fica para o campos enviar o registo em video...so pra dizer que ja cheguei a Munique depois de uma deslocacao epica.
Pontos positivos, pela primeira vez nao apanhamos bubadeira na primeira
noite, tudo merito do tome, 5 estrelas [ndr: marcou passagem pro dia errado]. Tambem cumprimos plenamente a
ideia de entrar com calma porque o ambiente ia tar fodido...deu pra
segurar em Milao, em Turin ja nao aguentamos e dominamos as arcadas na
avenidade central de turim (com video). Grande culminar com um taxista
da Juve ate ao estadio (com video), ao som do l'umbelico del mundo, que
nos queria deixar na porta da claque da juve. resultado...o tome foi
mijar pra porta do carro errado e deu merda como e' costume.
Ja dentro do estadio foi um filme a parte, o campos carregou a equipa
nos ombros. Num chamado "One man show" ficou a sensacao de que partiu
dele mais de metade do apoio vocal. Infernizou a vida a tudo o que tava
na curva, incluindo velhos, mulheres e criancas e quase partiu pra
violencia com um cota de bigode que tava a fumar um cigarro em vez de
cantar.
A cereja no topo do bolo foi sermos levados de volta ao centro em
autocarros da "carris la do sitio" escoltados por batedores em motas e
carrinhas da policia de intervencao. Ficou a ideia de que se nao fosse o
diluvio que se abateu sobre o estadio no fim do jogo podiamos ter tido
espera e dado merda. Isto porque os imigrantes que vieram em autocarros
da alemanha e que tinham as costas quentes pra voltar passaram o tempo a
gritar juve, juve va fanculo.
Final da noite a comer um kebab que para mim basicamente so tinha
pimentos, para o campos era uma sopa de legumes e para o tome foi o
melhor kebab da vida.
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónica. Mostrar todas as mensagens
karten tiems
Isto não tem nada a ver com bola ou Benfica, vem da pergunta do Bruno que me trouxe umas memórias (desculpa o sequestro da thread Tibério, vou ver essa merda qdo chegar a casa).
"Os outros miudos choraram?"
nas duas semanas anteriores à prova vi o documentário do senna (um que passou no eurosport depois dele morrer) umas 3 vezes por dia. Fazia tudo o que o gajo fazia... corria na praia todos os dias às 7 da manhã, girava halteres em frente ao peito, tirava uns minutos por dia para tar sozinho e me concentrar. Só comia massa (sem molho de tomate), saladas do kfc e um chocolate lion 15 minutos antes de cada sessão de treino. esgotei a minha disciplina prá vida nessas duas semanas. Aliás eu foi para o porto santo duas semanas antes para me ambientar ao clima..
Foi a minha primeira prova na categoria Júnior, que era um salto do caralho na potência do kart relativamente à categoria anterior (60cc para 100cc) tinha acabado de fazer 14. Os outros sacanas tinham todos 15-16. Fiz o 2º tempo na qualificação, fiquei a 55 milésimas de segundo da pole ou uma merda assim. Houveram 3 partidas, porque nas 2 primeiras o gajo da pole, que era o filho do presidente da associação de karting da madeira, queimou a vela na volta de apresentação. Queimar velas geralmente era sinal de nervosismo ou falta de sensibilidade no pé, porque só acontecia se fosses muito brusco no acelerador enquanto o motor aquecia a baixas rotações na volta de apresentação. Geralmente qdo tavas nervoso não conseguias controlar muito bem o pé, especialmente ao ritmo brando da volta de apresentação e trepidação do chassis. Eu tava nervoso pra caralho (mijei-me na grelha de partida - metade dos miúdos mijavam-se à partida) mas fiquei bué confiante quando vi que o gajo não parava de queimar velas. Por outro lado fiquei fodido porque não percebia porque é que se tinha de repetir a partida se um gajo tinha tido um problema essencialmente mecânico.. mas tava me a cagar, só queria correr e a cada sinal de favorecimento só me motivava mais a ganhar limpo, na minha cabeça era a vitória do bem contra todas as adversidades.. o meu pai é que tava louco, o gajo começou a mandar o director de prova pró caralho e só pudemos começar a prova quando ele aceitou sair da zona técnica.
Entretanto lá fizemos a 3ª partida e eu mamei o gajo na 1ª curva, uma curva fechada à direita. Tava bué calor e eu escolhi pneus médios-moles (vega amarelos - contra a vontade do meu pai) e o gajo pneus moles (bridgestone). O sacana andou sempre em cima de mim as primeiras 4 voltas mas depois com o calor começou a foder os pneus todos, até porque o estilo de condução do gajo era mais solto (usar derrapagens para travar o kart nas curvas etc) e eu era um gajo agressivo na travagem mas certinho e limpo na trajectórias. Com esta merda toda acabei a prova (20 voltas) com meia volta de avanço. E eu queria mais avanço ainda.. a partir da 10ª volta já tinha uma vantagem considerável e o meu pai a cada passagem pela curva onde ele tava ele quase que entrava dentro de pista todo louco a me fazer sinal para abrandar. Mesmo com o capacete, bataclava e o barulho dum motor de 100cc a 2 tempos a 20 cms da minha cabeça eu ouvia perfeitamente "CALMA! TEM CALMA!!". Eu a me cagar - o Senna não teria calma caralho, a pureza da competição tá em superar também os outros, mas essencialmente se superar a si próprio. E com esta merda bati o recorde da pista, que ainda persiste, porque foi o último ano da pista antes de fazerem o kartódromo hehe. Ah ya, esta pista era entre pneus, portanto ao mínimo erro eras catapultado pela elasticidade dos pneus. Eu no ano anterior numa categoria inferior tinha capotado lá e partido a costela - tive quase 1 minuto sem respirar com o pânico, o médico de pista é que me salvou. Alta memória, eu estatelado no chão, só via gente em desespero à minha volta e eu sem conseguir respirar...
Mas foi por causa desta meia volta de avanço que a malta achou estranho e insistiu para ver o meu motor. Passadas as tais 5 horas ficou claro que aquilo não tinha sido uma vitoŕia da corrupção, mas uma vitória da raça do querer e ambição, a merda é que quando chegou a confirmação oficial de que eu tinha ganho, já era meia-noite e hora de ir mamar sono, e a Catarina do Palheiro Ferreiro que tinha altas mamas e queria 'festejar' com o vencedor da prova acabou por mamar no 2º classificado, pelo que soube.
Entretanto fui vice-campeão regional e o campeão subiu para a próxima categoria, ou seja, eu seria o número 1 no ano seguinte. Fui negociar novo contrato de patrocínio com a leuimport da madeira (importadores da Peugeot prá Madeira, na altura) para a nova época (meu pai fazia-me ir sozinho negociar os meus contratos de patrocínio) e o contrato foi feito com base no facto de eu ser o número 1, que é obviamente atractivo para um patrocinador. O que acontece é que quando chego à reunião de atribuição dos números para a nova época, com 15 minutos de atraso, o número 1 já tinha sido atribuído à filha do novo presidente da associação de karting da madeira, porque eu tinha chegado atrasado. E então acabo com o número 12 outra vez. Escusado será dizer que o meu pai partiu aquela merda toda a meio e decidiu me retirar da competição oficial. Eu apoiei e compreendi a decisão.. meu pai fodia à volta de mil contos por época para depois andarem com aquelas paneleiradas... vendeu o kart e comprou um computador pra mim com o dinheiro - e esta é a história de como eu tou sentado num escritório agora em vez de tar a caminho de Singapura.
foda-se, não contava esta história há bué tempo. carrega benfica caralho.
meia crónica - Berlim, Munique, 4 a 7 de Outubro de 2012 (fentodancing)
Porque já li a internet toda e ainda tenho mais meia hora pra procrastinar vou contar uma história baseada numa história fictícia ().
Um dia não apareço ao trabalho os primeiros 3 dias da semana porque vou apostar as 20h cerimoniais nos últimos 2 mas que depois na quarta decido que a vida é \____/ (um recipiente) e que o preenches ou com º\o/º (água) ou com oOo'''/oOo_____|8|_____oOo\'''oOo (sonhos). Imagina que penso assim: os sonhos parece que nunca cabem no recipiente, são tão grandes e compridos e a água é necessária à sobrevivência, como faço? E lembro-me: se há uma merda que aprendi da análise matemática é que qualquer quantidade discreta ou contínua limitada ou ilimitada pode ser dividida numa infinidade de partes de tamanhos arbitrários. Depois penso fogo não há nada que não seja ou limitado ou ilimitado, e então os sonhos pertencendo indefinidamente a um dos conjuntos, podem com toda a certeza ser divididos em partes de tamanhos arbitrários. E EU DECIDO: VOU DISTILAR SONHOS AO LONGO DA VIDA EM VEZ DE TENTAR SEGUIR UM ÚNICO QUE REQUIRA UM INVESTIMENTO DESMESURADO AO LONGO DUM PERÍODO ALARGADO DE TEMPO EM QUE EM PARALELO AS MINHAS ESPECIFICAÇÕES FÍSICAS E MENTAIS SE DETERIORAM. E depois digo que que sa foda eu vou à oktoberfest este fim de semana sim ou sim e faço mitfahrgelegenheit com efeito imediato.
Na sequência desta decisão largamente ponderada eu tenho de me encontrar com um gajo que só fala alemão às imediações de Berlim, numa bomba de gasolina da ural, e acabo a chegar 15 minutos atrasado e sem telefone o que em conversão para o fuso horário da etiqueta alemã dá 3 horas portuguesas. Depois uma carrinha de 9 lugares com os vidros fumados aproxima-se de mim e pergunta do que é que eu tou à procura e eu digo "procuro dividir os meus sonhos em micro-etapas de concretização pessoal". E ele deduz, "vais para munique, não é"? E eu digo para uma plateia imaginária "este gajo percebe-me" mas NVR digo "já" mas lido em alemão e sem acento. Imagina que a porta da carrinha se abre sozinha e que eu salto para o único lugar disponível, e que os outros 8 ocupantes inspecionam-me como se dum mísero imigrante duma etnia a condescender me tratasse.
Já fui embora várias vezes de Berlim, se bem me lembro, qualquer coisa como 37 vezes em 3 anos, 38 com esta, e 39 com a última a um sítio que na altura em que escrevo isto vou fingir que ainda não fui porque caso contrário pode sugerir que isto não foi escrito à kerouac. bop bop pob. Cada vez que vou embora sou remetido para a minha partida de Lisboa, a última antes das outras todas que não foram a partir da cidade em que residia. Porque é que sou remetido para essa viagem? Porque ainda tou lá, eu ainda tou em tour, ou em detour, do ano referência de 2008, e tudo ainda é medido nessa escala. Em termos do que à física da topologia das decisões de vida concerne, eu estou no limite da elasticidade dessa escolha, a escolha de estar a prolongar a responsabilidade de prioritizar a vida e o desenvolvimento humano antes do meramente funcional.
Nesta carrinha houveram várias fases e graus de divagação. A primeira sempre a que me vejo refém inicialmente - porque como ox outrx todx, sou um gajo com uns circuitos standard muito bem definidos ao nível da superficialidade. Há gajas boas: 3/3 são 8/10 would bang. 4chan - lembro-me das redes sociais e de como os putos dominam as tendências sociais de vanguarda, porque têm tempo, espaço e resultado para drenarem energia em direções e sentidos originais. out of da box e a importância do pensamento lateral mesmo na resolução criativa de problemas de carácter analítico. Como se desenvolver pessoalmente no sentido de se criar uma máquina hiper-produtiva, tudo-conquistadora, multi-disciplinar, multi-tarefa, altamente empática e activa nos tempos livres, ao mesmo tempo que protagonista principal em episódios redundantes de aparente [Editado: aparentemente para aparente] devastação racional. Como não render a vida às motivações latas ao trabalho.
Como gerir o tempo? 24 horas por dia são 48 horas menos do que aquilo que seria adequado ao que quero fazer. 25 horas é o ciclo diário dum humano alienado da luz solar, sincronizado com o período de rotação de Marte. Porquê? A importância de citações em alegações, a leniência na confirmação de factos, a sobre-dependência na consulta de factos na rede infinita de informação. A adaptação do cérebro ao que 'e mais útil de se lembrar evolucionariamente' - o favorecimento na memorização dos sítios onde se pode encontrar informação sobre a informação em si. Porque é que estamos em Jena? Onde o Robert Enke nasceu, onde as lentes carl-zeiss são produzidas, onde [Editado: typo] ocorre a maior agregação de NSUs do Alemanha, firmemente encaminhada para um período reiterativo da intolerância e xenofobia que caracterizaram a história do país. Que cidade de merda. O enke explicado mas lentes não percebo ainda.
O gajo precisa de ajuda a carregar umas merdas para um sítio qualquer. Saimos dois ou três, tenho zero paxorra pra falar com alguém, porque o contentamento e a actividade social podem ser adiados, não é necessário ser agora, não preciso de ser feliz e proactivo agora, vai dar muito trabalho aguentar a máscara e tou exausto, vamos adiar a vida por enquanto. Mas carregar merdas é na boa, não é preciso falar e é sempre recompensador ajudar alguém em troca de nada. Em troca de nada porque os 20€ que lhe vou dar foram estipulados como comodidade suficiente para pagamento dum serviço, não nos devemos nada um ao outro, tudo o resto é bónus e certidões de humanidade e empatia. É muito mais fácil ajudar do que emular empatia.
-/-
O problema da empatia, o problema do riso e o problema da felicidade são semelhantes, e para além disso mas independentemente disso, provavelmente, altamente correlacionados. A intenção no sentido de qualquer um deles constitui *invariavelmente* uma barreira implícita à sua realização. E se concentrar na maneira como se olha nos olhos dos outros, e se concentrar na forma como respiramos ou jogamos à bola - são tudo garantias de disfunção. Há ações e comportamentos sobre os quais a nossa intervenção consciente, seja isso o que for, - quer seja a perspectiva metafísica da alma para o palco da vida real ou o auto-reconhecimento paradoxal em loop infinito que descreve o hofstadter, desenha o escher e compõe o bach -, oblitera. E a auto-crítica ardente e descontrolada encarrega-se de liquidificar o reconhimento de legitimidade humana inerente à manutenção dum ego sustentável. Nunca parei, apesar das minhas mais honestas tentativas (explícitas, verbais) em contra, de querer acreditar na cadeia de feedback social que caracterizou toda a minha vida. O meu ego nunca cresceu alto mas ao invés inflou-se e flutuou alto, sempre em forma embrionária, microscópica, com um estrutura demasiado frágil para ser auto-suficiente a estas alturas. Agora a atmosfera não é etérea, agora os elementos que me sustentam estão esgotados. Ego, precisa-se - olhe, desculpe, só uma perguntinha: com'aks defende?
-/-
Subimos as escadas dum prédio cinzento de 3 andares, decrépito, frio e crú. Um alemão louro frisado de 1,90, figura franzina, olhos glaciais e fato de treino azul-marinho da asics abre a porta. É uma cena de manual dum filme 'sobre a vida depois do muro', na depressão da alemanha de leste reunificada dos 90s. Roupas no chão, garrafas de cerveja em todos os cantos, colchões espalhados pelos corredores e um preservativo usado em cima duma cadeira. É uma casa de estudantes, "só pode ser" penso eu, reconfortado pela segurança que um vulgar dia de semana me dava nesta assunção. Ou isso ou eu sobrestimei a minha capacidade de compreensão das diferentes etapas da vida. Há etapas ou não há? Viver em Jena nestas condições a maioria da vida.. não sei. Talvez seja preciso muito pouco para se ser feliz. Ou talvez esse muito pouco seja muito pouco quando enumerado, talvez seja um muito pouco altamente qualitativo. Mas devem ser estudantes.
(Tou sem fôlego por causa que: sais de banho)
Isto é suposto eu continuar qualquer dia porque como é óbvio a grande cena foi na oktober. Luzes altas:
- Uma lenda que habita em Munique e uma lenda que habita em Paris são expulsos duma casa de putas
- Uma lenda que habita em Paris come um broxe duma GILF, com um cúmplice a encorajá-la vivamente pelo intermédio do velho método de "empurrar a cabeça em precipitação"
- Vários personagens característicos
- Colecionamento de Vinyl dos Supertramp "Ao vivo em Paris" por abandono voluntário do anterior proprietário
- Uma árvore deitada abaixo junto ao rio, trazida para debaixo duma ponte, tentativa de ateamento para efeitos de controlo de temperatura sem sucesso
- Revivalismo PS2
- Um jogo do Benfica em altas, com discussões ramificadas de cariz político, ideológico e existencial
- Cantar incessante, turbulento e em retrospectiva exagerado de músicas do Benfica em zonas residenciais de Munique, na 1ª noite
- O caos da convergência e divergência de histórias, grupos e indiviualidades no mesmo espaço em Am Rosenthal, Munique
- A desorientação total da festa à casa, apesar da geometria perfeita de linha recta ligado os dois pontos
- Schweinshaxe como pequeno-almoço *reloaded*
- José Wars e Mikael Carreira
- Sofrimento no início do 2º dia na tenda
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 7, largamente provocado por um mal entendido no sentido em que os 7 indivíduos mais uma fêmea assumiram erradamente que a vantagem numérica que apresentavam poderia constituir factor desencorajante para atitude agressiva por parte do grupo em inferioridade, prontamente esclarecida com uma curta mas intensa/eficiente/acesa aproximação física e verbalização aberta de sentimentos e intenções. Resultou em equilíbrio de forças e postura generalizadamente neutra em relação ao conflito. Não arranjamos mesa.
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 2, provocação com alegações de que os indivíduos antagonizantes à nossa vontade se caracterizavam por serem pertencentes ao estereótipo alemão cujos atributos incluem uma total ausência de reconhecimento do que significa fazer parte da espécie humana e das vantagens biológicas intrínsecas à coação e entreajuda entre membros duma mesma espécie. Com resultados francamente supreendentes inclusivamente com uma reversão mórbida na postura do grupo opositor, que basculou do snobismo à admiração e vontade em confraternização e que finalmente culminou com uma categórica recusa final do grupo invasor em invadir o espaço do grupo (agora) receptivo por razões de recusa final e alcóol
- Facilidade inexplicável em arranjar mesa, repentinamente
- Montanha-russa no 1º dia no lhimite da sobrevivência
- Regresso com gaja etc
- Regresso no estado deplorável categoria 1b
- Nunca mais como bockwurst na vida
- outras coisas que me vou lembrar pelo caminho
- Dentro da festa: idas iteradas à casa de banho como pretexto de abortagem de flirt
- Dentro da festa: é muito fácil, tudo
- Dentro da festa: Excerto de meia hora numa tenda, no 2º dia de celebração religiosa:
"Imagina que num dos dias em que eu tava na minha 3ª oktoberfest eu me envolvia socialmente com uma girafa (o algoritmo Flirt2.3 tem vindo a consolidar através de testes que as estratégias A1.33b) fingir que não nos lembramos do nome dela; A1.35c) cantar a flieger flied substituindo "flieg wie ein flieger" por "flieg wie ein tiger" e B2.21d) divulgar temporizada e cripticamente informações de caractér pessoal; funciona com um grau de confiança de 7.0+-1.2% em contextos de população feminina sub22 alemã) e que passadas duas canecas a 10€ me dava a revelação do potencial desfecho e começava a ter flashbacks duma terra polaca há meia década atrás e que isto me suscitaria várias tangentes narrativas à realidade pontual e que eu me decidiria pelo caminho menos viajado e faria o abort mission usando a necessidade de ir à casa de banho como efeito-fisga para escapar da gravidade da situação, tal como a voyager II fez em êxodo solar há mais de 40 anos."
