicada da minha companheira de apartamento, bebi o grande total cumulativo de uma garrafa de cidra antes de me relançar sobre a proposição-mor de todas as actividades sociais dos últimos 6 meses: 'pessoal, não tou diferente, pessoal'. A cada ciclo falhado de validação um bocado do ego tormentado pela máquina do passado. 'Antes eu teria tido qualquer coisa boa para dizer agora'. A verdade é que a diferença é que eu antes fazia batota e agora já não faço. Estratégias de manipulação de conversa e técnicas de reciclagem comportamental tipo fingir que ia à casa de banho como ação-ejeção duma conversologia menos favorável com regresso revitalizado pela perspectiva - meia hora de introspeção no espelho para me relativizar à vida e minimizar a importância deste tempo e espaço no universo e depois mais uma vodka de penalty sem ninguém ver e voltava descentrado/positivo.
Nesta festa, passei a primeira hora a falar com o çem, um turco de istambul sobre futebol, corpos celestes e choques culturais, por esta ordem. Passei a segunda hora a divagar sobre o envelhecer, a mudança e as relações amorosas com o andy, um inglês de preston. Passei a terceira hora a ouvir uma dissertação sobre o estado actual do futebol escocês com o derek. À quarta hora deixei-me de paneleiradas e fui para a cozinha beber submarinos de vodka sobre cerveja e participar em desafios inebriados - acabei a comer 4 malaguetas e a tomar três shots de sonasol que, veio-se a ver, foram determinantes na direção da noite.
Foi a primeira vez que tomei três shots de sonasol de seguida em cima de malaguetas e vodkas-cerveja e - muito possivelmente - a última. O que aconteceu depois foi uma queda em espiral pelo submundo da lástima última e absoluta. Acontece que obviamente não me lembro de grande pistola a não ser vomitar furiosamente à porta da casa do hóspede. Independentemente de dar a impressão de ser um líquido viscoso radioactivo, vomitar sonasol é uma mudança refrescante ao habitual, em particular o toque das bolhas de sabão a sair pelos cantos da boca a cada repuxo de vómito é provavelmente agradável ao observador neutro.
A cena é que chamar o gregório é geralmente condição unívoca para a definição do ponto mais baixo duma noite. Às vezes é um ponto de inflexão e às vezes é terminal, mas em raras histórias da noite acaba por ser um extremo relativo, practicamente irrelevante face ao verdadeiro mínimo absoluto. Esta noite foi assim porque eu basicamente a caminho de casa começei a sentir uma dor forte pra cagar e - contrariamente ao que tenho conseguido fazer com relativo sucesso ao longo da minha vida adulta -, não me consegui aguentar desta vez. Depois de sair do eléctrico começei a me queixar à minha colega de apartamento que tava à rasca para me aguentar, apesar de só tarmos a 300 metros de casa. Passados 100 metros dobrei-me sobre os joelhos e, ainda em pé, dei o mote "fuck it.." e soltei raio e trovoada pelas faces anteriores das minhas pernas até acabar com os tornozelos envoltos em diarreia dentro dos nike clássicos brancos por entre "oh my god"'s da faye. Foi monumental e lindo até aí e depois andar os restantes 200 metros até casa com as calças encharcadas e as ruas cheias de jovens foi espectacular também particularmente porque tava me literalmente a cagar pra toda a gente. Logo depois do momento fuck it senti um alívio tal que nada me poderia atingir no mundo nos momento subsequentes.
Subi as escadas para casa a deixar um rasto de destruição. Ainda hesitei várias vezes em tentar salvar as calças mas no fim a voz da fayesciência levou a melhor e decidimos doar as calças à humana. A cavalo dado não se olha o dente, há malta que não tá em posição para exigir. No fim, fiquei com os sapatos. Tiveram uma semana num balde de água com..sonasol e amanhã vou estreá-los no trabalho depois do incidente.
Ah, em minha defesa, li na internet, à posteriori, que sonasol funciona como um laxativo. Pelo que percebo a lição a tirar é que é preciso ter cuidado com timings de deslocações depois de se beber sonasol.
