confusio #154 - micromemoria instantanea
e daquela vez que dançamos em topless no tejadilho do fiat punto do gryn em frente ao lux (e ainda entramos)?
hall of fame #94 - cronica duma morte anunciada
6:43pm Me
ya ya pra mim eh perfeito ir a munique na outra semana ja em outubro
6:43pm Bruno
vai ser a ultima semana na october fest
a puta da desgraca
traz um saco preto
pa mandar o teu corpo de volta pa madeira
ya ya pra mim eh perfeito ir a munique na outra semana ja em outubro
6:43pm Bruno
vai ser a ultima semana na october fest
a puta da desgraca
traz um saco preto
pa mandar o teu corpo de volta pa madeira
confusio #153 - WOCHENENDE
Cartão vermelho, calor, top models, lagos, árvores, cerveja, jager bombs e berghain.
Berlim próxima do ceú no fim de semana de veraõ.
Berlim próxima do ceú no fim de semana de veraõ.
confusio #152 - na metrópole vi que
há dois tipos de pessoas inteligentes, as dos olhos vivos e as dos olhos semi-cerrados
confusio #151 - frase dum dia
"Só há duas coisas estupidez humana no mundo, uma é a infinitas a outra é o universo, e não tenho a certeza da primeira."
"Epá pera aí...há limites para tudo", disputou o doutor Flanagan, a propósito do infinito.
"Sim," - retorquiu José António Calado - "mas somente se se considerar cada continuidade como um número arbitrariamente elevado de pontos discretos. Tome-se o tempo, por via de exemplo: de agora a agora passaram-se quantos agoras? 10, 1000, 1 x 10^150? Pois então que me quer parecer que de qualquer dos modos a estupidez humana é infinitesimalmente densa. Ora senão veja-se: para cada par de mamas |Naturais existe um número arbitrário de falos |Reais que se podem enfiar entre elas. Faço me entender?"
"Atão mas... que estória vem a ser essa da estupidez humana? Na frase, digo" - O Dr. Flanagan estava à nora
"Epá não sabes? O Norman Einsteind disse isto no leito, mesmo antes do felaciamento."
"Ah bom, aí então sendo assim concordo, parece-me. Pronto.. fica-se amigos na mesma então... não é assim ó 3,141556...?"
"Hahah Doutor Flanagan, com essa do falo irreal é que me apanhou ó!"
"Epá pera aí...há limites para tudo", disputou o doutor Flanagan, a propósito do infinito.
"Sim," - retorquiu José António Calado - "mas somente se se considerar cada continuidade como um número arbitrariamente elevado de pontos discretos. Tome-se o tempo, por via de exemplo: de agora a agora passaram-se quantos agoras? 10, 1000, 1 x 10^150? Pois então que me quer parecer que de qualquer dos modos a estupidez humana é infinitesimalmente densa. Ora senão veja-se: para cada par de mamas |Naturais existe um número arbitrário de falos |Reais que se podem enfiar entre elas. Faço me entender?"
"Atão mas... que estória vem a ser essa da estupidez humana? Na frase, digo" - O Dr. Flanagan estava à nora
"Epá não sabes? O Norman Einsteind disse isto no leito, mesmo antes do felaciamento."
"Ah bom, aí então sendo assim concordo, parece-me. Pronto.. fica-se amigos na mesma então... não é assim ó 3,141556...?"
"Hahah Doutor Flanagan, com essa do falo irreal é que me apanhou ó!"
confusio #150 - taça de berlim
a importância da normalização emocional para o controlo da autopressão
hall of fame #93 - aritmética social-alcóolica
10:14pm Pedro
entendi
e o gil? continua paneleiro E perna de pau?
10:14pm Me
eish
ultimo sabado capotamos os dois
fomos a uma festa
10:15pm Pedro
hahaha foda-se voce toma até absinto
10:15pm Me
dum brasileiro amigo dele que voltou pro brasil esta semana, era festa de despedida
eish n tas a ver caralho, bebemos tanto .. vodka, jagermeister, cerveja e depois fumamos
ele capotou foi dormir pro quarto do gajo e eu fodi-me todo, só disse à faye "i have to go..." e bazei sem dizer mais nada
ela depois é que veio ter comigo à rua e eu tava deitado a dormir à porta do prédio já
o normal
10:17pm Pedro
uhauahauhauahuahauha
junta voce e o gil e não dá um
entendi
e o gil? continua paneleiro E perna de pau?