Um dia não apareço ao trabalho os primeiros 3 dias da semana porque vou apostar as 20h cerimoniais nos últimos 2 mas que depois na quarta decido que a vida é \____/ (um recipiente) e que o preenches ou com º\o/º (água) ou com oOo'''/oOo_____|8|_____oOo\'''oOo (sonhos). Imagina que penso assim: os sonhos parece que nunca cabem no recipiente, são tão grandes e compridos e a água é necessária à sobrevivência, como faço? E lembro-me: se há uma merda que aprendi da análise matemática é que qualquer quantidade discreta ou contínua limitada ou ilimitada pode ser dividida numa infinidade de partes de tamanhos arbitrários. Depois penso fogo não há nada que não seja ou limitado ou ilimitado, e então os sonhos pertencendo indefinidamente a um dos conjuntos, podem com toda a certeza ser divididos em partes de tamanhos arbitrários. E EU DECIDO: VOU DISTILAR SONHOS AO LONGO DA VIDA EM VEZ DE TENTAR SEGUIR UM ÚNICO QUE REQUIRA UM INVESTIMENTO DESMESURADO AO LONGO DUM PERÍODO ALARGADO DE TEMPO EM QUE EM PARALELO AS MINHAS ESPECIFICAÇÕES FÍSICAS E MENTAIS SE DETERIORAM. E depois digo que que sa foda eu vou à oktoberfest este fim de semana sim ou sim e faço mitfahrgelegenheit com efeito imediato.
Na sequência desta decisão largamente ponderada eu tenho de me encontrar com um gajo que só fala alemão às imediações de Berlim, numa bomba de gasolina da ural, e acabo a chegar 15 minutos atrasado e sem telefone o que em conversão para o fuso horário da etiqueta alemã dá 3 horas portuguesas. Depois uma carrinha de 9 lugares com os vidros fumados aproxima-se de mim e pergunta do que é que eu tou à procura e eu digo "procuro dividir os meus sonhos em micro-etapas de concretização pessoal". E ele deduz, "vais para munique, não é"? E eu digo para uma plateia imaginária "este gajo percebe-me" mas NVR digo "já" mas lido em alemão e sem acento. Imagina que a porta da carrinha se abre sozinha e que eu salto para o único lugar disponível, e que os outros 8 ocupantes inspecionam-me como se dum mísero imigrante duma etnia a condescender me tratasse.
Já fui embora várias vezes de Berlim, se bem me lembro, qualquer coisa como 37 vezes em 3 anos, 38 com esta, e 39 com a última a um sítio que na altura em que escrevo isto vou fingir que ainda não fui porque caso contrário pode sugerir que isto não foi escrito à kerouac. bop bop pob. Cada vez que vou embora sou remetido para a minha partida de Lisboa, a última antes das outras todas que não foram a partir da cidade em que residia. Porque é que sou remetido para essa viagem? Porque ainda tou lá, eu ainda tou em tour, ou em detour, do ano referência de 2008, e tudo ainda é medido nessa escala. Em termos do que à física da topologia das decisões de vida concerne, eu estou no limite da elasticidade dessa escolha, a escolha de estar a prolongar a responsabilidade de prioritizar a vida e o desenvolvimento humano antes do meramente funcional.
Nesta carrinha houveram várias fases e graus de divagação. A primeira sempre a que me vejo refém inicialmente - porque como ox outrx todx, sou um gajo com uns circuitos standard muito bem definidos ao nível da superficialidade. Há gajas boas: 3/3 são 8/10 would bang. 4chan - lembro-me das redes sociais e de como os putos dominam as tendências sociais de vanguarda, porque têm tempo, espaço e resultado para drenarem energia em direções e sentidos originais. out of da box e a importância do pensamento lateral mesmo na resolução criativa de problemas de carácter analítico. Como se desenvolver pessoalmente no sentido de se criar uma máquina hiper-produtiva, tudo-conquistadora, multi-disciplinar, multi-tarefa, altamente empática e activa nos tempos livres, ao mesmo tempo que protagonista principal em episódios redundantes de aparente [Editado: aparentemente para aparente] devastação racional. Como não render a vida às motivações latas ao trabalho.
Como gerir o tempo? 24 horas por dia são 48 horas menos do que aquilo que seria adequado ao que quero fazer. 25 horas é o ciclo diário dum humano alienado da luz solar, sincronizado com o período de rotação de Marte. Porquê? A importância de citações em alegações, a leniência na confirmação de factos, a sobre-dependência na consulta de factos na rede infinita de informação. A adaptação do cérebro ao que 'e mais útil de se lembrar evolucionariamente' - o favorecimento na memorização dos sítios onde se pode encontrar informação sobre a informação em si. Porque é que estamos em Jena? Onde o Robert Enke nasceu, onde as lentes carl-zeiss são produzidas, onde [Editado: typo] ocorre a maior agregação de NSUs do Alemanha, firmemente encaminhada para um período reiterativo da intolerância e xenofobia que caracterizaram a história do país. Que cidade de merda. O enke explicado mas lentes não percebo ainda.
O gajo precisa de ajuda a carregar umas merdas para um sítio qualquer. Saimos dois ou três, tenho zero paxorra pra falar com alguém, porque o contentamento e a actividade social podem ser adiados, não é necessário ser agora, não preciso de ser feliz e proactivo agora, vai dar muito trabalho aguentar a máscara e tou exausto, vamos adiar a vida por enquanto. Mas carregar merdas é na boa, não é preciso falar e é sempre recompensador ajudar alguém em troca de nada. Em troca de nada porque os 20€ que lhe vou dar foram estipulados como comodidade suficiente para pagamento dum serviço, não nos devemos nada um ao outro, tudo o resto é bónus e certidões de humanidade e empatia. É muito mais fácil ajudar do que emular empatia.
-/-
O problema da empatia, o problema do riso e o problema da felicidade são semelhantes, e para além disso mas independentemente disso, provavelmente, altamente correlacionados. A intenção no sentido de qualquer um deles constitui *invariavelmente* uma barreira implícita à sua realização. E se concentrar na maneira como se olha nos olhos dos outros, e se concentrar na forma como respiramos ou jogamos à bola - são tudo garantias de disfunção. Há ações e comportamentos sobre os quais a nossa intervenção consciente, seja isso o que for, - quer seja a perspectiva metafísica da alma para o palco da vida real ou o auto-reconhecimento paradoxal em loop infinito que descreve o hofstadter, desenha o escher e compõe o bach -, oblitera. E a auto-crítica ardente e descontrolada encarrega-se de liquidificar o reconhimento de legitimidade humana inerente à manutenção dum ego sustentável. Nunca parei, apesar das minhas mais honestas tentativas (explícitas, verbais) em contra, de querer acreditar na cadeia de feedback social que caracterizou toda a minha vida. O meu ego nunca cresceu alto mas ao invés inflou-se e flutuou alto, sempre em forma embrionária, microscópica, com um estrutura demasiado frágil para ser auto-suficiente a estas alturas. Agora a atmosfera não é etérea, agora os elementos que me sustentam estão esgotados. Ego, precisa-se - olhe, desculpe, só uma perguntinha: com'aks defende?
-/-
Subimos as escadas dum prédio cinzento de 3 andares, decrépito, frio e crú. Um alemão louro frisado de 1,90, figura franzina, olhos glaciais e fato de treino azul-marinho da asics abre a porta. É uma cena de manual dum filme 'sobre a vida depois do muro', na depressão da alemanha de leste reunificada dos 90s. Roupas no chão, garrafas de cerveja em todos os cantos, colchões espalhados pelos corredores e um preservativo usado em cima duma cadeira. É uma casa de estudantes, "só pode ser" penso eu, reconfortado pela segurança que um vulgar dia de semana me dava nesta assunção. Ou isso ou eu sobrestimei a minha capacidade de compreensão das diferentes etapas da vida. Há etapas ou não há? Viver em Jena nestas condições a maioria da vida.. não sei. Talvez seja preciso muito pouco para se ser feliz. Ou talvez esse muito pouco seja muito pouco quando enumerado, talvez seja um muito pouco altamente qualitativo. Mas devem ser estudantes.
(Tou sem fôlego por causa que: sais de banho)
Isto é suposto eu continuar qualquer dia porque como é óbvio a grande cena foi na oktober. Luzes altas:
- Uma lenda que habita em Munique e uma lenda que habita em Paris são expulsos duma casa de putas
- Uma lenda que habita em Paris come um broxe duma GILF, com um cúmplice a encorajá-la vivamente pelo intermédio do velho método de "empurrar a cabeça em precipitação"
- Vários personagens característicos
- Colecionamento de Vinyl dos Supertramp "Ao vivo em Paris" por abandono voluntário do anterior proprietário
- Uma árvore deitada abaixo junto ao rio, trazida para debaixo duma ponte, tentativa de ateamento para efeitos de controlo de temperatura sem sucesso
- Revivalismo PS2
- Um jogo do Benfica em altas, com discussões ramificadas de cariz político, ideológico e existencial
- Cantar incessante, turbulento e em retrospectiva exagerado de músicas do Benfica em zonas residenciais de Munique, na 1ª noite
- O caos da convergência e divergência de histórias, grupos e indiviualidades no mesmo espaço em Am Rosenthal, Munique
- A desorientação total da festa à casa, apesar da geometria perfeita de linha recta ligado os dois pontos
- Schweinshaxe como pequeno-almoço *reloaded*
- José Wars e Mikael Carreira
- Sofrimento no início do 2º dia na tenda
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 7, largamente provocado por um mal entendido no sentido em que os 7 indivíduos mais uma fêmea assumiram erradamente que a vantagem numérica que apresentavam poderia constituir factor desencorajante para atitude agressiva por parte do grupo em inferioridade, prontamente esclarecida com uma curta mas intensa/eficiente/acesa aproximação física e verbalização aberta de sentimentos e intenções. Resultou em equilíbrio de forças e postura generalizadamente neutra em relação ao conflito. Não arranjamos mesa.
- Quasi-porrada a arranjar mesa, edição 4 contra 2, provocação com alegações de que os indivíduos antagonizantes à nossa vontade se caracterizavam por serem pertencentes ao estereótipo alemão cujos atributos incluem uma total ausência de reconhecimento do que significa fazer parte da espécie humana e das vantagens biológicas intrínsecas à coação e entreajuda entre membros duma mesma espécie. Com resultados francamente supreendentes inclusivamente com uma reversão mórbida na postura do grupo opositor, que basculou do snobismo à admiração e vontade em confraternização e que finalmente culminou com uma categórica recusa final do grupo invasor em invadir o espaço do grupo (agora) receptivo por razões de recusa final e alcóol
- Facilidade inexplicável em arranjar mesa, repentinamente
- Montanha-russa no 1º dia no lhimite da sobrevivência
- Regresso com gaja etc
- Regresso no estado deplorável categoria 1b
- Nunca mais como bockwurst na vida
- outras coisas que me vou lembrar pelo caminho
- Dentro da festa: idas iteradas à casa de banho como pretexto de abortagem de flirt
- Dentro da festa: é muito fácil, tudo
- Dentro da festa: Excerto de meia hora numa tenda, no 2º dia de celebração religiosa:
"Imagina que num dos dias em que eu tava na minha 3ª oktoberfest eu me envolvia socialmente com uma girafa (o algoritmo Flirt2.3 tem vindo a consolidar através de testes que as estratégias A1.33b) fingir que não nos lembramos do nome dela; A1.35c) cantar a flieger flied substituindo "flieg wie ein flieger" por "flieg wie ein tiger" e B2.21d) divulgar temporizada e cripticamente informações de caractér pessoal; funciona com um grau de confiança de 7.0+-1.2% em contextos de população feminina sub22 alemã) e que passadas duas canecas a 10€ me dava a revelação do potencial desfecho e começava a ter flashbacks duma terra polaca há meia década atrás e que isto me suscitaria várias tangentes narrativas à realidade pontual e que eu me decidiria pelo caminho menos viajado e faria o abort mission usando a necessidade de ir à casa de banho como efeito-fisga para escapar da gravidade da situação, tal como a voyager II fez em êxodo solar há mais de 40 anos."
22 Semtempedro 2012, Berlin (crónicas sonasol)
Porque o Evangelos Tsoulakidis é um avatar de rating AAA+, decidi aceitar o convite à humilhação social que consistia ir à festa de despedida dele. Isto por causa de gradientes circunstanciais: nem eu me lembro como é que costumava lidar com o circlejerk específico do humor e cultura inglesa, nem eles se lembram porque é que a determinado ponto me elevaram ao plano mitológico dos seus envelopes temporais em Berlim - mas o dogma continua a ser perpetuado. Os mitos nunca morrem, desculpam-se, justificam-se e exaltam-se - porque participar num mito é viver associado a ele, é uma marca de projeção pessoal.
No plano real, talvez eu tenha perdido inteligência humana em função do apuramento da sensibilidade analítica - e isto fez toda a diferença -, ou talvez isto seja mais um daqueles novelos de expectativas e contra-expectativas que eu deixo o inconsciente fabricar enquanto eu penso em merdas importantes e que normalmente culminam com o meu afastamento dum grupo social "para o bem comum" e despersonalização última. A boa notícia é que geralmente isto leva à reinvenção pessoal e tou excitado só de pensar em como vou formar a minha próxima persona pública. Talvez até produza um filho para poder justificar uma mudança radical sem parecer que tou às aranhas. Sou agora um cool dad e a minha prioridade é só programar um organismo a se alinhar com os requisitos da matilha.. 'desculpem pessoal passei à próxima fase mas vou fingir que sou uma vítima das minhas obrigações biológicas/sociais e que isto não foi afinal de tudo um opção'.
Cheguei à festa atrasado como sempre e sóbrio como nunca. Numa tentativa de me alinhar em condescendência alcóolica com a bioquímica delicada da minha companheira de apartamento, bebi o grande total cumulativo de uma garrafa de cidra antes de me relançar sobre a proposição-mor de todas as actividades sociais dos últimos 6 meses: 'pessoal, não tou diferente, pessoal'. A cada ciclo falhado de validação um bocado do ego tormentado pela máquina do passado. 'Antes eu teria tido qualquer coisa boa para dizer agora'. A verdade é que a diferença é que eu antes fazia batota e agora já não faço. Estratégias de manipulação de conversa e técnicas de reciclagem comportamental tipo fingir que ia à casa de banho como ação-ejeção duma conversologia menos favorável com regresso revitalizado pela perspectiva - meia hora de introspeção no espelho para me relativizar à vida e minimizar a importância deste tempo e espaço no universo e depois mais uma vodka de penalty sem ninguém ver e voltava descentrado/positivo.
Nesta festa, passei a primeira hora a falar com o çem, um turco de istambul sobre futebol, corpos celestes e choques culturais, por esta ordem. Passei a segunda hora a divagar sobre o envelhecer, a mudança e as relações amorosas com o andy, um inglês de preston. Passei a terceira hora a ouvir uma dissertação sobre o estado actual do futebol escocês com o derek. À quarta hora deixei-me de paneleiradas e fui para a cozinha beber submarinos de vodka sobre cerveja e participar em desafios inebriados - acabei a comer 4 malaguetas e a tomar três shots de sonasol que, veio-se a ver, foram determinantes na direção da noite.
Foi a primeira vez que tomei três shots de sonasol de seguida em cima de malaguetas e vodkas-cerveja e - muito possivelmente - a última. O que aconteceu depois foi uma queda em espiral pelo submundo da lástima última e absoluta. Acontece que obviamente não me lembro de grande pistola a não ser vomitar furiosamente à porta da casa do hóspede. Independentemente de dar a impressão de ser um líquido viscoso radioactivo, vomitar sonasol é uma mudança refrescante ao habitual, em particular o toque das bolhas de sabão a sair pelos cantos da boca a cada repuxo de vómito é provavelmente agradável ao observador neutro.
A cena é que chamar o gregório é geralmente condição unívoca para a definição do ponto mais baixo duma noite. Às vezes é um ponto de inflexão e às vezes é terminal, mas em raras histórias da noite acaba por ser um extremo relativo, practicamente irrelevante face ao verdadeiro mínimo absoluto. Esta noite foi assim porque eu basicamente a caminho de casa começei a sentir uma dor forte pra cagar e - contrariamente ao que tenho conseguido fazer com relativo sucesso ao longo da minha vida adulta -, não me consegui aguentar desta vez. Depois de sair do eléctrico começei a me queixar à minha colega de apartamento que tava à rasca para me aguentar, apesar de só tarmos a 300 metros de casa. Passados 100 metros dobrei-me sobre os joelhos e, ainda em pé, dei o mote "fuck it.." e soltei raio e trovoada pelas faces anteriores das minhas pernas até acabar com os tornozelos envoltos em diarreia dentro dos nike clássicos brancos por entre "oh my god"'s da faye. Foi monumental e lindo até aí e depois andar os restantes 200 metros até casa com as calças encharcadas e as ruas cheias de jovens foi espectacular também particularmente porque tava me literalmente a cagar pra toda a gente. Logo depois do momento fuck it senti um alívio tal que nada me poderia atingir no mundo nos momento subsequentes.
Subi as escadas para casa a deixar um rasto de destruição. Ainda hesitei várias vezes em tentar salvar as calças mas no fim a voz da fayesciência levou a melhor e decidimos doar as calças à humana. A cavalo dado não se olha o dente, há malta que não tá em posição para exigir. No fim, fiquei com os sapatos. Tiveram uma semana num balde de água com..sonasol e amanhã vou estreá-los no trabalho depois do incidente.
Ah, em minha defesa, li na internet, à posteriori, que sonasol funciona como um laxativo. Pelo que percebo a lição a tirar é que é preciso ter cuidado com timings de deslocações depois de se beber sonasol.
No plano real, talvez eu tenha perdido inteligência humana em função do apuramento da sensibilidade analítica - e isto fez toda a diferença -, ou talvez isto seja mais um daqueles novelos de expectativas e contra-expectativas que eu deixo o inconsciente fabricar enquanto eu penso em merdas importantes e que normalmente culminam com o meu afastamento dum grupo social "para o bem comum" e despersonalização última. A boa notícia é que geralmente isto leva à reinvenção pessoal e tou excitado só de pensar em como vou formar a minha próxima persona pública. Talvez até produza um filho para poder justificar uma mudança radical sem parecer que tou às aranhas. Sou agora um cool dad e a minha prioridade é só programar um organismo a se alinhar com os requisitos da matilha.. 'desculpem pessoal passei à próxima fase mas vou fingir que sou uma vítima das minhas obrigações biológicas/sociais e que isto não foi afinal de tudo um opção'.
Cheguei à festa atrasado como sempre e sóbrio como nunca. Numa tentativa de me alinhar em condescendência alcóolica com a bioquímica delicada da minha companheira de apartamento, bebi o grande total cumulativo de uma garrafa de cidra antes de me relançar sobre a proposição-mor de todas as actividades sociais dos últimos 6 meses: 'pessoal, não tou diferente, pessoal'. A cada ciclo falhado de validação um bocado do ego tormentado pela máquina do passado. 'Antes eu teria tido qualquer coisa boa para dizer agora'. A verdade é que a diferença é que eu antes fazia batota e agora já não faço. Estratégias de manipulação de conversa e técnicas de reciclagem comportamental tipo fingir que ia à casa de banho como ação-ejeção duma conversologia menos favorável com regresso revitalizado pela perspectiva - meia hora de introspeção no espelho para me relativizar à vida e minimizar a importância deste tempo e espaço no universo e depois mais uma vodka de penalty sem ninguém ver e voltava descentrado/positivo.