No plano real, talvez eu tenha perdido inteligência humana em função do apuramento da sensibilidade analítica - e isto fez toda a diferença -, ou talvez isto seja mais um daqueles novelos de expectativas e contra-expectativas que eu deixo o inconsciente fabricar enquanto eu penso em merdas importantes e que normalmente culminam com o meu afastamento dum grupo social "para o bem comum" e despersonalização última. A boa notícia é que geralmente isto leva à reinvenção pessoal e tou excitado só de pensar em como vou formar a minha próxima persona pública. Talvez até produza um filho para poder justificar uma mudança radical sem parecer que tou às aranhas. Sou agora um cool dad e a minha prioridade é só programar um organismo a se alinhar com os requisitos da matilha.. 'desculpem pessoal passei à próxima fase mas vou fingir que sou uma vítima das minhas obrigações biológicas/sociais e que isto não foi afinal de tudo um opção'.
Cheguei à festa atrasado como sempre e sóbrio como nunca. Numa tentativa de me alinhar em condescendência alcóolica com a bioquímica delicada da minha companheira de apartamento, bebi o grande total cumulativo de uma garrafa de cidra antes de me relançar sobre a proposição-mor de todas as actividades sociais dos últimos 6 meses: 'pessoal, não tou diferente, pessoal'. A cada ciclo falhado de validação um bocado do ego tormentado pela máquina do passado. 'Antes eu teria tido qualquer coisa boa para dizer agora'. A verdade é que a diferença é que eu antes fazia batota e agora já não faço. Estratégias de manipulação de conversa e técnicas de reciclagem comportamental tipo fingir que ia à casa de banho como ação-ejeção duma conversologia menos favorável com regresso revitalizado pela perspectiva - meia hora de introspeção no espelho para me relativizar à vida e minimizar a importância deste tempo e espaço no universo e depois mais uma vodka de penalty sem ninguém ver e voltava descentrado/positivo.
Nesta festa, passei a primeira hora a falar com o çem, um turco de istambul sobre futebol, corpos celestes e choques culturais, por esta ordem. Passei a segunda hora a divagar sobre o envelhecer, a mudança e as relações amorosas com o andy, um inglês de preston. Passei a terceira hora a ouvir uma dissertação sobre o estado actual do futebol escocês com o derek. À quarta hora deixei-me de paneleiradas e fui para a cozinha beber submarinos de vodka sobre cerveja e participar em desafios inebriados - acabei a comer 4 malaguetas e a tomar três shots de sonasol que, veio-se a ver, foram determinantes na direção da noite.
Foi a primeira vez que tomei três shots de sonasol de seguida em cima de malaguetas e vodkas-cerveja e - muito possivelmente - a última. O que aconteceu depois foi uma queda em espiral pelo submundo da lástima última e absoluta. Acontece que obviamente não me lembro de grande pistola a não ser vomitar furiosamente à porta da casa do hóspede. Independentemente de dar a impressão de ser um líquido viscoso radioactivo, vomitar sonasol é uma mudança refrescante ao habitual, em particular o toque das bolhas de sabão a sair pelos cantos da boca a cada repuxo de vómito é provavelmente agradável ao observador neutro.
A cena é que chamar o gregório é geralmente condição unívoca para a definição do ponto mais baixo duma noite. Às vezes é um ponto de inflexão e às vezes é terminal, mas em raras histórias da noite acaba por ser um extremo relativo, practicamente irrelevante face ao verdadeiro mínimo absoluto. Esta noite foi assim porque eu basicamente a caminho de casa começei a sentir uma dor forte pra cagar e - contrariamente ao que tenho conseguido fazer com relativo sucesso ao longo da minha vida adulta -, não me consegui aguentar desta vez. Depois de sair do eléctrico começei a me queixar à minha colega de apartamento que tava à rasca para me aguentar, apesar de só tarmos a 300 metros de casa. Passados 100 metros dobrei-me sobre os joelhos e, ainda em pé, dei o mote "fuck it.." e soltei raio e trovoada pelas faces anteriores das minhas pernas até acabar com os tornozelos envoltos em diarreia dentro dos nike clássicos brancos por entre "oh my god"'s da faye. Foi monumental e lindo até aí e depois andar os restantes 200 metros até casa com as calças encharcadas e as ruas cheias de jovens foi espectacular também particularmente porque tava me literalmente a cagar pra toda a gente. Logo depois do momento fuck it senti um alívio tal que nada me poderia atingir no mundo nos momento subsequentes.