10:14pm Me
eish
ultimo sabado capotamos os dois
fomos a uma festa
10:15pm Pedro
hahaha foda-se voce toma até absinto
10:15pm Me
dum brasileiro amigo dele que voltou pro brasil esta semana, era festa de despedida
eish n tas a ver caralho, bebemos tanto .. vodka, jagermeister, cerveja e depois fumamos
ele capotou foi dormir pro quarto do gajo e eu fodi-me todo, só disse à faye "i have to go..." e bazei sem dizer mais nada
ela depois é que veio ter comigo à rua e eu tava deitado a dormir à porta do prédio já
o normal
10:17pm Pedro
uhauahauhauahuahauha
junta voce e o gil e não dá um
17 de Agosto 2010, Berlim (quotidiano)
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta, eu acho, mas ainda não percebi muito bem, que o trabalho é uma cena, do tipo actividade, que consiste em olhar para cidades de cima e secundariamente em permanecer um determinado número de horas predefinidas por semana em insistente assédio a indianos e indonésios membros da oligarquia asiática ao nível do middle management. O objectivo parece ser tentar convencê-los a fazer aquilo que é o trabalho deles. E pelo que percebo é assim o plano operacional de qualquer forte empresa cotada em bolsar e continua em espiral ascendente até espoo, na finlândia, até ao Oli Pekka Pekkokko Pachekkokik, o necromancer de nível 14 que comanda a norkia. Eu era nível 5 quando escrevi isto, a título comparativo.
Mais tarde praí às 13 horas, enquanto falava com o Srikanth - talvez um ser humano talvez uma boneca insuflável -, deu me comichão no nariz e lembrei-me todo entusiasmado foda-se esta merda na minha cultura diz-se que vão nos dar um presente, o que será que dizem na acultura do Srikanth Koyili sobre esta importante reacção epidérmica. A propósito, um presente e boneca insuflável associam-se ao meu primo Rodrigo em triângulo magicado e de repente o triângulo ilumina-se, faz zoom, blur + fade e aparece a memória duma conversa às escuras no dia 19 de Agosto de 1999, no dia em que ele fez 16 anos e recebeu uma boneca insuflável "na brincadeira" e que prontamente tentamos violar à noite mas ele furou tal era a taradice, mas eu nunca percebi como e não quero perguntar mesmo volvidos 11 anos, para o proteger.
*Com que será que me Irão presentear, passe o trocado étnico. Não sei, não faço ideia, não há razões pois não, concluo em pergunta retórica*
Conversei mais 2 horas com o Srikanth, Asif, Naveen, Wahyu, Afrizal, Rakhmat,Imran, Hendra e Saravanan a tentar convencê-los pelo 8º mês consecutivo a fazerem o filha da puta do trabalho deles por instant messenger - apesar de todos tarem na mesma sala que eu, dentro de linha de vista - para deixá-los à vontade em relação ao síndroma dos olhos nos olhos. E saí para a rua pela porta pequena.
Para ir para casa agora tenho um desvio de 300% no percurso, ilustrado em baixo.
(feito com base no programa que desenvolvo por minhas próprias mãos diariamente)
Ia em Schlegelstrasse contudo e qualquer coisa se passou. No fundo o que se passou foi que fui surpreendido por uma mulher loira que aparentava tanto ter 40 anos como foder com a vontade de 16 (anos) e um homem de aspecto pálido. Intercederam-me e apresentaram-se. Era a Diane Kruger e o Heath Ledger. Encontrei-os sensivelmente aqui no X:
o-|
| ___
| |o|
|---X------|
Ela disse-me de pronto: sabes o que é que tou a ouvir no meu iPod? The Libertines. Repliquei-lhe isso diz mais sobre a kate moss do que de ti sabes? o Heath percebeu e adicionou "tu sabes bem, miúdo", em inglês. Demos high five mas falhou, ainda tentei outra vez mas não lhe conseguia acertar na mão, altas ilusões de óptica que me tava a dar. o Srikanth passa de lamborghini descapotável e o ricky martin ao lado, eles acenam à Diane. Isto é "Berlim", no fundo, não me surpreendeu.
Porque é que me intercederam, vocês? - Tavamos à tua procura para um casting - disseram em uníssono - a Diane fica super entusiasmada porque pôde pedir um desejo. E eu pró Ledger, a dar uma beca desprezens à Diane (pra lhe meter o pito em modo dá me atenção por favor), rapaz, não tenho muita paciência pra essas cenas, uma vez convidaram-me no chiado pra participar numa passagem de modelos e eu caguei de alto, naquela.. melhor ser o gajo que nunca conseguiu nada porque não quis do que ser o gajo que podia ter sido tanta merda mas afinal no fim não deu pra um caralho. Melhor a ilusão de óptica social.
O Heath só diz de volta: míudo confia, tranquilo, tens o touch pro que precisamos, diabos me levem se não é verdade. Deu prá despesa. O resto foi um bocado rápido.