Nesta festa, passei a primeira hora a falar com o çem, um turco de istambul sobre futebol, corpos celestes e choques culturais, por esta ordem. Passei a segunda hora a divagar sobre o envelhecer, a mudança e as relações amorosas com o andy, um inglês de preston. Passei a terceira hora a ouvir uma dissertação sobre o estado actual do futebol escocês com o derek. À quarta hora deixei-me de paneleiradas e fui para a cozinha beber submarinos de vodka sobre cerveja e participar em desafios inebriados - acabei a comer 4 malaguetas e a tomar três shots de sonasol que, veio-se a ver, foram determinantes na direção da noite.
Foi a primeira vez que tomei três shots de sonasol de seguida em cima de malaguetas e vodkas-cerveja e - muito possivelmente - a última. O que aconteceu depois foi uma queda em espiral pelo submundo da lástima última e absoluta. Acontece que obviamente não me lembro de grande pistola a não ser vomitar furiosamente à porta da casa do hóspede. Independentemente de dar a impressão de ser um líquido viscoso radioactivo, vomitar sonasol é uma mudança refrescante ao habitual, em particular o toque das bolhas de sabão a sair pelos cantos da boca a cada repuxo de vómito é provavelmente agradável ao observador neutro.
A cena é que chamar o gregório é geralmente condição unívoca para a definição do ponto mais baixo duma noite. Às vezes é um ponto de inflexão e às vezes é terminal, mas em raras histórias da noite acaba por ser um extremo relativo, practicamente irrelevante face ao verdadeiro mínimo absoluto. Esta noite foi assim porque eu basicamente a caminho de casa começei a sentir uma dor forte pra cagar e - contrariamente ao que tenho conseguido fazer com relativo sucesso ao longo da minha vida adulta -, não me consegui aguentar desta vez. Depois de sair do eléctrico começei a me queixar à minha colega de apartamento que tava à rasca para me aguentar, apesar de só tarmos a 300 metros de casa. Passados 100 metros dobrei-me sobre os joelhos e, ainda em pé, dei o mote "fuck it.." e soltei raio e trovoada pelas faces anteriores das minhas pernas até acabar com os tornozelos envoltos em diarreia dentro dos nike clássicos brancos por entre "oh my god"'s da faye. Foi monumental e lindo até aí e depois andar os restantes 200 metros até casa com as calças encharcadas e as ruas cheias de jovens foi espectacular também particularmente porque tava me literalmente a cagar pra toda a gente. Logo depois do momento fuck it senti um alívio tal que nada me poderia atingir no mundo nos momento subsequentes.
Subi as escadas para casa a deixar um rasto de destruição. Ainda hesitei várias vezes em tentar salvar as calças mas no fim a voz da fayesciência levou a melhor e decidimos doar as calças à humana. A cavalo dado não se olha o dente, há malta que não tá em posição para exigir. No fim, fiquei com os sapatos. Tiveram uma semana num balde de água com..sonasol e amanhã vou estreá-los no trabalho depois do incidente.
Ah, em minha defesa, li na internet, à posteriori, que sonasol funciona como um laxativo. Pelo que percebo a lição a tirar é que é preciso ter cuidado com timings de deslocações depois de se beber sonasol.
24 Fevereiro 2011, Alemanha (nada de euforismos parte 1)
ia fazer um projecto de fibras ópticas pra fingir que a minha actividade principal não é jogar civilization 4, mas falemos de merdas importantes, ou seja, atenção a 3 premissas não necessariamente integralmente disjuntas
- hoje acordei e fiz o meu dia normal. 3 da tarde tava a ir trabalhar e virei a esquina à esquerda. Bué vezes quando viro a esquina há qualquer merda que me descontrola o subconsciente e sou involuntariamente subjugado à apreciação duma memória aleatória. Não percebo o que fazer com estas projeções mas às vezes tenho-lhes ideias anexas, talvez o intuito último de todo o processo (tou farto de ser manietado por mim próprio).
- como exemplo-tipo, ao virar a esquina hoje da schlegelstrasse com a chausse lembrei-me aleatoriamente duma vez que escrevi aqui no blog sobre uma história verídica em que vi o heath ledger e a diane kruger há uns meses a passar na rua de carro. Isto fez me lembrar o blog que eu tenho e a escassez de factos verídicos baseados numa fantasia qualquer que tenho arquivado cá.
- há dias tava em casa e houve um sorteio para um torneio de futebol, a europa league. O Sport lisboa, ditou-se, jogava na alemanha. Como jogava na alemanha pareceu-nos evidente aos emigrantes alemães que o fossemos ver jogar. Se fosse na polónia, mas mais perto que estugarda, era mais complicado, de certeza. A alemanha mede uns 1000 por 1500 kms, o que é a nossa sorte. se vivessemos na russia viveriamos muito provavelmente em moscovo. Suponhamos uns 16 avos de final da europa league entre benfica e torpedo khabarovsk e tamos a jogar no mar do jampão. mas iamos porque o benfica jogava no país em que tavamos. Talvez fossemos até arkhangelsk pra junto do deserto donde lançam os soyuz todos e a partir daí tentassemos boleia espacial. (pel)O Benfica vale tudo, e tudo de volta dá nos cenas pra nos lembrarmos gradualmente menos mas que na altura dão a sensação de serem inesquecíveis, em grande parte por tarmos perto do cona alcóolico.
o tema da pontuação é importante. nao enrijecer demasiado. a mente, com regras e artifícios senão. somos comboios intelectuais e não naves, espaciais.
2ª vez - não acredito que so tinhamos ganhado na alemanha uma vez
o ano é 2204 de fevereiro e tão -300 em berlim. já tinhamos combinado que nos iamos todos encontrar num sítio e depois ir pra outro mas juntos. Quando tinha 15 anos conhecerei o aires na extinta ilha da madeira, por intermédio duns gajos que andarão com ele nos salesianos desde os 0 anos. Dos 15 aos 18 em 10 segundos estudaremos na mesma escola, vulgo passaremos tardes sentados no neoaberto mcdonalds na avenida do mar, com o strob, a verter coca-cola por gajas que acabaremos todos por conseguir, passados 1/2 anos - quando finalmente cagarmos pra elas. Na altura no mcdonalds haverá ainda a dúvida se os burgers são mesmo fatias de bolas de carne sem olhos criadas numa cidade subterrânea debaixo do aeroporto de denver, saudades desses tempos. Em Lisboa encontraremo-nos frequentemente nos dois primeiros anos, preferivelmente pra mutilar espíritos contra o vácuo dos sofás e dos metasimuladores desportivos tipo colin mcrae 2 ou cm2001/2002, inclusivamente passando noites na brandoa do falhita ou a fugir de cães para o tejadilho de carros nos olivais sul. Mas depois haverá divergência social entre mim em particular e os meus amigos em geral pelo que será na altura previsível que esta relação com o aires se dilua no contínuo espaço-tempo, à semelhança do córtex frontal do paulo futre.
ora acontece (palavra-chave pra neutralização do tempo verbal)
1. que em lisboa o aires tira design de equipamento e conhece um gajo de letras na FCSHURSS, o joão tomé.
2. que há dias, em maio de 2010, o ruben veio a berlim apanhar chuva parcialmente para contrapor uma viagem a NY doutro ser human"a" - o que resultou, como se verifica pela indisponibilidade soció-permanente. Em particular no dia 16 de maio o benfica jogava com o az milan pra decidir a liga zombie sagres. Eu na altura, por causa dum gajo de 46 anos chamado manel que já não vive mais cá no planeta porque tá farto, ia sempre à casa algarvia ver os jogos. O joão tomé, por incrível disposição sistemática duma série de coincidências no palco espaço-temporal desta particular matriz imaginária, também foi - e acabamos a festejar o título todas juntas, num multicasting de forças exíguas ao sentimento que só o joão foi capaz de exteriorizar em máximo rendimento, já em bruta metamorfose alcóolica: "MAMEM FILHOS DA PUTA, MAMEM" - e todas as permutações sintáticas possíveis desse grito de vitória. No espaço consumido (só pra utilizar uma metáfora (só pra mostrar que sei que figuras de estilo uso (só pra encobrir a autopromoção com ironia (só pra deixar no ar a hipótese de ser dupla ou agora tripla ironia (só pra tentar ser diferente (só pra se calhar me convencer que sou "acima da média" de entre os contribuidores para o meu blog))) toma tomás, em qual parentese tou agora?) xupa )) da goethestrasse à festa da vitória russa na 2ª guerra mundial, que passou a gritar benfica na schlesisches strasse, o benfica campeão foi a paisagem de serviço aos insuspeitos habitantes das escuras noites de domingos paciencia.
MAS isto só pra dizer que, tinhamos todas as relações p2p já efectuadas mas só com a vinda dele, do aires, cá à pala do benfica, é que se formou em definitivo um triângulo fechado, sublimado de amor e amizade pelas road trips mal ensaiadas e multas de excesso de velocidade.
Ao contrário duma vez que fomos a gelsenkirchen, a djaang, mulher do tomé não vietnamita porque nasceu em baden-wurtemberg mas de carapaça a lembrar essa região, não quis emprestar o disco voador, sobre o risco de tar neve radioactiva e embatermos em consequência durante a viagem. Uma preocupação legítima, particularmente porque o disco voador tinha os pneus carecas. Por isso, tipo, 8 da manhã, tavamos na esquadra da rent-a-ufo a pegar num disco alugado a 35 milhoes de euros diários. A primeira sorpresa é que o ufo é um daewoo matiz, mas em vermelho. A primeira gaypresa é que o gajo da rent-a-ufo é paneleiro, mas em shemale. A primeira estupidez é que vamos sem mapas, mas sem GPS. A primeira solução é a de ligar à Faye, mas ignornado-lhe o repouso por motivo das doenças repentinas que só acontecem quando saimos com os amigos. A primeira direcção geral sugerida pela faye arrebata-nos contra os estofes, de espanto: sul, mas um bocado pra oeste também. que sorte ter um azar assim, faye anson.
Tudo considerado ligamos os reactores de hidrogénio e disparamos rumo 193, que esperavamos ser nuremberga. Nuremberga porquê? porque nuremberga era o ponto de intersecção entre o cyborg de munique e nós, simples androides. O cyborg de munique conheci em 2001 porque acabamos na mesma aula de análise infinitesimal I como 1º dia do curso de física, com o professor costa, "um dos 5 melhores matemáticos do mundo", por sufrágio dos alunos de 1º ano, atrás do carl sagan e do richard feynman. o cyborg tava-se um bocado a cagar práquilo, mas acabou no quadro de honra da faculdade resolvendo exames de mecanica quantica que pra ele não seriam mais do que de cultura geral. Se ele não tivesse sempre todo fodido iam ter que inventar a nota 21 só pró gajo. Se ele não existisse, teriam que reduzir a nota máxima pra 19, porque o 20 só existe à pala dele, artigo 7º do dec-lei 73-12/11. Se ele não fosse um génio, seria do porto ou uma merda assim. Alias Banksy Space Invaders, um dia vou ter o descaralhamento de me fazer de bom a dizer que tenho um amigo incrível como mais ninguém tem, através dum post integralmente dedicado a ele. Depois digo que o fiz para eu próprio o ler no futuro, pra afastar a hipótese de que mantenho este blog só pela secreta esperança de que um dia expluda e jorre brilhantismo para a blogoesfera, apesar de todos os meus desmedidos esforços de contenção mediática. Adoptando à priori a minha mente aos LXX anos, vou achar tudo isto labiríntico e talvez soltar o que me vai parecer ser um ligeiro peido e acabar com a faye a me trocar as fraldas. Com a quantidade de dedos e termómetros que já comi pelo rabo nunca mais nada me irá surpreender pelas costas em nenhuma das direcções, digo eu, água e alho. Ao menos sou capaz de fazer uma média de temperaturas ao meu intestino com respeitável margem de erro, eu que curto tantos gráficos e estatística. 38,5 graus em 4 medições.
São mesmo assim 500 kms pra nuremberga. Antigamente demorávamos 4 horas mas com o disco voador demoramos 2 dias negativos. O bruno por sua vez adquiriu um bilhete colectivo em modo de partilha através duma tecnologia dos anos 2011 que nos obrigava a escrever mensagens electrodactilografadas para comunicar entre pessoas à volta do mundo. A desvantagem desse sistema é que muitas vezes as pessoas podiam acordar uma ação com desconhecidos mas depois podiam sempre tar à vontade para ignorar o acordo, já que havia a perceção de ficção em tudo o que envolvia o sistema - e em consequência ausência de responsabilidade. Agora o problema foi felizmente resolvido através da implantação subdermal de avaliadores morais - adaptáveis à cultura-contexto-, que provocam uma descarga eléctrica paralizadora a cada 2 minutos, desde o instante em que embarcamos em comportamentos imorais para com terceiros. Isto dura até que o perpertrador se redima da ação, o que em muitas casos só se consegue com um pedido de desculpas pessoal e consequente aceitação da desculpa. Até lá é cair ao chão em agonia a cada 2 minutos e ir tentando rastejar em direcção à vítima. Mesmo assim há malta que esquece-se ou não tem guita pra comprar chips doutras regiões quando vai em férias holográficas e depois acabam à nora sem saber como se relacionar com as pessoas, inclusivamente não conseguindo AHAHAHA comunicar AHAHAHAHA COM AS OUTRAS PESSOAS AHAHAHAHAHAHAHAHA. arcaico software esse da iGooglesoft US navy seals, atão não metiam um chip global logo de início? nãaaa, pra evitar que aqueles conspiradores achem que existe uma agenda pra diluir costumes culturais. não percebem sequer que assim os conspiradores imediatamente vêem que existe de facto uma conspiração para não parecer que existe uma conspiração, ou uma conspiração binível, tipo wikileaks.
Sendo assim acontece que este contacto virtual não compareceu ao local pré-programado com o cyborg de munique, pelo que em consequencia ele nos ligou cerca das 11 da manhã com a seguinte mensagem encriptada para proto-ibericense : "epá foda-se pessoal é assim, tipo a gaja com quem combinei ligou me há bocado e imagina, tipo, a puta cagou pra mim". Falta explicar que Munique pertence à classe austrolopiteca de cidades que banificou os discos voadores, pelo que só existem comboios quanticos, os quais necessitam dum bilhete do tipo planck. Ora o planck individual é como o nome indica plancktónico dado o seu elevado custo, mas existem promoções prá malta ir em efeito avalanche pelas passagens de nível abaixo, guiados pelo semi-condutor. Acontece que, por acaso, o cyborg se orienta bem no instituto homónimo ao bilhete de comboio pelo que pondo as coisas em termos básicos e desapreciando eufemismos porque são bué previsíveis, o que ele ganha dá na boa para um pacote de bolachas por dia. O problema na verdade é que o comboio quântico só funciona a determinada frequência e muenchen cyborg encontrava-se agora em franco desfasamento sendo que a próxima oportunidade de ressonância se afigurava 2 horas mais tarde que ao acordado de termos tado em nuremberga. Isto poderia hipotecar todo o nosso motivo de existência, em moldes gerais. mia couto diz: a juventude, vive. encerrada nos seus próprios. delírios de grandeza! eu e áfrica, é que sabemos, do que se trata viver honrando a condição. humana! laurent kabila diz: d'accord miah, viens ici allors, je veux te montrer mon ami laurent vergila. joseph mengele diz: er bist kein frau laurent. joseph mengele morre numa visita de estudo ao congo e é autopsiado pelo médico legista brazuca que autopsiou os 3 extra-terrestres da varginha em 1994. confúcio diz: é uma honla esclever neste palaglafo.
Assim continuamos a viajar no sentido contrário ao tempo, pelo A17 - nachantizeit. Contavamos chegar a há 2 dias às 3 km para nuremberga mas o bruno ainda não tinha partido do nível fundamental. Entretanto foi-nos facultada entre todos uma forma da regressão temporal não ser tão aborrecida: um quiz de futebol mas invertido, dada uma resposta seria necessário encontrar a pergunta correcta. E eu não acertei nenhuma porque eu sou só bom a dar respostas porque sei bué factos, porque sempre achei que fosse talvez importante para o futuro colecionar factos como existe quem ache que é importante colecionar dinheiro - sei que isto agora pode parecer um bocado surreal, mas a verdade é que em 2204 finalmente percebemos que a resposta é saber fazer as perguntas certas. A merda é que como isso em si é uma resposta, é considerado inválido, pelo que andamos num ciclo infinito filosófico desde há 30 anos quando Mormate Huynxu acidentalmente disse isso depois de comer uma manobra de heimlich e se interpretou ser a palavra dos nefilim, ave gloriosos (=hipno-ozil=). Mais uma vez perco me em factos e isto não é uma crítica a mim próprio, é só uma "sugestão" do que poderei fazer melhor para o futuro, sem grande stress. Isto é o template idiossincrático que normalmente uso com as minhas duas namoradas até agora, quando as quero mudar a ser exactamente como eu as idealizo num desenho que faço no dia antes de começar o namoro.
"Olha lá, a gaja entretanto ligou-me e é na boa, já tenho cá o planck colectivo". Festa generalizada no disco voador decorado com a cara do freddy adu, esse excelente primata de jogar à bola que nos deu a liga dos campeões de futebol de 7 em 2022, o nosso último título de estacionamento na galeria dos vencedores.
A verdade é que todos os meios de transporte tavam em perfeita conjugação para nos permitir o encontro a que nos tinhamos proposto 2 dias depois. Eu ando a escrever tudo o que é feminino em masculino e vicío-versa, por sorte tou a reparar, porque caso contrário seguramente seria revelador do meu intra sexo.
"Tou... atão, nunca mais chegam cá? Já estou cá na estação de comboio, é só nazis à volta, filhos da puta, vou partir estes filhos da puta todos. Já perderam a 2ª guerra mundial e não aprendem..."
Ao bruno explicamos que se guardasse para um potencial e previsível descalabro nalgumas horas, powered by benfica.
"Atão pá, mas vocês onde é que andam caralho? Olha... só pra dizer.. que já fodi uma garrafa de rum e entretanto aproveitei e limpei esta merda toda.. já podem vir, deitei tudo abaixo, só resta a estação de comboio.. nazis do caralho morreram todos filhos da puta.. podem vir quando quiserem agora.. pera aí.. o que é que foi filho da puta? .. epá pera aí que tão aqui uns cabrões do outro lado da rua a mandar bocas.. já te ligo"
começava a se afigurar inevitável a possibilidade do cyborg não poder comparecer ao jogo, por todas as razões do mundo. (cont..)
- hoje acordei e fiz o meu dia normal. 3 da tarde tava a ir trabalhar e virei a esquina à esquerda. Bué vezes quando viro a esquina há qualquer merda que me descontrola o subconsciente e sou involuntariamente subjugado à apreciação duma memória aleatória. Não percebo o que fazer com estas projeções mas às vezes tenho-lhes ideias anexas, talvez o intuito último de todo o processo (tou farto de ser manietado por mim próprio).