Subi as escadas para casa a deixar um rasto de destruição. Ainda hesitei várias vezes em tentar salvar as calças mas no fim a voz da fayesciência levou a melhor e decidimos doar as calças à humana. A cavalo dado não se olha o dente, há malta que não tá em posição para exigir. No fim, fiquei com os sapatos. Tiveram uma semana num balde de água com..sonasol e amanhã vou estreá-los no trabalho depois do incidente.
Ah, em minha defesa, li na internet, à posteriori, que sonasol funciona como um laxativo. Pelo que percebo a lição a tirar é que é preciso ter cuidado com timings de deslocações depois de se beber sonasol.
mobile uploads N8 - Sobre A Filosofia Da Madrugada
há legendas em português (activar clickando no cc)
M10 - A TOPOLOGIA DA PARANOIA (12/2/2012)
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '11 - INTRO (20/10/2011)
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '11 - O MASSACRE DO PÃO COM NEON
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '12 - TODA A VERDADE (12/2/2012)
M10 - A TOPOLOGIA DA PARANOIA (12/2/2012)
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '11 - INTRO (20/10/2011)
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '11 - O MASSACRE DO PÃO COM NEON
REGRESSO DUM DIA DE TRABALHO '12 - TODA A VERDADE (12/2/2012)
o arquivo da foto da visita, wk35 - babi berlin, the story so far
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| as minhas noites de sábado à noite: um panorama social |
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| as minhas noites de sábado à noite: um panorama de competitividade alcóolica |
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| as minhas noites de sábado à noite: um panorama filosófico |
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| merdas verdes não pertencem aqui. Isto é uma mother fucking cidade, caralho. |
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| LOL, ricepipes, LOL, sou tão hipster, LOL, vou ao mauerpark aos domingos vender merdas que encontro no lixo, LOL, já nem sequer tem piada gozar de mim, LOL |
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| um tucano com a cabeça dum cancro humano na garganta ou um cancro humano com um chapéu feito da cabeça dum tucano? só o dubstep pode responder a isto |
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| a minha irmã no pé esquerdo e uma gaja de biquini no pé direito (nível avançado) |
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| documentação do contexto recorrente de acabar a falar vários minutos sozinho no m10, independentemente da companhia |
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| simbólico: as sombras preparam-se pra levantar vôo. Ou o ceú prepara-se pra comê-las? |
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| aviva e fernando, o pai foi skater, bué tempo mesmo, e bué bom, mesmo |
extermamente.artístico.(.se.meter.pontos.em.vez.de.espaços.na.descrição.ainda.mais.).
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| café hamburger. não dá pra comer aqui e o mario e o gil não podem entrar. |
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| polémico, polémico |
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| antropóloga babi campos estuda o comportamento do gremlin na cabine do dj. |
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| kaffe burger roundup: bué gira, a minha namorada actual |
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| kaffe burger roundup: sempre a gozar do pessoal de raça negra |
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| kaffe burger roundup: gil ingozável, não sei porquê |
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| kaffe burger roundup: *CONTRASTE* |
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| as almas em pleno sexo, tudo porque usei a t-shirt que usei quando nos conhecemos e ela as mesmas mamas. não relacionado: tenho de começar a fazer a barba melhor em cima. |
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| afim para a confrontação |
| uma grande perda prá minha vida na cidade |
isto é só um brasileiro a cantar uma música do benfica na rua
isto é só uma conversa sobre responsabilidades na manhã seguinte
isto é só uma conversa sobre literatura portuguesa com um queimado
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| é só um teólogo com uma mohawk e um realizador/músico/chef/treinador/jogador. |
malucada de east london. em tempos andavamos juntos. agora a evitar, só porque amanhã existe.