Fomos pró casting, na casa da Diane, em Greenwhich village, manhattan, algonquin e ela leva-me a um quarto cheio de canela até aos tornozelos e eu eish foda-se cenas bué kinky aqui a bombar já tou a ver diana. E ela nã, relaxa, tens de ver as coisas como elas são, não como os outros querem que as vejas. OK vou tentar sem a cena das convenções de genebra ver no que dá mas tenho o limite em paneleiradas por isso melhor deixar o HL de fora disto do casting que já nã curti mto a conversa do touch e só um paneleiro diz diabos me levem no dias que correm. Ela acede e diz-me sabes... peter... posso te chamar peter não posso? - e eu, posso te chamar francisca? - Não, o meu nome é Diane... - Então pronto, a comunicar nos entendemos. - OK Pedrow, whatever. Thing is, reason i got you here in the first place wasn't because i wanted to audition you.. reason was that i've been noticing you since you went to the Shy Chef in Kreuzberg. I was hiding under the blanket, on Quentin's room - Quentin wasn't there though he had gone out with some Thai infants-, but anyways, while you were having supper with those obnoxious Texans and the desperate Swiss girl (sigh) i noticed how sexy your ankles look. - Wait, my ankles? - Yeah... you know, people give too much importance to ordinary, conventional aspects of human beings.. i'm starting to get fed up with that, i believe humans are much more than dicks boobs and asses, i believe ankles and elbows should be valued at least at the same level.. but if you ask me... the ankles really get me going..
Não é fácil gerir uma gaja com o cio, não tinha grande paxorra praquela merda até porque tinha bola às 7 no poststadion, tive que alegar a cena da namorada como fiz tantas vezes mas desta vez era mesmo verdade. - Diana eu tenho uma namorada em casa à minha espera. Ela gosta de adormecer encostada no meu ombro enquanto eu conquisto o ranking mundial de PES '10 mas acorda frequentemente com derrotas e não reclama. A isto chama-se amor e talvez deva retribuir ao menos com fidelidade sexual.
Ela rasga-se em brilhantismo e dispara: - Sim, mas broxe noutro continente não conta.
Eu não precisei de autorizar porque os meus olhos diziam tanto que até eu via o eco dos meus olhos. Efectivamente broxe não conta, sempre me disseram, e para além disso também sempre ouvi que noutro país não conta, e por dedução continente ainda mais extremo. A conjugação de dogmas serviu de ignição mútua. Ela mete as mãos em concha e não sei se involuntariamente ou não faz o movimento de retroescavadora que me deixa louco e saca canela do chão. Ergue as mãos no zénite do jonathan savimbi e em movimento brusco larga de cima pra baixo no próprio, cobrindo-o de canela.
Isto é algum ritual? - Não Pedrinho.. tua mãe não te ensinou que as coisas boas vida têm de ser sempre condimentadas? E a canela é a especiaria de quando queres casar com pessoas.
E nisto começa a apreciar o pau de canela de tal forma que eu disse oh diacho, esta agora da canela.. e repara ela interrompe o processo pra dizer assim "tastes like coffee" e eu ah é? "then here comes the cream" e ela pára e diz com os olhos semi cerrados "unpredictable line there matey" com sotaque australiano e eu venho-me em catadupa e finalizo com a linha "now it's like irish coffee, but with portuguese cum" e ela pós finaliza com uma linha de coca.
"Diana, tenho de ir jogar à bola daqui a 10 minutos em Berlim, e é com malta da universidade ténica, inteligente e esperta e acima de tudo inserida no meio de vida bastante do caralho de festas erasmus e isso, não dá pra falhar, como faço?"
Tens a sorte do mundo porque eu na realidade consigo mudar de forma
Como assim?
Eu consigo mudar de forma para uma actriz a fazer de espia disfarçada de actriz.
Mas essa merda pra que é que me serve?
Alternativamente consigo mudar de forma para um golfinho atómico
Qualquer merda é atómica, ó Diane...
golfinho nuclear
Foda-se...
Já sei, olha o HL tem uma tia que tem uma scooter, podes ir para o aeroporto nela e é mais rápido pra chegares ao avião do que apanhares um cab
... onde é que tá a scooter?
no arizona, a tia dele vive em tucson
té logo Diana
o HL tava deitado no chão todo fodido de barriga pra baixo, nem me despedi do gajo, e dou um sprint pela escadaria abaixo.
Manhattan é uma cidade com vários prédios mas as pessoas parecem ser a estrela da cidade. Pra dar ideia mal saí na 42nd com a 6th vi um gajo a passar de mota yamahard R1D2 sem capacete e em cavalo na 6th. Nisto vira prá 42nd em slide no início mas depois recuperou e fez o resto da curva como no motogp, em declive acentuado, ao ponto de tocar com o piercing que tinha no ouvido direito no chão praí uns 1 segundos, suficiente pra criar faísca. O mais incrível é que o gajo com a faísca completamente na descontração saca dum cigarro e acende na faísca e acaba a sair prá 42nd em cavalo outra vez e a fumar ao mesmo tempo. Azar do caralho a roda da frente salta, e eu já a pensar bem agora é que te fodeste e o gajo "não" e acelera em direcção à roda perdida e assenta com o quadro exactamente por cima da roda e aquilo encaixa perfeito. Pra se assegurar que tava tudo bem pró futuro o gajo ainda teve o discernimento de tirar uma sextavada 23 do bolso de trás das calças e apertar as porcas no encaixe da roda. O pior foi que o gajo como ia sem mãos acabou a descair mais prá esquerda e já ia em contra a seta. Por sorte tinha uma rampa a meio da estrada dumas obras do metro e o gajo como já ia em grande velocidade dá alt jump e eu a ver a vida do gajo a andar pra trás já mas do metlife sai um helicóptero dum escritório do 14º andar justamente naquela altura e não é que o sacana acaba direito dentro do helicóptero, de cigarro numa mão e sextavada na outra.. ainda nem tinha acabado de apertar a roda.... foi azar o helicóptero ter largado um vergalhão no memorial ao world trade center
Já ia a apanhar um taxi, um bocado atordoado com isto do motard e a diana vem a correr na vertical pelo prédio abaixo, na parte de fora. Foda-se diana fazes alt parkour. Pedro, não, é isso... tinha pra... queria te dizer mas.. não é suposto
Ouve acho que já temos intimi AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- O quê?