- como exemplo-tipo, ao virar a esquina hoje da schlegelstrasse com a chausse lembrei-me aleatoriamente duma vez que escrevi aqui no blog sobre uma história verídica em que vi o heath ledger e a diane kruger há uns meses a passar na rua de carro. Isto fez me lembrar o blog que eu tenho e a escassez de factos verídicos baseados numa fantasia qualquer que tenho arquivado cá.
- há dias tava em casa e houve um sorteio para um torneio de futebol, a europa league. O Sport lisboa, ditou-se, jogava na alemanha. Como jogava na alemanha pareceu-nos evidente aos emigrantes alemães que o fossemos ver jogar. Se fosse na polónia, mas mais perto que estugarda, era mais complicado, de certeza. A alemanha mede uns 1000 por 1500 kms, o que é a nossa sorte. se vivessemos na russia viveriamos muito provavelmente em moscovo. Suponhamos uns 16 avos de final da europa league entre benfica e torpedo khabarovsk e tamos a jogar no mar do jampão. mas iamos porque o benfica jogava no país em que tavamos. Talvez fossemos até arkhangelsk pra junto do deserto donde lançam os soyuz todos e a partir daí tentassemos boleia espacial. (pel)O Benfica vale tudo, e tudo de volta dá nos cenas pra nos lembrarmos gradualmente menos mas que na altura dão a sensação de serem inesquecíveis, em grande parte por tarmos perto do cona alcóolico.
o tema da pontuação é importante. nao enrijecer demasiado. a mente, com regras e artifícios senão. somos comboios intelectuais e não naves, espaciais.
2ª vez - não acredito que so tinhamos ganhado na alemanha uma vez
o ano é 2204 de fevereiro e tão -300 em berlim. já tinhamos combinado que nos iamos todos encontrar num sítio e depois ir pra outro mas juntos. Quando tinha 15 anos conhecerei o aires na extinta ilha da madeira, por intermédio duns gajos que andarão com ele nos salesianos desde os 0 anos. Dos 15 aos 18 em 10 segundos estudaremos na mesma escola, vulgo passaremos tardes sentados no neoaberto mcdonalds na avenida do mar, com o strob, a verter coca-cola por gajas que acabaremos todos por conseguir, passados 1/2 anos - quando finalmente cagarmos pra elas. Na altura no mcdonalds haverá ainda a dúvida se os burgers são mesmo fatias de bolas de carne sem olhos criadas numa cidade subterrânea debaixo do aeroporto de denver, saudades desses tempos. Em Lisboa encontraremo-nos frequentemente nos dois primeiros anos, preferivelmente pra mutilar espíritos contra o vácuo dos sofás e dos metasimuladores desportivos tipo colin mcrae 2 ou cm2001/2002, inclusivamente passando noites na brandoa do falhita ou a fugir de cães para o tejadilho de carros nos olivais sul. Mas depois haverá divergência social entre mim em particular e os meus amigos em geral pelo que será na altura previsível que esta relação com o aires se dilua no contínuo espaço-tempo, à semelhança do córtex frontal do paulo futre.
ora acontece (palavra-chave pra neutralização do tempo verbal)
1. que em lisboa o aires tira design de equipamento e conhece um gajo de letras na FCSHURSS, o joão tomé.
2. que há dias, em maio de 2010, o ruben veio a berlim apanhar chuva parcialmente para contrapor uma viagem a NY doutro ser human"a" - o que resultou, como se verifica pela indisponibilidade soció-permanente. Em particular no dia 16 de maio o benfica jogava com o az milan pra decidir a liga zombie sagres. Eu na altura, por causa dum gajo de 46 anos chamado manel que já não vive mais cá no planeta porque tá farto, ia sempre à casa algarvia ver os jogos. O joão tomé, por incrível disposição sistemática duma série de coincidências no palco espaço-temporal desta particular matriz imaginária, também foi - e acabamos a festejar o título todas juntas, num multicasting de forças exíguas ao sentimento que só o joão foi capaz de exteriorizar em máximo rendimento, já em bruta metamorfose alcóolica: "MAMEM FILHOS DA PUTA, MAMEM" - e todas as permutações sintáticas possíveis desse grito de vitória. No espaço consumido (só pra utilizar uma metáfora (só pra mostrar que sei que figuras de estilo uso (só pra encobrir a autopromoção com ironia (só pra deixar no ar a hipótese de ser dupla ou agora tripla ironia (só pra tentar ser diferente (só pra se calhar me convencer que sou "acima da média" de entre os contribuidores para o meu blog))) toma tomás, em qual parentese tou agora?) xupa )) da goethestrasse à festa da vitória russa na 2ª guerra mundial, que passou a gritar benfica na schlesisches strasse, o benfica campeão foi a paisagem de serviço aos insuspeitos habitantes das escuras noites de domingos paciencia.
MAS isto só pra dizer que, tinhamos todas as relações p2p já efectuadas mas só com a vinda dele, do aires, cá à pala do benfica, é que se formou em definitivo um triângulo fechado, sublimado de amor e amizade pelas road trips mal ensaiadas e multas de excesso de velocidade.
Ao contrário duma vez que fomos a gelsenkirchen, a djaang, mulher do tomé não vietnamita porque nasceu em baden-wurtemberg mas de carapaça a lembrar essa região, não quis emprestar o disco voador, sobre o risco de tar neve radioactiva e embatermos em consequência durante a viagem. Uma preocupação legítima, particularmente porque o disco voador tinha os pneus carecas. Por isso, tipo, 8 da manhã, tavamos na esquadra da rent-a-ufo a pegar num disco alugado a 35 milhoes de euros diários. A primeira sorpresa é que o ufo é um daewoo matiz, mas em vermelho. A primeira gaypresa é que o gajo da rent-a-ufo é paneleiro, mas em shemale. A primeira estupidez é que vamos sem mapas, mas sem GPS. A primeira solução é a de ligar à Faye, mas ignornado-lhe o repouso por motivo das doenças repentinas que só acontecem quando saimos com os amigos. A primeira direcção geral sugerida pela faye arrebata-nos contra os estofes, de espanto: sul, mas um bocado pra oeste também. que sorte ter um azar assim, faye anson.
Tudo considerado ligamos os reactores de hidrogénio e disparamos rumo 193, que esperavamos ser nuremberga. Nuremberga porquê? porque nuremberga era o ponto de intersecção entre o cyborg de munique e nós, simples androides. O cyborg de munique conheci em 2001 porque acabamos na mesma aula de análise infinitesimal I como 1º dia do curso de física, com o professor costa, "um dos 5 melhores matemáticos do mundo", por sufrágio dos alunos de 1º ano, atrás do carl sagan e do richard feynman. o cyborg tava-se um bocado a cagar práquilo, mas acabou no quadro de honra da faculdade resolvendo exames de mecanica quantica que pra ele não seriam mais do que de cultura geral. Se ele não tivesse sempre todo fodido iam ter que inventar a nota 21 só pró gajo. Se ele não existisse, teriam que reduzir a nota máxima pra 19, porque o 20 só existe à pala dele, artigo 7º do dec-lei 73-12/11. Se ele não fosse um génio, seria do porto ou uma merda assim. Alias Banksy Space Invaders, um dia vou ter o descaralhamento de me fazer de bom a dizer que tenho um amigo incrível como mais ninguém tem, através dum post integralmente dedicado a ele. Depois digo que o fiz para eu próprio o ler no futuro, pra afastar a hipótese de que mantenho este blog só pela secreta esperança de que um dia expluda e jorre brilhantismo para a blogoesfera, apesar de todos os meus desmedidos esforços de contenção mediática. Adoptando à priori a minha mente aos LXX anos, vou achar tudo isto labiríntico e talvez soltar o que me vai parecer ser um ligeiro peido e acabar com a faye a me trocar as fraldas. Com a quantidade de dedos e termómetros que já comi pelo rabo nunca mais nada me irá surpreender pelas costas em nenhuma das direcções, digo eu, água e alho. Ao menos sou capaz de fazer uma média de temperaturas ao meu intestino com respeitável margem de erro, eu que curto tantos gráficos e estatística. 38,5 graus em 4 medições.
São mesmo assim 500 kms pra nuremberga. Antigamente demorávamos 4 horas mas com o disco voador demoramos 2 dias negativos. O bruno por sua vez adquiriu um bilhete colectivo em modo de partilha através duma tecnologia dos anos 2011 que nos obrigava a escrever mensagens electrodactilografadas para comunicar entre pessoas à volta do mundo. A desvantagem desse sistema é que muitas vezes as pessoas podiam acordar uma ação com desconhecidos mas depois podiam sempre tar à vontade para ignorar o acordo, já que havia a perceção de ficção em tudo o que envolvia o sistema - e em consequência ausência de responsabilidade. Agora o problema foi felizmente resolvido através da implantação subdermal de avaliadores morais - adaptáveis à cultura-contexto-, que provocam uma descarga eléctrica paralizadora a cada 2 minutos, desde o instante em que embarcamos em comportamentos imorais para com terceiros. Isto dura até que o perpertrador se redima da ação, o que em muitas casos só se consegue com um pedido de desculpas pessoal e consequente aceitação da desculpa. Até lá é cair ao chão em agonia a cada 2 minutos e ir tentando rastejar em direcção à vítima. Mesmo assim há malta que esquece-se ou não tem guita pra comprar chips doutras regiões quando vai em férias holográficas e depois acabam à nora sem saber como se relacionar com as pessoas, inclusivamente não conseguindo AHAHAHA comunicar AHAHAHAHA COM AS OUTRAS PESSOAS AHAHAHAHAHAHAHAHA. arcaico software esse da iGooglesoft US navy seals, atão não metiam um chip global logo de início? nãaaa, pra evitar que aqueles conspiradores achem que existe uma agenda pra diluir costumes culturais. não percebem sequer que assim os conspiradores imediatamente vêem que existe de facto uma conspiração para não parecer que existe uma conspiração, ou uma conspiração binível, tipo wikileaks.
Sendo assim acontece que este contacto virtual não compareceu ao local pré-programado com o cyborg de munique, pelo que em consequencia ele nos ligou cerca das 11 da manhã com a seguinte mensagem encriptada para proto-ibericense : "epá foda-se pessoal é assim, tipo a gaja com quem combinei ligou me há bocado e imagina, tipo, a puta cagou pra mim". Falta explicar que Munique pertence à classe austrolopiteca de cidades que banificou os discos voadores, pelo que só existem comboios quanticos, os quais necessitam dum bilhete do tipo planck. Ora o planck individual é como o nome indica plancktónico dado o seu elevado custo, mas existem promoções prá malta ir em efeito avalanche pelas passagens de nível abaixo, guiados pelo semi-condutor. Acontece que, por acaso, o cyborg se orienta bem no instituto homónimo ao bilhete de comboio pelo que pondo as coisas em termos básicos e desapreciando eufemismos porque são bué previsíveis, o que ele ganha dá na boa para um pacote de bolachas por dia. O problema na verdade é que o comboio quântico só funciona a determinada frequência e muenchen cyborg encontrava-se agora em franco desfasamento sendo que a próxima oportunidade de ressonância se afigurava 2 horas mais tarde que ao acordado de termos tado em nuremberga. Isto poderia hipotecar todo o nosso motivo de existência, em moldes gerais. mia couto diz: a juventude, vive. encerrada nos seus próprios. delírios de grandeza! eu e áfrica, é que sabemos, do que se trata viver honrando a condição. humana! laurent kabila diz: d'accord miah, viens ici allors, je veux te montrer mon ami laurent vergila. joseph mengele diz: er bist kein frau laurent. joseph mengele morre numa visita de estudo ao congo e é autopsiado pelo médico legista brazuca que autopsiou os 3 extra-terrestres da varginha em 1994. confúcio diz: é uma honla esclever neste palaglafo.
Assim continuamos a viajar no sentido contrário ao tempo, pelo A17 - nachantizeit. Contavamos chegar a há 2 dias às 3 km para nuremberga mas o bruno ainda não tinha partido do nível fundamental. Entretanto foi-nos facultada entre todos uma forma da regressão temporal não ser tão aborrecida: um quiz de futebol mas invertido, dada uma resposta seria necessário encontrar a pergunta correcta. E eu não acertei nenhuma porque eu sou só bom a dar respostas porque sei bué factos, porque sempre achei que fosse talvez importante para o futuro colecionar factos como existe quem ache que é importante colecionar dinheiro - sei que isto agora pode parecer um bocado surreal, mas a verdade é que em 2204 finalmente percebemos que a resposta é saber fazer as perguntas certas. A merda é que como isso em si é uma resposta, é considerado inválido, pelo que andamos num ciclo infinito filosófico desde há 30 anos quando Mormate Huynxu acidentalmente disse isso depois de comer uma manobra de heimlich e se interpretou ser a palavra dos nefilim, ave gloriosos (=hipno-ozil=). Mais uma vez perco me em factos e isto não é uma crítica a mim próprio, é só uma "sugestão" do que poderei fazer melhor para o futuro, sem grande stress. Isto é o template idiossincrático que normalmente uso com as minhas duas namoradas até agora, quando as quero mudar a ser exactamente como eu as idealizo num desenho que faço no dia antes de começar o namoro.
"Olha lá, a gaja entretanto ligou-me e é na boa, já tenho cá o planck colectivo". Festa generalizada no disco voador decorado com a cara do freddy adu, esse excelente primata de jogar à bola que nos deu a liga dos campeões de futebol de 7 em 2022, o nosso último título de estacionamento na galeria dos vencedores.
A verdade é que todos os meios de transporte tavam em perfeita conjugação para nos permitir o encontro a que nos tinhamos proposto 2 dias depois. Eu ando a escrever tudo o que é feminino em masculino e vicío-versa, por sorte tou a reparar, porque caso contrário seguramente seria revelador do meu intra sexo.
"Tou... atão, nunca mais chegam cá? Já estou cá na estação de comboio, é só nazis à volta, filhos da puta, vou partir estes filhos da puta todos. Já perderam a 2ª guerra mundial e não aprendem..."
Ao bruno explicamos que se guardasse para um potencial e previsível descalabro nalgumas horas, powered by benfica.
"Atão pá, mas vocês onde é que andam caralho? Olha... só pra dizer.. que já fodi uma garrafa de rum e entretanto aproveitei e limpei esta merda toda.. já podem vir, deitei tudo abaixo, só resta a estação de comboio.. nazis do caralho morreram todos filhos da puta.. podem vir quando quiserem agora.. pera aí.. o que é que foi filho da puta? .. epá pera aí que tão aqui uns cabrões do outro lado da rua a mandar bocas.. já te ligo"
começava a se afigurar inevitável a possibilidade do cyborg não poder comparecer ao jogo, por todas as razões do mundo. (cont..)
Local:
Germany
és bués da berlim #8 - tese: pouco sobre berlim
caro rofpressor matias silveira,
não elaborei a tese de doutramento a que me propus por mera distração pelo que lamento ter faltado à confiança que depositou em mim. Não sei se lhe serão relevantes as razões que apresento mas passo-lhe a explicar, na esperança que seja solidário com a minha situação:
tava a planear fazer a tese nesta última sexta-feira pela noite e inclusive tinha tomado providências no sentido de que me iria deitar mais tarde que ao normal. Não obstante, quando me deslocava ao supermercado, por mera aleatoriedade, escapou-se me do cálice consciencial o porquê não só da minha viagem ao supermercado como de toda a jornada que normalmente rodeia estas pequenas idas ao supermercado - vida, ou destino, dependendo da sua convicção, que assumo, sendo o senhor ropfessor da área de telecomunicações e portanto com uma certa afinidade à visão estocástica da natureza, ser a primeira.
Nesta viagem notei, paralelamente, que as diferentes tecnologias de transmissão de informação em rede não são mais que meras metáforas para as diferentes crenças canónicas sobre como a vida se desdobra. Dentro dessa alegoria maior, um circuito virtual pode-se equiparar a um destino e um internet protocol a um quasi-livre arbítrio, digamos.
durante o tempo que me desencontrava na mencionada dissertação tecnofilosófica, o meu corpo divagou sem peias pelos andadores do supermercado. Sei que ao início eu fiquei a tocar nos mangos à entrada como sempre faço com os meus 65 anos de suspeição mas a ele o meu corpo não lhe consigo ao certo descrever a trajectória - e dou particular atenção a este pormenor porque parece-me decisivo para o desfecho não só da viagem como da jornada. Se me permite entrar em queda livre por abismos especulativos, talvez tenha depois consultado, suspicaz, o brilho eternista das golden smith, ou a curvatura modelar da banana chiquitita do equador, mas recolecto ao certo que ao recuperar a orientação encontrei-me, por multincidência provavelmente obra do acaso, junto à secção das bebidas.
Perante este desfecho, decidi então consciente - mas assumo que por reflexo condicionado -- que não combati -- -, me dosificar em alcóol. Desta feita, contudo, sobre formas novas nunca dantes navegadas - nomeadamente babashkoff laranja e limão. Naturalmente, e na tentativa de exumar partículas de vida atoladas no cemitério temporal, introduzi, com motivação catalizadora de nostalgia, um red bull e dois frascos de vodka no meu registo consumista. estava de volta a novalja e a todo o recomfortante degredo que isso para sempre significará para a minha vida.
Num grosseiro e irrelevante àparte, talvez justificado por um ímpeto bifurcado de ingenuidade-tipo e exaltação-infantil (tudo sublinhado por uma provável dose de jactância inata), gostaria de aproveitar a oportunidade para lhe fazer uma sugestão quanto à melhor maneira de obter nostalgia. Digo isto porque imagino que para outros, como o Caro rofpressor neste particular, seja tão grande uma aspiração como a minha conseguir atingir nostalgia e sorvê-la de coração remoído. O segredo consiste na activação neuronal localizada através de estímulação sensorial, basta só descobrir a chave para cada fragmento mnemésico e experiência da sua vida. Talvez isto não lhe seja novo, mas a minha grande descoberta recente, no entanto, é outra. Curiosamente, ressalta duma antiga crença minha de que o olfacto era o único dos sentidos que poderia ser dado como facultativo à nascença. Na realidade, representa o mais eficiente (com a audição) dos canais teletransportativos no nosso mapa cerebral. Música e cheiros, tenho vindo a descobrir, são o combustível do psiconauta.
Voltando ao supermercado, apresentei-me de tal maneira alienado do meu próprio entendimento na caixa registadora e o seu apêndice humano que resolvi, por precaução, reservar uma pausa para mim próprio com o motivo de recomposição racional. Resulta que neste processo de pausa me é solicitada pela psique uma reavaliação dos conteúdos da minha caixa de produtos a adquirir, mormente pela ausência de substâncias sólidas que me pudessem manter consciente nas horas subsequentes ao consumo hiperbólico de alcóol. Retrocedo corredores até ao pão e regresso triunfante ao local de pagamento. Sinto-me confiante socialmente porque tenho suporte financeiro para a operação comercial que irei propor ao estabelecimento de distribuição alimentar. Sou, para todos os efeitos, mais que um humano, um cidadão cumpridor de protocolos. Trabalho e consumo, como acabaria por fazer em qualquer sistema de organização colectiva, do tribalismo ao fascismo mas infelizmente o sistema em que estou mergulhado não é o da moda, porque é o vigente, e importa renegá-lo e estigmatizá-lo para se sobrepor à maioria ignorante. O mourinho tá para o futebol como o capitalismo democrático para as doutrinas socio-económicas - servem como trampolins para a elevação crítica pseudo-intelectual, daquela que se faz sentado numa esplanada, de calças justas ao tornozelo, bigode irónico, um iPhone numa mão e um café biológico em cima da mesa.