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| confusão à entrada da alte kantine. vários elementos discriminados à porta. há casualidades, divergências e abandonos. soa a uma noite normal com os british lions. |
how does it feel? tl;ds: 4 minutos de irmãos a jogar matrecos no rosi's com new order como fundo
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| HARDCORD |
um domingo de manhã normal
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| é uma foto do kota |
| de oberbaum: azimute 314, prai |
Local:
Berlim, Germany
o arquivo da foto da semana wk34 - vida sortida
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| este poster do partido pirata tava abaixo dum com uma mesquita e um sinal de proibido em cima. Acima da mesquita dizia "cidade do medo islâmico? não, obrigado". Tive que o salvar. |
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| jimi candeeirix numa perfumance iluminada |
| fui taggado nesta foto |
| pelo que percebo a minha casa é na base de roxo/vermelho, piratas e a audrey hepburn |
| nós os 3 com a minha tia tina. nesta noite fomos expulsos deste estabelecimento por trocar garrafas doutros frequentadores pelo respectivo depósito |
| a faye n dá confiança nenhuma nem a cartazes |
| FODA-SE TENHO O PENIS INCANDESCENTE |
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| este sacana pensa a 900 km/h |
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| só por causa disso |
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| tenho de usar esta camisola mais vezes |
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| a vida a fugir outra vez, caio sempre neste erro |
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| é só uma manha de sábado normal com um pombo a jacto em derrapagem |
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| o michin fonseca e eu tavamos bué de longe de casa aqui, em tempo, espaço e relações amorosas |
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| uma manhã/tarde de sábado altamente promissora. E nós sabiamos disso já nesta altura. |
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| pus os óculos para tirar uma foto de hi5 pitas e ocorreu me que para ficar melhor tinha de meter uma escova de dentes na boca |
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| a diferença que faz esconder os olhos |
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| tamos num churrasco no meio dum aeroporto nazi. Esta t-shirt representa a morte da autoridade através do street art , segundo a gaja que vendeu. A mim representa 25€. |
fait diversos ~20 prai - OH!
"Not as glamorous as Paris, not as romantic as Venice, not as crowded as São Paulo, not as high-fashion as Milan, not as impressive as New York, not as high-tech as Tokyo, not as chaotic as Athens, not as idyllic as Geneva, not as relaxed as Sydney, not quite as multicultural as London, but the city i grew up in and have learned to appreciate for being charming in it's own way, Berlin."
tenho a certeza que não foi ela que escreveu
nano crónica de berlim - entretanto...
nos últimos 5 dias comi galinha com arroz, galinha com massa, canja de galinha, galinha com arroz e galinha com arroz. Tentei apostar nas pizzas a espaços, mas há uma descontinuidade quântica no fridge que só consome pizzas e iogurtes. A esta descontinuidade quântica dei o nome de faye anson. A faye anson consome pizzas iogurtes e massa com molho de tomate, preferencialmente, e deixa o resto das merdas desnecessárias que compra no supermercado à incerteza - invariavelmente isto significa uma corrida entre mim e o prazo de validade - e eu ganho sempre. A minha avó ensinou-me que se deixarmos comida estragar no primeiro mundo, áfrica ressente-se de forma direta. Não posso deixar isso acontecer. A minha retribuição é ter agora 84 kgs, mais 12 do que da última vez que cometi bulimia, na longínqua estação de wannsee 2008. Ao menos agora tenho um corpo de adulto. Começa me a dar a impressão que ter à volta de 30 e ter um BMI abaixo de 14 significa paneleiragem ou recente desgosto amoroso (possivelmente uma correlação até).
como sobrevivi em berlim com 24,57 euros a dividir por 2 a dividir por 10 dias
(e ao resto da malta que se ofereceu)
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