Não sei, tava só a querer dizer qu AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Isso é um meme ou qualquer coisa?
Talvez seja, nesse caso é pouco orig AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro olha não sei a que te referes nem o que se passa contigo, tás bastante estranho, sinto que se calhar tás afectado por qualquer coisa mas a verdade é que eu não sou mesmo humana... as hipóteses que lançei de actriz a fazer de espia disfarçada de actriz, de golfinho atómico e golfinho nuclear eram só pra despistar...
Mas despistar de quê? Eu não suspeitava de n AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro.. eu sou uma barbatana de tubarão de sirius, uma espécie em vias de extinção na galáxia que vois conhecedes como via láctea mas que nós conhecemos como A17, autoestrada setentrional sud-oleste. Estamos em vias de extinção porque todos nos querem proteger do big crunch e então assustam-nos existencialmente e formamos seitas para nos suicidarmos em massa pão.
Temos casos parecid AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Mas olha, eu adquiri conhecimentos que te poderão ser úteis. Pera, vou a casa num instante criar um wormhole e já te ligo
[CHORUS]
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan TAN
Não é que aparecei no poststadion com um equipamento novo do aek?
E eles disseram "ah, tás aqui, deves ter vindo de Bizâncio!" *gargalhada geral*
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
Mais tarde praí às 13 horas, enquanto falava com o Srikanth - talvez um ser humano talvez uma boneca insuflável -, deu me comichão no nariz e lembrei-me todo entusiasmado foda-se esta merda na minha cultura diz-se que vão nos dar um presente, o que será que dizem na acultura do Srikanth Koyili sobre esta importante reacção epidérmica. A propósito, um presente e boneca insuflável associam-se ao meu primo Rodrigo em triângulo magicado e de repente o triângulo ilumina-se, faz zoom, blur + fade e aparece a memória duma conversa às escuras no dia 19 de Agosto de 1999, no dia em que ele fez 16 anos e recebeu uma boneca insuflável "na brincadeira" e que prontamente tentamos violar à noite mas ele furou tal era a taradice, mas eu nunca percebi como e não quero perguntar mesmo volvidos 11 anos, para o proteger.
*Com que será que me Irão presentear, passe o trocado étnico. Não sei, não faço ideia, não há razões pois não, concluo em pergunta retórica*
Conversei mais 2 horas com o Srikanth, Asif, Naveen, Wahyu, Afrizal, Rakhmat,Imran, Hendra e Saravanan a tentar convencê-los pelo 8º mês consecutivo a fazerem o filha da puta do trabalho deles por instant messenger - apesar de todos tarem na mesma sala que eu, dentro de linha de vista - para deixá-los à vontade em relação ao síndroma dos olhos nos olhos. E saí para a rua pela porta pequena.
Para ir para casa agora tenho um desvio de 300% no percurso, ilustrado em baixo.
Ia em Schlegelstrasse contudo e qualquer coisa se passou. No fundo o que se passou foi que fui surpreendido por uma mulher loira que aparentava tanto ter 40 anos como foder com a vontade de 16 (anos) e um homem de aspecto pálido. Intercederam-me e apresentaram-se. Era a Diane Kruger e o Heath Ledger. Encontrei-os sensivelmente aqui no X:
o-|
| ___
| |o|
|---X------|
Ela disse-me de pronto: sabes o que é que tou a ouvir no meu iPod? The Libertines. Repliquei-lhe isso diz mais sobre a kate moss do que de ti sabes? o Heath percebeu e adicionou "tu sabes bem, miúdo", em inglês. Demos high five mas falhou, ainda tentei outra vez mas não lhe conseguia acertar na mão, altas ilusões de óptica que me tava a dar. o Srikanth passa de lamborghini descapotável e o ricky martin ao lado, eles acenam à Diane. Isto é "Berlim", no fundo, não me surpreendeu.