Isto leva-me à questão dos paradigmas, senhor ropfessor, e da minha parte favorita dos paradigmas - a de refutação popperiana e consequente - adoro esta parte - ruptura, rutura, rotura, destruição, aniquilação de paradigmas e seus apoiantes, mas penso que isto será uma tentação média a qualquer cientista de renome como eu, tanto que muitas vezes nos precipitamos na ansia de contrariar. perigoso, atenção.
Volvi à minha habitação à procura de conforto, seduzido pelos três aquecedores do quarto e o magnetismo abstrato que paira em frente ao meu ecrã de computador. Inspirava alcóol e permutava a atenção entre 3 buracos negros sobre a forma de facebook, google reader e Marca. A mulher que conheci em 2003 no rato e que tive breve período de contacto humano tem um gato novo a 7000 km de distância, uma miúda imersa em filosofias subversivas fringe encontrou uma fotografia duma vagina desfigurada e publicou no blog. ela gosta destas coisas porque vive aborrecida no meio do wisconsin. o cristiano ronaldo continua a bater recordes de golos e o mourinho, mercurial como sempre, fez cócó na boca do presidente juan carlos de castela.
Que mais fazer senão beber? Eu sóbrio estou desalinhado caro ropfessor. Estou desalinhado e regularmente no comboio questiono-me sobre porque é que não namoro com uma modelo em madrid ou sou CEO da maçonaria, as coisas que mais quero. Bêbedo estou no estado quântico fundamental, estou em harmonia com o mundo. a minha namorada passa a ser uma modelo de várias nacionalidades fetiche e a maçonaria passa a ser uma organização inofensiva para velhos que gostam de se vestir de forma estúpida, como na realidade.
E foi assim que justificadamente me escapou o enquadramento de responsabilidade que se exige e espera para se fazer uma tese. Não fui eu, foi o mundo senhor matias. Eu só sou uma peça e a edita vilkeviciute de kaunas, capricórnio nascida a 1 de janeiro de 1989 é outra. Tenho de dar outra oportunidade a ac milão, porque das outras 120 vezes nao vi corno disto.
não elaborei a tese de doutramento a que me propus por mera distração pelo que lamento ter faltado à confiança que depositou em mim. Não sei se lhe serão relevantes as razões que apresento mas passo-lhe a explicar, na esperança que seja solidário com a minha situação:
tava a planear fazer a tese nesta última sexta-feira pela noite e inclusive tinha tomado providências no sentido de que me iria deitar mais tarde que ao normal. Não obstante, quando me deslocava ao supermercado, por mera aleatoriedade, escapou-se me do cálice consciencial o porquê não só da minha viagem ao supermercado como de toda a jornada que normalmente rodeia estas pequenas idas ao supermercado - vida, ou destino, dependendo da sua convicção, que assumo, sendo o senhor ropfessor da área de telecomunicações e portanto com uma certa afinidade à visão estocástica da natureza, ser a primeira.
Nesta viagem notei, paralelamente, que as diferentes tecnologias de transmissão de informação em rede não são mais que meras metáforas para as diferentes crenças canónicas sobre como a vida se desdobra. Dentro dessa alegoria maior, um circuito virtual pode-se equiparar a um destino e um internet protocol a um quasi-livre arbítrio, digamos.
durante o tempo que me desencontrava na mencionada dissertação tecnofilosófica, o meu corpo divagou sem peias pelos andadores do supermercado. Sei que ao início eu fiquei a tocar nos mangos à entrada como sempre faço com os meus 65 anos de suspeição mas a ele o meu corpo não lhe consigo ao certo descrever a trajectória - e dou particular atenção a este pormenor porque parece-me decisivo para o desfecho não só da viagem como da jornada. Se me permite entrar em queda livre por abismos especulativos, talvez tenha depois consultado, suspicaz, o brilho eternista das golden smith, ou a curvatura modelar da banana chiquitita do equador, mas recolecto ao certo que ao recuperar a orientação encontrei-me, por multincidência provavelmente obra do acaso, junto à secção das bebidas.
Perante este desfecho, decidi então consciente - mas assumo que por reflexo condicionado -- que não combati -- -, me dosificar em alcóol. Desta feita, contudo, sobre formas novas nunca dantes navegadas - nomeadamente babashkoff laranja e limão. Naturalmente, e na tentativa de exumar partículas de vida atoladas no cemitério temporal, introduzi, com motivação catalizadora de nostalgia, um red bull e dois frascos de vodka no meu registo consumista. estava de volta a novalja e a todo o recomfortante degredo que isso para sempre significará para a minha vida.
Num grosseiro e irrelevante àparte, talvez justificado por um ímpeto bifurcado de ingenuidade-tipo e exaltação-infantil (tudo sublinhado por uma provável dose de jactância inata), gostaria de aproveitar a oportunidade para lhe fazer uma sugestão quanto à melhor maneira de obter nostalgia. Digo isto porque imagino que para outros, como o Caro rofpressor neste particular, seja tão grande uma aspiração como a minha conseguir atingir nostalgia e sorvê-la de coração remoído. O segredo consiste na activação neuronal localizada através de estímulação sensorial, basta só descobrir a chave para cada fragmento mnemésico e experiência da sua vida. Talvez isto não lhe seja novo, mas a minha grande descoberta recente, no entanto, é outra. Curiosamente, ressalta duma antiga crença minha de que o olfacto era o único dos sentidos que poderia ser dado como facultativo à nascença. Na realidade, representa o mais eficiente (com a audição) dos canais teletransportativos no nosso mapa cerebral. Música e cheiros, tenho vindo a descobrir, são o combustível do psiconauta.
Voltando ao supermercado, apresentei-me de tal maneira alienado do meu próprio entendimento na caixa registadora e o seu apêndice humano que resolvi, por precaução, reservar uma pausa para mim próprio com o motivo de recomposição racional. Resulta que neste processo de pausa me é solicitada pela psique uma reavaliação dos conteúdos da minha caixa de produtos a adquirir, mormente pela ausência de substâncias sólidas que me pudessem manter consciente nas horas subsequentes ao consumo hiperbólico de alcóol. Retrocedo corredores até ao pão e regresso triunfante ao local de pagamento. Sinto-me confiante socialmente porque tenho suporte financeiro para a operação comercial que irei propor ao estabelecimento de distribuição alimentar. Sou, para todos os efeitos, mais que um humano, um cidadão cumpridor de protocolos. Trabalho e consumo, como acabaria por fazer em qualquer sistema de organização colectiva, do tribalismo ao fascismo mas infelizmente o sistema em que estou mergulhado não é o da moda, porque é o vigente, e importa renegá-lo e estigmatizá-lo para se sobrepor à maioria ignorante. O mourinho tá para o futebol como o capitalismo democrático para as doutrinas socio-económicas - servem como trampolins para a elevação crítica pseudo-intelectual, daquela que se faz sentado numa esplanada, de calças justas ao tornozelo, bigode irónico, um iPhone numa mão e um café biológico em cima da mesa.
Isto leva-me à questão dos paradigmas, senhor ropfessor, e da minha parte favorita dos paradigmas - a de refutação popperiana e consequente - adoro esta parte - ruptura, rutura, rotura, destruição, aniquilação de paradigmas e seus apoiantes, mas penso que isto será uma tentação média a qualquer cientista de renome como eu, tanto que muitas vezes nos precipitamos na ansia de contrariar. perigoso, atenção.
Volvi à minha habitação à procura de conforto, seduzido pelos três aquecedores do quarto e o magnetismo abstrato que paira em frente ao meu ecrã de computador. Inspirava alcóol e permutava a atenção entre 3 buracos negros sobre a forma de facebook, google reader e Marca. A mulher que conheci em 2003 no rato e que tive breve período de contacto humano tem um gato novo a 7000 km de distância, uma miúda imersa em filosofias subversivas fringe encontrou uma fotografia duma vagina desfigurada e publicou no blog. ela gosta destas coisas porque vive aborrecida no meio do wisconsin. o cristiano ronaldo continua a bater recordes de golos e o mourinho, mercurial como sempre, fez cócó na boca do presidente juan carlos de castela.
Que mais fazer senão beber? Eu sóbrio estou desalinhado caro ropfessor. Estou desalinhado e regularmente no comboio questiono-me sobre porque é que não namoro com uma modelo em madrid ou sou CEO da maçonaria, as coisas que mais quero. Bêbedo estou no estado quântico fundamental, estou em harmonia com o mundo. a minha namorada passa a ser uma modelo de várias nacionalidades fetiche e a maçonaria passa a ser uma organização inofensiva para velhos que gostam de se vestir de forma estúpida, como na realidade.
E foi assim que justificadamente me escapou o enquadramento de responsabilidade que se exige e espera para se fazer uma tese. Não fui eu, foi o mundo senhor matias. Eu só sou uma peça e a edita vilkeviciute de kaunas, capricórnio nascida a 1 de janeiro de 1989 é outra. Tenho de dar outra oportunidade a ac milão, porque das outras 120 vezes nao vi corno disto.
365 dias depois, Berlim (when you smile)
a determinado momento da madrugada de sábado subi para o parapeito da minha janela e escolhi o lado de fora. Um amigo disputou a acção. Numa noite no limiar da realidade sobrou-me existencialismo e quis oferecer um pouco à plateia. Um pedro caiu 4 andares, outro só se debruçou sobre a morte e voltou 5 minutos depois para dentro para assistir à multitragicomédia de 5 pessoas terminalmente dissociadas da consciência a embarcar em comportamentos macabramente dissonantes. a puta do manicómio passou-se. é melhor a faye ficar em casa na próxima.
perdeu-se um sofá para o vómito e um disco externo com 15 anos de música para a gravidade via click of death. Adler wochenende, não houve história, é só um buraco negro.
(Um Doutorado em formação de galáxias rasteja no chão enquanto um engenheiro de controlo de qualidade da nokia "dança")
(não sei o que é isto mas acabou com o gay à direita a me abraçar pela cintura e a pedir um beijo ao que eu respondi "listen man, i don't want to be disrespectful or anything but i'm not fucking gay", de acordo com o costa. mais tarde veio-me a encharcar o sofá em vómito como vingança)
"el ciclo infernal"
perdeu-se um sofá para o vómito e um disco externo com 15 anos de música para a gravidade via click of death. Adler wochenende, não houve história, é só um buraco negro.
(Um Doutorado em formação de galáxias rasteja no chão enquanto um engenheiro de controlo de qualidade da nokia "dança")
(não sei o que é isto mas acabou com o gay à direita a me abraçar pela cintura e a pedir um beijo ao que eu respondi "listen man, i don't want to be disrespectful or anything but i'm not fucking gay", de acordo com o costa. mais tarde veio-me a encharcar o sofá em vómito como vingança)
"el ciclo infernal"
um ano em Agosto, uma ilha no mediterraneo (memoria do tipo "jazuz")
+ vale saltar já pró últimate fotokilograma pq isto é td prosa-superflua (mas de grande nível) pra poder pôr essa RF-erência fotobinária aqui sem dar cana de açucar pra fazer aguardente em casa (note-se a utilização_de váriadias ténicas de quebra de transdução pra emcriptar o 1º parógrafo abaixo de zero - podes usar o que quiseres só te sai esta frase, namorada estrangeira)
olá!
decorria o ano de todas as mudanças, e em particular, a mudança que viria a ser a maior tinha ocorrido por via duma dança no carpe diem II há 3000 anos atrás.
em 2,7 mil eu brincava ao associativismo juvenil, o que me fodeu 93% da vontade de me deslocar ao IST por razões académicas, por razões óbvias, por razões matrimoniais, por razões psicomotoras, por razões de trissomia, por razões de burnout. Mas ao menos mamei dinheiro à pala do tencnico e safei me à filha da puta pra um interrail com guita dos contribuintes. Por ir a reuniões e defender os alunos e isso.

Nisto tavamos em belgrado e apanhamos o suburbano pra atenas por entre choros e remorsos de não termos tentado flash mob gang bang na sanja durante a última noite. Paramos em várias estações das quais destaco por ordem de chegada à memória ruud van Nis , scófia, testalónica, larissa riquelme e umas vistas pro monte olimpico de munique 36. Escusado será dizer que em testa assistimos ao paokara, do qual trouxe um caxecool a dizer em maiúsculas pi-A-o-K o que significa pantestalónicos atlético regressados de konstantinopla. Os testalónicos são loucos pra começar. Era um jogo amigável contra o liforno e mesmo assim amandaram com bués da verylights e torchas.
(antes da simetrização facial, obrigado doutor jones)
Entretanto desde que tinhamos bazado de branco castelo já mais de 30 horas se tinham evaporado sem que tivesse havido oportunidade de recomposição higiénica por exemplo. Eu pessoalmente ainda tava a cajú e everlong mas sobrevivia. As estações de comboio têm sandes de merda, quando me tento lembrar de qualquer coisa morro sempre neste pensamento.
(pat sonha com rúben)
O último comboio de testalónica pra antenas partiu às 22h com 55º à sombra, e não tinha cadeiras mas só beliches. o nosso quarto era partilhado com um indivíduo de raça negra e uma gaja grega in medias res da sua 3ª década, vulgo frustrada. Todos entramos no comboio a apelar ao futuro que não nos reservasse convergência de cabine mas assim foi e 2 minutos volvidos na carruagem o caldo já se entornava. A gaja grega acho que era um bocado racista, e nas montanhas anti-europeista. Olhando pra isto agora assim friamente, a gaja até se calhar tinha razão na cena da europa. O coitado do black dormiu isolado no beliche, há males que vêm por bem e a catinga é bem capaz de ser uma arma contra vários incómodos. O patrício e a grega viveram um romance aceso durante toda a viagem, jogados no chão como almas livres a viver uma efémera paixão de comboio.
(o preto a dormir no beliche, visto do corredor)
Chegamos fortes, com 46 horas de viagem em cima, sem barco, sem dignidade e não vimos a acrople. Porque fomos directos pró porto de recreio do metro de syntagma pra sermos naturalmente enrabados na venda dos bilhetes de catamarande. Foram 7 da manhã carregadas de forte névoa cansática que condicionaram esta previsibilidade. Felizmente ao menos só tivemos que esperar mais 8 horas pelo barco. A Grécia fica mesmo a norte do egipto, daí a mútua influência pagã se reparares - difícil acreditar que os minoanos é que fizeram a ponte, uma ilha tão tretas, sem um clube de futebol a sério sequer.
(pat sonha "acordado")
Descansamos de forma desortodoxa em frente dumas escadas ortodoxas em pireias mas houve uma alta ideia em ir procurar uma lavandaria. Tava com tanta vontade de ir procurar uma lavandaria como de enfiar uma knifa no ocipital e começar a ver só pilas à frente mas as coisas são assim e manada é mainada. Já antes todos nós nos tinhamos-nos nos chateado-nos uns cús outros por diversas razões, o que fora, fazendo a regra de 3 simples, um x na cheque list do interrail, que já tinhamos lido antes em sites da especialidade. Mas em toda a honestidade foi uma ideia do topo da liga porque - tinha me esquecido ao abrigo das temperaturas exruciantes -, eu já não tinha roupa boa pra atacar o pat/rúben na ilha de santorini morango e avelã, e na minha cabeça ou era em santorini no pôr do sol em oia que vi em fotos na internet ou nunca mais na vida lhes alcancaria um beijo, ou quiça talvez mais qualquer coisa... deixo em aberto.
(isto foi no carnaval de torres)
Então fomos perdidos em direcção a uma levandaria sem ter sequer mapas porque o lonely planet não pensava num gajo querer lavandarias em olympiakos piraeus. o lonely planet - prós novos em 2028 (aviva/mia/kratos) -, era aquela cena que os backpackers vulgo commonwealthers levavam há uns anos pra se orientarem mas que agora são bué mainstream para além de que só compilam tourist trumps. O melhor agora é saberes a word da street à moda antiga - e só assim pra te levares a sério cómum viajante "autêntico". E foi assim que na realidade encontrámos a lavandaria e na realidade lavámos a roupa e na realidade fómos "dormir" pro pé do barco depois.
(levandaria socrática secreta)
(pat sempre alerta)
Entretanto à medida que o relógio batia nas 5 da tarde o nosso ponteiro subia ao meio-dia com o afluxo de pitas gyras (HAHA) a embar/borcar pela popa rasa do navio adentro como se tivessem a distribuir proas, perdão, rebuçados, na proa (HAHAH). E é então que começamos a voar baixinho enquanto personagens espirituosos e dominantes socialmente:
(descontrolados de entusiasmo a caminho de santorini)
A viagem em si foi de grande camaradagem e companheirismo individual. Mesmo assim, a bordo do navio ultrasónico do tipo catamaran houve ainda tempo para desbravar estéticamente a inteira totalidade da península do pelopopepmpeso kalamaratiotis susudoeste. E que estética:
o pelopopepmpeso, na horizontal amarela
Piada é que nisto um dá-se de si e ascende espiritualmente a um hieróglifo. Mar jónio, onde tudo aconteceu: onde passaram os barcos com o bronze de erzebirge pro colllosso de rodas..., onde passaram os barcos com a madeira romena pro cavalo de trojan..., onde passaram os barcos com filósofos gregos prá pedoparade de helicarnasso '577 AC..., onde atravesseram em trajectória túnel-de-luz os fotões mágicos a azeite do grande faraó de alexandria..., onde se encontra o ponto heléniocêntrico de iluminação máxima do intelecto humano de todos os tempos, em knossos, entre hypatia, eratostenes, dramasco, shtambul e parabólicas ao mesmo tempo. Tudo isto serve pra um gajo se interrogar sobre cenas realmente relevantes. Porque é que o egiptos não puseram um acabamento em diamante na keops? Se os grandes cientistas naturais todos eram larilas, será a homossexualidade um sintoma de genialidade? Se os grandes cientistas naturais todos eram pedófilos, serão as crianças uma fonte de inspiração intelectual? constantinopla afinal foi grega alguma vez ou não? o chipre é a nova ibiza? se o danilo tá no delta do nilo, o alfa onde tá? será que vão haver mais atentados terroristas em luxor/sharm-el-sheikh ou os 20 club meds de haifa já têm a taxa de ocupação a 100% prós próximos 50 séculos?
(se o sol se põe nas minhas costas, como fodo a luana?)
(pat em altas)
como é óbvio, acabamos por nunca chegar ao nosso destino. tou a brincar, o barco afundou. E o tony the legend(/) disse nos(*)
/where are you from?
*portugal
/AH PORTUGALIA, MY FRIENDS! You need place to stay?
*we don't have much money
/NO PROBLEM! I KNOW YOUR SITUATION, COME WITH ME
*we can't afford much
/I KNOW PORTUGALIA, MY FRIEND, I KNOW YOUR SITUATION, WAIT HERE FOR ME
o tony deixou-nos intencionalmente numa área reservada imaginária dum canto notoriamente mal iluminado e foi recrutar mais malta à saida do barco. Presumo que tenha sido uma estratégia pra não sermos interpolados por outro touripredador.
passados 5 minutos o tony volta com uma gaja boa e um piolho namorado dela, ela era capaz de ser francesa e ele americano ou talvez vice-versa, ambas as hipóteses fazem sentido
o tony levou-nos pra uma ford transit se calhar vermelha sem nunca nos atirar um preço pró ar. /WE WILL SEE, COME WITH ME, WE TALK AFTER, DONT WORRY PORTUGALIA. Tivemos quase a lhe atirar um bife com batatas fritas.
(a ford transit "vermelha" do tony)
o pat ao se sentar no banco de trás da ford, o estofe deu um mortal à rectaguarda, ainda bem que o tony não viu. No caminho fomos a ouvir um monólogo de marketing do Tony.
podia explicar o que significa privar com o tony the legend mas é perder tempo. Não existe semântica pra um personagem destes. Ele basicamente domina de forma avassaladora a sociedade de perissa, é uma vila que gira em torno do seu astro maior, o rei tony e o resto deverá se adaptar. Prós turistas, ele no fundo tá ali pra ganhar dinheiro, mas é acho que é também bom rapaz. Nós não pagamos uma noite, talvez por lapso da mulher dele, que faz a contabilidade. Nunca vamos saber. Eis como tony the legend se descreve a si próprio:
"Antonio Prekas, born and raised in Santorini is a very succesful hotel owner who started creating his art work as a hobby in 2000. His art is many hotels around Santorini Island. Tony began creating his art while working as a carpenter for twelve years. Over the years his art work has developed and become very popular."
um dia alguma cena vai me fazer escrever o que se passou em santorini, mas agora não tenho paxorra e acho que se meter esta merda agora aqui já não dá grande cana porque é a continuação da história.
No tony the legend villa conhecemos umas italianas
(primeira vez que provei amstel)
olá!
decorria o ano de todas as mudanças, e em particular, a mudança que viria a ser a maior tinha ocorrido por via duma dança no carpe diem II há 3000 anos atrás.
em 2,7 mil eu brincava ao associativismo juvenil, o que me fodeu 93% da vontade de me deslocar ao IST por razões académicas, por razões óbvias, por razões matrimoniais, por razões psicomotoras, por razões de trissomia, por razões de burnout. Mas ao menos mamei dinheiro à pala do tencnico e safei me à filha da puta pra um interrail com guita dos contribuintes. Por ir a reuniões e defender os alunos e isso.
Nisto tavamos em belgrado e apanhamos o suburbano pra atenas por entre choros e remorsos de não termos tentado flash mob gang bang na sanja durante a última noite. Paramos em várias estações das quais destaco por ordem de chegada à memória ruud van Nis , scófia, testalónica, larissa riquelme e umas vistas pro monte olimpico de munique 36. Escusado será dizer que em testa assistimos ao paokara, do qual trouxe um caxecool a dizer em maiúsculas pi-A-o-K o que significa pantestalónicos atlético regressados de konstantinopla. Os testalónicos são loucos pra começar. Era um jogo amigável contra o liforno e mesmo assim amandaram com bués da verylights e torchas.
Entretanto desde que tinhamos bazado de branco castelo já mais de 30 horas se tinham evaporado sem que tivesse havido oportunidade de recomposição higiénica por exemplo. Eu pessoalmente ainda tava a cajú e everlong mas sobrevivia. As estações de comboio têm sandes de merda, quando me tento lembrar de qualquer coisa morro sempre neste pensamento.
O último comboio de testalónica pra antenas partiu às 22h com 55º à sombra, e não tinha cadeiras mas só beliches. o nosso quarto era partilhado com um indivíduo de raça negra e uma gaja grega in medias res da sua 3ª década, vulgo frustrada. Todos entramos no comboio a apelar ao futuro que não nos reservasse convergência de cabine mas assim foi e 2 minutos volvidos na carruagem o caldo já se entornava. A gaja grega acho que era um bocado racista, e nas montanhas anti-europeista. Olhando pra isto agora assim friamente, a gaja até se calhar tinha razão na cena da europa. O coitado do black dormiu isolado no beliche, há males que vêm por bem e a catinga é bem capaz de ser uma arma contra vários incómodos. O patrício e a grega viveram um romance aceso durante toda a viagem, jogados no chão como almas livres a viver uma efémera paixão de comboio.
Chegamos fortes, com 46 horas de viagem em cima, sem barco, sem dignidade e não vimos a acrople. Porque fomos directos pró porto de recreio do metro de syntagma pra sermos naturalmente enrabados na venda dos bilhetes de catamarande. Foram 7 da manhã carregadas de forte névoa cansática que condicionaram esta previsibilidade. Felizmente ao menos só tivemos que esperar mais 8 horas pelo barco. A Grécia fica mesmo a norte do egipto, daí a mútua influência pagã se reparares - difícil acreditar que os minoanos é que fizeram a ponte, uma ilha tão tretas, sem um clube de futebol a sério sequer.
Descansamos de forma desortodoxa em frente dumas escadas ortodoxas em pireias mas houve uma alta ideia em ir procurar uma lavandaria. Tava com tanta vontade de ir procurar uma lavandaria como de enfiar uma knifa no ocipital e começar a ver só pilas à frente mas as coisas são assim e manada é mainada. Já antes todos nós nos tinhamos-nos nos chateado-nos uns cús outros por diversas razões, o que fora, fazendo a regra de 3 simples, um x na cheque list do interrail, que já tinhamos lido antes em sites da especialidade. Mas em toda a honestidade foi uma ideia do topo da liga porque - tinha me esquecido ao abrigo das temperaturas exruciantes -, eu já não tinha roupa boa pra atacar o pat/rúben na ilha de santorini morango e avelã, e na minha cabeça ou era em santorini no pôr do sol em oia que vi em fotos na internet ou nunca mais na vida lhes alcancaria um beijo, ou quiça talvez mais qualquer coisa... deixo em aberto.
(isto foi no carnaval de torres)Então fomos perdidos em direcção a uma levandaria sem ter sequer mapas porque o lonely planet não pensava num gajo querer lavandarias em olympiakos piraeus. o lonely planet - prós novos em 2028 (aviva/mia/kratos) -, era aquela cena que os backpackers vulgo commonwealthers levavam há uns anos pra se orientarem mas que agora são bué mainstream para além de que só compilam tourist trumps. O melhor agora é saberes a word da street à moda antiga - e só assim pra te levares a sério cómum viajante "autêntico". E foi assim que na realidade encontrámos a lavandaria e na realidade lavámos a roupa e na realidade fómos "dormir" pro pé do barco depois.
Entretanto à medida que o relógio batia nas 5 da tarde o nosso ponteiro subia ao meio-dia com o afluxo de pitas gyras (HAHA) a embar/borcar pela popa rasa do navio adentro como se tivessem a distribuir proas, perdão, rebuçados, na proa (HAHAH). E é então que começamos a voar baixinho enquanto personagens espirituosos e dominantes socialmente:
A viagem em si foi de grande camaradagem e companheirismo individual. Mesmo assim, a bordo do navio ultrasónico do tipo catamaran houve ainda tempo para desbravar estéticamente a inteira totalidade da península do pelopopepmpeso kalamaratiotis susudoeste. E que estética:
Piada é que nisto um dá-se de si e ascende espiritualmente a um hieróglifo. Mar jónio, onde tudo aconteceu: onde passaram os barcos com o bronze de erzebirge pro colllosso de rodas..., onde passaram os barcos com a madeira romena pro cavalo de trojan..., onde passaram os barcos com filósofos gregos prá pedoparade de helicarnasso '577 AC..., onde atravesseram em trajectória túnel-de-luz os fotões mágicos a azeite do grande faraó de alexandria..., onde se encontra o ponto heléniocêntrico de iluminação máxima do intelecto humano de todos os tempos, em knossos, entre hypatia, eratostenes, dramasco, shtambul e parabólicas ao mesmo tempo. Tudo isto serve pra um gajo se interrogar sobre cenas realmente relevantes. Porque é que o egiptos não puseram um acabamento em diamante na keops? Se os grandes cientistas naturais todos eram larilas, será a homossexualidade um sintoma de genialidade? Se os grandes cientistas naturais todos eram pedófilos, serão as crianças uma fonte de inspiração intelectual? constantinopla afinal foi grega alguma vez ou não? o chipre é a nova ibiza? se o danilo tá no delta do nilo, o alfa onde tá? será que vão haver mais atentados terroristas em luxor/sharm-el-sheikh ou os 20 club meds de haifa já têm a taxa de ocupação a 100% prós próximos 50 séculos?
como é óbvio, acabamos por nunca chegar ao nosso destino. tou a brincar, o barco afundou. E o tony the legend(/) disse nos(*)
/where are you from?
*portugal
/AH PORTUGALIA, MY FRIENDS! You need place to stay?
*we don't have much money
/NO PROBLEM! I KNOW YOUR SITUATION, COME WITH ME
*we can't afford much
/I KNOW PORTUGALIA, MY FRIEND, I KNOW YOUR SITUATION, WAIT HERE FOR ME
o tony deixou-nos intencionalmente numa área reservada imaginária dum canto notoriamente mal iluminado e foi recrutar mais malta à saida do barco. Presumo que tenha sido uma estratégia pra não sermos interpolados por outro touripredador.
passados 5 minutos o tony volta com uma gaja boa e um piolho namorado dela, ela era capaz de ser francesa e ele americano ou talvez vice-versa, ambas as hipóteses fazem sentido
o tony levou-nos pra uma ford transit se calhar vermelha sem nunca nos atirar um preço pró ar. /WE WILL SEE, COME WITH ME, WE TALK AFTER, DONT WORRY PORTUGALIA. Tivemos quase a lhe atirar um bife com batatas fritas.
o pat ao se sentar no banco de trás da ford, o estofe deu um mortal à rectaguarda, ainda bem que o tony não viu. No caminho fomos a ouvir um monólogo de marketing do Tony.
podia explicar o que significa privar com o tony the legend mas é perder tempo. Não existe semântica pra um personagem destes. Ele basicamente domina de forma avassaladora a sociedade de perissa, é uma vila que gira em torno do seu astro maior, o rei tony e o resto deverá se adaptar. Prós turistas, ele no fundo tá ali pra ganhar dinheiro, mas é acho que é também bom rapaz. Nós não pagamos uma noite, talvez por lapso da mulher dele, que faz a contabilidade. Nunca vamos saber. Eis como tony the legend se descreve a si próprio:
"Antonio Prekas, born and raised in Santorini is a very succesful hotel owner who started creating his art work as a hobby in 2000. His art is many hotels around Santorini Island. Tony began creating his art while working as a carpenter for twelve years. Over the years his art work has developed and become very popular."
um dia alguma cena vai me fazer escrever o que se passou em santorini, mas agora não tenho paxorra e acho que se meter esta merda agora aqui já não dá grande cana porque é a continuação da história.
No tony the legend villa conhecemos umas italianas
Etiquetas:
Crónica,
Flashbecker,
Fotolog
17 de Agosto 2010, Berlim (quotidiano)
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta, eu acho, mas ainda não percebi muito bem, que o trabalho é uma cena, do tipo actividade, que consiste em olhar para cidades de cima e secundariamente em permanecer um determinado número de horas predefinidas por semana em insistente assédio a indianos e indonésios membros da oligarquia asiática ao nível do middle management. O objectivo parece ser tentar convencê-los a fazer aquilo que é o trabalho deles. E pelo que percebo é assim o plano operacional de qualquer forte empresa cotada em bolsar e continua em espiral ascendente até espoo, na finlândia, até ao Oli Pekka Pekkokko Pachekkokik, o necromancer de nível 14 que comanda a norkia. Eu era nível 5 quando escrevi isto, a título comparativo.
Mais tarde praí às 13 horas, enquanto falava com o Srikanth - talvez um ser humano talvez uma boneca insuflável -, deu me comichão no nariz e lembrei-me todo entusiasmado foda-se esta merda na minha cultura diz-se que vão nos dar um presente, o que será que dizem na acultura do Srikanth Koyili sobre esta importante reacção epidérmica. A propósito, um presente e boneca insuflável associam-se ao meu primo Rodrigo em triângulo magicado e de repente o triângulo ilumina-se, faz zoom, blur + fade e aparece a memória duma conversa às escuras no dia 19 de Agosto de 1999, no dia em que ele fez 16 anos e recebeu uma boneca insuflável "na brincadeira" e que prontamente tentamos violar à noite mas ele furou tal era a taradice, mas eu nunca percebi como e não quero perguntar mesmo volvidos 11 anos, para o proteger.
*Com que será que me Irão presentear, passe o trocado étnico. Não sei, não faço ideia, não há razões pois não, concluo em pergunta retórica*
Conversei mais 2 horas com o Srikanth, Asif, Naveen, Wahyu, Afrizal, Rakhmat,Imran, Hendra e Saravanan a tentar convencê-los pelo 8º mês consecutivo a fazerem o filha da puta do trabalho deles por instant messenger - apesar de todos tarem na mesma sala que eu, dentro de linha de vista - para deixá-los à vontade em relação ao síndroma dos olhos nos olhos. E saí para a rua pela porta pequena.
Para ir para casa agora tenho um desvio de 300% no percurso, ilustrado em baixo.
(feito com base no programa que desenvolvo por minhas próprias mãos diariamente)
Ia em Schlegelstrasse contudo e qualquer coisa se passou. No fundo o que se passou foi que fui surpreendido por uma mulher loira que aparentava tanto ter 40 anos como foder com a vontade de 16 (anos) e um homem de aspecto pálido. Intercederam-me e apresentaram-se. Era a Diane Kruger e o Heath Ledger. Encontrei-os sensivelmente aqui no X:
o-|
| ___
| |o|
|---X------|
Ela disse-me de pronto: sabes o que é que tou a ouvir no meu iPod? The Libertines. Repliquei-lhe isso diz mais sobre a kate moss do que de ti sabes? o Heath percebeu e adicionou "tu sabes bem, miúdo", em inglês. Demos high five mas falhou, ainda tentei outra vez mas não lhe conseguia acertar na mão, altas ilusões de óptica que me tava a dar. o Srikanth passa de lamborghini descapotável e o ricky martin ao lado, eles acenam à Diane. Isto é "Berlim", no fundo, não me surpreendeu.
Porque é que me intercederam, vocês? - Tavamos à tua procura para um casting - disseram em uníssono - a Diane fica super entusiasmada porque pôde pedir um desejo. E eu pró Ledger, a dar uma beca desprezens à Diane (pra lhe meter o pito em modo dá me atenção por favor), rapaz, não tenho muita paciência pra essas cenas, uma vez convidaram-me no chiado pra participar numa passagem de modelos e eu caguei de alto, naquela.. melhor ser o gajo que nunca conseguiu nada porque não quis do que ser o gajo que podia ter sido tanta merda mas afinal no fim não deu pra um caralho. Melhor a ilusão de óptica social.
O Heath só diz de volta: míudo confia, tranquilo, tens o touch pro que precisamos, diabos me levem se não é verdade. Deu prá despesa. O resto foi um bocado rápido.
Fomos pró casting, na casa da Diane, em Greenwhich village, manhattan, algonquin e ela leva-me a um quarto cheio de canela até aos tornozelos e eu eish foda-se cenas bué kinky aqui a bombar já tou a ver diana. E ela nã, relaxa, tens de ver as coisas como elas são, não como os outros querem que as vejas. OK vou tentar sem a cena das convenções de genebra ver no que dá mas tenho o limite em paneleiradas por isso melhor deixar o HL de fora disto do casting que já nã curti mto a conversa do touch e só um paneleiro diz diabos me levem no dias que correm. Ela acede e diz-me sabes... peter... posso te chamar peter não posso? - e eu, posso te chamar francisca? - Não, o meu nome é Diane... - Então pronto, a comunicar nos entendemos. - OK Pedrow, whatever. Thing is, reason i got you here in the first place wasn't because i wanted to audition you.. reason was that i've been noticing you since you went to the Shy Chef in Kreuzberg. I was hiding under the blanket, on Quentin's room - Quentin wasn't there though he had gone out with some Thai infants-, but anyways, while you were having supper with those obnoxious Texans and the desperate Swiss girl (sigh) i noticed how sexy your ankles look. - Wait, my ankles? - Yeah... you know, people give too much importance to ordinary, conventional aspects of human beings.. i'm starting to get fed up with that, i believe humans are much more than dicks boobs and asses, i believe ankles and elbows should be valued at least at the same level.. but if you ask me... the ankles really get me going..
Não é fácil gerir uma gaja com o cio, não tinha grande paxorra praquela merda até porque tinha bola às 7 no poststadion, tive que alegar a cena da namorada como fiz tantas vezes mas desta vez era mesmo verdade. - Diana eu tenho uma namorada em casa à minha espera. Ela gosta de adormecer encostada no meu ombro enquanto eu conquisto o ranking mundial de PES '10 mas acorda frequentemente com derrotas e não reclama. A isto chama-se amor e talvez deva retribuir ao menos com fidelidade sexual.
Ela rasga-se em brilhantismo e dispara: - Sim, mas broxe noutro continente não conta.
Eu não precisei de autorizar porque os meus olhos diziam tanto que até eu via o eco dos meus olhos. Efectivamente broxe não conta, sempre me disseram, e para além disso também sempre ouvi que noutro país não conta, e por dedução continente ainda mais extremo. A conjugação de dogmas serviu de ignição mútua. Ela mete as mãos em concha e não sei se involuntariamente ou não faz o movimento de retroescavadora que me deixa louco e saca canela do chão. Ergue as mãos no zénite do jonathan savimbi e em movimento brusco larga de cima pra baixo no próprio, cobrindo-o de canela.
Isto é algum ritual? - Não Pedrinho.. tua mãe não te ensinou que as coisas boas vida têm de ser sempre condimentadas? E a canela é a especiaria de quando queres casar com pessoas.
E nisto começa a apreciar o pau de canela de tal forma que eu disse oh diacho, esta agora da canela.. e repara ela interrompe o processo pra dizer assim "tastes like coffee" e eu ah é? "then here comes the cream" e ela pára e diz com os olhos semi cerrados "unpredictable line there matey" com sotaque australiano e eu venho-me em catadupa e finalizo com a linha "now it's like irish coffee, but with portuguese cum" e ela pós finaliza com uma linha de coca.
"Diana, tenho de ir jogar à bola daqui a 10 minutos em Berlim, e é com malta da universidade ténica, inteligente e esperta e acima de tudo inserida no meio de vida bastante do caralho de festas erasmus e isso, não dá pra falhar, como faço?"
Tens a sorte do mundo porque eu na realidade consigo mudar de forma
Como assim?
Eu consigo mudar de forma para uma actriz a fazer de espia disfarçada de actriz.
Mas essa merda pra que é que me serve?
Alternativamente consigo mudar de forma para um golfinho atómico
Qualquer merda é atómica, ó Diane...
golfinho nuclear
Foda-se...
Já sei, olha o HL tem uma tia que tem uma scooter, podes ir para o aeroporto nela e é mais rápido pra chegares ao avião do que apanhares um cab
... onde é que tá a scooter?
no arizona, a tia dele vive em tucson
té logo Diana
o HL tava deitado no chão todo fodido de barriga pra baixo, nem me despedi do gajo, e dou um sprint pela escadaria abaixo.