Porque é que me intercederam, vocês? - Tavamos à tua procura para um casting - disseram em uníssono - a Diane fica super entusiasmada porque pôde pedir um desejo. E eu pró Ledger, a dar uma beca desprezens à Diane (pra lhe meter o pito em modo dá me atenção por favor), rapaz, não tenho muita paciência pra essas cenas, uma vez convidaram-me no chiado pra participar numa passagem de modelos e eu caguei de alto, naquela.. melhor ser o gajo que nunca conseguiu nada porque não quis do que ser o gajo que podia ter sido tanta merda mas afinal no fim não deu pra um caralho. Melhor a ilusão de óptica social.
O Heath só diz de volta: míudo confia, tranquilo, tens o touch pro que precisamos, diabos me levem se não é verdade. Deu prá despesa. O resto foi um bocado rápido.
Fomos pró casting, na casa da Diane, em Greenwhich village, manhattan, algonquin e ela leva-me a um quarto cheio de canela até aos tornozelos e eu eish foda-se cenas bué kinky aqui a bombar já tou a ver diana. E ela nã, relaxa, tens de ver as coisas como elas são, não como os outros querem que as vejas. OK vou tentar sem a cena das convenções de genebra ver no que dá mas tenho o limite em paneleiradas por isso melhor deixar o HL de fora disto do casting que já nã curti mto a conversa do touch e só um paneleiro diz diabos me levem no dias que correm. Ela acede e diz-me sabes... peter... posso te chamar peter não posso? - e eu, posso te chamar francisca? - Não, o meu nome é Diane... - Então pronto, a comunicar nos entendemos. - OK Pedrow, whatever. Thing is, reason i got you here in the first place wasn't because i wanted to audition you.. reason was that i've been noticing you since you went to the Shy Chef in Kreuzberg. I was hiding under the blanket, on Quentin's room - Quentin wasn't there though he had gone out with some Thai infants-, but anyways, while you were having supper with those obnoxious Texans and the desperate Swiss girl (sigh) i noticed how sexy your ankles look. - Wait, my ankles? - Yeah... you know, people give too much importance to ordinary, conventional aspects of human beings.. i'm starting to get fed up with that, i believe humans are much more than dicks boobs and asses, i believe ankles and elbows should be valued at least at the same level.. but if you ask me... the ankles really get me going..
Não é fácil gerir uma gaja com o cio, não tinha grande paxorra praquela merda até porque tinha bola às 7 no poststadion, tive que alegar a cena da namorada como fiz tantas vezes mas desta vez era mesmo verdade. - Diana eu tenho uma namorada em casa à minha espera. Ela gosta de adormecer encostada no meu ombro enquanto eu conquisto o ranking mundial de PES '10 mas acorda frequentemente com derrotas e não reclama. A isto chama-se amor e talvez deva retribuir ao menos com fidelidade sexual.
Ela rasga-se em brilhantismo e dispara: - Sim, mas broxe noutro continente não conta.
Eu não precisei de autorizar porque os meus olhos diziam tanto que até eu via o eco dos meus olhos. Efectivamente broxe não conta, sempre me disseram, e para além disso também sempre ouvi que noutro país não conta, e por dedução continente ainda mais extremo. A conjugação de dogmas serviu de ignição mútua. Ela mete as mãos em concha e não sei se involuntariamente ou não faz o movimento de retroescavadora que me deixa louco e saca canela do chão. Ergue as mãos no zénite do jonathan savimbi e em movimento brusco larga de cima pra baixo no próprio, cobrindo-o de canela.
Isto é algum ritual? - Não Pedrinho.. tua mãe não te ensinou que as coisas boas vida têm de ser sempre condimentadas? E a canela é a especiaria de quando queres casar com pessoas.
E nisto começa a apreciar o pau de canela de tal forma que eu disse oh diacho, esta agora da canela.. e repara ela interrompe o processo pra dizer assim "tastes like coffee" e eu ah é? "then here comes the cream" e ela pára e diz com os olhos semi cerrados "unpredictable line there matey" com sotaque australiano e eu venho-me em catadupa e finalizo com a linha "now it's like irish coffee, but with portuguese cum" e ela pós finaliza com uma linha de coca.
"Diana, tenho de ir jogar à bola daqui a 10 minutos em Berlim, e é com malta da universidade ténica, inteligente e esperta e acima de tudo inserida no meio de vida bastante do caralho de festas erasmus e isso, não dá pra falhar, como faço?"
Tens a sorte do mundo porque eu na realidade consigo mudar de forma
Como assim?
Eu consigo mudar de forma para uma actriz a fazer de espia disfarçada de actriz.
Mas essa merda pra que é que me serve?
Alternativamente consigo mudar de forma para um golfinho atómico
Qualquer merda é atómica, ó Diane...
golfinho nuclear
Foda-se...
Já sei, olha o HL tem uma tia que tem uma scooter, podes ir para o aeroporto nela e é mais rápido pra chegares ao avião do que apanhares um cab
... onde é que tá a scooter?
no arizona, a tia dele vive em tucson
té logo Diana
o HL tava deitado no chão todo fodido de barriga pra baixo, nem me despedi do gajo, e dou um sprint pela escadaria abaixo.