Manhattan é uma cidade com vários prédios mas as pessoas parecem ser a estrela da cidade. Pra dar ideia mal saí na 42nd com a 6th vi um gajo a passar de mota yamahard R1D2 sem capacete e em cavalo na 6th. Nisto vira prá 42nd em slide no início mas depois recuperou e fez o resto da curva como no motogp, em declive acentuado, ao ponto de tocar com o piercing que tinha no ouvido direito no chão praí uns 1 segundos, suficiente pra criar faísca. O mais incrível é que o gajo com a faísca completamente na descontração saca dum cigarro e acende na faísca e acaba a sair prá 42nd em cavalo outra vez e a fumar ao mesmo tempo. Azar do caralho a roda da frente salta, e eu já a pensar bem agora é que te fodeste e o gajo "não" e acelera em direcção à roda perdida e assenta com o quadro exactamente por cima da roda e aquilo encaixa perfeito. Pra se assegurar que tava tudo bem pró futuro o gajo ainda teve o discernimento de tirar uma sextavada 23 do bolso de trás das calças e apertar as porcas no encaixe da roda. O pior foi que o gajo como ia sem mãos acabou a descair mais prá esquerda e já ia em contra a seta. Por sorte tinha uma rampa a meio da estrada dumas obras do metro e o gajo como já ia em grande velocidade dá alt jump e eu a ver a vida do gajo a andar pra trás já mas do metlife sai um helicóptero dum escritório do 14º andar justamente naquela altura e não é que o sacana acaba direito dentro do helicóptero, de cigarro numa mão e sextavada na outra.. ainda nem tinha acabado de apertar a roda.... foi azar o helicóptero ter largado um vergalhão no memorial ao world trade center
Já ia a apanhar um taxi, um bocado atordoado com isto do motard e a diana vem a correr na vertical pelo prédio abaixo, na parte de fora. Foda-se diana fazes alt parkour. Pedro, não, é isso... tinha pra... queria te dizer mas.. não é suposto
Ouve acho que já temos intimi AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- O quê?
Não sei, tava só a querer dizer qu AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Isso é um meme ou qualquer coisa?
Talvez seja, nesse caso é pouco orig AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro olha não sei a que te referes nem o que se passa contigo, tás bastante estranho, sinto que se calhar tás afectado por qualquer coisa mas a verdade é que eu não sou mesmo humana... as hipóteses que lançei de actriz a fazer de espia disfarçada de actriz, de golfinho atómico e golfinho nuclear eram só pra despistar...
Mas despistar de quê? Eu não suspeitava de n AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro.. eu sou uma barbatana de tubarão de sirius, uma espécie em vias de extinção na galáxia que vois conhecedes como via láctea mas que nós conhecemos como A17, autoestrada setentrional sud-oleste. Estamos em vias de extinção porque todos nos querem proteger do big crunch e então assustam-nos existencialmente e formamos seitas para nos suicidarmos em massa pão.
Temos casos parecid AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Mas olha, eu adquiri conhecimentos que te poderão ser úteis. Pera, vou a casa num instante criar um wormhole e já te ligo
[CHORUS]
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan TAN
Não é que aparecei no poststadion com um equipamento novo do aek?
E eles disseram "ah, tás aqui, deves ter vindo de Bizâncio!" *gargalhada geral*
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
Mais tarde praí às 13 horas, enquanto falava com o Srikanth - talvez um ser humano talvez uma boneca insuflável -, deu me comichão no nariz e lembrei-me todo entusiasmado foda-se esta merda na minha cultura diz-se que vão nos dar um presente, o que será que dizem na acultura do Srikanth Koyili sobre esta importante reacção epidérmica. A propósito, um presente e boneca insuflável associam-se ao meu primo Rodrigo em triângulo magicado e de repente o triângulo ilumina-se, faz zoom, blur + fade e aparece a memória duma conversa às escuras no dia 19 de Agosto de 1999, no dia em que ele fez 16 anos e recebeu uma boneca insuflável "na brincadeira" e que prontamente tentamos violar à noite mas ele furou tal era a taradice, mas eu nunca percebi como e não quero perguntar mesmo volvidos 11 anos, para o proteger.
*Com que será que me Irão presentear, passe o trocado étnico. Não sei, não faço ideia, não há razões pois não, concluo em pergunta retórica*
Conversei mais 2 horas com o Srikanth, Asif, Naveen, Wahyu, Afrizal, Rakhmat,Imran, Hendra e Saravanan a tentar convencê-los pelo 8º mês consecutivo a fazerem o filha da puta do trabalho deles por instant messenger - apesar de todos tarem na mesma sala que eu, dentro de linha de vista - para deixá-los à vontade em relação ao síndroma dos olhos nos olhos. E saí para a rua pela porta pequena.
Para ir para casa agora tenho um desvio de 300% no percurso, ilustrado em baixo.
Ia em Schlegelstrasse contudo e qualquer coisa se passou. No fundo o que se passou foi que fui surpreendido por uma mulher loira que aparentava tanto ter 40 anos como foder com a vontade de 16 (anos) e um homem de aspecto pálido. Intercederam-me e apresentaram-se. Era a Diane Kruger e o Heath Ledger. Encontrei-os sensivelmente aqui no X:
o-|
| ___
| |o|
|---X------|
Ela disse-me de pronto: sabes o que é que tou a ouvir no meu iPod? The Libertines. Repliquei-lhe isso diz mais sobre a kate moss do que de ti sabes? o Heath percebeu e adicionou "tu sabes bem, miúdo", em inglês. Demos high five mas falhou, ainda tentei outra vez mas não lhe conseguia acertar na mão, altas ilusões de óptica que me tava a dar. o Srikanth passa de lamborghini descapotável e o ricky martin ao lado, eles acenam à Diane. Isto é "Berlim", no fundo, não me surpreendeu.
Porque é que me intercederam, vocês? - Tavamos à tua procura para um casting - disseram em uníssono - a Diane fica super entusiasmada porque pôde pedir um desejo. E eu pró Ledger, a dar uma beca desprezens à Diane (pra lhe meter o pito em modo dá me atenção por favor), rapaz, não tenho muita paciência pra essas cenas, uma vez convidaram-me no chiado pra participar numa passagem de modelos e eu caguei de alto, naquela.. melhor ser o gajo que nunca conseguiu nada porque não quis do que ser o gajo que podia ter sido tanta merda mas afinal no fim não deu pra um caralho. Melhor a ilusão de óptica social.
O Heath só diz de volta: míudo confia, tranquilo, tens o touch pro que precisamos, diabos me levem se não é verdade. Deu prá despesa. O resto foi um bocado rápido.
Fomos pró casting, na casa da Diane, em Greenwhich village, manhattan, algonquin e ela leva-me a um quarto cheio de canela até aos tornozelos e eu eish foda-se cenas bué kinky aqui a bombar já tou a ver diana. E ela nã, relaxa, tens de ver as coisas como elas são, não como os outros querem que as vejas. OK vou tentar sem a cena das convenções de genebra ver no que dá mas tenho o limite em paneleiradas por isso melhor deixar o HL de fora disto do casting que já nã curti mto a conversa do touch e só um paneleiro diz diabos me levem no dias que correm. Ela acede e diz-me sabes... peter... posso te chamar peter não posso? - e eu, posso te chamar francisca? - Não, o meu nome é Diane... - Então pronto, a comunicar nos entendemos. - OK Pedrow, whatever. Thing is, reason i got you here in the first place wasn't because i wanted to audition you.. reason was that i've been noticing you since you went to the Shy Chef in Kreuzberg. I was hiding under the blanket, on Quentin's room - Quentin wasn't there though he had gone out with some Thai infants-, but anyways, while you were having supper with those obnoxious Texans and the desperate Swiss girl (sigh) i noticed how sexy your ankles look. - Wait, my ankles? - Yeah... you know, people give too much importance to ordinary, conventional aspects of human beings.. i'm starting to get fed up with that, i believe humans are much more than dicks boobs and asses, i believe ankles and elbows should be valued at least at the same level.. but if you ask me... the ankles really get me going..
Não é fácil gerir uma gaja com o cio, não tinha grande paxorra praquela merda até porque tinha bola às 7 no poststadion, tive que alegar a cena da namorada como fiz tantas vezes mas desta vez era mesmo verdade. - Diana eu tenho uma namorada em casa à minha espera. Ela gosta de adormecer encostada no meu ombro enquanto eu conquisto o ranking mundial de PES '10 mas acorda frequentemente com derrotas e não reclama. A isto chama-se amor e talvez deva retribuir ao menos com fidelidade sexual.
Ela rasga-se em brilhantismo e dispara: - Sim, mas broxe noutro continente não conta.
Eu não precisei de autorizar porque os meus olhos diziam tanto que até eu via o eco dos meus olhos. Efectivamente broxe não conta, sempre me disseram, e para além disso também sempre ouvi que noutro país não conta, e por dedução continente ainda mais extremo. A conjugação de dogmas serviu de ignição mútua. Ela mete as mãos em concha e não sei se involuntariamente ou não faz o movimento de retroescavadora que me deixa louco e saca canela do chão. Ergue as mãos no zénite do jonathan savimbi e em movimento brusco larga de cima pra baixo no próprio, cobrindo-o de canela.
Isto é algum ritual? - Não Pedrinho.. tua mãe não te ensinou que as coisas boas vida têm de ser sempre condimentadas? E a canela é a especiaria de quando queres casar com pessoas.
E nisto começa a apreciar o pau de canela de tal forma que eu disse oh diacho, esta agora da canela.. e repara ela interrompe o processo pra dizer assim "tastes like coffee" e eu ah é? "then here comes the cream" e ela pára e diz com os olhos semi cerrados "unpredictable line there matey" com sotaque australiano e eu venho-me em catadupa e finalizo com a linha "now it's like irish coffee, but with portuguese cum" e ela pós finaliza com uma linha de coca.
"Diana, tenho de ir jogar à bola daqui a 10 minutos em Berlim, e é com malta da universidade ténica, inteligente e esperta e acima de tudo inserida no meio de vida bastante do caralho de festas erasmus e isso, não dá pra falhar, como faço?"
Tens a sorte do mundo porque eu na realidade consigo mudar de forma
Como assim?
Eu consigo mudar de forma para uma actriz a fazer de espia disfarçada de actriz.
Mas essa merda pra que é que me serve?
Alternativamente consigo mudar de forma para um golfinho atómico
Qualquer merda é atómica, ó Diane...
golfinho nuclear
Foda-se...
Já sei, olha o HL tem uma tia que tem uma scooter, podes ir para o aeroporto nela e é mais rápido pra chegares ao avião do que apanhares um cab
... onde é que tá a scooter?
no arizona, a tia dele vive em tucson
té logo Diana
o HL tava deitado no chão todo fodido de barriga pra baixo, nem me despedi do gajo, e dou um sprint pela escadaria abaixo.
Manhattan é uma cidade com vários prédios mas as pessoas parecem ser a estrela da cidade. Pra dar ideia mal saí na 42nd com a 6th vi um gajo a passar de mota yamahard R1D2 sem capacete e em cavalo na 6th. Nisto vira prá 42nd em slide no início mas depois recuperou e fez o resto da curva como no motogp, em declive acentuado, ao ponto de tocar com o piercing que tinha no ouvido direito no chão praí uns 1 segundos, suficiente pra criar faísca. O mais incrível é que o gajo com a faísca completamente na descontração saca dum cigarro e acende na faísca e acaba a sair prá 42nd em cavalo outra vez e a fumar ao mesmo tempo. Azar do caralho a roda da frente salta, e eu já a pensar bem agora é que te fodeste e o gajo "não" e acelera em direcção à roda perdida e assenta com o quadro exactamente por cima da roda e aquilo encaixa perfeito. Pra se assegurar que tava tudo bem pró futuro o gajo ainda teve o discernimento de tirar uma sextavada 23 do bolso de trás das calças e apertar as porcas no encaixe da roda. O pior foi que o gajo como ia sem mãos acabou a descair mais prá esquerda e já ia em contra a seta. Por sorte tinha uma rampa a meio da estrada dumas obras do metro e o gajo como já ia em grande velocidade dá alt jump e eu a ver a vida do gajo a andar pra trás já mas do metlife sai um helicóptero dum escritório do 14º andar justamente naquela altura e não é que o sacana acaba direito dentro do helicóptero, de cigarro numa mão e sextavada na outra.. ainda nem tinha acabado de apertar a roda.... foi azar o helicóptero ter largado um vergalhão no memorial ao world trade center
Já ia a apanhar um taxi, um bocado atordoado com isto do motard e a diana vem a correr na vertical pelo prédio abaixo, na parte de fora. Foda-se diana fazes alt parkour. Pedro, não, é isso... tinha pra... queria te dizer mas.. não é suposto
Ouve acho que já temos intimi AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- O quê?
Não sei, tava só a querer dizer qu AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Isso é um meme ou qualquer coisa?
Talvez seja, nesse caso é pouco orig AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro olha não sei a que te referes nem o que se passa contigo, tás bastante estranho, sinto que se calhar tás afectado por qualquer coisa mas a verdade é que eu não sou mesmo humana... as hipóteses que lançei de actriz a fazer de espia disfarçada de actriz, de golfinho atómico e golfinho nuclear eram só pra despistar...
Mas despistar de quê? Eu não suspeitava de n AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro.. eu sou uma barbatana de tubarão de sirius, uma espécie em vias de extinção na galáxia que vois conhecedes como via láctea mas que nós conhecemos como A17, autoestrada setentrional sud-oleste. Estamos em vias de extinção porque todos nos querem proteger do big crunch e então assustam-nos existencialmente e formamos seitas para nos suicidarmos em massa pão.
Temos casos parecid AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Mas olha, eu adquiri conhecimentos que te poderão ser úteis. Pera, vou a casa num instante criar um wormhole e já te ligo
[CHORUS]
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan TAN
Não é que aparecei no poststadion com um equipamento novo do aek?
E eles disseram "ah, tás aqui, deves ter vindo de Bizâncio!" *gargalhada geral*
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
6 de Julho de 1999, Madeira (és aquele garino do surfe)

Em 1999, há 11 anos, eu tinha 16. Aos 16 anos eu era bué feio, um bocado gordo e uma merda em tudo excepto no quake. Há coisas que não mudam, mas hoje o quake tá obsoleto, tal como o meu ouvido direito, pelo que agora sou totalmente indivisível do fracasso e para além disso (e talvez relacionado) nao dou atenção a nada que venha da direita.
doravante neste texto, sempre que me referir a nós ou eles refiro-me a "amigos".
----------------------------------------------------------------------------------
Na versão 1999 do verão, houve o campeonato do mundo de surf no jardim do mar, uma vilha a 20 minutos da calheta pelas tradicionais estradas da altura e que ainda se mantêm.
O jardim do mar, grosso modo, é como que se uma vila transmontana se materializasse inexplicavelmente no hawai. É por isso duma paz bidimensional. É povoado por hippies old school de várias nacionalidades, imiscuidos na plebe meia venezuelana, relativamente confusa com os motivos profundos dos imigrantes do peace&love. A história típica é que vieram um dia pra surfar e tiveram medo de regressar à vida. Faz-nos falta ter medo da "vida". Eles, os inanos cobardes da civilização, adoptam agricultura de subsistência durante o dia, mantêm pubs caribe surf durante a noite e pintam quadros todos fodidos para terem extra income de estrangeirada como eles de madrugada. Para os quadros e dos quadros só há fluxo em modo LSD, não é possível tar ligado em estado convencional, daí que os autores observem os mundanos potenciais compradores com a atitude chacota-zen cerimonial deles, como que se os considerassem presos a um só plano incompleto, sem hipóteses de entender a hiper-verdade etérea a pairar nas galerias de quintal que se somam , integrados pela vila fora.
Nós não tinhamos (mais) LSD, mas tinhamos uma substância preta que o costa trouxe do boom festival que até hoje acho que era tinta da china diluída, e fruta podre do norte de áfrica que eu podia ter trazido de casa também. E havia sempre o whisky/vodka no recém aberto pingo doce da calheta, em frente ao hotel da praia, na altura ainda em calhau. Chegamos ao jardim do mar como partimos: sem esperar absolutamente nada do futuro próximo, e à boleia do pai do Claudio, um veterano do ultramar com um familiar leque absurdo de histórias surreais (erm). O navio que o transportava afundou ao largo da costa africana e só sobreviveu porque não combateu a maré; certo dia a caçar com os amigos no poço do bispo viu um disco voador a tentar aterrar numa clareira. E por aí fora. Nunca percebi se o claudio mentia para emular a eloquente vivência paterna ou se havia correlacao genética na utilizacao das hiperboles. Factual foi que nós, a meio desta tarde, aterramos, eloquentemente, no jardim do mar - para ver o campeonato do mundo de surf.
Na altura nunca tinham havido grandes festivais de música na madeira, e bem, em retrospectiva no jardim do mar tava a comoção no ar que é típica dum festival de música. A sensação sólida de que será para todos os efeitos uma noite histórica e falada para várias oportunidades. Os betos e os anti-betos vulgo betos rebeldes vulgo - hoje - morangos, tavam todos lá batidos. As gajas todas que passavamos semana sim semana sim senhor a mirar depravadamente à porta do liceu depois das aulas na industrial tavam naturalmente também lá, já despidas de alma, num modo muito british underage sluts in albufehria. Mas desenvolviam boas como o milho, e nós, contrariamente ao meu primo, todos gostavamos de milho pra caralho, passe a expressão. O Tega em particular tinha problemas, obviamente. O quarto dele nos apartamentos caracas cheirava fortemente a sémen, e não do tipo fresco, mas sémen já com algumas horas/dias de acumulação nos contornos do prepúcio aka queijada. Incrível como o odor fétido transpirava das cuecas e ganga e acabava a pairar no ar morto da câmara de masturbação a que ele chamava "o meu quarto". Dessem-lhe um video da jenna jameson a sacar uma broxada ao peter north ou uma cópia do windows 95 e o gajo jorrava ouro branco incontrolavelmente. Depravado do caralho.
Como dizia, as pitas ricas, que na altura constituiam nossa geração apesar de já atraírem vasta admiração de faixas etárias superiores, tinham vindo claramente para o debroche, embora estando pré programadas para se oferecer em primeira, segunda e terceira hipótese aos surfistas de gabarite intercontinental que já durante a tarde se partiam todos no Joe's bar à procura da resposta para o nada. É claro que sabiamos que haviam mais marés que surfistas e que alguma coisa ia sobrar pra nós, e com um bocado de sorte, pró Tega - flagelado pelo acne por culpa e responsabilidade própria -, mas tavamos lá, acima de tudo, para cagar prás gajas e fazer merda, embora qualquer acção nesse sentido tivesse precisamente o objectivo de impressioná-las. Enfim, um ciclo infinito que se encerrava sobre a obssessão de comer uma gaja que durou mais (anos) para uns do que para outros mas que hoje em dia, volvidos 132 meses me parece que se pode considerar confortavelmente fechado, embora ainda me seja pouco claro o caso do claudio, a menos que tenha pago, isto é.