Manhattan é uma cidade com vários prédios mas as pessoas parecem ser a estrela da cidade. Pra dar ideia mal saí na 42nd com a 6th vi um gajo a passar de mota yamahard R1D2 sem capacete e em cavalo na 6th. Nisto vira prá 42nd em slide no início mas depois recuperou e fez o resto da curva como no motogp, em declive acentuado, ao ponto de tocar com o piercing que tinha no ouvido direito no chão praí uns 1 segundos, suficiente pra criar faísca. O mais incrível é que o gajo com a faísca completamente na descontração saca dum cigarro e acende na faísca e acaba a sair prá 42nd em cavalo outra vez e a fumar ao mesmo tempo. Azar do caralho a roda da frente salta, e eu já a pensar bem agora é que te fodeste e o gajo "não" e acelera em direcção à roda perdida e assenta com o quadro exactamente por cima da roda e aquilo encaixa perfeito. Pra se assegurar que tava tudo bem pró futuro o gajo ainda teve o discernimento de tirar uma sextavada 23 do bolso de trás das calças e apertar as porcas no encaixe da roda. O pior foi que o gajo como ia sem mãos acabou a descair mais prá esquerda e já ia em contra a seta. Por sorte tinha uma rampa a meio da estrada dumas obras do metro e o gajo como já ia em grande velocidade dá alt jump e eu a ver a vida do gajo a andar pra trás já mas do metlife sai um helicóptero dum escritório do 14º andar justamente naquela altura e não é que o sacana acaba direito dentro do helicóptero, de cigarro numa mão e sextavada na outra.. ainda nem tinha acabado de apertar a roda.... foi azar o helicóptero ter largado um vergalhão no memorial ao world trade center
Já ia a apanhar um taxi, um bocado atordoado com isto do motard e a diana vem a correr na vertical pelo prédio abaixo, na parte de fora. Foda-se diana fazes alt parkour. Pedro, não, é isso... tinha pra... queria te dizer mas.. não é suposto
Ouve acho que já temos intimi AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- O quê?
Não sei, tava só a querer dizer qu AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Isso é um meme ou qualquer coisa?
Talvez seja, nesse caso é pouco orig AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro olha não sei a que te referes nem o que se passa contigo, tás bastante estranho, sinto que se calhar tás afectado por qualquer coisa mas a verdade é que eu não sou mesmo humana... as hipóteses que lançei de actriz a fazer de espia disfarçada de actriz, de golfinho atómico e golfinho nuclear eram só pra despistar...
Mas despistar de quê? Eu não suspeitava de n AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Pedro.. eu sou uma barbatana de tubarão de sirius, uma espécie em vias de extinção na galáxia que vois conhecedes como via láctea mas que nós conhecemos como A17, autoestrada setentrional sud-oleste. Estamos em vias de extinção porque todos nos querem proteger do big crunch e então assustam-nos existencialmente e formamos seitas para nos suicidarmos em massa pão.
Temos casos parecid AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
- Mas olha, eu adquiri conhecimentos que te poderão ser úteis. Pera, vou a casa num instante criar um wormhole e já te ligo
[CHORUS]
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan (tom descrescente)
Tan tan tan tan TAN
Não é que aparecei no poststadion com um equipamento novo do aek?
E eles disseram "ah, tás aqui, deves ter vindo de Bizâncio!" *gargalhada geral*
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
o david lynch tava a jogar à baliza mas as jogadas vinham todas de dentro da baliza pra fora, e era golo quase sempre, e quando não era as pessoas festejavam sentadas no chão a fingir que não se passava nada
hoje à 11 da manhã cheguei ao trabalho de fim de semana. o que é o trabalho? é uma boa pergunta
e eu respondi com a natural tranq AVÉ GLORIOSO HIPNO-SAPO
confusio #147 - paradigma operário
a "vida" parece ser "composta" por fins de semana e anti fins de semana
confusio #146 - conselho de anus
não há dor nenhuma no mundo que não melhore quando se planta as fuças nas tetas da namorada, nem que seja só um bocadinho.
fait diversos #15 - special five
confusio #143 - e vao 7
a minha terceira personalidade ta com uma crise de identidade, especula-se fusao com a segunda
misc #6 - um velho numero de emergencia para um post linear
24 de Maio de 2010. 2 anos e meio para o fim do mundo mas Pedro Campos aparenta serenidade. Sentado - quase deitado - no sofá azul que contrasta com o vermelho predominante do seu estúdio em Berlim, responde às nossas perguntas sem urgência, de forma pautada, suportado pelos 27 anos completados hoje e que lhe oferecem destemor ao limbo consciencial que conhecemos como existência. É hoje um semi-adulto com ainda várias raízes juvenis mas prefere não as confrontar, defende que são "résteas de humanidade" que ainda se pode dar ao luxo de manter numa civilização "em ruptura com as suas bases". Para ele aproximamo-nos dum importante ponto de viragem, "nos próximos 100 anos haverá uma renovação do paradigma, quer se queira, quer não", mas por agora "devemos nos concentrar no que é mais importante localmente". O macro e o microcosmos, aos olhos dum dos jogadores de futebol mais celebrados da Verbandsliga Berlin.