Entrando pelo desconhecido do beco principal da vilha, ignorada a essência combinada a maresia e primeiros ciclos menstruais que já pairava no ar pelo fim da tarde, chocamos com um peculiar personagem que, pela sua indefinida existência, suponho, tem vindo a seguir uma distribuição discreta no que toca à sua influência na minha vida e - presumo - a dos outros. As suas aparições, como as de virgem maria do catolicismo, para além de constituirem só de si acontecimentos raros e inexplicáveis, profetizam invariavelmente obscuras resoluções a nível local, normalmente carregando notas trágicas que se repercutem com intensidade crescente noite fora e cujo clímax se concretiza, embora em paralelo, com o momento da sua própria desaparição. E eis que, 2 horas e 2 garrafas de vodka depois, o david trindade diz: "os gajos ali no hotel, no único hotel desta merda toda, têm 3 garrafas de whisky. nao metas isto no blog que vais criar em 2008 se faz favor". As smirnoff do pingo doce, compradas horas antes com a conivência displicente do pai do claudio, tavam ja partidas no calhau do jardim do mar, sem respingar nada senão ar pro immer puro atlântico. O joe's bar tava em fase colmeia, e vencer na confusão não era o nosso forte ainda nesta idade, fosse qual fosse o objectivo. Daí que o Trinita tivesse efectivamente razão. 16 anos, nada a perder, só a ganhar: whisky, e histórias, para esquecer. Se fossemos presos tanto melhor, eramos a fruta da época na escola como consequência. Entrei no hotel com o david e não tava ninguém na recepção, e tava escuro. Estranhei mas dei luz verde. Ele entrou e foi atrás do balcão de cócoras. Trouxe 2 garrafas de whisky, rótulo vermelho, e mais importantemente as chaves para uma noite tarantiniana.
Jogamos mais 2 garrafas de whisky, sem respingar nada senão ar, para os seixos da praia, em consêquencia de mais um par de horas hoje indefinidamente passadas. Alguém eco-moralizou acerca da acção. Eu sempre me senti bem em partir garrafas, e nunca falhei a praia à distância dum precipício com vista para o infinito, mas mostrei me sensível às nobres lamentações e pedi desculpa. Prometi ao costa que no outro dia voltava para limpar os cacos, assumia responsabilidade total. 6 anos e uma promessa falhada depois, uma caterpillar, de fabrico americano, removeu os meus cacos do jardim do mar, inchados de sol e sal, testemunhas durante mais algumas centenas de anos daquela inebriação pontual nossa, mas mais tristemente da inebriação permanente dum capitalismo intratável que insiste em destruir caminhos simples para a felicidade. o jardim do mar ainda existe em 2010, mas já não há jardim do mar nele.
E como o capitalismo, as noites, pelo menos as minhas, são um comboio, uma locomotiva que desbrava a escuridão da sobriedade na sôfrega ansia de consumir mais alcóol. Talvez torne tudo ainda melhor, o próximo copo. Talvez depois deste whisky eu ache mais piada a esta merda toda, talvez ria das piadas do gonçalo ou ignore a penca da natacha. Há dias o Erol, um turco muçulmano que nunca tocou em alcóol na vida, decidiu, numa hipocrisia típica de quem está no topo dum pedestal meramente circunstancial, remeter o hábito alcóolico dos infieis para o patamar de colmatação de uma deficiência étnica/pessoal. Fê-lo de forma relativamente pacífica mas tão ingénua como insolente: "I don't drink because i am a muslim, but also because i don't feel the need. I don't need to drink to make myself more interesting to other people".
O jardim do mar, grosso modo, é como que se uma vila transmontana se materializasse inexplicavelmente no hawai. É por isso duma paz bidimensional. É povoado por hippies old school de várias nacionalidades, imiscuidos na plebe meia venezuelana, relativamente confusa com os motivos profundos dos imigrantes do peace&love. A história típica é que vieram um dia pra surfar e tiveram medo de regressar à vida. Faz-nos falta ter medo da "vida". Eles, os inanos cobardes da civilização, adoptam agricultura de subsistência durante o dia, mantêm pubs caribe surf durante a noite e pintam quadros todos fodidos para terem extra income de estrangeirada como eles de madrugada. Para os quadros e dos quadros só há fluxo em modo LSD, não é possível tar ligado em estado convencional, daí que os autores observem os mundanos potenciais compradores com a atitude chacota-zen cerimonial deles, como que se os considerassem presos a um só plano incompleto, sem hipóteses de entender a hiper-verdade etérea a pairar nas galerias de quintal que se somam , integrados pela vila fora.
Nós não tinhamos (mais) LSD, mas tinhamos uma substância preta que o costa trouxe do boom festival que até hoje acho que era tinta da china diluída, e fruta podre do norte de áfrica que eu podia ter trazido de casa também. E havia sempre o whisky/vodka no recém aberto pingo doce da calheta, em frente ao hotel da praia, na altura ainda em calhau. Chegamos ao jardim do mar como partimos: sem esperar absolutamente nada do futuro próximo, e à boleia do pai do Claudio, um veterano do ultramar com um familiar leque absurdo de histórias surreais (erm). O navio que o transportava afundou ao largo da costa africana e só sobreviveu porque não combateu a maré; certo dia a caçar com os amigos no poço do bispo viu um disco voador a tentar aterrar numa clareira. E por aí fora. Nunca percebi se o claudio mentia para emular a eloquente vivência paterna ou se havia correlacao genética na utilizacao das hiperboles. Factual foi que nós, a meio desta tarde, aterramos, eloquentemente, no jardim do mar - para ver o campeonato do mundo de surf.
Na altura nunca tinham havido grandes festivais de música na madeira, e bem, em retrospectiva no jardim do mar tava a comoção no ar que é típica dum festival de música. A sensação sólida de que será para todos os efeitos uma noite histórica e falada para várias oportunidades. Os betos e os anti-betos vulgo betos rebeldes vulgo - hoje - morangos, tavam todos lá batidos. As gajas todas que passavamos semana sim semana sim senhor a mirar depravadamente à porta do liceu depois das aulas na industrial tavam naturalmente também lá, já despidas de alma, num modo muito british underage sluts in albufehria. Mas desenvolviam boas como o milho, e nós, contrariamente ao meu primo, todos gostavamos de milho pra caralho, passe a expressão. O Tega em particular tinha problemas, obviamente. O quarto dele nos apartamentos caracas cheirava fortemente a sémen, e não do tipo fresco, mas sémen já com algumas horas/dias de acumulação nos contornos do prepúcio aka queijada. Incrível como o odor fétido transpirava das cuecas e ganga e acabava a pairar no ar morto da câmara de masturbação a que ele chamava "o meu quarto". Dessem-lhe um video da jenna jameson a sacar uma broxada ao peter north ou uma cópia do windows 95 e o gajo jorrava ouro branco incontrolavelmente. Depravado do caralho.
Como dizia, as pitas ricas, que na altura constituiam nossa geração apesar de já atraírem vasta admiração de faixas etárias superiores, tinham vindo claramente para o debroche, embora estando pré programadas para se oferecer em primeira, segunda e terceira hipótese aos surfistas de gabarite intercontinental que já durante a tarde se partiam todos no Joe's bar à procura da resposta para o nada. É claro que sabiamos que haviam mais marés que surfistas e que alguma coisa ia sobrar pra nós, e com um bocado de sorte, pró Tega - flagelado pelo acne por culpa e responsabilidade própria -, mas tavamos lá, acima de tudo, para cagar prás gajas e fazer merda, embora qualquer acção nesse sentido tivesse precisamente o objectivo de impressioná-las. Enfim, um ciclo infinito que se encerrava sobre a obssessão de comer uma gaja que durou mais (anos) para uns do que para outros mas que hoje em dia, volvidos 132 meses me parece que se pode considerar confortavelmente fechado, embora ainda me seja pouco claro o caso do claudio, a menos que tenha pago, isto é.
Entrando pelo desconhecido do beco principal da vilha, ignorada a essência combinada a maresia e primeiros ciclos menstruais que já pairava no ar pelo fim da tarde, chocamos com um peculiar personagem que, pela sua indefinida existência, suponho, tem vindo a seguir uma distribuição discreta no que toca à sua influência na minha vida e - presumo - a dos outros. As suas aparições, como as de virgem maria do catolicismo, para além de constituirem só de si acontecimentos raros e inexplicáveis, profetizam invariavelmente obscuras resoluções a nível local, normalmente carregando notas trágicas que se repercutem com intensidade crescente noite fora e cujo clímax se concretiza, embora em paralelo, com o momento da sua própria desaparição. E eis que, 2 horas e 2 garrafas de vodka depois, o david trindade diz: "os gajos ali no hotel, no único hotel desta merda toda, têm 3 garrafas de whisky. nao metas isto no blog que vais criar em 2008 se faz favor". As smirnoff do pingo doce, compradas horas antes com a conivência displicente do pai do claudio, tavam ja partidas no calhau do jardim do mar, sem respingar nada senão ar pro immer puro atlântico. O joe's bar tava em fase colmeia, e vencer na confusão não era o nosso forte ainda nesta idade, fosse qual fosse o objectivo. Daí que o Trinita tivesse efectivamente razão. 16 anos, nada a perder, só a ganhar: whisky, e histórias, para esquecer. Se fossemos presos tanto melhor, eramos a fruta da época na escola como consequência. Entrei no hotel com o david e não tava ninguém na recepção, e tava escuro. Estranhei mas dei luz verde. Ele entrou e foi atrás do balcão de cócoras. Trouxe 2 garrafas de whisky, rótulo vermelho, e mais importantemente as chaves para uma noite tarantiniana.
Jogamos mais 2 garrafas de whisky, sem respingar nada senão ar, para os seixos da praia, em consêquencia de mais um par de horas hoje indefinidamente passadas. Alguém eco-moralizou acerca da acção. Eu sempre me senti bem em partir garrafas, e nunca falhei a praia à distância dum precipício com vista para o infinito, mas mostrei me sensível às nobres lamentações e pedi desculpa. Prometi ao costa que no outro dia voltava para limpar os cacos, assumia responsabilidade total. 6 anos e uma promessa falhada depois, uma caterpillar, de fabrico americano, removeu os meus cacos do jardim do mar, inchados de sol e sal, testemunhas durante mais algumas centenas de anos daquela inebriação pontual nossa, mas mais tristemente da inebriação permanente dum capitalismo intratável que insiste em destruir caminhos simples para a felicidade. o jardim do mar ainda existe em 2010, mas já não há jardim do mar nele.
E como o capitalismo, as noites, pelo menos as minhas, são um comboio, uma locomotiva que desbrava a escuridão da sobriedade na sôfrega ansia de consumir mais alcóol. Talvez torne tudo ainda melhor, o próximo copo. Talvez depois deste whisky eu ache mais piada a esta merda toda, talvez ria das piadas do gonçalo ou ignore a penca da natacha. Há dias o Erol, um turco muçulmano que nunca tocou em alcóol na vida, decidiu, numa hipocrisia típica de quem está no topo dum pedestal meramente circunstancial, remeter o hábito alcóolico dos infieis para o patamar de colmatação de uma deficiência étnica/pessoal. Fê-lo de forma relativamente pacífica mas tão ingénua como insolente: "I don't drink because i am a muslim, but also because i don't feel the need. I don't need to drink to make myself more interesting to other people".
Eu não gosto do gajo. Em suma: é puto, gabarolas e turco, o que é um contra senso porque eu curto o cabeças. Mas respondi no espírito de alguém desprendido a opiniões ou juízos de valor: "Man, i drink a lot, but the thing is, i don't drink to make myself interesting, i drink to make the other people, and everything else, more interesting". Não sei se ele percebeu, mas não respondeu de volta, só sorriu. Inteligente, para um turco.
No Joe's bar, uma década antes, as coisas tavam já interessantes às 2 da manhã. Aliás todo o bar era um complexo de interesses, na fase da noite em que os complexos de interesses se desenlaçam em rápida sucessão como peças dum dominó carnal cuidadosamente montado nas horas antecedentes. E se o jogo era dominó eu e o tega eramos duques de paus e copas, inaptos à sobrevivência no ambiente. Paramos à porta do bar, no beco semi escuro, cheiro forte a xamon-rá, gajos altos de cabelo louro, dos filmes da california. Mas eram australianos, neo zelandeses, ya alguns americanos. Um sul africano, que liderava a prova à entrada para o último dia, de rastas. O flea lá a bombar, um gajo porreiro, normal, relaxado, trocamos uma cerveja, chegou um neo zelandes, acabo a falar com ele bilateralmente.
"My surf board was made by rabbits, back in new zealand." eu era puto, parecia-me que tava a gozar comigo, mas o intuito podia ser benigno, hoje seria diferente - o que anos em lisboa fazem aos reflexos sociais. Continua - "Yeah man, rabbits make my surf boards, they work on it all year long... but i don't like them... let's kill some rabbits". Trau, despeja-me a coral directamente sobre a cabeça.
Não percebi, até hoje, o que se passou - porquê, com que propósito. Ninguém riu, ficamos todos a olhar uns para os outros, não carregava ónus humorístico nenhum, nem de agressividade. Foi um acontecimento quasi-aleatório, tal como o é a sequência de boas e más ondas num qualquer litoral do mundo. Algumas podem-se apanhar, outras não. Optei pela inexistência, retirei-me para dentro do bar convencido de que os surfers, se pacíficos, agem de forma dúbia, e se relaxados, precisam de ser menos individualistas.
O joe's bar, por dentro, tinha a seguinte descrição: era um bar de surfers, para resposta curta. Para resposta maior e divagável, as sacramentais pranchas de surf com stickers de marcas míticas da indústria fundamentalmente anti capitalista que se baseia num modelo de negocios estritamente capitalista dividiam-se com bandeiras de proto-países ou regimes de extrema esquerda, os habituais trofeus frívolos daquela casta superior de pseudo liberais revivalistas que têm no querido líder o intérdito paradoxo último da Doutrina Falhada. Uma filial da incontável confederação de museus de contradições espalhadas pelo mundo. O franchising do Che. Ele não teria gostado, camaradas...
Ao fundo da filial, por baixo da bandeira de "canárias independente", havia uma mesa redonda, com espaço para 10 pessoas praí. Tava lá uma miúda sentada, de 15 anos, a maria trueva, na altura bué gira, hoje não sei mas posso ir ver ao facebook, depois vou. A maria trueva, no ano anterior, na festa de aniversário dos 14 anos da minha irmã, tava em fuego por mim. Eu aos 14 anos da minha irma era do karting e gozei de sucesso abrupto junto às menininhas no tempo que compreendeu rigorosamente a altura em que entrei para o karting e a altura em que saí, 2 anos e um motor rotax roubado pelo meu mecânico depois, esse filha da puta do ricardo pita. No jardim do mar eu já não era do karting, porque tinha preferido um computador novo que o meu pai só me deu passados alguns anos - por estratégia educativa. E com isso agora nem computador nem karting nem gajas. quem tudo perde tudo quer e o alcóol compreendia-me. vodka limao Joe. ah ya e outra pro tega.
sento-me à mesa com o tega, na mesa da maria, a conversar sobre merdas. Irrelevante. Ela brilhava, era cativante, apetecia-me lhe beijar os olhos azuis ávidos, com uma permanente urgência escrita sobre eles. "Quero viver - o mais rápido possível-, quero sentir tudo já". Eu respondia aos olhos dela - o que queres dizer com "tudo"? Não tinha andamento, fui à casa de banho me olhar ao espelho e pensar na função audácia versus humilhação. Volto convencido de que não devia existir, e de repente, de forma incorrelacionada, ela bate com as mãos na mesa e anuncia/pergunta a todo o auditório - "quem é que quer foder comigo?". Ela, que há um ano tava louca ao ponto da minha irmã perguntar se dava para alguma coisa comigo, preferia sexo aleatório do que se entregar ao meu. Fiquei deprimido e fui me embora à procura do david para lhe exigir o 3º segredo da noite. Perdi tanto a trueva como a sua oferta de vista. O tega, entusiasmado, ficou lá na luta venusiana.
o David tava a passar no beco a caminho da praia justamente quando bazava do bar, uma ocasião-ode à sua condicao existencial de fantasma. Fomos ao precipício desta vez sem bebidas mas com outra maria e devemos ter falado das cenas que se fala quando tamos destruídos e inspirados pelo mistério do horizonte negro directamente em frente. Achei um momento propício a qualquer coisa importante acontecer e lembrei me de suicídio duplo, em memória das tendências da eli na altura. Ele sorriu, o que me assustou. Disse lhe pra irmos tomar outro copo, o last for the road.
Do miradouro da praia ao Joe's bar viaja-se num único beco infinito, o beco principal da vilha. Do beco principal do jardim do mar ramificam vários outros becos, penso que também infinitos, mas topologicamente menos significativos. Nalguns becos transversais sexo, e o sinal de que tudo estava mal: eu no beco principal e a imagem do sexo dos transversais, talvez por causa das vertigens do alcóol, pareciam me estar a descair para a profundidade infinita do beco - aquilo não é a maria trueva?
A maria tava a meio caminho para o infinito do beco, portanto perfeitamente identificável, mas, como com as marias dos outros becos, a imagem dela descaía para trás. Quando piscava os olhos o meu cérebro fazia o rewind e ela voltava à posição inicial, com um gajo que nao era o tega de certeza. Onde é que tava o tega? - "Maria, onde é que ta o tega?". Ela tava a olhar pra mim e a sorrir já, não interrompi nada. E não interrompi mesmo, a dinâmica a meio corpo manteve-se e ela respondeu, ainda sorrindo, "não sei, acho que ele passou pra baixo há pedacinho"
OK, obrigado, té logo. David baza procurar o tega, ele deve tar de rastos e perdido, com sorte esquartejado e livre da miséria em que insiste em se banhar. A maria ficou lá a dar mais direções, com o outro gajo que não sei quem é, se calhar foram todos os que tavam na mesa. Menos o tega, ele tava na praceta principal do jardim do mar, com o claudio - "O meu pai ja tá a chegar" -, o costa, o danny, a sensação de reunião depois duma patrulha por equipas no meio do mato em cabinda. o David desapareceu, sublimou-se outra vez, em paralelo à linha de acontecimentos.
Chega um opel corsa preto dos "antigos", é melhor o tega ir do lado da janela mas as janelas atrás so entreabrem, são daquelas "antigas". Claudio mete o fat of the land dos prodigy.
1-2-3-uuuuuuuuuOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH tsh tsh fzt fzt fzt TAN TAN TAN TARAN TAN TAN *breakbeat industrial* DAMAGE DESTRUCTOR, CROWD DISRUPTER, YOUTH CORRUPTER, EVERYTIMERRRRR - YEAH, DAMAGE DESTRUCTOR, CROWD DISRUPTER, MAINLINER, EVERYTIMER - TASTE ME, TASTE ME, SUCCUMB TO ME, SUCCUMB TO ME - SERIAL THRILLA, SERIOUS KILLAH, SERIAL KILLAH, SERIOUS KILLAH
o tega vomita para as mãos e deita fora pela janela do claudio, o danny curte o som como se tivesse dentro duma bolha consciencial inacessível a qualquer um de nós, o costa verbaliza em repetição inquietante a opinião de que o liam howlett é uma metáfora techno-industrial do beethoven, o claudio interioriza e sintetiza toda a noite em mute, o pai do claudio ri com uma inconsciencia macabra, e eu quero tar nisto assim pra sempre.
a 11 de agosto de 1999 o mundo não acabou, ou pelo menos neste universo paralelo. E eu continuei a ser um triste ate à data mas fiquei com o benefício da perspectiva de vida, em todas as decisões erradas que tomo.
É a 23 de dezembro de 2012 não é?
Etiquetas:
Crónica,
Flashbecker,
Madeira
Subscrever:
Mensagens (Atom)