Mudou-se para Berlim no final do ano passado em circunstâncias incertas. Especulou-se que tenha sido uma mudança de ares motivada meramente por razões futebolísticas, que procurava um novo desafio no estrangeiro. Encontrou esse desafio?
[risos].. A especulação existe primordialmente porque não se conhecem factos... a verdade é que não houveram factos, foi uma opção pessoal e com isto quero dizer que não fui motivado por nenhuma linha convencional de raciocínio. Não houveram premissas. Ou se houveram, equilibravam-se na balança da decisão. Eu próprio especulo sobre o que me levou a tomar esta direcção, particularmente pela sua característica irredutível. Hoje acredito que vim porque sim, queria um novo desafio. A minha carreira, depois de duas dezenas de meses em ascensão, estagnou. Eu não me sinto bem com a estabilidade, é me inquietante, fico ansioso por eventualidades. Parti sabendo que teria que trabalhar muito para atingir os níveis exibicionais que vinha a apresentar em Portugal, mas felizmente sinto que estou próximo de o conseguir. E foi realmente um desafio, continua a ser, no sentido em que diariamente sou levado a lidar com situações que desconhecia da minha vida prévia. É uma questão de adaptação acima de tudo.. e nós humanos subestimamos a nossa capacidade de adaptação, de aprendizagem, de progressão na adversidade. É por isso que muitas vezes encurralamos os nossos ímpetos e sonhos com decisões confortáveis, e o Mundo assim torna-se mais pequeno...
Mas nem todos os ímpetos serão benevolentes..
Naturalmente que não... em abono da verdade este ímpeto de vir para Berlim tinha implicações trágicas do ponto de vista teórico. O alongamento do percurso académico, já de si suficientemente distendido nesta altura, a dificuldade em arranjar trabalho numa cidade com 20% de desemprego e a capitulação social lisboeta e consequentemente pessoal sugeriam precaução na forma de agir... e quando cheguei cá senti tudo isso a me subir à pele, mas já esperava tudo, tava preparado, nada me surpreendeu. Vivi numa situação precária do ponto de vista financeiro, social e emocional durante um par de meses mas depois fui afortunado na forma como acabei por emergir... Mas voltando aos ímpetos, é uma questão humana. Devemos tentar, pelo menos tentar, o que desejamos, mesmo quando o caminho é pouco claro. É importante espiritualmente que se explorem possibilidades, e para isso também é necessária também uma certa dose de egoísmo.
Nessa altura, pensou voltar?
Não, nem por sombras.. felizmente a situação nunca foi insustentável.. ao cabo de dois meses começava a sentir os primeiros sinais de stress, mas ainda tinha largos meses de luta para dar naquelas condições.. ainda nem tinha entrado na fase que considero ser a da mais absoluta demonstração de cáracter humano, a fase de perseverança, a fase em que independentemente de se ver ou não uma saída para a teia de problemas em que nos encontramos, se continua a remar cegamente contra a maré. Mas eu não tenho por hábito tomar o caminho mais fácil e isso também é determinante quando lido com situações menos boas.
Considera-se, então, um lutador?
Todos temos potencial para lutar. Como já disse subestimamos as nossas capacidades. A algumas pessoas faltam oportunidades de lutar, e quando digo isto refiro-me à possibilidade que têm de escolher.. quando se pode escolher entre lutar ou não, é uma questão de personalidade. Mas quando a luta é estritamente necessária aí somos todos lutadores. É uma característica inata, animal, é um processo instintivo. É claro que quem escolheu lutar em oportunidades prévias vê-se com mais ferramentas para contornar a dificuldade inevitável, mas até o mais aparentemente frágil espírito encontra força e habilidade para melhorar o contexto, em caso de necessidade. Dito isto, na nossa civilização corrente em particular, por causa do sistema altamente competitivo vigente, é importante ir à luta, tomar a iniciativa, para sobressair. Mas nem sempre é confortável, e então muita da ambição nas gerações mais jovens é cortada pela raíz com as dificuldades que se impõem para entrar no mundo adulto.
Inclui-se nesse grupo cuja ambição sofreu com a resistência do "sistema"?
..[longa pausa]... perdi muita da minha ambição em lutas que estavam condenadas desde o início. É também importante se saber escolher as lutas. É desgastante investir recursos emocionais em batalhas que em retrospectiva acabam por ser ingénuas... hoje estou confortável na ausência de grandes responsabilidades. A ambição pressupõe sucesso e o sucesso tem a responsabilidade como apêndice. Quero independência, possibilidade de livre arbítrio sem reflexo num espelho social que se habitua a convencionar o que é esperado de nós. Resisto à responsabilidade da mesma forma se calhar que uma criança que foi abusada sexualmente resiste ao sexo na sua fase pré-adulta. Estou talvez traumatizado.
(...)
Mudou-se para Berlim no final do ano passado em circunstâncias incertas. Especulou-se que tenha sido uma mudança de ares motivada meramente por razões futebolísticas, que procurava um novo desafio no estrangeiro. Encontrou esse desafio?
[risos].. A especulação existe primordialmente porque não se conhecem factos... a verdade é que não houveram factos, foi uma opção pessoal e com isto quero dizer que não fui motivado por nenhuma linha convencional de raciocínio. Não houveram premissas. Ou se houveram, equilibravam-se na balança da decisão. Eu próprio especulo sobre o que me levou a tomar esta direcção, particularmente pela sua característica irredutível. Hoje acredito que vim porque sim, queria um novo desafio. A minha carreira, depois de duas dezenas de meses em ascensão, estagnou. Eu não me sinto bem com a estabilidade, é me inquietante, fico ansioso por eventualidades. Parti sabendo que teria que trabalhar muito para atingir os níveis exibicionais que vinha a apresentar em Portugal, mas felizmente sinto que estou próximo de o conseguir. E foi realmente um desafio, continua a ser, no sentido em que diariamente sou levado a lidar com situações que desconhecia da minha vida prévia. É uma questão de adaptação acima de tudo.. e nós humanos subestimamos a nossa capacidade de adaptação, de aprendizagem, de progressão na adversidade. É por isso que muitas vezes encurralamos os nossos ímpetos e sonhos com decisões confortáveis, e o Mundo assim torna-se mais pequeno...
Mas nem todos os ímpetos serão benevolentes..
Naturalmente que não... em abono da verdade este ímpeto de vir para Berlim tinha implicações trágicas do ponto de vista teórico. O alongamento do percurso académico, já de si suficientemente distendido nesta altura, a dificuldade em arranjar trabalho numa cidade com 20% de desemprego e a capitulação social lisboeta e consequentemente pessoal sugeriam precaução na forma de agir... e quando cheguei cá senti tudo isso a me subir à pele, mas já esperava tudo, tava preparado, nada me surpreendeu. Vivi numa situação precária do ponto de vista financeiro, social e emocional durante um par de meses mas depois fui afortunado na forma como acabei por emergir... Mas voltando aos ímpetos, é uma questão humana. Devemos tentar, pelo menos tentar, o que desejamos, mesmo quando o caminho é pouco claro. É importante espiritualmente que se explorem possibilidades, e para isso também é necessária também uma certa dose de egoísmo.
Nessa altura, pensou voltar?
Não, nem por sombras.. felizmente a situação nunca foi insustentável.. ao cabo de dois meses começava a sentir os primeiros sinais de stress, mas ainda tinha largos meses de luta para dar naquelas condições.. ainda nem tinha entrado na fase que considero ser a da mais absoluta demonstração de cáracter humano, a fase de perseverança, a fase em que independentemente de se ver ou não uma saída para a teia de problemas em que nos encontramos, se continua a remar cegamente contra a maré. Mas eu não tenho por hábito tomar o caminho mais fácil e isso também é determinante quando lido com situações menos boas.
Considera-se, então, um lutador?
Todos temos potencial para lutar. Como já disse subestimamos as nossas capacidades. A algumas pessoas faltam oportunidades de lutar, e quando digo isto refiro-me à possibilidade que têm de escolher.. quando se pode escolher entre lutar ou não, é uma questão de personalidade. Mas quando a luta é estritamente necessária aí somos todos lutadores. É uma característica inata, animal, é um processo instintivo. É claro que quem escolheu lutar em oportunidades prévias vê-se com mais ferramentas para contornar a dificuldade inevitável, mas até o mais aparentemente frágil espírito encontra força e habilidade para melhorar o contexto, em caso de necessidade. Dito isto, na nossa civilização corrente em particular, por causa do sistema altamente competitivo vigente, é importante ir à luta, tomar a iniciativa, para sobressair. Mas nem sempre é confortável, e então muita da ambição nas gerações mais jovens é cortada pela raíz com as dificuldades que se impõem para entrar no mundo adulto.
Inclui-se nesse grupo cuja ambição sofreu com a resistência do "sistema"?
..[longa pausa]... perdi muita da minha ambição em lutas que estavam condenadas desde o início. É também importante se saber escolher as lutas. É desgastante investir recursos emocionais em batalhas que em retrospectiva acabam por ser ingénuas... hoje estou confortável na ausência de grandes responsabilidades. A ambição pressupõe sucesso e o sucesso tem a responsabilidade como apêndice. Quero independência, possibilidade de livre arbítrio sem reflexo num espelho social que se habitua a convencionar o que é esperado de nós. Resisto à responsabilidade da mesma forma se calhar que uma criança que foi abusada sexualmente resiste ao sexo na sua fase pré-adulta. Estou talvez traumatizado.
(...)
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